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ALEXANDRE GARCIA

CONGRESSO REAGE AOS ABUSOS: TOMARA QUE NÃO SEJA SÓ MARKETING

O Congresso reage aos abusos do STF; tomara que não seja só marketing

Hoje há uma passagem de comando do Supremo. O que é o comando do Supremo? É alguém que tem a pauta para as votações. Mas o Supremo, na verdade, são 11 cabeças diferentes. Muita gente diz que são 11 constituições diferentes, quando nós temos uma única Constituição, que deveria ser respeitada.

Cada um tem a sua visão da Constituição e a sua convicção de que tem o poder de mudar aquilo que os constituintes estudaram por mais de ano para dar uma lei maior para o país, a maior das leis, a lei máxima.

Sai Rosa Weber, que foi aquela que teve o poder de pôr em votação se a pessoa pode matar um feto enquanto ele não estiver com 12 semanas de gestação. Assume o ministro Barroso, aquele que disse “perdeu, mané”, deu uma gozada num bolsonarista em Nova York, e depois confirmou a posição pessoal, dizendo no Congresso da UNE, num discurso fogoso, que nós “derrotamos o bolsonarismo” e nada aconteceu.

* * *

Reação

Estou dizendo isso porque acontece essa transição hoje, mas começou uma reação, finalmente, do passivo Congresso Nacional, dos representantes do povo e dos estados brasileiros. Senado representa os Estados, a Câmara representa o povo. 513 deputados e 81 senadores.

Cerca de 400 deputados, reunidos em 17 frentes, estão juntos num manifesto dizendo chega ao Supremo, chega de legislar, chega de agredir a Câmara, porque no momento em que passa por cima como um rolo compressor, no artigo 53 da Constituição, que diz que “deputados e senadores são invioláveis por quaisquer palavras”,  a Constituição deu essa inviolabilidade, não ao deputado em si, ao senador em si, mas aos seus eleitores.

Eles são a voz dos eleitores. Os eleitores são os mandantes, eles são os mandatários. Por quaisquer palavras, está lá, exatamente porque pode falar mal da mãe do presidente da República, e ele é inviolável. Só que não, o Supremo diz que não. Supremo diz que a pessoa não é livre pra se reunir sem armas, não tem o direito de ir e vir, a casa à noite não é inviolável, não tem a liberdade de expressão, de expressão do pensamento, tudo isso ocorreu durante a pandemia. O Supremo disse que não, até baixou pra prefeito decidir isso. Passou por cima do Ministério Público como origem de qualquer ação judicial.

Agora, finalmente estão dizendo que o artigo 49, inciso 11, tem que ser obedecido. É obrigação do Congresso Nacional, competência exclusiva zelar pela preservação de sua competência legislativa, em face da atribuição normativa dos outros poderes. Finalmente reagindo. Vamos ver o que Pacheco vai fazer agora, que está sentado em cima de muitos requerimentos, pedindo impeachment de ministro do Supremo.

A primeira reação foi ontem, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, por 41 votos a 20, deram urgência no projeto de lei já aprovado na Câmara, que estabelece um marco temporal de 5 de outubro de 1988, dia da promulgação da Constituição, pra quem tiver na terra naquele dia. Seja indígena, seja de qualquer outra etnia, europeia, asiática, africana, seja lá o que for, comprovando que estava na terra naquele dia. Pronto, esse é o direito primário sobre a terra, e não aquilo que o Supremo determinou.

O Supremo instituiu a insegurança fundiária. Tirou a paz do campo e agora está indo pra determinar a matança de fetos até 12 semanas. Além de outras decisões, a dosagem, as gramas de maconha que a pessoa pode carregar. Inventou casamento, inventou crime, mas não é do Supremo, o Supremo não legisla, quem legisla é a Câmara e o Senado, então finalmente está havendo uma reação.

