Brasil, 2023. pic.twitter.com/mkRE8zSRhY
— Elisa Brom (@brom_elisa) September 29, 2023
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A primavera, no Brasil, inicia-se entre os dias 22 e 23 de setembro e termina no dia 20 de dezembro. Essa estação é caracterizada por apresentar dias com temperaturas amenas, e em algumas regiões, também ocorre a floração de diversas plantas.
Mesmo sendo a primavera conhecida como a estação das flores, essa é uma característica presente, apenas, em algumas regiões do planeta. No Brasil, as estações do ano não são bem definidas e o período de floração das plantas ocorre em épocas distintas, não apenas na primavera, variando de acordo com as espécies. No Cerrado, por exemplo, os belíssimos e coloridos ipês florescem no inverno, trazendo uma coloração deslumbrante à paisagem seca.
A primavera no Brasil é mais caracterizada como uma estação de transição entre o inverno e o verão. Na primavera, após o fim do inverno seco, iniciam-se as chuvas que são mais frequentes com a chegada do verão. As temperaturas também são mais amenas, embora, em muitas regiões do país, o inverno não seja necessariamente uma estação de frio excessivo.
O Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Nova-Cruz (RN), onde cursei o Primário e o Ginasial (década de 60), festejava a chegada da Primavera, em setembro, com uma tarde festiva, sempre num domingo, com uma programação artística organizada pela freiras (Franciscanas), e pela exímia pianista Cornélia Valença, professora de música.
O final da tarde festiva era apoteótico, com a apresentação de um bailado, ensaiado por uma professora de dança, onde trinta alunas bailavam ao som da canção “Igualdade Ilusória”, da autoria de Vicente Celestino. A letra dessa canção faz uma comparação entre a Primavera e a Mocidade, tema que emocionava o público. O final do bailado era emocionante, cheio de lirismo, uma verdadeira ode à Primavera e à Mocidade.
“A Primavera Vai e Depois Volta, a Mocidade Não nos Volta Mais”, versos decassílabos e cheios de lirismos, emocionavam as famílias ali presentes.
A festa era abrilhantada com fundo musical belíssimo, onde a exímia pianista e professora de música, Cornélia Valença, executava emocionantes canções.
O Colégio organizava tardes artísticas inesquecíveis, que continuam guardadas na minha memória e no meu coração.
Merece ser lembrada a família Valença, de Nova-Cruz, onde os irmãos Francisquinha Valença, Nelita, Antônio e José (gêmeos) eram grandes artistas, além da tia, pianista Cornélia Valença, que acompanhava todas as apresentações. Os membros da família Valença formava uma verdadeira trupe. Encantavam a todos nas festas do Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Nova-Cruz.
Geraldo Valença, irmão de Cornélia, também era um grande pianista, e alegrava as festas do Comercial Atlético Clube de Nova-Cruz.
A família Valença era muito católica e participava de todos os eventos religiosos.
Cornélia Valença dirigia o Coro Paroquial de Nova-Cruz. Musicista ilustre, foi autora do Hino em honra do Bispo Dom Adelino Dantas e do Hino da Semana Rural de Nova-Cruz (década de 60).
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Igualdade Ilusória – Vicente Celestino
A primavera é uma estação florida
Cheia de imenso e divinal fulgor
De flores enche o coração da vida
E enche de vida o coração da flor
De flores enche o coração da vida
E enche de vida o coração da flor
A mocidade é uma estação ditosa
Cheia de risos, ideal prazer
E as almas sentem um viver de rosa
Na mocidade, a rosa do viver
E as almas sentem um viver de rosa
Na mocidade, a rosa do viver
Na primavera há profusão de cores
As flores brotam no rochedo bruto
Depois o fruto que há de vir das flores
E as novas flores que hão de vir do fruto
Depois o fruto que há de vir das flores
E as novas flores que hão de vir do fruto
Ambas se adornam de um viver risonho
Iguais parecem, ambas são de amor
Na mocidade faz nascer o sonho
A primavera faz nascer a flor
Se a mocidade faz nascer o sonho
A primavera faz nascer a flor
Iguais parecem quando a vida as solta
E no entretanto, elas não são iguais
A primavera passa e depois volta
E a mocidade não nos volta mais
A primavera passa e depois volta
E a mocidade não nos volta mais

Ontem, uma comitiva do governo federal visitou algumas áreas do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Estrela, vocês passaram por Mussum, ali no Vale do Taquari, região onde eu vivi por 20 anos.
