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Caio Coppolla

Dilma, Lula e o ex-Ministro Aluizio Mercadante: autocrítica impossível

A Folha de S. Paulo publicou entrevista com uma das raras lideranças petistas alheias ao cárcere, o ex-Senador e ex-Ministro de Dilma, Aloizio Mercadante. A chamada não poderia ser mais condescendente: “Temos que fazer autocrítica sincera, afirma Mercadante nos 40 anos do PT” – o desavisado leitor de manchetes pode ter a impressão de uma mea culpa, mas convenhamos que, no caso do Partido dos Trabalhadores, a linha entre assumir erros e confessar crimes é tão tênue que torna improvável qualquer retratação contundente.

Entre relativizações, desculpas e terceirização de responsabilidade pelas monstruosas incorreções morais e técnicas dos governos petistas, destaco dois trechos para o leitor do Boletim:

“a obra que nós [o PT] construímos é muito maior do que os erros”. Não, não é. Até porque a alegada prosperidade nos anos do Lulopetismo se provou efêmera, culminando na maior recessão econômica da história da república, com recordes de desemprego, juros, inflação e endividamento familiar. A educação brasileira, mesmo com orçamento multiplicado, não avançou em qualidade. A crise na segurança pública levou os números de mortes violentas no país a patamares de zonas de guerra. E se a “obra” foi controversa e inconsistente, os “erros” são evidentes e dantescos: mensalão, petrolão, superfaturamento de obras, loteamento de cargos executivos, subsídios às “campeãs nacionais”, controle artificial de preços, financiamento de ditaduras, asilo a terroristas, nomeações de militantes para o judiciário… Isso se concedermos ao PT a gentileza do eufemismo, tratando crimes graves como meros erros.

O segundo excerto que trago aos leitores do Boletim, choca pela desconexão com a realidade e o descompromisso com a democracia, as garantias fundamentais e os direitos humanos:

– Folha: O sr. não considera o Maduro um ditador?

– Mercadante: Não. Você pode falar que tem um regime autoritário. E que está tentando se defender de uma intervenção externa.

Negar que o regime bolivariano é uma ditadura é absurdo: são décadas de perpetuação de um grupo político no poder, com eleições comprovadamente fraudadas; exílio, prisão e tortura de oposicionistas; morte de manifestantes civis que protestam nas ruas; controle da justiça e das forças armadas pelo poder executivo; supressão do poder legislativo democraticamente eleito; criação de milícias pró-governo; controle da mídia, com estatização ou fechamento de grupos de comunicação, encarceramento e expulsão de jornalistas. Sem falar na tirania de submeter a população à escassez de produtos de higiene, alimentos e remédios, provocando fome, epidemia de doenças e migrações em massa de refugiados. Ainda assim, o petista Mercadante – numa demonstração de fidelidade canina à ideologia socialista – relativiza as atrocidades de seu ditador de estimação e ainda culpa o mundo livre por querer intervir nessa catástrofe humanitária.

Realmente, a entrevista é uma “autocrítica sincera”… mas para padrões petistas.

8 pensou em “A “AUTOCRÍTICA” PETISTA

  1. É mais um cu de cachorro do pt falando,abriu a boca,sai merda,não tem jeito.
    Esse até se esforça para falar bonito,mas é merda,merda bonita.

  2. Essa expressão “Maduro não é ditador, mas é um regime autoritário”

    é bisneta de outra, de uns dez anos atrás:

    “O PT não tinha caixa 2. Tinha recursos não contabilizados.”

  3. Ditador não, mas autoritário. são coisas completamente diferente.

    É o mesmo que falar: ele não é feio, carece de falta de boniteza.

  4. Esse sabe falar o dilmês! Foi Ministro no governo dela!
    Vejamos, nessa autocrítica que ele sugere, vão aparecer confissões sobre:
    a) a compra de votos dos parlamentares descoberta no mensalão?
    b) a venda de cargos na Petrobras para os partidos apoiarem o governo (petrolão)?
    c) a proteção ao terrorista italiano?
    d) as propinas que o clube de empreiteiras pagava?
    Se a autocrítica confessar essas 4 questões, já ficaria parecendo um partido político brasileiro!

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