Arquivo diários:22 de dezembro de 2024
DEU NO JORNAL
ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!
PERDOADOS QUE NÃO PERDOAM
Tomei este título a partir de um artigo do grande jornalista Augusto Nunes, da Revista Oeste e de uma conversa que tive com meu amigo e irmão Marcelo Cestari sobre o que está ocorrendo em Pindorama nesses anos pavorosos e a temática da anistia aos presos políticos do dia 08/01/2023.
O que mais me horroriza é ver como aqueles que foram perdoados pela lei da Anistia de 1979 vociferam e babam de raiva quando o assunto é anistia para os presos e acusados de 2023. Ouço a palavra de ordem dessa canalha…. “sem anistia”!, sempre que se ajuntam em shows pagos com o dinheiro do pagador de impostos, ou financiados pela famigerada Lei Rouanet.
Pode-se fazer um percurso reverso da história até a gênese da lei da Anistia de 1979, quando o general Ernesto Geisel, então Presidente da República, disse, em uma reunião do Alto Comando Militar do país, cinco importantes palavras que viraram a manivela da história para acabar com o arbítrio, com a tortura e com os banidos “lenta, segura e gradativa distensão”. Essas palavras foram ditas, antes mesmo de Geisel impor disciplina às Forças Militares que viviam em estado de reunião sindical, com anarquia e insubordinação constante.
Apesar de ter sido aprovado no governo do general João Figueiredo, a forma final do texto da lei se deveu à maestria intelectual e política do general Golbery do Couto e Silva, o famoso “satânico Dr. Go” Genedow – os mais velhos saberão do que estou falando e dos apelidos que o general Golbery tinha, principalmente nos corredores ministeriais e desvãos do Congresso Nacional.
A lei foi sancionada por Figueiredo, porém, no seu preâmbulo está escrito… “O Congresso Nacional decreta, e eu sanciono”. Ou seja, foi o Congresso Nacional, os representantes do povo – deputados e senadores -, das mais diversas matizes política que buscaram a pacificação do país e a busca de caminhos para o futuro. Anistia significa isso: perdão, mas não esquecimento.
Foi a lei de Anistia de 1979 que permitiu que guerrilheiros comunistas como José Genoíno Neto, terroristas como José Dirceu e Dilma Roussef, além de agitadores como Caetano Veloso, Miguel Arraes, Luís Carlos Prestes, Paulo Freire, Leonel Brizola, Chico Buarque, Betinho, Fernando Gabeira entre outros, pudessem voltar ao país e reorganizarem suas vidas, até mesmo recebendo capilé oficial como indenização pela perseguição estatal. Mas, isso é matéria de discussão para outro texto.
Quem tem mais de sessenta anos deve se lembrar de “Vanda”, nome de guerrilheira de Dilma Roussef, cujo grupo terrorista matou o soldado raso Mário Kozel Filho, o Cuca, que estava tirando guarda na entrada de seu batalhão e foi morto por uma caminhonete cheia de explosivo, sem ter nenhuma participação na violência cometida pelo Estado. Morreu apenas porque era um militar cumprindo serviço obrigatório pela lei brasileira.
Ou mesmo José Dirceu que, treinado em Cuba para ser guerrilheiro e terrorista, achou pesado demais, dada à sua preguiça moral e intelectual, e foi disfarçado, se homiziar no interior do Paraná, como dono de loja de tecidos. Tão logo veio a Anistia, revelou quem era, abandonou a esposa e voltou a São Paulo para ajudar a criar o PT e tentar destruir o Brasil mais uma vez.
São exatamente essas pessoas, anteriormente perdoados pela sociedade brasileira, haja vista o Congresso é uma representação do povo que, na atualidade são os mais intransigentes defensores da não anistia para os injustiçados do 08/01/2023. São os perdoados do passado que nem cogitam a hipótese de perdão para os outros. Isso me faz lembrar a parábola de Jesus sobre o homem que devia mil denários para outro homem, pediu clemência e foi perdoado, mas quando encontrou outro que lhe devia cem denários, não teve a mesma misericórdia. Pegou o devedor pelo pescoço e exigiu pagamento. Quando este disse que não tinha mandou-o para a cadeia, para o sofrimento até receber o que o outro lhe devia.