A comitiva foi chefiada pela primeira-dama Janja. Tinha três ou quatro ministros. E foi visita, filmagem, tirar fotos e tal. Foram lá nos lugares onde as doações das pessoas estão sendo distribuídas. Mas aí eu fiquei pensando é que Lula não foi e nem vai, porque nesta sexta-feira está sendo submetido à cirurgia no quadril. Não foi antes porque tinha viagem para a Ásia. Enfim, tinha que dar uma resposta à opinião pública. Suponho que o governo esteja pensando isso.
Então foi lá a mulher do presidente, em nome dele, e os ministros atrás. Muita gente aí está dizendo que quem devia ter ido era o vice, Geraldo Alckmin, e que já não tem cargo público para isso. Mas é simbólico, a gente copiou dos Estados Unidos, a palavra first lady foi copiada de lá, e a gente está aí, né, mais uma macaquisse nossa. “Primeira-dama”.
Enfim, aquela história de presença do governo, quando a maior presença são dos voluntários. São milhares de pessoas trabalhando por aqueles que foram prejudicados pelas cheias e ainda estão sendo, porque o Guaíba enche, a afluência de rios, como o Jacuíque, que passa na minha cidade e que está muito alto. Então é muita água que ainda vai chegar a Porto Alegre.
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Reação contra o STF
Bom, não tem como a gente não falar sobre a reação do maior dos poderes, que é o Poder Legislativo, contra o Supremo. O Supremo, alegando que não pode recusar pedido, recurso à justiça. Eu sei que antigamente recusava, talvez antes da Constituição de 1988. Partido político que ia pedir ajuda do Supremo porque não tinha voto no Congresso, o Supremo mandava de volta. “Olha, isso é interna corporis, resolvam aí a questão interna do Congresso”.
O PSOL, por exemplo, não tem voto e quer mudar a questão do aborto, quer liberar o aborto até 12 meses. Aí mandou paro Supremo, a Rosa Weber entrou nessa, já votou a favor, e ela é a relatora. E aí a reação do Congresso: 300 deputados. Não foi pouco. Trezentos assinaram pedindo a urgência, para votar logo o Estatuto do Nascituro, deixando bem claro um direito que está na Constituição do artigo 5º, primeiro deles, direito à vida, deixando claro que está no segundo artigo do Código Civil, que diz que os direitos do nascituros são assegurados pelo Estado brasileiro desde a concepção.
A senhora Rosa Weber não entendeu bem, então eles estão fazendo.
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Marco temporal
Na quarta-feira à noite, por 43 votos a 21, o Senado aprovou o projeto de lei que já estava aprovado na Câmara, mostrando que o que está escrito na Constituição é o que vale, e não o que o Supremo está dizendo, sobre o marco temporal. Terras que tradicionalmente ocupam são indígenas. Mas é “ocupam”, do presente do identificativo, o presente é 5 de outubro de 1988, dia da Constituição promulgada, e não a invenção do Supremo. Então derrubaram isso. Se Lula vetar, vai perder. Aliás, o Aldo Rebello, que já foi presidente da Câmara, foi ministro de Dilma, foi ministro de Lula, disse que o PT ficou isolado, que o governo sofreu uma derrota.
O Supremo acabou empurrando essa derrota no governo. E é uma reação, enfim, que acontece, vão fazer a mesma coisa em relação a drogas, porque o governo, o Supremo, está legislando sobre drogas, dizendo que pode transportar maconha até 60 gramas. Então vão fazer 60 viagens por dia. Vai dar 60 vezes 60, né? É incrível.
E mais. Estão querendo mudar a Constituição. Tem 175 assinaturas, bastariam 171 para tramitar projeto de emenda à Constituição que vai derrubar decisões do Supremo que extrapolem a Constituição. É do Domingos Sávio, do PL de Minas Gerais. Então, finalmente, parece que transbordou o cálice. O Supremo legislando e deputados e senadores pareciam seres passivos, inertes, mas agora parece que reagiram, graças a novas lideranças muito ativas, que estão despertando o Poder Legislativo, o poder dos representantes do povo, o poder do povo.
