5 – USINA NUCLEAR – Opções e Alternativas

Segundo o World Energy Outlook 2019 da IEA – Agência Internacional de Energia, divulgado em 13/11 passado, o mundo terá METADE de toda a nova geração de energia a ser implantada composta por fotovoltaicas. A capacidade de geração passou de 3,7 GW, em 2004, para 303 GW em 2016 – crescimento anual de 44% (REN21, 2017). Já a IRENA – International Renewable Energy Agency, afirma, em uma de suas últimas publicações, que a energia fotovoltaica deverá estar atendendo a mais de um quarto de todas as necessidades energéticas do mundo após 2050, chegando mesmo a se constituir na segunda fonte energética mais importante, atrás apenas da energia eólica. Para isto, a capacidade global de geração fotovoltaica deverá ser multiplicada 18 vezes sobre a capacidade atual, atingindo a potência de mais de 8.000 giga watts neste mesmo ano. Enquanto isso, as gangues encasteladas no comando do nosso sistema energético colocam todo tipo de dificuldades à implantação de geração distribuída, muito especialmente porque não podem faturar imensos pixulecos, ou mesmo taxar de maneira escorchante os consumidores que se livraram da espoliação praticada pelas distribuidoras e pelos governos estaduais e federal.

Considerando cada painel fotovoltaico com área de 2m², podemos estimar grosseiramente que cada Ha (100m X 100m) pode corresponder a uma capacidade instalada de 5.000 painéis. Se estes mesmos painéis tiverem uma capacidade de 330W (modelo mais comum no mercado), teremos uma capacidade total de geração de 1.650 Kw (0,33w X 5.000 painéis) neste mesmo hectare. Como serão necessárias áreas para a circulação, para manter distância das placas até a cerca circundante, para a instalação dos inversores e transformadores, e para evitar que uma série de painéis provoque sombreamento sobre a série de seus vizinhos, podemos considerar que 1 Ha equivale à Capacidade de geração de 1 Mw.

Considerando que o Brasil possui atualmente uma capacidade TOTAL de geração de cerca de 150 Giga Watts, ou 150.000 Mw, podemos afirmar que para atender a toda a demanda brasileira de energia apenas com fotovoltaicas, necessitaríamos então uma área de 150.000 Hectares cobertos com estas instalações. Se tomarmos em consideração que a geração fotovoltaica se dá apenas durante um terço do dia (8 horas de luz), para empatarmos as produções teríamos de multiplicar por 3 a capacidade de geração fotovoltaica. Teríamos assim a necessidade de 450.000 Ha cobertos por painéis. Já que 01 Km² representa 100 hectares, podemos afirmar com segurança que uma área composta por 4.500 Km² de placas fotovoltaicas seria capaz de suprir todas nossas necessidades energéticas atuais. Apenas a título de comparação, e para que tenhamos uma noção mais clara do potencial praticamente infinito desta forma de geração de energia elétrica, basta dizer que se tivermos um quadrado com 70 Km de lado, por 65 Km do outro lado, cobertos por uma usina fotovoltaica, esta seria suficiente para toda a nossa demanda. Isto é, praticamente, a área do lago formado pela represa de Sobradinho. O problema dessa forma de geração é que as áreas mais propícias estão no Nordeste, região historicamente dominada por decisões desastradas tomadas por gestores situados no sul do país.

Quanto à energia eólica, diz a Fundação de Amparo à pesquisa “O potencial de geração de energia eólica no Brasil é estimado em cerca de 500 gigawatts (GW). De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), é energia suficiente para atender o triplo da demanda atual de energia do Brasil. O número é mais de três vezes superior ao atual parque nacional gerador de energia elétrica, incluindo todas as fontes disponíveis, como hidrelétrica, biomassa, gás natural, óleo, carvão e nuclear. Em dezembro de 2018, a capacidade de geração instalada somou 162,5 GW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desse total, as usinas eólicas responderam por 14,2 GW, igual à capacidade instalada da usina de Itaipu”, ou da CHESF

Todo este imenso potencial vinha sendo solenemente ignorado pelos nossos brilhantes gestores até que, em meados de 2008, um milagre aconteceu: A Sudene, que havia sido extinta, foi reativada devido à imensa pressão colocada pelos nordestinos. O primeiro superintendente escolhido, Paulo Sérgio de Noronha Fontana, veio da turma do Gedel, Jaques Wagner e companhia. Apesar da origem nada recomendável, teve uma atitude altamente meritória. As empresas de eólicas estavam diante de um impasse: Não ofereciam lances nos leilões porque não havia financiamento. Estes não eram concedidos porque os equipamentos eram importados. Os fabricantes não se instalavam no Brasil porque não haviam projetos. Foi quando Paulo Noronha assegurou aos investidores que financiaria os projetos com dinheiro do FDNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste), mesmo os equipamentos sendo importados. A partir daí, foram aprovados projetos totalizando mais de 1 GW no Ceará e outro no Rio Grande do Norte.