Observem a crueldade, a ignomínia dessa gente. Buscaram o perdão e foram perdoados pela sociedade brasileira por crimes como assalto a banco, terrorismo, assassinato, sequestro, execução sumária, guerra de guerrilha e outros crimes previstos no Código Penal Brasileiro. Hoje, essa mesma gente vocifera que não há perdão para senhoras com Bíblia debaixo do braço, carregando uma bandeira do país, ou mesmo uma senhora que escreveu com batom na estátua da deusa Dice. Não é hipocrisia. É sadismo puro, é crueldade. São pessoas malignas, mas malignas no sentido bíblico de malignidade, que se liga ao demônio, a antiga serpente, a Satanás. A essência da alma dessa gente é má, destrutiva, perversa.
Diante dessa situação, eu se me peguei perguntando….se essa gente não tem o dom de perdoar e buscar a pacificação da nação, por quê eles merecem o perdão da nação? Por que gente que foi perdoada por crimes previstos na lei penal, na atualidade, com seus corações negros e endurecidos como pedra merecem o perdão dado pela sociedade lá em 1979? Não merecem!
Isso me leva a concluir que precisamos nos mover para, democraticamente, no Congresso Nacional brasileiro, votar pela revogação daquela lei que perdoou gente incapaz de perdoar. É uma questão, não de vingança, ou mesmo revanche, mas de equilíbrio de justiça e de verdade. Se aqueles perdoados que não perdoam, então, também, não merecem o perdão que a sociedade graciosamente deu a eles.
Podem me criticar, ou mesmo me execrar. Aceito qualquer tipo de crítica, até mesmo de exposição pública, mas fico cada vez mais convicto de minha posição, pois a parábola de Jesus também vai nesse caminho. Se alguém que foi perdoado não tem a capacidade do exercício do perdão, então esse alguém não merece o perdão que recebeu.
DEU NO JORNAL
NORMAL, NORMAL, NORMAL
Mais ministro das Relações Exteriores do que o titular do cargo, Celso Amorim participou da reunião ministerial de fim de ano.
Era o quinto a partir do presidente.
Mauro Vieira, chanceler decorativo, era o 11º.
* * *
A expressão “chanceler decorativo” resume tudo.
E o abestado num tá nem aí.
Uma situação assim pode parecer anormal para pessoas normais.
Mas pros desajustados petralhas, isso é a coisa mais natural do mundo.
Quando a gente pensa que o guverno luloso chegou no limite, ele consegue sempre ultrapassar a linha.
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
FELIZ NATAL!
Papai Noel na tarefa ilusória de distribuir presentes
Mesmo com o privilégio divino de alcançar a terceira ou quarta idade, a lucidez me permite lembrar: o ano, 1951. Eu tinha apenas 8 anos dos 81 de hoje. A imagem está firme e brilhante na minha memória fotográfica.
Tenho saído muito pouco de casa, por conta de querer concluir algumas tarefas que assumi: escrever um livro com as peraltices da infância, mesmo sabendo que não ganharei, jamais, o Prêmio Nobel de Literatura. Eis que, ontem, saí com uma das filhas para comprar alguns penduricalhos para a árvore de Natal.
Fomos a um shopping não tão distante de casa. Pagamos apenas R$ 10,00 de Uber.
O primeiro pavimento do shopping é usado como estacionamento de veículos pequenos. A escada rolante nos levou ao segundo pavimento, totalmente iluminado com motivos natalinos. Crianças se divertem, ingenuamente, nos dois playgrounds e outras aproveitam para as selfie ao lado do bom velhinho. Procurei um lugar para sentar e observar a beleza da ingenuidade humana quando criança. Minha filha me deixou ali, inebriado, enquanto cumpria a tarefa dela na compra dos itens natalinos.
Não sei se dormi. Provavelmente, não. Mas me senti transportado para outra época, em 1951, onde a realidade – não apenas para mim – era completamente diferente. Me senti na Queimadas, então povoado de Pacajus, onde vim ao mundo. Me envolvi totalmente.
