MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

No dia 31 de julho recebi uma postagem reproduzindo uma declaração de Ciro Gomes criticando a venda de três plataformas da Petrobras, por R$ 7 milhões de reais e comparando a venda aos salário de Neymar. Essa mensagem foi imediatamente compartilhada num grupo chamado Cirosincero (algo assim) que pelo que entendi o cara é sincero até mesmo quando mente. Levando em conta que essa postagem foi encaminhada por pessoas esclarecidas, fica claro que o segredo é confundir.

Ao ler a noticia fiquei pensando que, mais uma vez, a Petrobras seria palco de uma ação coordenada para gerar milionários, exemplo do que aconteceu com o petrolão ou com o prejuízo causado com a refinaria de Pasadena. Daí, quando vi que se trata das plataformas 7, 12 e 15, entendi se tratar do leilão ocorrido na semana anterior, dia 24.07, no qual essas plataformas foram arrematadas. Vamos aos fatos: as três plataformas leiloadas estavam fora de operação em as três tiveram acidentes, depois daquele grandioso que atingiu a P-36. Se fosse interesse do governo ficar com tais estruturas teria que investir para recuperar e operacionalizar e na situação atípica como essa no qual temos elevação de despesas e queda de receita, acredito que saber de onde vem o dinheiro é fundamental. No meio de tudo os R$ 7 milhões tinha sido muito barato. Caramba, num leilão se vende pelo maior preço ofertado só pelo P-15, o cara ofertou R$ 3,6 milhões. Se alguém colocasse mais do que isso, teria levado.

Cabe dizer que a propriedade das jazidas de minerais e de petróleo é prevista nos artigos 176 e 177 da CF. No artigo 176, fica claro a dissociação entre a propriedade do solo e a propriedade do produto. Se você der um chute numa pedra no quintal de sua casa e jorrar petróleo, valeu, parabéns, tua vida vai mudar, não porque serás dono do poço, mas porque receberás compensação na forma da lei, como diz a constituição. Então, em linhas gerais o governo vendeu o trator e continuou dono da terra. Por que o escândalo?

A lenga-lenga desse debate recai sobre a velha bobagem de “dilapidação do patrimônio público”. Ora, alguém sabe dizer se o patrimônio público é mais dilapidado quando é roubado ou quando é vendido? Obviamente, esses críticos da política econômica atual se posicionam contra a venda, não contra o roubo. É lastimável isso. Divulga-se, de forma distorcida, aquilo que parece danoso e acreditam que com isso chegarão ao poder. Os caras não aprendem mesmo.

É preciso entender o real objetivo de uma empresa uma pública no Brasil. Na quarta passada eu dava aula na pós graduação e como uso exemplos reais, pequei uma planilha com dados de empresas cadastradas na B3 (na bolsa) e como informação havia o valor de mercado das empresas em 31.12.2019, em 30.06.2020 e 03.08.2020. Imediatamente, fizemos a variação percentual do valor de mercado em agosto comparando com dezembro. Separei perdas dos ganhos e vamos comparar se a taxa média das perdas era, estatisticamente, igual a taxa média dos ganhos. A maior perda que encontrei foi 73,35%. Vejam: uma empresa perdeu 73% do seu valor de mercado em 8 meses. Qual era a empresa? O IRB – Instituto de Resseguros do Brasil. Um monopólio estatal. O IRB vem assim desde o passado por problemas de governança. Se o IRB fosse vendido, estariam dilapidando o patrimônio público ou ele já vem se deteriorando? Ele perdendo valor de mercado, é o curso natural das coisas. Entendem? Vender é dilapidar.

Observando os ministros da Fazenda que tivemos no Brasil, a gente vai encontrar Funaro, Mailson e Bresser no governo Sarney. Todos três produziram planos econômicos desastrosos. Bresser Pereira foi responsável pela mudança da base de cálculo da inflação: ao invés de a inflação ser calculada entre o primeiro de dois meses consecutivos, ele colocou o cálculo de 15 de um mês para 15 do mês seguinte. Como resultado ele desprezou a inflação de 14 dias que chegou a 26,1% e lascou quem tinha contratos reajustados com base em índice de preços, como a caderneta de poupança. Sabe como o governo arrumou grana para bancar estas perdas? Com a multa de 10% do FGTS nas demissões sem justa causa. Quem pagou foram as empresas. Ano passado o governo atual acabou com isso.

