3 – USINA NUCLEAR – A Falsidade das Justificativas

Assumo como sendo minhas as perguntas colocadas pelo Professor Heitor Scalambrini Costa em artigo seu veiculado recentemente, assim como coloco mais algumas que também devem ser consideradas neste debate:

1. Por que então vamos correr o risco de um acidente nuclear, com vazamento de radiação no rio São Francisco, se não precisamos disto para atender nossa demanda por energia elétrica? Lembrar que hoje, o modelo nuclear somente contribui com 1,1% de toda potência elétrica instalada no país, e que este mesmo modelo está sendo celeremente abandonado por todos os países do mundo.

2. Por que recorrer a uma fonte de energia no mínimo polêmica, com alto grau de periculosidade, se dispomos em abundância de outras fontes fornecidas pela natureza como Sol, vento, água e matéria orgânica (biomassa), e na qual somos detentores da melhor tecnologia do mundo?

3. Por que recorrer a uma fonte que produz energia cara e que vai provocar mais ainda o aumento da fatura para o consumidor final?

4. Por que deixar para as gerações futuras o problema que ainda hoje é insolúvel: O que fazer com os resíduos, criados nas usinas nucleares, com elementos químicos que podem continuar emitindo altas doses de radiação por milhares de anos? Além do fato das usinas gerarem artificialmente um isótopo do elemento químico plutônio, considerado o mais nocivo, o mais venenoso de tudo que existe no mundo?

5. Se a energia nuclear é cara, perigosa e poluente qual o motivo para instalar estas usinas em nosso país, especialmente no Nordeste brasileiro, ao lado do rio São Francisco?

De acordo com dados do governo americano nos fins da década de 80, encontravam-se armazenados (apenas nos Estados Unidos), em tanques especiais de aço, entre 300 e 400 milhões de litros de resíduos radioativos. O ecologista brasileiro Júlio José Chiavenato afirma que “1% desse lixo atômico é mais poderoso do que todas as emissões liberadas pelas bombas atômicas detonadas até hoje.” Todo esse lixo atômico precisa ser guardado por pelo menos mil anos, e os tanques precisam ser substituídos a cada vinte anos por razões de segurança. De acordo ainda com o ecologista Chiavenato, qualquer animal vivo hoje na Terra tem traços de estrôncio-90 nos ossos, um composto resultante dos processos de industrialização nuclear.

Sempre que acontece um acidente nuclear, dificilmente são repassadas à população todas as informações sobre o que ocorreu. Apenas quando o acidente é de fato muito grave, como foi o caso da usina de Three Miles Island, nos Estados Unidos em 1979, o da usina de Chernobyl, na Ucrânia em 1986, e o de Fukushima, no Japão em 2011. Mesmo nestes casos, impossíveis de serem acobertados devido à gravidade, as autoridades tentaram num primeiro momento minimizar a gravidade da situação e ninguém tem certeza, até hoje, de que os dados revelados representam toda a verdade dos fatos.

Os números que estão sendo citados para o custo da construção dos seis reatores, cada um deles com capacidade de 1,1 Gw de potência, seria algo como US$ 10 Bilhões por unidade. Isto significa um investimento total de cerca de US$ 60 Bilhões ao longo de 10 anos. Sendo verdadeiros estes números, já que sabemos muito bem que, em se tratando de obras governamentais nunca são muito confiáveis, dá um custo de instalação de cerca de R$ 18 Milhões por cada Mw de potência. É CARÍSSIMO!!!!

