ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Podemos afirmar, sem exagero, que a era nuclear abriu as portas do inferno para a humanidade. É exatamente para este inferno que as lideranças brasileiras estão querendo conduzir a nossa população.

Toda essa estória começou com a criação do Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq em 1951. Durante seus primeiros anos, o novo órgão pautaria sua atuação no sentido de autonomia e forte oposição a uma ala fortemente pró-americana existente nos meios científicos e governamentais. Em 1956, é criada a Comissão Nacional de Energia Nuclear, desmembrada do CNPq, e esta assume o comando da política nacional para o setor, sempre em estreita colaboração com os norte-americanos. A compra do reator da Westinghouse Eletric Corporation, em 1971, posteriormente instalado na usina nuclear de Angra I, representou o coroamento dos esforços deste grupo.

Logo depois, com a crise do petróleo em 1973 e a expansão do mercado de reatores, aliados à brusca decisão dos Estados Unidos de suspender, em 1974, o fornecimento de urânio enriquecido para novas usinas, levaram o governo a redefinir suas políticas e a adotar atitudes mais ousadas.

É nesse contexto que se situa o acordo assinado com a Alemanha e a AIEA em fevereiro de 1976. Por esse acordo, o Brasil se comprometia a desenvolver um programa, juntamente com empresas alemãs lideradas pela Kraftwerk-Union – KWU, de construção de 8 grandes reatores nucleares para a geração de eletricidade, e de implantação no país, de uma indústria Teuto-Brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores, por um prazo de 15 anos. O acordo permitia ao Brasil desenvolver dentro do país a tecnologia de enriquecimento de urânio.

Das oito centrais previstas no acordo, só foram construídas duas. A construção da terceira vem se arrastando há décadas: Já consumiu uns R$ 10 Bilhões e ainda falta mais uns R$ 15 Bilhões para ser concluída. Estão à procura de parceiros que sejam suficientemente loucos a fim de se lançar nesta aventura.

Obras da Usina Nuclear de Angra 3 – “A Interminável”

A consequência maior destas desventuras do Acordo foi os militares brasileiros começarem a desenvolver programas paralelos e independentes, sempre visando desenvolver uma “Tecnologia Nacional para o Enriquecimento do Urânio”. Para que? Só Deus sabe! Ou o próprio Diabo. De vez em quando aparece uma pontinha desses programas malucos: Um poço profundo para testes de bombas atômicas, devidamente fechado por Fernando Collor, o projeto de um submarino nuclear que nunca termina, o projeto da terceira usina de Angra dos Reis, e muitos outros menos cotados. Todos sempre com o custo secreto na casa dos muitos milhões ou Bilhões de Reais. É loucura que nunca acaba mais! A loucura da vez é a construção dessas usinas em Pernambuco.

A doideira começa com denúncias cabeludas de corrupção na ANEEL, com seus dirigentes sendo investigados pela Polícia Federal sob denúncia de tramarem jogadas tenebrosas com os au$pícios das distribuidoras de energia. Depois, mesmo tendo mandado para a cadeira de balanço um ministro cuja filharada é detentora da mesma genialidade dos filhos de Sarney e de Lula (acumulam muitíssimos milhões de fortuna em pouquíssimos anos, arrecadados todo mundo sabendo onde e como), a jumentices da vez é um almirante da Marinha de Guerra que é tarado em submarinos nucleares, (para que, só Deus sabe!) e em desenvolver a utilização da energia nuclear em nosso país. Esqueceram de dize a este almirante que esse negócio de bomba atômica e submarino nuclear era muito bom durante a guerra fria, só que há algumas décadas atrás.

Em paralelo, as ratazanas do congresso estão todas em polvorosa para colocar no lugar do almirante alguém que seja mais $en$ível às demandas dos parlamentares e dos grupos de lobby, muito especialmente, de novo, as famigeradas distribuidoras de energia. Alguém com altíssimo pedigree em ladroagem como o filho de Fernando Bezerra, o eterno e frustrado candidato ao governo de Pernambuco, em cujo prontuário estão inscritos casos suspeitíssimos de malver$$ação de recursos públicos. ASSIM NÃO DÁ! Será que não vamos sair nunca desta urucubaca no setor energético, mesmo com um cara decente como Bolsonaro comandando esta imensa bodega?

É essa mesma gangue que deseja implantar a ferro e fogo esta maldita usina nuclear em Pernambuco, ao singelo custo de US$ 60 BILHÕES, e todos nós sabemos muití$$imo bem o porquê de tanto interesse!

A estratégia que vem sendo adotada, embora sem muito sucesso, é avacalhar com a possibilidade de evolução da implantação de Micro e Mini Geração de fotovoltaica, a fim de criar artificialmente uma escassez cada vez maior de fontes produtoras de energia. Assim, com o esgotamento das fontes hídricas, e com o custo cada vez maior da geração a gás, só restará a maldita opção pela energia nuclear. Vejam o que está no plano energético brasileiro: Segundo o PLANO DECENAL DE EXPANSÃO DE ENERGIA 2029 da Empresa de Pesquisas Energéticas.

A evolução da capacidade de produção das Micro e Mini geradoras, no Brasil, se daria da seguinte forma:

Ocorre que, segundo a ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a capacidade de geração fotovoltaica das MMGD já seria quase de 1,5 Gw. Bem superior, portanto, àquela previsão. Isto sem falarmos que a previsão, lá pelos idos de 2017, era de que teríamos uma capacidade geradora de 0,8 Gw. Podemos constatar então que a capacidade realmente instalada foi O DOBRO daquela modesta previsão de dois anos atrás.

Se a previsão daquele Plano Decenal de 2017 já se mostrava extremamente modesta frente à expansão geométrica que estamos verificando, na versão de atual ocorreu algo realmente muito estranho. Reduziram a previsão da nossa capacidade de geração fotovoltaica em 2027 de 11.847, para algo como 7.572 Mw. Podemos constatar que as nossas “amadas” autoridades estão dispostas a qualquer coisa para esmagar o desenvolvimento desta energia.

É quando eu lhes pergunto: Qual destes dois cenários você quer para vizinho de seus filhos e netos? Residências autônomas e produzindo para seu próprio consumo, ou uma bomba atômica prestes a explodir a qualquer momento, bastando para isso que uma determinada válvula não funcione, ou que alguém esqueça de abri-la?

Se eu também estivesse incluído na lista dos que iriam receber alguns milhões de dólares em um “Trust Fund” nas Ilhas Guernsey, ou em Luxemburgo, talvez eu até me animasse com a ideia de colocar essa peste bubônica aqui na terra desse bando de babacas. Ia embora para outro país e dava uma banana para todos vocês. Só que não é o caso.

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