Em adição tivemos Zélia Cardoso, Ricúpero, FHC, Pedro Malan, Palocci, Guido Mantega, Meirelles e Joaquim Levy. Nenhum fez algo de relevante, exceto FHC que estabilizou a economia com o Plano Real. Digam qual foi o programa de governo que cativou o mercado? Vou lembrar o seguinte: o governo Lula (o de Dilma também) manteve a política econômica de FHC. Lula teve que declarar que manteria contratos caso fosse eleito. E a tão decantada “auditoria da dívida” nunca foi feita.

Paulo Guedes apresentou um projeto econômico inovador e isso atraiu o mercado. Isso trouxe votos para Bolsonaro e não foi por outro motivo que a bolsa bateu recordes. Ao longo do ano foram implantadas medidas que se não fosse essa pandemia teria alavancado o crescimento econômico este ano. Portanto, quem quer que seja o candidato a presidente em 2022, só será eleito se apresentar uma proposta melhor do que essa de Guedes. Eu não acredito que o mercado vá retroagir.

Finalmente, acho inoperante o comportamento da esquerda. Os caras passaram 2018 inteiro chamando Bolsanaro de mentiroso, corrupto, fascista, homofóbico, racista, torturador, etc. Fizeram uma campanha do ELENÃO na qual artistas apoiaram e conseguiram apoio fora do Brasil. Roger Walters, do Pink Floyd, mostrou no telão o ELENÃO (foi vaiado e aplaudido) … e Bolsonaro teve 57 milhões de votos. A esquerda não entende que precisa mudar o discurso porque esse não causou efeito. Cada vez que eu vejo estes posicionamentos eu entendo bem mais o significado de sono eterno.

5 pensou em “A BEM DA VERDADE

  1. Tudinho muito bem explicado, desenhado e caligrafado. Comparado a uma Aula Magna para alunos estudiosos, dedicados e interessados no aprendizado e conhecimento do seu curso escolhido. Compartilhando o privilégio de ter um verdadeiro Mestre, Maurício Assuero, para orientá-los. Sr. Nobre Colunista, permita-me dizer-lhe: quem não entendeu sua matéria Propedêutica, simplesmente são os energúmenos de sempre. Os de má vontade com o Governo. Os azaradores da boa sorte alheia. Os apátridas. Os traídores da Nação. Resumindo: os zisquerdóides urubuzentos e macabrentos que estão há décadas defecando impropérios. São os verdadeiros foras da lei, querendo ditar Leis para aqueles que unicamente as obedecem. Ou seja, nós povo Conservador, maioria esmagadora nesse incomparável País. Vão pra ponte que caiu, antes que eu me esqueça. Representantes do maligno e das trevas. Sr. Maurício Assuero, meus sinceros e respeitosos cumprimentos.

  2. Diz Assuero: A esquerda não entende que precisa mudar o discurso porque esse não causou efeito. Cada vez que eu vejo estes posicionamentos eu entendo bem mais o significado de sono eterno.
    Querido hermano Assuero,
    Nossa esquerda é bolsonarista, pois passa o dia inteiro fazendo propaganda do Bolso. Nunca deixam nome do Jair ficar fora das manchetes… êita gente para gostar do tal “Messias”

    Abração de Sancho.

  3. Meu nobre, ei concordo plenamente. Um dia desses eu falei isso pra um professor: “você fala mais em Bolsonaro do que eu”.

  4. Bela esplanação, Mestre Assuero.

    A esquerda estatizadora age como um corno que, ao saber do escorneamento ocorrido no sofá, continua com a mulher (estatal) e passa e renegar o sofá.

Deixe uma resposta