Segundo a ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar, o Brasil implantou no ano de 2018 uma capacidade de 1,2 Gw de potência de geração solar, ou seja: dobrou a potência que havia anteriormente instalada. Isto é mais que uma das usinas Nucleares que estão querendo nos empurrar e tem apresentado um custo ao redor de R$ 3,5 Milhões por Mw de potência, quase SEIS VEZES MENOS que a aterradora solução que estão nos propondo. Isto sem falar que gera milhares de empregos e que não precisa de linhas de transmissão também caríssimas. Aliás, a continuarmos neste ritmo, presenciaremos um grande alivio na carga das linhas de transmissão atualmente existentes, já que a energia estará sendo produzida e consumida no mesmo local. Esta é a principal razão pela qual estaremos implantando o equivalente a uma dessas famigeradas bombas nucleares a cada ano em energia solar, apesar da forte resistência dos nossos “amados” governantes. O maior acidente que poderá ocorrer com estas usinas é um curto-circuito, ou mesmo um choque elétrico em alguém da operação. Basta esta tropa de “inocentes” parar de maquinar soluções estrambólicas, e de torpedear as soluções desejadas pela população, para que continuemos a implantar a potência equivalente a mais de uma usina destas, por ano, em energia fotovoltaica.

Os políticos pernambucanos, associados às lideranças da área energética brasileira, estão absolutamente excitados e ávidos pelos investimentos US$ 60 bilhões que deverão ocorrer, caso consigam nos empurrar esse presente de grego. Falam ainda no imenso volume de impostos que deverão ser coletados a partir das obras da usina. É bom lembrar a estas “excelências” que o que a população quer é EXATAMENTE o contrário disto: a redução da famigerada carga tributária que atualmente incide sobre a conta de energia, e não pagar volumes absurdos de impostos a fim de financiar projetos megalomaníacos e absolutamente desastrosos, como é o presente caso.

Se seguirmos nesse caminho desastroso, opção contra a qual lutaremos com todas as nossas forças, estaremos abrindo as portas do inferno para a nossa população. Vejam o exemplo da Ucrânia após o acidente de Chernobil.

Com 86.3 homens para cada 100 mulheres, a Ucrânia tem a sexta taxa mais baixa de homens em relação às mulheres entre todos os países do mundo. Segundo estudo de 2015 do Pew Research Center, dos 10 países com menos homens por mulher, sete são ex repúblicas soviéticas. Coincidentemente, os 6 países com maior diferença entre a expectativa de vida dos homens e das mulheres são, na ordem: Bielorrússia, Rússia, Lituânia, Ucrânia, Letônia e Cazaquistão. Todos ex repúblicas soviéticas também. Na Ucrânia, a diferença de expectativas de vida chega a ser de 10 anos entre homens (66 anos) e mulheres (76 anos). Apenas como comparação, a média mundial de diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres é de 4,5 anos e a relação é de 101,8 homens para cada 100 mulheres. Então, por que há uma incidência altíssima de mortes precoces por câncer entre os homens desta região? Especula-se que esta diferença se deva majoritariamente à propensão que os homens eslavos teriam a atitudes de risco e ao alcoolismo. Nada me convence que não tenha sido os altíssimos níveis de radiação que centenas de milhares de jovens soldados da antiga União Soviética sofreram no desastre de Chernobyl. Este fato, aliado ao altíssimo índice de mães que optam por abortar, quando colocadas diante da possibilidade de ter um monstro como filho, tem sido o grande motor da catástrofe demográfica destes pobres países.

Hoje, a energia nuclear só tem mercado em países com pouca ou nenhuma democracia. Países dominados com mão de ferro e que não discutem as questões primordiais com a população, seja através de ditaduras, seja através da mais pura e absoluta demagogia e populismo, como era o nosso caso até bem recentemente. Assim, podemos dizer que Da. Dilma não perdeu só a coroa, o cetro e o trono. Perdeu também a oportunidade de nos impingir este projeto amaldiçoado. Graças a Deus, podemos dizer alto e bom som que este bonde passou e não voltará mais.

Agora é tarde!

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  1. Texto do caralho, cara!!! Só escreve um artigo desse quem tem profundo conhecimento de causa… Quem é do ramo… Um milhão de parabéns pro Adônis!!!

