Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy nasceu em 5/7/1926, em Belo Horizonte, MG. Cirurgião plástico, professor e escritor. Em 2008, a revista New York Magazine chamou-o de “o rei da cirurgia plástica” e a revista alemã Der Spiegel de “Michelangelo do bisturi”.
Filho de Maria Stael Jardim de Campos Pitanguy e do médico Antônio de Campos Pitanguy. Teve os primeiros estudos em Belo Horizonte e cursou medicina na UFMG até o 4º ano e, sem interromper os estudos, foi servir no CPOR-Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, do Exército. Em seguida transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, onde concluiu o curso, ao mesmo tempo em que servia na Cavalaria dos Dragões da Independência.
Iniciou a formação cirúrgica no Hospital do Pronto-Socorro do Rio de Janeiro, atual Hospital Souza Aguiar. Vocacionado para a cirurgia plástica, inscreveu-se num concurso organizado pelo Institute of International Education e ganhou um bolsa de estudos que o levou aos EUA como cirurgião residente no Bethesda Hospital. Logo foi “visiting fellow” da Mayo Clinic, em Minnesota e do Serviço de Cirurgia Plástica do Dr. John Marquis Converse, em Nova Iorque.
De volta ao Brasil, retornou ao Hospital onde se formou cirurgião e recebeu convite do prof. Marc Iselin, em visita ao hospital, para ser seu “assistant étranger” em Paris. Ficou por 2 anos, período em visitou os serviços de cirurgia plástica dos professores C. Dufourmentel e R. Mouly em Paris e do prof. Paul Tessier em Suresnes. Tal formação foi reforçada com uma bolsa de estudos do British Council, quando frequentou os serviços de cirurgia plástica de Sir Harold Gillies, em Londres; Sir Archibald McIndoe, no Quenn Victoria Hospital e do prof. Kilner, no Churchill Hospital, em Oxford.
Novamente no Brasil, sentiu a necessidade de criar uma Escola e ressaltar a importância social da cirurgia plástica para a classe médica e a população em geral. Criou o Serviço de Queimados do Hospital do Pronto-Socorro e o primeiro serviço de cirurgia de mão e de Cirurgia Plástica Reparadora da Santa Casa. Em seguida assumiu a cátedra de cirurgia plástica da Universidade Católica do Rio de Janeiro e mais tarde a do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Nesta época, com a colaboração dos médicos residentes, pôde tratar de forma abrangente as vítimas do grande incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, despertando a atenção para a importância social da cirurgia plástica.
Em 1963 inaugurou a Clínica Ivo Pitanguy, integrada a 38ª Enfermaria da Santa Casa, permitindo a formação profissional e de ensino. Trata-se de um centro de saúde que atende os mais pobres, abolindo da especialidade seu caráter elitista. A clínica tornou-se um centro de referência nacional e internacional na área frequentada por cerca de 5 000 cirurgiões plásticos, entre fellows e visitantes. Sua clínica/escola mudou os padrões da cirurgia plástica mundial, não apenas pelas técnicas revolucionárias empregadas, mas pela filosofia que permeava. Sob sua orientação, o curso de 3 anos de pós-graduação na PUC/RJ, formou 500 cirurgiões plásticos de mais de 40 países.
Ministrou inúmeros cursos de Cirurgia Plástica no Brasil e no exterior, destacando-se o 1º Curso de Extensão Universitária em Cirurgia Plástica, da então Universidade do Brasil, ministrado no anfiteatro da Clínica Ivo Pitanguy, unindo a iniciativa privada ao ensino público. Organizou o 1º Curso de Cirurgia da Mão, o 1º Curso de Cirurgia Plástica da Academia Nacional de Medicina; os Cursos da Universidade Camplutense de Madrid; o Curso de Cirurgia Plástica do XXIII World Congress of the International College of Surgeons, além de cursos na Universidade de Harvard e Universidade de Paris.
Recebeu diversos títulos e prêmios honoríficos: Philosophiae Doctor Honoris Causa, pela Universidade de Tel Aviv (1986) e Honoris Causa pela UNIRIO (2016), Cidadão Honorário do Rio de Janeiro (1976), Chanceler da Universidade de Paris (1988) e Membro Honorário da Società Medica di Bologna (1988), Humanitarian Award, pela University of Chicago (1984), Prêmio Cultura per la Pace, concedido pelo Papa João Paulo II (1989).
Foi membro titular da Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Letras, Academia Brasileira de Médicos Escritores, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e várias associações médicas internacionais. É autor de mais de 900 trabalhos publicados em prestigiadas revistas nacionais e internacionais. Deixou mais de 20 livros técnicos publicados, entre os quais a obra Aesthetic surgery of the head and body, eleito o melhor livro do ano (1981), na Feira Internacional do Livro de Frankfurt e livros de memória ou biográficos: Aprendendo com a vida (1993); Cartas a um jovem cirurgião (2009); Vale a pena viver (2014).