Vamos saber agora se isso é só marketing, é alguma coisa para assustar o Supremo, ou é para valer, se vai sair daí reações maiores dos Três Poderes, dos quais o Poder Legislativo é o primeiro que está na Constituição, no artigo 2º. O segundo é o Executivo, o terceiro, é o que não tem voto, é o Judiciário, que é um poder técnico, não é poder político. Mas o Supremo exerce ativismo político, como a gente viu aí nas declarações de Barroso sobre as eleições, a isenção do juiz foi embora há muito tempo. E isso começou lá em 2016, quando rasgaram o parágrafo único do artigo 52, deixando Dilma condenada, mas não inelegível por oito anos, na cara de todo mundo, e todo mundo ficou quieto, parece que agora transbordou.

RLIPPI CARTOONS

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O PATINHO FEIO

Verinha era uma menina alegre e feliz. Não tinha preconceito, gostava de jogar ximbra, pião, rouba-bandeira. Corria como ninguém. Trepava nas amendoeiras, nas jaqueiras, nas goiabeiras da redondeza. Parecia estar sempre correndo. Na praia, dentro de um maiô apertado, era a líder das meninas, embora gostasse mesmo era de jogar futebol com os meninos. Dentro d’água, no mar ninguém batia, era a mais veloz. Deixava meninas e meninos para trás com suas braçadas contínuas e rápidas. Todos no bairro gostavam daquela diabinha travessa que vivia para brincar, correr e sorrir

Certa vez pediu para a mãe ajudar no vestir. Queria ficar bonita, estava ficando uma moça, com seios crescidos. Tinha sido convidada para uma festa muito especial.

Um rapaz da vizinhança havia passado no vestibular do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, exame difícil. O jovem Humberto ingressaria no ITA. Um sonho de todos os jovens daquela época. A família de Beto resolveu dar uma festa de despedida em sua bela casa. A animação, apesar da despedida, foi o ponto alto. Todos se divertiram, beberam, comemoraram até o dia amanhecer.

Verinha com um vestido rodado bem cintado, se policiava, freando a vontade de correr, de fazer bagunça naquele casarão. Queria parecer uma moça madura. Se continha.

Ela tinha uma paixão infantil por Humberto. Quando estavam na praia, corria em sua direção para se fazer notada. Ele nem se dava conta de existir aquela menina. Às vezes em alguma brincadeira ele falava com ela em tom de gozação chamando-a de menininho. Verinha ficava fula de raiva. Mas a paixão não se pode evitar, coisas do coração.

Em seus devaneios românticos, nos intervalos de suas estripulias, ela sonhava ser uma artista de cinema: Beto lhe abraçando dizendo que lhe amava e eram felizes para sempre. No dia da festa ela se fez bonita, mas sua estampa de menina magra e desajeitada, não ajudava. Ficava perto de Beto para ver se pelo menos olhava alguma vez. Em certo momento ele chamou Verinha. Ela veio toda frajola. Beto nem a olhou foi falando, apresentando um menino de 12 ou 13 anos:

– Esse meu primo quer brincar, como você é a serelepe daqui, vá brincar de pega com ele.

Ela não agüentou. Aquilo era uma humilhação. Retrucou na hora.

– Não sou serelepe, nem menina. Já sou uma moça e não vou brincar com esse pivete, não.

Beto gozou Verinha, chegando à ofensa:

– Você é menina sim. Ainda não tirou o mijo das calçolas. Sua Bostinha!!!

– Verinha ficou uma fera, a raiva subiu para cabeça, gritou:

– Vá para o inferno, Bostinha é sua mãe. Quero que você caia de um avião e morra!!!

A menina saiu correndo. Com lágrimas contidas chegou em casa. Sua mãe notou que ela voltava cedo, perguntou o que havia acontecido. Ela simplesmente deu boa-noite e foi para seu quarto. Só adormeceu quando o dia clareou. Chorou toda noite ouvindo as músicas da festa, pensando na grossura e na saudade de Beto que embarcava naquela manhã para São José dos Campos.

O ano não passou rápido. O tempo só é rápido quando existem apenas divertimentos e alegrias. Para Beto foi um ano de muita luta, muito estudo, muita ralação. Com notas razoáveis ele passou em primeira época. Retornou a Maceió de férias, quase um ano depois, no final de dezembro.