Que coisa mais surreal e deprimente! pic.twitter.com/FSTOVsmYG3
— MarioFrias (@mfriasoficial) September 28, 2023
Luís Ernesto Lacombe

Você já parou para pensar no que o seu dinheiro está bancando? Temos um amontoado de ministérios, que tratam de tudo e não tratam de nada. Não há uma pasta sequer que suscite um mínimo de esperança num país melhor. Todas são peças políticas, ideológicas e contraproducentes. O grande exemplo disso nesta semana foi dado pelo tal Ministério da Igualdade Racial, cuja existência, claro, seria dispensável. Já que existe, não deveria torrar nosso dinheiro para promover aquilo que justamente se propõe a combater: preconceito, racismo, xenofobia.
Nossos impostos estão sendo torrados por um monte de festeiros revolucionários, um bando de figuras caricatas, mal-intencionadas, odiosas. E isso se dá em todas as áreas, incluindo as universidades… Ninguém pode negar que o Brasil gasta demais com ensino superior, em detrimento da alfabetização, do ensino fundamental, médio e técnico. Temos um monte de universidades públicas que não servem para quase nada, que se dedicam a formar soldadinhos para a chamada guerra cultural, e ainda nas fileiras erradas.
São manobras altamente condenáveis para o emburrecimento e a divisão da humanidade. “Opressores e oprimidos”, sempre eles, num “processo hegemônico de dominação”… Essa ideologia nefasta, há muito, já sequestrou o meio acadêmico, incluindo até as ciências exatas, a matemática. E tudo com custos altos, financiado pelo nosso dinheiro, que deveria promover o conhecimento de ponta, mas acaba indo para “estudos”, “pesquisas” e “teses” sem pé nem cabeça.
Já no vestibular o absurdo se estabelece. Não à toa, a Unicamp já teve o seguinte tema de redação no seu concurso de seleção de alunos: “Relação entre biodiversidade e sociodiversidade no Brasil e os micromachismos na sociedade”… É uma ideologia fajuta que abre a porta para os estudantes na graduação e apresenta a eles coisas (e é esta a palavra adequada) como a “afromatemática”, que pretende “problematizar e desenvolver metodologias e percepções que busquem o diálogo entre a educação e as relações sociais, para romper com os moldes da educação reprodutora do racismo”.
Essa mistura de ideologia furada com matemática, com tecnologia seria risível, se não fosse trágica. Ela é como um câncer, se entranha também na pós-graduação. Na UFRJ, você pode fazer mestrado e doutorado com base na seguinte linha de pesquisa: “Descolonialidade e relações étnico-raciais na educação em Matemática e Ciências”. Se preferir, pode se dedicar à “Educação em Ciências e Matemática para Diversidade Sexual e de Gênero e Justiça Social”. Há coisas assim por todo o Brasil. O Instituto Federal da Bahia já publicou até uma “proposta didática para descolonizar o Teorema de Pitágoras em cursos de Licenciaturas em Matemática”.
Dizem por aí que “a tecnologia não é neutra”, que “as tecnologias digitais favorecem a reprodução dos desenhos de poder e opressão que já estão em vigor”. Então, surgem os “doutores” que se debruçam sobre o “racismo algorítmico e os imaginários sociotécnicos de resistência”. Na UFRJ também, dá até para fazer um doutorado, que querem chamar de “doutorade”, em MatematiQueer… Trata de “práticas insubordinadas nas aulas de matemática, da questão da transexualidade e da travestilidade”… E inventa “matemáticas que escapam da cisheteronormas”…
E assim vamos, ou melhor, não vamos. Desde o ensino fundamental, já com o incentivo a brincadeiras infantis para “quebrar estereótipos de gênero, etnia e os paradigmas do patriarcado”, até a universidade, o doutorado, o pós-doutorado. Uma longa pregação política e ideológica no ensino, com as vítimas de sempre: os alunos. E, a partir disso, a vítima total: o país. Tudo bancado por nós, pagadores de impostos. É enlouquecedor. Em bom português, estamos nas mãos de safados.