Faleceu em 6/8/2016, aos 90 anos, vitimado por um ataque cardíaco. No dia anterior a sua morte estava carregando a chama olímpica dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Semana passada abordei uma questão relacionada ao banco Master envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. Provavelmente o título – A mulher de César – tenha induzido alguma interpretação equivocada e por isso resolvi acrescentar mais coisas que foram divulgadas pelos jornais.
O problema do Brasil é que as pessoas criticam outras por fazerem, igual ou pior ao que elas fazem. A transferência de responsabilidades é sem precedentes e, vergonhosamente, seletivamente escancarada. No âmbito político, há uma pré-disposição enorme em acusar um adversário, quando correligionário prática o mesmo ato. Em que país do mundo um partido político que teve três tesoureiros presos, deputados, diretores de empresas públicas, um presidente da república que era presidente de honra do partido, teria moral de acusar, . . quem que seja, de corrupção? Só no Brasil.
O deputado Lindenberg Farias – acredito ser esse nome dele – tem um comportamento atípico diante dos fatos. Falta-lhe total discernimento da realidade. O PT protagonizou o mensalão e depois veio o petrolão. A Odebrecht – já disse isso milhares de vezes – tinha uma diretoria específica para pagar propinas. Chamava-se Diretoria de Operações Estruturadas e dela saíram, além de propinas, codinomes como: lindinho, amante ou coxa, viagra, ferrari, avião, amigo do meu pai, o amigo do amigo do meu pai, italiano e tantos outros. Isso não faz a menor diferença para lindinho. A preocupação é falar que a corrupção do Master é obra de Campos Neto.
Já falei isso uma vez e não custa repetir: acusam Campos Neto de ter autorizado o surgimento do Master, a partir da compra de outro banco, como se ele fosse o responsável pela análise técnica ou como se tivesse bola de cristal para prever que o banco ia se transformar num esgoto dessa magnitude. O mais interessante é o seguinte: beneficiários que receberam dinheiro em suas contas correntes, devidamente atestado pelo COAF, são, na sua grande maioria, vinculados ao PT. Tem aqui ou ali um caso, que precisa ser esclarecido com cuidado, ou seja, é bom separar o joio do trigo.
Coube a ACM Neto, um pagamento de R$ 5 milhões. Tranquilo, desde que haja uma contrapartida de serviços prestados. É nesse esteio que se seguem os casos de Lewandowski e Alexandre de Morais, este sendo mais vergonhoso. Ambos alegaram ter prestados serviços de consultoria jurídica, embora não se registre qualquer ligação ou contato telefônico, nem por outra via, entre o escritório e Daniel Vorcaro. Seguramente, temos um atendimento jurídico por telepatia. Diante dessa inovação tecnológica, o escritório da esposa de Alexandre recebeu, uma bagatela de R$ 80 milhões.
Ninguém sabe o Guido Mantega fez para receber R$ 14 milhões. Atribui-se que se tratou de uma consultoria que conduzia a compra do banco Master pelo Banco Regional de Brasília. Mais uma: em todas as operações envolvendo tais pessoas, praticou-se a máxima da Contabilidade de que quando se debita uma conta, deve-se creditar outra e isso se faz através da emissão de uma nota fiscal pelo prestador de serviços. Começa daí: se não tiver um documento formal que sirva como fato gerador, sinto muito meu caro, mas isso tem outra denominação contábil.
É simplesmente fantástico ver Renan Calheiros interessado em apurar os fatos. Renan tinha 17 processos abertos no STF por improbidade administrativa. Nenhum foi investigado e todos prescreveram. Há fotos públicos de Renan Calheiros com Alexandre de Morais, ou seja, ficou registrado para a posteridade a boa relação entre investigado e investigador. Simples assim: aquele que iria julgar, na maior integração com aquele que seria julgado. Isso acontece em outro país? Provavelmente, mas apenas no Brasil se faz de forma acintosa.
Chegamos a Flávio Bolsonaro. Nitidamente ele cometeu um grande equívoco nessa questão. A sua exposição pública e o desempenho nas pesquisas eleitorais precisam de um argumento ou de uma “narrativa” e, infelizmente, isso foi dado pelo próprio Flávio. Faltou maturidade e, principalmente, um conselho eleitoral constituído de pessoas, inclusive, com experiência de marketing e de eleição. No passado, Colbery do Couto e Silva teve seu filho envolvido num ato de corrupção e durante uma semana a impressa bombardeou o ministro para falar disso, mas ele recusou e quando perguntaram o motivo ele, simplesmente, respondeu que “não ia contribuir para que se falasse nisso por mais de uma semana”.
O problema é que as críticas sobre Flávio estão ocultas sobre os desejos, dentre os quais, afetar a campanha de Tarcísio. E já se fala na contribuição do Master para sua campanha. Observem: a doação de campanha é, perfeitamente, legal e se foi feita nos moldes previstos na lei, não há o que se questionar. Quem doa para partido político ou para candidato terá o registro da doação. No bojo do bombardeio eis que Zema esqueceu que recebeu dinheiro do Master e se apressou em criticar. Uma ação absolutamente oportunista.