No final de 2010, Luciano Coutinho, Presidente do BNDES e cabeça da gangue montada pelo PT para depenar o erário brasileiro, descobriu a estória. Correu e contou pra Dilma. A PresidANTA ficou irada. Foi a Recife, demitiu Paulo Noronha e proibiu (de boca) a Sudene de financiar qualquer projeto voltado para energia. Prerrogativa esta, segundo ela, exclusiva do BNDES. Extinguiu o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste e disse que iria montar outro fundo para substituí-lo. Enquanto isso, ficava tudo parado e não liberava nem um tostão. Só que as empresas haviam acreditado na seriedade dos contratos com a Sudene e tinham investido bilhões, sempre aguardando pela liberação das parcelas. Passou-se mais de um ano.

Em 2012, a ação decisiva do novo superintendente, Dr. Luiz Gonzaga Paes Landim, salvou-as todas. Foi uma luta imensa para desfazer o nó jurídico dado em cima do assunto. Esses projetos possibilitaram a instalação da base produtiva para equipamentos dessa modalidade de energia. De dependente da energia importada de outras regiões, o Nordeste passou a exportar energia para o restante do país, sendo grande parte dela produzida de forma renovável. Em paralelo, está tirando as térmicas do circuito e “limpando” de novo a matriz energética. Hoje, apesar de todo o terrorismo praticado pelas lideranças do setor energético brasileiro, esta forma de geração se impôs e já é responsável por atender mais de 8% da demanda energética do país, mesmo as usinas eólicas tendo passado longos períodos rodando em vazio por não terem sido construídas linhas de transmissão para a inclusão desta energia no Sistema Energético Nacional. Demorou anos até esta “pequena” mancada dos nossos sábios planejadores ser consertada.

Toda esta evolução nas energias renováveis, empurrada pelos investidores goela abaixo de governantes desonestos, incompetentes e traidores da população que os sustenta a pão de ló, está totalmente alinhada com o que vem se verificando no mundo civilizado. Segundo Dennis Wamsted, editor e analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis – IEEFA, a produção de energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica, hidráulica, biomassa e geotérmica) deverá ultrapassar a produção gerada a partir de carvão nos Estados Unidos já no ano de 2021. Carvão e renováveis estão caminhando rapidamente em direções opostas, segundo o mesmo. Em alguns estados como o Texas, com uma longa tradição de geração a carvão, esta transição já ocorreu e a geração eólica ultrapassou a geração a carvão pela primeira vez na história. A geração eólica representava apenas 0,8% da geração do Texas em 2003. Este número saltou para 22% anualmente, contra uma produção de 21% a partir de carvão.

Críticos das energias renováveis enfatizam, que nem sempre o sol brilha, assim como nem sempre o vento está soprando. A grande dúvida diante desta transição para novas formas de geração de energia que sejam menos agressivas ao meio ambiente, são os possíveis danos provocados à qualidade e à continuidade da energia fornecida. Esta preocupação tem levado os grandes centros de pesquisa do setor, em todo o mundo, a desenhar soluções inovativas para estes problemas. Quanto a isto, basta dar uma lida no documento da IRENA sobre flexibilidade de sistemas energéticos. 

Na minha modesta opinião, este problema já se encontra totalmente equacionado. Estamos agora trabalhando na curva do conhecimento. Novas tecnologias e economias de escala já reduziram o custo para armazenar 01 Kw de €1.500 para cerca de €200 a 400. Já está totalmente viável e vai melhorar bem mais em futuro próximo.

E aí? Vamos aceitar calados que nos façam mais esta imensa patifaria?

3 pensou em “5 – USINA NUCLEAR – Opções e Alternativas

  1. “região historicamente dominada por decisões desastradas tomadas por gestores situados no sul do país”…
    Totalmente errada esta afirmação, se o voto fosse proporcional ao número de eleitores, se não tivéssemos estados deficitários como a maioria dos estados nordestinos, certamente estaríamos em posição melhor

  2. Eu sou fã da energia eólica em grandes instalações (pela economia de escala) e da energia fotovoltaica de forma distribuída (dois ou três painéis de 300W no telhado de cada casa), mas de forma barata e desburocratizada, sem as exigências absurdas das ANEEL da vida.

    Pena que os interesses contrários sejam muitos. Mais uma vez, seremos o país que nunca perde a oportunidade de perder uma oportunidade.

  3. Prezado Henrique,
    O senhor está coberto de razão quando reclama que meia dúzia de eleitores do Amapá possuem o poder de empurrar uma carniça feito Alcolumbre no senado, na frente de milhões de eleitores paulistas.
    Está correto também quando afirma que a maioria dos estados, todos da Bahia para cima, são absurdamente deficitários e dependentes de verbas federais, verbas estas oriundas do trabalho dos paulistas.
    Só caro colega, que estes dois fatos inquestionáveis NÃO TEM NADA A VER COM AS DECISÕES ESCROTAS DE NOSSO GOVERNO. Tem político canalha e ladrão vindo de todos os estados.

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