    P.S. : – Basta ler o item 4 para se arrepiar e sentir a profundidade do assunto. Com toda minha ignorância confesso que, isto que terminei de ler não é um simples artigo, mas um baita tratado… Que riflitemos ou riflitamos sobre o temeroso assunto.

  2. Abobrinhas recheadas de estatísticas. Nos paises eslavos temos uma epidemia de aborto e alcoolismo, associar isto com energia nuclear é o mesmo que dizer que a Monalisa é um camarão.
    Todos países precisarão de energia, muita energia, pois em 2050 seremos 9 bilhões de pessoas, em 2080 existirão 12 bilhões, de onde vamos arrumar energia para manter todas estas pessoas.
    Veio a moda do carro elétrico, de onde vamos tirar eletricidade para abastecer estes veículos? Lembrando que a 18 anos atrás tinha apagões no Brasil e foram instaladas a termoeletricas, agora com o país voltando a crescer de onde vamos tirar energia para sustentar o crescimento?

  3. Caro colega,
    A “epidemia” de abortos nos países eslavos é uma realidade mas…Qual a causa?
    Diante dos fatos conhecidos, a minha conjectura torna-se altamente plausível.
    Quanto à origem da energia que precisamos, e que precisaremos cada vez mais, leia a minha crônica de número 5, a ser publicada depois de amanhã.

    • Olá Adônis
      Obrigado pela resposta. Realmente os seus argumentos são plausíveis, porém a epidemia de aborto está tão grave que na Rússia a previsão é que até 2050 não existirá mais crianças russas. O Putin está distribuindo terras(perto da Sibéria) para descendentes de russos que emigraram, para ver se atrai pessoas para povar de novo o país.

  4. Mestre Adônis, concordo integralmente que o Brasil não necessita de energia nuclear, e que a construção de novas usinas seria uma catástrofe financeira e “corruptícia”.

    Isto posto, por amor à ciência, peço vênia para discordar de algumas afirmações genéricas sobre os aspectos técnicos da energia nuclear.

    1 – A expressão “altas doses de radiação por milhares de anos” é uma contradição. Se um elemento químico é altamente radioativo, significa que ele se transforma rapidamente em outro; portanto, não pode durar milhares de anos. Usinas nucleares produzem elementos altamente radioativos como Iodo-131, que se decompõe em poucos dias ou Césio-134, que dura quatro anos, elementos menos radioativos como Césio-137 e Estrôncio-90, que duram duzentos anos, e elementos pouco radioativos que, estes sim, duram muito – exatamente porque são pouco radioativos.

    2 – O problema do lixo nuclear decorre da conjunção de dois interesses: o governo dos EUA, e especialmente os militares, tem pavor do reprocessamento de resíduos, porque alguém poderia usar isso para separar plutônio que serve para construir bombas. Os ativistas anti-nucleares também são contra o reprocessamento exatamente porque querem criar problemas. Então, 99% do chamado “lixo nuclear” armazenado não é lixo nuclear. É lixo comum que tem material radioativo misturado, e que não pode ser separado porque os militares não deixam e os ativistas não querem. Do combustível nuclear que uma usina produz, o material que efetivamente precisa ser guardado por milênios não enche um balde por ano, mas como não se permite separar este material do restante, vira um problema bem maior.

    3 – Qualquer acidente real ou imaginário envolvendo energia nuclear é divulgado e escarafunchado muito mais do que em qualquer ramo da indústria, seja pela grande imprensa, seja pelas inúmeras ONGs e grupos de ativistas (muitos deles financiados pela indústria do petróleo). Além do mais, as consequências de um acidente em uma usina nuclear são impossíveis de esconder e extremamente simples de constatar: basta um contador Geiger, coisa que qualquer um pode comprar sem gastar muito. Mas os ambientalistas dificilmente divulgam medições que comprovem alguma contaminação, provavelmente porque não lhes interessa: preferem torcer estatísticas médicas e botar a culpa de todas as doenças do mundo na energia nuclear.