O staff do presidente adorou essa divulgação de Flávio porque vislumbrou, não apenas, derrubar um concorrente que ameaça a hegemonia petista e de quebra favorece outros aliados. O presidente estava propenso a desistir e agora ele está animado em concorrer. Esse presidente faz qualquer coisa para continuar no poder. A taxa das blusinhas implantadas por ele foi um grande erro estratégico e foi regado de impopularidade. Essa semana ele declarou que essa taxação foi uma decisão de Haddad.
Tem na paixão de verdade De um amor do passado, Tem no velhinho cansado Com o peso da idade. Tem na palavra saudade, Na dor sentida no peito, No casamento desfeito, Numa orquestra em sinfonia. Em tudo tem poesia Só precisa olhar direito.
Severino Damasceno
Tem na benção que mãe dá, Com sua voz já cansada, Tem nas notas da toada Do cantador sabiá, Tem na fruta do juá, No trabalhador no eito, No frade que traz no peito A devoção por Maria. Em tudo tem poesia Só precisa olhar direito.
Aprecio muito ler pensamentos de pessoas de QI alto, principalmente as que ocuparam posições de mando. Um dos mais admirados por mim é o imperador Marco Aurélio (121 d.C. – 180 d.C.), imperador romano de 161 até a sua desencarnação.
Diferentemente de seus predecessores, Marco Aurélio escolheu não adotar um herdeiro. Seus filhos incluíram Lucila, que se casou com Lúcio Vero, e Cômodo, que governou junto com seu pai a partir de 176 e o sucedeu como único imperador após sua morte. Monumentos em homenagem a Marco Aurélio foram erguidos, como uma coluna e uma estátua equestre, que sobrevivem até hoje.
Marco Aurélio dedicou boa parte de seu tempo para estudos filosóficos, tornando-se um dos maiores aderentes do estoicismo. Sua obra Meditações é uma das melhores fontes para a compreensão da antiga filosofia estoica. Estes escritos já foram muito elogiados por figuras proeminentes pelos séculos após sua morte.
No ano passado, uma editora paulista divulgou mais uma vez a obra considerada um dos maiores clássicos da tradição sapiencial greco-latina, a mais célebre obra filosófica moral estoica, também conhecida como Notas para si mesmo, da qual extraímos algumas reflexões significativas em MEDITAÇÕES, Marco Aurélio, São Paulo, Ajna Editora, 2025, 246 p. Ei-las:
– Experimentemos, conforme te convém, a vida do ser humano bom, satisfeito com o que a totalidade lhe proporciona, contente em sua própria ação justa e sua disposição benevolente.
– Que o futuro não te preocupe. Se for preciso, chegarás a ele trazendo a mesma razão que agora empregas no presente.
– Muitas vezes, o erro está tanto na ação quanto na omissão.
– Se alguém me demonstrar que não compreendo ou não ajo corretamente, corrigir-me-ei com alegria, pois busco a verdade sem jamais prejudicar ninguém. O que realmente causa prejuízo é persistir no autoengano e na ignorância.
– A salvação da vida está em ver cada coisa em sua essência e totalidade, discernindo tanto o que é material quanto o que é causal. Está em agir do fundo da alma, com justiça e em dizer a verdade. O resto é apenas prazer de viver uma sucessão contínua de boas ações, sem deixar entre elas sequer o mais breve intervalo.
– Medita frequentemente sobre a interconexão de todas as coisas do Universo e a relação mútua entre elas. Tudo se entrelaça e se harmoniza, uma coisa seguindo a outra pela tensão do movimento, pela respiração comum e pela unidade da substância.
– O trajeto do dardo é um; o da mente, outro. Contudo, quando a mente é cautelosa e se volta para a investigação, seu percurso não é menos direto que o do dardo.
– Acostuma-te a ouvir atentamente o que os outros dizem e, sempre que possível, a perceber o que está na alma de quem fala.
– Ninguém se cansa de ser ajudado. Ajudar é uma ação que está de acordo com a natureza. Portanto, não te canse de receber ajuda ao ajudares alguém.
Se Marco Aurélio fosse hoje reconhecido entre nós, seguramente estaria distribuindo um guia sementeiro para pais e educadores dos quatro cantos do mundo: IA SEM PÂNICO: PARA PAIS E EDUCADORES ENSINAREM CRIANÇAS DESTEMIDAS, Sandro Bonás, São Paulo, Editora Gente, 2026, 160 p. E certamente presentearia um exemplar ao estimado Dom Paulo Jackson, da Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, favorecendo caminhos resolutos para seus fiéis resilientes militantes, sempre saudosos de Dom Hélder Câmara, um irmão cearense nunca esquecido, que foi sempre um arretado de muito ótimo, até quando parecia estar correto.