4 – USINA NUCLEAR? Tô fora!

Podemos afirmar, sem exagero, que a era nuclear abriu as portas do inferno para a humanidade. É exatamente para este inferno que as lideranças brasileiras estão querendo conduzir a nossa população.

Toda essa estória começou com a criação do Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq em 1951. Durante seus primeiros anos, o novo órgão pautaria sua atuação no sentido de autonomia e forte oposição a uma ala fortemente pró-americana existente nos meios científicos e governamentais. Em 1956, é criada a Comissão Nacional de Energia Nuclear, desmembrada do CNPq, e esta assume o comando da política nacional para o setor, sempre em estreita colaboração com os norte-americanos. A compra do reator da Westinghouse Eletric Corporation, em 1971, posteriormente instalado na usina nuclear de Angra I, representou o coroamento dos esforços deste grupo.

Logo depois, com a crise do petróleo em 1973 e a expansão do mercado de reatores, aliados à brusca decisão dos Estados Unidos de suspender, em 1974, o fornecimento de urânio enriquecido para novas usinas, levaram o governo a redefinir suas políticas e a adotar atitudes mais ousadas.

É nesse contexto que se situa o acordo assinado com a Alemanha e a AIEA em fevereiro de 1976. Por esse acordo, o Brasil se comprometia a desenvolver um programa, juntamente com empresas alemãs lideradas pela Kraftwerk-Union – KWU, de construção de 8 grandes reatores nucleares para a geração de eletricidade, e de implantação no país, de uma indústria Teuto-Brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores, por um prazo de 15 anos. O acordo permitia ao Brasil desenvolver dentro do país a tecnologia de enriquecimento de urânio.

Das oito centrais previstas no acordo, só foram construídas duas. A construção da terceira vem se arrastando há décadas: Já consumiu uns R$ 10 Bilhões e ainda falta mais uns R$ 15 Bilhões para ser concluída. Estão à procura de parceiros que sejam suficientemente loucos a fim de se lançar nesta aventura.

Obras da Usina Nuclear de Angra 3 – “A Interminável”

A consequência maior destas desventuras do Acordo foi os militares brasileiros começarem a desenvolver programas paralelos e independentes, sempre visando desenvolver uma “Tecnologia Nacional para o Enriquecimento do Urânio”. Para que? Só Deus sabe! Ou o próprio Diabo. De vez em quando aparece uma pontinha desses programas malucos: Um poço profundo para testes de bombas atômicas, devidamente fechado por Fernando Collor, o projeto de um submarino nuclear que nunca termina, o projeto da terceira usina de Angra dos Reis, e muitos outros menos cotados. Todos sempre com o custo secreto na casa dos muitos milhões ou Bilhões de Reais. É loucura que nunca acaba mais! A loucura da vez é a construção dessas usinas em Pernambuco.

A doideira começa com denúncias cabeludas de corrupção na ANEEL, com seus dirigentes sendo investigados pela Polícia Federal sob denúncia de tramarem jogadas tenebrosas com os au$pícios das distribuidoras de energia. Depois, mesmo tendo mandado para a cadeira de balanço um ministro cuja filharada é detentora da mesma genialidade dos filhos de Sarney e de Lula (acumulam muitíssimos milhões de fortuna em pouquíssimos anos, arrecadados todo mundo sabendo onde e como), a jumentices da vez é um almirante da Marinha de Guerra que é tarado em submarinos nucleares, (para que, só Deus sabe!) e em desenvolver a utilização da energia nuclear em nosso país. Esqueceram de dize a este almirante que esse negócio de bomba atômica e submarino nuclear era muito bom durante a guerra fria, só que há algumas décadas atrás.

Em paralelo, as ratazanas do congresso estão todas em polvorosa para colocar no lugar do almirante alguém que seja mais $en$ível às demandas dos parlamentares e dos grupos de lobby, muito especialmente, de novo, as famigeradas distribuidoras de energia. Alguém com altíssimo pedigree em ladroagem como o filho de Fernando Bezerra, o eterno e frustrado candidato ao governo de Pernambuco, em cujo prontuário estão inscritos casos suspeitíssimos de malver$$ação de recursos públicos. ASSIM NÃO DÁ! Será que não vamos sair nunca desta urucubaca no setor energético, mesmo com um cara decente como Bolsonaro comandando esta imensa bodega?

É essa mesma gangue que deseja implantar a ferro e fogo esta maldita usina nuclear em Pernambuco, ao singelo custo de US$ 60 BILHÕES, e todos nós sabemos muití$$imo bem o porquê de tanto interesse!

A estratégia que vem sendo adotada, embora sem muito sucesso, é avacalhar com a possibilidade de evolução da implantação de Micro e Mini Geração de fotovoltaica, a fim de criar artificialmente uma escassez cada vez maior de fontes produtoras de energia. Assim, com o esgotamento das fontes hídricas, e com o custo cada vez maior da geração a gás, só restará a maldita opção pela energia nuclear. Vejam o que está no plano energético brasileiro: Segundo o PLANO DECENAL DE EXPANSÃO DE ENERGIA 2029 da Empresa de Pesquisas Energéticas.

A evolução da capacidade de produção das Micro e Mini geradoras, no Brasil, se daria da seguinte forma:

Ocorre que, segundo a ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a capacidade de geração fotovoltaica das MMGD já seria quase de 1,5 Gw. Bem superior, portanto, àquela previsão. Isto sem falarmos que a previsão, lá pelos idos de 2017, era de que teríamos uma capacidade geradora de 0,8 Gw. Podemos constatar então que a capacidade realmente instalada foi O DOBRO daquela modesta previsão de dois anos atrás.

