A ARTE IMITA A VIDA

Em outubro de 2017 foi lançado no Brasil o filme intitulado Mark Felt: O homem que derrubou a Casa Branca (Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House), produzido pela Sony Pictures Classics, com o ator norte-irlandês, Liam Neeson, interpretando Mark Felt.

O filme retrata o escândalo político ocorrido nos Estados Unidos conhecido como “o caso Watergate” que, de certo modo, tornou-se um caso paradigmático de corrupção. Em 18 de junho de 1972 o jornal Washington Post noticiava, na primeira página, o assalto à sede do Comitê Nacional Democrata, no dia anterior, no Complexo Watergate, situado na capital do país.

Richard Nixon fora eleito presidente em 1968, sucedendo a Lyndon Johnson, tornando-se o terceiro presidente dos Estados Unidos a ter que lidar com a Guerra do Vietnã. Nixon voltou a candidatar-se em 1972, tendo como opositor o senador democrata George McGovern, obtendo vitória esmagadora ao ganhar em 49 dos 50 estados da federação.

A invasão à sede do comitê dos democratas ocorreu durante essa campanha de 1972. No decorrer da investigação oficial que se seguiu foram apreendidas fitas gravadas que apontavam o presidente como conhecedor das operações ilegais contra a oposição. Sua defesa argumentou que o presidente tinha prerrogativas de cargo o que o isentava de apresentar informações confidenciais.

Em julho de 1974, Nixon foi julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos quando foi obrigado, por veredito unânime, a apresentar as gravações originais que comprovariam de forma inequívoca o seu envolvimento na ação criminosa.

Precisamente no dia 9 de agosto, Nixon renunciou à presidência da República, ante a possibilidade de impeachment iminente, sendo substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia retirando-lhe as responsabilidades legais por qualquer infração que tivesse cometido.

Em maio de 1972, morreu J. Edgard Hoover, o primeiro e todo-poderoso diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI) – considerada a maior organização policial do mundo. Mark Felt, então o 2º vice-presidente da agência investigativa, considerava-se o sucessor natural de Hoover. Porém, essa possibilidade não constava dos planos de Nixon desejoso de instalar ali pessoa de sua confiança.

Mark Felt esteve à frente do escândalo Watergate, amplamente explorado pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do Washington Post, abastecidos por informações críticas de certo colaborador secreto apelidado Deep Throat (Garganta Profunda), que culminou com a renúncia de Richard Nixon em 1974.

Embora suspeitassem de Mark Felt ser o Garganta Profunda nada foi comprovado durante 30 anos. Em 2005, Felt, finalmente revelou o bem guardado segredo de ser, ele mesmo, o Deep Throat. Alegou o procedimento nada ortodoxo ao senso de lealdade institucional devida ao FBI.

Felt morreu dormindo em 2008 aos 95 anos de idade; o FBI continuou sendo uma instituição de Estado, e não de governo; e, os Estados Unidos sobreviveram a essa provação de desestabilização pela corrupção.

Qual a moral extraída dessa história? Eu resumiria o filme em três verdades: no mundo nada se cria, copia-se; conhecimento é poder; e, finalizaria afirmando que, em determinadas situações, a arte imita a vida.

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