Mais conversas, hoje só com médicos, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
* * *
ANA VASCONCELOS, advogada. O médico olhou para ela com olhos de pena
‒ Você tem câncer, Ana.
‒ Qual o tratamento?
‒ Nenhum, infelizmente.
Decidiu ir a São Paulo e junta, com mais quatro médicos, confirmou esse diagnóstico. Melhor voltar e morrer no Recife. Só que não conseguia suportar essa espera e decidiu abreviar sua história. Melhor o fim do espanto que um espanto sem fim. Como não tinha coragem para se jogar de um edifício, ou dar tiro na cabeça, escolheu fazer isso dentro de seu carro. Entre segunda e terça, madrugada (sem ninguém na rua para ser atropelado), em reta que começava na Ponte Giratória e findava em muro de concreto, grosso, da Marinha, no Porto do Recife. Lugar perfeito para um acidente automobilístico. Acelerou o velho Gol até chegar a velocidade máxima. Os braços, ao segurar o volante que tremia, estavam já dormentes (foi quando percebeu que morreria sem dores). E viu aquele muro se aproximar. Faltava pouco. Só que um pneu voou e o carro começou a dar voltas. Sem capotar, sorte dela. Até que parou. Saiu, era inacreditável, estava de frente para o tal muro. A menos de um palmo. Então pensou
‒ É coisa de Deus. Ele não quer que eu morra e me trouxe aqui para dizer qual missão reservou para mim.
Olhou em volta e viu que, ali, havia só marinheiros e mulheres tentando sobreviver. Seu público não seriam aqueles marinheiros, com certeza. Decidiu criar uma instituição memorável, a Casa de Passagem – dedicada a abrigar, proteger e ensinar ofícios dignos a prostitutas que eram depois colocadas no mercado de trabalho. E Ana bem, sem mais notícias do tal câncer. Enquanto começaram a morrer os médicos que deram aquele diagnóstico. Na última vez que a vi disse, brincando,
‒ Ainda não morreu?, amiga.
‒ Que nada, Zé Paulo, e já decidi, só morro depois de enterrar os cinco médicos que me condenaram.
‒ Até agora…
‒ Quatro já foram. Só falta um.
CARLOS ROBERTO MORAES, cirurgião cardíaco. Pierre Gondim, em Londres, lembrou
‒ Há dois tipos de cirurgiões: os que bebem e os que já beberam o suficiente.
* * *
Me perguntou
– Quantos charutos você fuma?, por dia.
– Só um. Mas todo charuteiro mente muito.
ELIAS SULTANUM, santeiro. Comprou casa velha junto ao Mercado da Ribeira (Olinda). Já morando nela, começou uma reforma. Só que passou a ouvir uma barulheira que não tinha fim. Na quarta noite sem dormir, foi até o meio da escada e anunciou
– Atenção, senhores fantasmas, acabaram as reformas. A casa fica do jeito que está.
Em seguida, foi para o quarto e dormiu bem. Fim das reformas, fim dos barulhos. E ninguém, até hoje, conseguiu explicar o que aconteceu.
Dona JOANINHA, doméstica. Quinta-feira. Maria Lectícia informou que acabou bem uma operação de minha mãe. No ombro, sem riscos. Disse que estava no quarto 405 do Hospital Santa Joana e completou lembrando que já recebia visitas. Tradução, era para ir. Logo. Manda quem pode (ela), obedece quem tem juízo (eu). Ou pensa que tem, o que dá no mesmo. Não sei como, entendi Hospital Português. Errado, claro. Parei longe, calor danado, enfrentei fila no elevador, até que cheguei no quarto andar. Quando abri a porta do 405 lá estava mulher, com certeza cliente do SUS, que me olhou assustada. Ao perceber o endereço errado, e para não perder a viagem, disse
– Mamãe!!!
– Eu não sou sua mãe, não.
– Mãe desnaturada, que não reconhece o filho.
– Tenha calma, senhor. Vamos conversar. O que lhe faz acreditar que sou sua mãe?
– É simples. Minha mulher disse que mamãe estava no quarto 405. É esse. Logo, a senhora é minha mãe.
– Está errado. Pode acreditar que não sou sua mãe.