Se a previsão daquele Plano Decenal de 2017 já se mostrava extremamente modesta frente à expansão geométrica que estamos verificando, na versão de atual ocorreu algo realmente muito estranho. Reduziram a previsão da nossa capacidade de geração fotovoltaica em 2027 de 11.847, para algo como 7.572 Mw. Podemos constatar que as nossas “amadas” autoridades estão dispostas a qualquer coisa para esmagar o desenvolvimento desta energia.

É quando eu lhes pergunto: Qual destes dois cenários você quer para vizinho de seus filhos e netos? Residências autônomas e produzindo para seu próprio consumo, ou uma bomba atômica prestes a explodir a qualquer momento, bastando para isso que uma determinada válvula não funcione, ou que alguém esqueça de abri-la?

Se eu também estivesse incluído na lista dos que iriam receber alguns milhões de dólares em um “Trust Fund” nas Ilhas Guernsey, ou em Luxemburgo, talvez eu até me animasse com a ideia de colocar essa peste bubônica aqui na terra desse bando de babacas. Ia embora para outro país e dava uma banana para todos vocês. Só que não é o caso.

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  1. Em texto a que me referi anteriormente, encabeçado por Raquel Anna Sapunaru, fala-se de vantagens e desvantagens do uso da fissão nuclear para a geração de energia elétrica, ao mesmo tempo em que se mencionam também danos à natureza que podem ser causados pela geração de energia elétrica mediante o alagamento de extensas regiões para a construção de grandes usinas hidrelétricas, como temos visto ocorrer no Brasil.
    O trabalho, publicado em 2014, parece tender pela aprovação do uso da energia de usinas nucleares, que é limpa, desde que não ocorram acidentes (ressalva que os autores fazem). De modo que notam que é preciso chegar a um grau de segurança maior do que o já obtido.
    Porém, Adônis observa que os acidentes, quando ocorrem (Chernobil, Fukujima), são de extrema gravidade, e nota a questão dos dejetos radiativos, material de difícil administração.
    Minha tendência pessoal é no sentido de que as usinas nucleares só deveriam ser utilizadas em grau de cem por cento de segurança, embora devam continuar sendo estudadas, até em favor do desenvolvimento tecnológico.
    Mas, volto a discordar de um aspecto que Adônis repisa em alguns pontos do seu trabalho, que é a condenação da exploração da energia nuclear para fins de geração de eletricidade como se o seu uso só tivesse interesses escusos por trás, o que não creio ser o caso.
    Evidentemente, onde há dinheiro envolvido há gente rapinando ou querendo rapinar, mas quem rapina na usina elétrica de energia nuclear também rapina, ou rapinaria, na hidráulica, na eólica, na movida a óleo ou carvão, na solar, de modo que volto a me referir ao desvio que me parece haver quando o foco foge dos aspectos de planejamento, tecnologia, economia, praticidade e outros, de caráter eminentemente científico, e descamba para o, por assim dizer, político, moral, ideológico.

  2. Prezado Goiano,
    Muito obrigado por suas ponderadas e judiciosas argumentações a respeito do tema por mim levantado.
    Realmente, tens carradas de razões quando enfatizas que a possibilidade de corrupção não se limita à geração nuclear. Todas as formas de atuação estatal estão fortemente sujeitas a este descalabro.
    O ponto que defendo é que, quanto menor é a atuação e, principalmente, quanto mais os investimentos estatais, se fizerem desnecessários, tanto melhor será para a sociedade. Acredito firmemente que ninguém saberá melhor o destino a dar ao seu próprio dinheiro que o seu dono. Ao invés de uma legião de patifes, eleitos através da mais pura manipulação da ignorância popular e cujo único objetivo é obter ganhos astronômicos, a qualquer custo e dentro de um curto espaço de tempo. Mais ainda quando as consequências nefastas das decisões que adotarem podem ter desdobramentos terríveis, como é o presente caso.
    Esta é a razão pela qual venho defendendo, veementemente e há décadas, a geração distribuída fotovoltaica.

  3. Adônis, estou completamente de acordo contigo quanto ao uso da energia solar.
    Acho, mesmo, que ao invés de gastar bilhões com a construção de usinas, sejam hidrelétricas, nucleares, a combustível fóssil, poderia o governo usar a grana para financiar, de graça mesmo, a instalação em todas as residências de células fotovoltaicas geradoras de energia elétrica, de modo a tornar, se possível isso, até mesmo complementar o fornecimento de outras formas de energia.
    Uma curiosidade:
    Há cerca de 50 anos construí uma casa para abrigar a família. Já tinha ideia da importância da energia solar e pesquisei para incluí-la na obra. Assustei-me: o processo era altamente complicado e dispendioso. Para manter a água aquecida, que era o objetivo principal na época, seria necessário cavar um buraco grande profundo para armazenar a água quente, num processo de circulação também caro e a manutenção era uma incógnita.
    Já estava desistindo, quando um técnico, ansioso por ampliar o fornecimento do processo, esclareceu que era possível ter um bom sistema de energia solar sem a necessidade de tanta estrutura; eu podia ter água quente durante o dia só com a caixa dágua metálica, com isolamento térmico, que teria um sistema elétrico ligado que seria acionado automaticamente quando a água esfriasse a determinado ponto.
    Assim, fui um dos pioneiros na instalação de energia solar no Brasil.
    Naquela época nem se falava na possibilidade de geração abundante a ponto de poderem os excessos serem fornecidos à rede elétrica pública.
    Acho que a tua exposição é extremamente útil e certamente há quem se aproveitará dela para pensar melhores soluções para o nosso futuro.

    • ADENDO: Na época a que me refiro, o uso da energia solar nas residências em geral não se destinava a produzir energia elétrica, mas a aquecer a água, o que possibilitava a economia de energia elétrica no tocante ao aquecimento da água. O uso para a produção de energia elétrica tem sido progressivo.

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