Casa dos avós, com chaminé – por onde Papai Noel nunca entrou
Numa manhã qualquer daquele ano de 1951, mas em dezembro, Tarcísio – que poucos o conheciam pelo verdadeiro nome – conhecido, provavelmente, na Finlândia ou no Canadá pelas ações elogiáveis de pretender proporcionar alegria às crianças daquele povoado cearense, apenas pelo apelido carinhoso de “Tôta”, o Papai Noel daquelas crianças.
Na primeira semana de dezembro, por muitos anos, Tôta arrumava o boi “Mansinho” atrelando-o a uma carroça, tão logo o galo cantava e os chocalhos dos bodes e cabras se reuniam numa verdadeira sinfonia chiqueiral no despertar para o mundo e a vida – sempre para garantir o sorriso de meninos e meninas que, ajudadas pelos pais ou avós, escreviam cartas ao bom velhinho.
– “Quero uma boneca bem linda”, escrevia Maria Liduína!
– “Quero uma bola de borracha”, pedia Julinho!
Naquele período, lembro-me bem, o trenó improvisado numa carroça puxada por Mansinho, primeiro recolhia os pedidos. Todos eles, por mais distantes que estivessem – e havia criança que morava distante dali por quase dez léguas. Mas, todas as cartinhas eram buscadas. Nos dois domingos seguintes, sempre no anonimato, Tôta fazia um périplo pedindo, e até recolhendo com moradores que se associavam em proporcionar alegrias para as crianças ingênuas.
Os comerciantes da sede do povoado encomendavam as bonecas pedidas, bem como as bolas de borracha – outros até aproveitavam a compra de gêneros na capital e nunca esqueciam os presentes distribuídos pelo Papai Noel Tôta.
O trenó do Papai Noel Tôta
Segundo i8nformações do próprio Tôta, a última semana antes do Natal era para organizar as entregas, preparando-as em papel de presentes com motivos natalinos. Recebia a ajuda da esposa, Beatriz – mas faziam tudo só depois que se certificavam que as suas crianças estavam dormindo.
– Tá faltando uma boneca Tôta, avisava Beatriz.
– Menhã a gente arresolve isso! Garantia Tôta.
Finalmente era chegado o dia do Papai Noel entrar nas casas pelas chaminés. Meninos e meninas pediam para as avós não acenderem fogo naquele dia, para evitar que Papai Noel se queimasse quando fosse descer por ali para entregar os presentes.
Tôta finalmente se realizaria entregando todos os presentes. Até os meninos e meninas que moravam distante, receberiam. A boneca que faltara na noite anterior, finalmente foi adquirida, graças à mãe da solicitante, Maria Liduína.
O trenó puxado por Mansinho estava arrumado. Os meninos e meninas receberam ordens para se aquietarem e dormirem. Que todos ficassem despreocupados, pois Papai Noel não queria deixar de ser o bom velhinho.
Agora, tão logo o galo cantou e a sinfonia chiqueiral foi aberta, o barulho do desenrolar pacotes de presentes movimentava as casas – ninguém se preocupava em tomar o café da manhã. A alegria dava o tom das casas – uma tradição secular fora mantida.
Minha filha, voltando das lojas onde comprara todos os itens necessários, com um leve toque no meu ombro, me trouxe de volta ao mundo real.
– Vamos pai! Comprei tudo!
DEU NO X
TÁ DEFENDENDO A VOLTA DELE PRA CADEIA???
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
EDUARDO WAACK – MATÃO-SP
A trajetória do bailarino Igor Xavier continua fulgurante nas atitudes e na lembrança daqueles que com ele conviveram.
Nos testemunhos emocionados e no brado que ecoa por este Brasil imenso, onde quer que haja uma semente germinada de sua dança, de sua fina ironia, de seus planos libertários para o futuro.
Sua missão neste planeta reverbera em cada coração pulsante cujo âmago é solidário e belo.
Neste documentário, um pouco da vida e da obra de Igor.