    4 – Se alguém se denomina “ecologista” e fala sobre energia nuclear, eu já espero bobagem sensacionalista, tipo “1% do lixo é mais poderoso que todas as bombas…”. Afinal, o que é “processo de industrialização nuclear”, e porque ele liberaria estroncio-90 no ambiente?

    5 – O acidente de Fukushima para mim é uma prova incontestável de que governos não podem ficar encarregados de assuntos sérios. A quantidade de regulamentos e exigências que o governo faz para construir uma usina dá para encher uma carreta, e no entanto ninguém viu nada errado em colocar a sala dos geradores de emergência abaixo do nível do mar. Sim, porque foi só essa a causa de tudo: o tsunami alagou os geradores de emergência que manteriam a refrigeração dos reatores. Qualquer engenheiro recém-formado saberia disso, mas os trocentos funcionários do governo japonês não sabiam. Falando nisso, total de mortos no acidente de Fukushima: UM.

    6 – O caso de Chernobyl só mostra o que todo mundo já sabe: os soviéticos eram malucos. Mas não há relação entre o declínio populacional da Ucrânia com o acidente de 1986. A população da Ucrânia está em declínio desde o colapso da União Soviética, quando a economia entrou em colapso. A diferença entre homens e mulheres se acentua a partir dos sessenta anos, devido ao abuso de cigarro, álcool, e vida desregrada em geral. Ocorre em todos os países da ex-URSS (Rússia e Casaquistão não foram afetados pelo acidente e estão na lista).

    7 – O aumento de casos de câncer na Ucrania e no resto da Europa só existe nos documentos fantasiosos de ONGs. Um estudo publicado pelo International Journal of Cancer, altamente reconhecido nos meios científicos, concluiu que o acidente de Chernobyl causou um aumento de 0,01% nos casos de câncer na Europa. Por outro lado, vários grupos de ativistas publicaram relatórios “estimando” ou “prevendo” milhares de casos, sem qualquer comprovação.

    8 – É fato que na época do acidente países do mundo inteiro registraram um aumento no número de abortos devido ao pânico, mesmo em países que não foram afetados. Mas nenhum estudo comprovou um aumento de casos de má-formação de fetos ou coisa parecida, nem mesmo nas áreas próximas ao acidente.

    9 – É um engano comum pensar que sem usinas nucleares não haveria radioatividade. Dois fatos, apenas para ilustrar:
    – segundo o USGS, o carvão produzido nos EUA contém entre 1 e 4 ppm de urânio. Os EUA consomem 15 milhões de toneladas por dia, o que significa entre 15 e 60 toneladas por dia de urânio, a maioria lançada na atmosfera juntamente com os gases da combustão (para comparar, uma usina usa 20 a 40 toneladas por ano).
    – A água do mar contém 3,3 mg/m3 de urânio, o que significa que apenas nos oceanos existem 5 bilhões de toneladas do mesmo urânio que é usado nas usinas.

    Reafirmando: não, o Brasil não precisa de energia nuclear. Mas não precisamos acreditar em fake-news para nos convencer disso.

  5. Prezado Marcelo,
    Obrigado pelo amplo e esclarecedor comentário.
    Infelizmente, não possuo qualificações técnicas para refutar, ou mesmo discutir, a grande maioria dos pontos abordados. Tudo o que eu pretendia, ao divulgar estes fatos e dados, era fomentar a discussão sobre a validade de se instalar estas usinas nucleares aqui no Nordeste, especialmente em Pernambuco.
    No mais, aconselharia a dares uma olhada no Google e digitar “chernobyl children mutations”.
    Prepare-se para ficar relembrando estas fotos por uns alguns dias.
    Para mim, bastaria a visão de uma dessas crianças para dizer um imenso e fragoroso NÃO a qualquer projeto deste tipo na minha terra, por mínima que seja a probabilidade.
    Sou um simples engenheiro com alguma vivência na área de energia, mas sei muito bem que, infelizmente, “Shit Happens”

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