Ficamos conversando por bom tempo. Disse que podia lhe chamar de Joaninha. Contou sua vida simples, sem eventos notáveis, igual à de tantas. No fim, desejei melhoras e fui saindo. Quase na porta, ela gritou
– Meu filho!!!
Achei graça e respondi
– O que é?, mamãe.
– Volte amanhã para conversar que vivo aqui tão sozinha.
Dia seguinte, sexta-feira, mandei uma cesta com frutas. E, segunda, retornei ao hospital. Para conversar, como pediu. Abri a porta, o quarto estava já vazio. Não tive coragem de perguntar o que havia acontecido com ela e fui embora, rezando que estivesse em casa. Beijos, dona Joaninha.
JOEL DATZ, um dos “irmãos eventos” – conhecidos, no Recife, por irem a todas as recepções, de batizados a conferências. Vinha caminhando pela Manuel Borba quando sentiu dores típicas de um enfarte. Como estava bem perto de unidade do SAMU, em frente ao antigo Cine Boa Vista, foi andando até lá
– Estou tendo um enfarte e preciso que me levem, de ambulância, para o Procape (onde acabaria morrendo, só que muitos anos depois).
– Impossível, senhor. Que, segundo nossos regulamentos, só podemos atender casos por telefone. E fica tudo gravado.
– Mas vou morrer aqui, na sua frente?
– Infelizmente, vai.
Foi quando viu, do outro lado da rua, um orelhão. E seus bolsos viviam cheios de fichas (num tempo em que ainda não havia celulares). Foi até lá e ligou.
– É do SAMU?
– Sim.
– Estou tendo um enfarte. Podem me levar para o Procape?
– Claro, senhor, onde está?
– Bem na sua frente.
LUZILÁ GONÇALVES, escritora. Madrugada, ligou amiga pedindo ajuda que o marido estava quase morto. Luzilá teve que ir a colégio de freiras que acolhiam padres. Encontrou um, já bem velhinho, e disse que precisava dele para dar a Unção dos Enfermos. Tudo acertado, inclusive o preço. Mas o velho quis tomar café, antes de partir. A freirinha que lhe atendeu, com toda paz do mundo, preparou tapioca e cuscuz que ele comia com prazer. Sem pressa. E o tempo ia passando.
– Padre, queria lembrar que o homem está se acabando.
– Tenha calma, filha, Deus é paciente.
– Deus eu sei que é, padre. Só não estou certa é que o doente queira esperar tanto tempo.
Afinal, chegaram no apartamento. O padre leu Breviário e belo Ofício aos Mortos. Diante de um paciente largado na cama, lívido, com os olhos fechados. E todos rezando. Ocorre que, de repente, o quase defunto deu um pulo
– Que merda é essa?! A gente nem pode mais dormir em paz?!!, porra!!!
Em resumo, o homem estava era de porre. Coma alcoólico. Foi só engano da quase viúva.
MARIA DE JESUS ALVES, cirurgiã. Começou a operar, no Hospital Getúlio Vargas, criança com a perna quebrada por conta de um atropelamento. A avó chegou apreensiva, na portaria, e pediu informações de como estava seu neto William. O médico Octávio (filho de Geninha e Baby) Rosa Borges respondeu
– Está lá em cima (no quinto andar, onde ficava o bloco cirúrgico), nas mãos de (Maria de) Jesus.
E a velha quase morreu do susto.
MIGUEL SOUZA TAVARES, escritor. Seu bisavô, Thomás de Mello Breyner, 4º Conde de Mafra, Catedrático de Medicina e médico pessoal do rei, era diretor do Hospital São José. E, lá, enfermeiras formalizaram uma reclamação
‒ Os estudantes ficam passando a mão em nossas bundas. Exigimos providências.
‒ Perdão, mas não vejo solução possível para o problema, enquanto os estudantes tiverem mão e vocês tiverem bunda.
OSCAR COUTINHO, clínico geral. Provocando, me disse
– Está pensando que Medicina é fácil como Direito?
– Pode até não ser, amigo. Mas tem uma vantagem, e grande. Erro de advogado fica no processo; enquanto, o do médico, a terra come.
Corre aqui Alckmin😂😂
É muita humilhação! pic.twitter.com/G08yJANqRz
— Elisa Brom (@brom_elisa) September 29, 2023