Clique aqui para assistir.
Grato pela atenção!
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
VIRGULINO E JOÃO BEZERRA
Virgulino Ferreira e João Bezerra
Virgulino e João Bezerra
(Cunhas da mesma madeira).
Um lá de Serra Talhada,
O outro da Ingazeira:
Pernambucanos vibrantes,
Um comandando as Volantes
E o outro a Cabroeira.
Bezerra foi caçador
De onça, o grande felino,
Primo do “Rifle de Ouro”,
O bravo Antônio Silvino.
Quando assumiu o comando,
Passou anos rastreando
Os passos de Virgulino.
Por ter prestado serviço
Ao coronel Zé Pereira
Lá de Princesa Isabel
Que gostava da trincheira.
Na certa, ganhou “coroas”
Para ir pras Alagoas
E ingressar na Fileira.
Em 19 ele entrou
Na Volante alagoana
E no combate ao Cangaço
Demonstrou tamanha gana
Movido a cada incursão
Para caçar Lampião,
A fera pernambucana.
No ano de 38
Cumpriu a sua missão
Chegou à Grota do Angico,
O coito de Lampião,
Que no combate tombou.
Foi assim que se findou
O Cangaço no sertão.
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
AS BRASILEIRAS: Zacimba
Zacimba Gaba nasceu em Angola, em meados do século XIX. Foi uma princesa da nação Cabinda, capturada como escrava e trazida para o Brasil, numa fazenda em Espírito Santo. Liderou uma revolta dos escravizados e fundou um quilombo às margens do riacho Doce. Passou a vida na construção de canoas e na organização de ataques noturnos no porto próximo à São Mateus para libertar os negros recém-chegados.
Ao chegar no Brasil, foi vendida com mais 12 súditos como escravos ao fazendeiro português José Trancoso, e foi castigada por não se submeter às ordens do senhor. Num primeiro momento, o fazendeiro não tinha noção do seu status entre os angolanos, mas percebeu logo o tratamento dado a ela. Assim, foi torturada e revelou que fazia parte da realeza em sua terra de origem. Conta-se que ela proibiu seus companheiros de a libertarem até que ela conseguisse envenenar seus algozes. O que foi feito aos poucos, utilizando-se de um pó preparado com a cabeça moída de uma cobra jararaca, o “pó de amansar sinhô”.
Após a fuga da Casa Grande, com a morte do fazendeiro e alguns capatazes, ela guiou seu povo pelo interior e criou um quilombo nas margens do Rio Doce, próximo do atual distrito de Itaúnas, na cidade de Conceição da Barra, no Espírito Santo. O povo de Zacimba organizou algumas revoltas pela liberdade e o quilombo tornou-se ponto de referência para escravizados em fuga. A princesa passou o resto da vida guiando batalhas no porto de São Matheus pela libertação dos negros chegados da África, e pela destruição dos navios negreiros. Faleceu na invasão de um navio português, lutando pela libertação do povo cabindense.
Existe pouca documentação sobre a vida de Zacimba e a que existe não é precisa, com algumas fontes indicando o século XIX e outras o século XVII, o período de sua existência. Mas existem alguns livros contando sua história. Em 1995 Maciel de Aguiar publicou o livro Zacimba Gaba: princesa, escrava, guerreira, pela Editora Brasil em parceria com o Centro Cultural Porto de São Mateus. Uma nova edição foi relançada em 2007 pela Memorial Editora.
No livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, Jarid Arraes retrata a história de Zacimba em cordel.
“ (…) Quando Zacimba chegou
E então foi interrogada
Respondeu com altivez
Fez a história confirmada
Era sim uma princesa
Por seu povo era adorada (…)
Em 2020 Tati Rabelo e Rod Linhares realizaram o documentário Zacimba Gaba: um raio na escuridão, uma mistura de animação e cenas reais, em que 3 mulheres contam sua história. Zacimba é uma das descendentes do quilombo de Linharinho, no Espirito Santo e atualmente é uma figura destacada na história do Estado.
PENINHA - DICA MUSICAL




