ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

José Domingos de Moraes nasceu no interior de Pernambuco, na cidade de Garanhuns, em 12 de fevereiro de 1941. Oriundo de família humilde, seu pai, mestre Chicão, era um conhecido sanfoneiro e afinador de sanfonas. O garanhuense Mestre Dominguinhos teria completado 80 anos no último dia 12, caso ainda estivesse vivo. O músico, exímio sanfoneiro, cantor e compositor, nos deixou em julho de 2013, quando foi morar juntinho de Marinês, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, teve como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira, assim como sua formação musical recebeu influências do baião, bossa nova, choro, forró, xote e jazz. O músico faleceu após perder uma batalha que durou 6 anos contra um câncer de pulmão.

Conforme nos conta o jornalista Mauro Ferreira que escreve sobre músicas nos principais jornais do país, Dominguinhos expandiu o legado do proclamado Rei do baião, tanto no toque inventivo da sanfona como na composição de boleros, choros, fados e valsas. Em Baião violado (1976), tema instrumental de autoria do artista, o músico mostrou como se tocava o baião com a influência do jazz, em mais uma prova de que o universo musical de Dominguinhos sempre extrapolou as fronteiras da nação nordestina. Dominguinhos soube ir além de Luiz Gonzaga sem jamais ter renegado as lições do mestre que lhe estendera a mão no início difícil da trajetória artística no Rio de Janeiro.

Seguidores de estrelas da MPB sabem que é impossível ouvir a doída canção Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) sem dissociá-la do canto de Nana Caymmi. Ou escutar o xote Eu só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia, 1973) sem pensar no canto de Gilberto Gil, de quem Dominguinhos virou parceiro quando Gil pôs letra na melodia de Lamento sertanejo (1973), tema originalmente instrumental. Se Elba Ramalho imortalizou De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985), Maria Bethânia caiu nos braços da paz e do povo ao gravar Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986).

Parceiro de Chico Buarque (em Tantas palavras e Xote de navegação, músicas lançadas em 1984 e 1998, respectivamente) e de Djavan (em Retrato da vida, composição de 1998), Dominguinhos construiu obra fonográfica que merece mais atenção de quem acredita que o legado do artista está concentrado nos sucessos e discos mais populares. Afirma o crítico de músicas, Mauro Ferreira, que o canto de Dominguinhos nem sempre acabou tudo em baião à moda de Luiz Gonzaga e, na certa por isso mesmo, Seu Domingos está eternizado no panteão da música brasileira como compositor e instrumentista de identidade própria.

Na última quinta-feira(18), essa Lenda da sanfona brasileira, foi homenageado na terceira edição do Festival Toca, que promoveu uma live para celebrar os 80 anos de nascimento do cantor e compositor pernambucano. O encontro foi transmitido do palco do Teatro Riachuelo/Rio de Janeiro, no YouTube. Intitulada de “Instrumental sanfônico”, a primeira parte do show teve apenas músicas instrumentais de Dominguinhos, executada pela Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro.

Clique aqui para assistir vídeo com Dominguinhos e vários Artistas – Ao Vivo em Nova Jerusalém-PE

3 pensou em “80 ANOS DO NASCIMENTO DE MESTRE DOMINGUINHOS

  1. Para mim, um dos ápices da genialidade de Dominguinhos está na gravação em estúdio de “Aproveita Gente”, música composta por Onildo Almeida para Luiz Gonzaga.

    No momento em que Dominguinhos emenda o bigode, digo, a sanfona com Chiquinho de Cabaceira (Romeu Seibel), como o chamava Luiz Gonzaga, ou Chiquinho do Acordeon, o estúdio de gravação do Rio de Janeiro estremecia.

    Valeu, mestre Altamir Pinheiro, essa homenagem a esse gônio do Planeta Terra, tão simples que parecia pedir desculpa por existir e ter nascido genial!

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