A PALAVRA DO EDITOR

Taí um lance político dificil de engolir. Quando desce, engasga. Arranha. O motivo é a desconfiança contra os deputados e senadores que, famintos por grana, armam esquemas, alguns de procedência duvidosa, para aumentar o valor dos ressarcimentos com as despesas parlamentares. Sabendo que a viuva é abestada na análise das contas, nunca contesta, os políticos aproveitam. Enchem os bolsos. Enganam o Congresso. Afinal, arranjar notas fiscais em branco é fácil. Difícil é comprovar a veracidade de todas as despesas efetuadas. Por isso, algmas são falsas.

Em 10 anos, as despesas realizadas por deputados e senadores com alimentação, combustível, fretamento de jatinhos, tem governador que esqueceu os voos comerciais, hospedagem, pesquisas, consultorias, trabalhos técnicos e passagens aéreas passaram dos limites. Cresceram absurdamente. No periodo entre 2007 e 2009, 443 ex-deputados promoveram a maior farra no item passagens aéreas, conhecido como o cotão parlamentar do Congresso. O montante chegou a R$ 2,8 bilhões. Os senadores, para não perderem o ritmo da dança, gastaram R$ 300 milhões.

O incrível é que, até momento, mesmo decorrido dez anos de irregularidades, ninguem foi punido. Nem pelo Congressso, o setor de fiscalização do Legislativo se julga incompetente para comprovar a veracidade das despesas, e muito menos pela Justiça. O volume gasto sobrou para o bolso do contribuinte pagar. Agora, imagine, o país dispor no momento de R$ 3 bilhões para empregar na educação, construindo ou retaurando escolas, na saúde, melhorando os serviços hospitalares, na conservação de estradas, portos e ferrovias, a fim de modernizar os modais de transporte para facilitar o escoamento da produção.

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O graduado em nível superior tem melhor chance no mercado de trabalho. A instrução intelectual lhe concede a preferência na disputa por emprego, reserva ao candidato melhor preparado à vaga a oportunidade de ganhar um salário condigno. Pela lógica, o candidato de nível superior é mais qualificado do que quem mal passou do ensino fundamental ou parou no ensino médio. É evidente que a idade pesa. No entanto, na prática, os processos seletivos analisam outros fatores, além do grau de instrução. De antemão, a empresa, quando contrata, visa no novo funcionário condições de oferecer reciprocidade. Preencher requisitos para perseguir o lucro.

Afinal, é com lucro que a empresa cobre os custos do empregado. Todo funcionário tem um custo funcional. Custo com salário, benefícios e transporte. Para traçar o perfil do candidato, o recrutador solicita currículo e nível de experiência, para comprovar a qualificação profissional. Todavia, com a globalização do mercado de trabalho, outros requisitos são fundamentais. Um deles, básico, é cobrar do candidato à vaga a capacidade de ser um multitarefa. Jogar em várias posições. Não ficar restrito somente a uma função específica. Ter relação com a tecnologia da informação, ser expansivo, interessado, pontual, desenrolado, organizado, sincero e, sobretudo, extrovertido. Capaz de marcar presença na empresa e na praça.

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Lamentavelmente, mais de 50 milhões de pessoas viviam na linha de pobreza no Brasil, em 2017. O total de indigentes corresponde a 25,4% da população. Os dados entristecem porque essa gente dispõe apenas de uma renda familiar superbaixa que, segundo o Banco Mundial, corresponde a R$ 387,07. Lamentavelmente, do contingente de pobres, quase a metade, 43,5% da população, vegeta no Nordeste, uma região paupérrima sem condições de amparar os necessitados. O quadro de carentes evidencia alguns fatores negativos. O país alimenta um quadro de desigualdades sem limites.

As mulheres são descriminadas, os trabalhadores pretos e pardos lideram na lista de desempregados, apresentam menor nível de escolaridade, são pessimamente remunerados. Quanto menos estudos, mais cedo o jovem é forçado a procurar emprego. Enfrentar o mercado de trabalho, mesmo sem apresentar o necessário estágio educacional que prejudica a formação escolar. Estimula o abandono dos estudos precocemente. Desvia a atenção da molecada para o rumo do crime e do tráfico. Segundo as estatísticas, na época, os estados nordestinos que abrigavam a maior quantidade de pobreza eram o Maranhão, com 54,2% da população, e Alagoas com 47,4%.

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Apesar de extraordinário potencial turístico, mas, devido a problemas estruturais, o Brasil é fraco na recepção de visitantes estrangeiros. Numa análise envolvendo 136 países, o Brasil figura em primeiro lugar no conjunto de riquezas naturais, culturais e de entretenimento. No entanto, por oferecer uma segurança pública deficiente, elevada carga tributária, precária infraestrutura terrestre e portuária, sistema de saúde e de higiene de quinta categoria, além de mão de obra ainda pouco qualificada, o país perde divisas. Muitos comboios abarrotados de dólares e de euros, capazes de gerar bom nível de renda e de renda, fogem dos destinos turísticos brasileiros, desviados para outros lugares mais confortáveis do exterior.

Para reverter a magra situação, o Brasil tem tomado algumas acertadas medidas. Abertura total do capital de companhias aéreas nacionais ao capital estrangeiro, a contragosto da oposição política, dispensa unilateral para turistas dos EUA, Austrália, Japão e Canadá que queiram viajar ao Brasil com finalidades turísticas, de negócios, atividades artísticas ou desportivas ou em casos de interesse nacional, com estada pré-estabelecida de até 90 dias, prorrogável por igual período. O desejo de isentar vistos para estrangeiros não é novidade. É pleito antigo da indústria do turismo nacional que enxerga na atitude a possibilidade de escancarar um longo túnel de moeda estrangeira, principalmente dólar e euro.

Porém, o medo de violar princípios de reciprocidade na política externa, desencorajou presidentes que fugiram da raia para não se comprometerem, caso a decisão desmoronasse. Mas, a medida não foi rejeitada pela Argentina, México, Equador, Colômbia e África do Sul que estão se dando bem com a inovação unilateral. É isso, para se vencer na vida é preciso esbanjar coragem, determinação e peito. Quem sabe, essas medidas não abram portas para vários setores econômicos detonarem. Porém, se cairem no meio da jornada, sobram recursos para dar meia volta e sanar os erros. O ruim é ficar somente protestando, criticando, sem apresentar solução para o problema.

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