Houve outra festa em sua chegada. Seus pais convidaram os amigos e vizinhos. Muita bebida e comida. Beto feliz da vida em estar com sua bela família e ser o alvo da atenção de tantos amigos. De repente ele notou, ao longe, uma bela jovem. Estava de costas, o rosto pouco aparecia, seu perfil lhe era familiar. Chamou sua irmã ao lado e perguntou quem era a distinta de vestido branco. Rose deu uma gargalhada perguntando se tinha certeza que não conhecia. A irmã dirigiu-se até a jovem misteriosa, cochichou no ouvido e veio conduzindo a moça. Quando Beto a viu de frente e de perto, se encantou. O coração bateu forte como nunca havia batido para ninguém. Rose apresentou sorrindo.

– Quero que conheça minha amiga.

Encantado olhando nos penetrantes e ternos olhos da jovem, Beto estendeu a mão, falando com brandura:

– Prazer, Beto.

A jovem apertou sua mão gentilmente e respondeu sorrindo.

– Muito prazer, sou a Bostinha !

Nesse momento Beto reconheceu e compreendeu que era Verinha, sua vizinha, a menina sardenta serelepe e mal-criada que vivia correndo O patinho feio havia se transformado em uma linda cisne branca.

Passaram o resto da noite conversando. No final da semana os dois estavam namorando de mãos dadas no banco da praça. Era o início da mais bonita paixão daquelas férias de verão, tendo o sol, o céu e o sal de Maceió como testemunha.

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DEU NO X

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CIRANDA DAS FLORES

A primavera chegou
Trazendo sua magia,
Com fartura brotam flores,
Que cada olhar contagia.
Me diga qual é a flor,
Que você mais aprecia?

Minha flor especial
É graciosa e bonita
E recorda minha infância
Por isso é a favorita
De moça velha é chamada
E também por Benedita

Dalinha Catunda

Ter uma flor preferida
É bem difícil afirmar
Pois gosto de todas elas,
Mas pra não contrariar
Vou citar a Rosa Dália
Que tem beleza sem par.

Nilza Dias

Floresta da minha infância,
No meu torrão Ceará.
Bela rosa predileta,
Que perfumava o meu ar.
Até hoje respiro aromas,
Dá flor do maracujá.

Jairo Vasconcelos

De todas aquelas flores,
Que vejo no meu jardim.
Tenho a minha preferida,
Que é a flor de jasmim.
Eu queria para sempre,
Todas juntinhas a mim.

Euza Nascimento

Cada flor tem seu encanto
Sua cor, sua textura
Seu perfume, seu frescor
Sua própria arquitetura
Mas a rosa, meu senhor,
Exagera em formosura.

Giovanni Arruda

A flor tem sua beleza,
Nenhuma boto em questão
A flor do mandacaru,
Tem linda composição,
Sou nordestino e adoro
Este símbolo do sertão!

Zé Salvador

Quem dera poder plantar
Mil flores no meu jardim
Deixar tudo bem florido
Pros beija- fĺores chegar
Eu gosto de todas elas
Mas , amo ” Rosas – carmim ” !!!

Dulce Esteves

Eu adoro à primavera.
Aquece meu coração
As manhãs têm alegria
Trazendo mais emoção
Suas flores perfumadas
Me trazem inspiração

Erinalda Villeneve

As plantas do meu jardim
Seguem comigo na vida
Sempre que eu cuido delas
Deixam a varanda florida
Gosto de todas, porém
Eu escolho a margarida.

Creusa Meira

No jardim da minha casa
Tem vários tipos de flores
Cada qual mais colorida
Exalando seus odores
Gosto da copo de leite
Encanto dos beija flores .

Jerismar Batista

As belas flores de jaca
Conseguem ser muito mais
Do que singelas belezas
Campestres bem ancestrais.
– São imponentes essências
Dos sêmens mais divinais!

Prof. Weslen

É o cravo a minha rosa
Que nasceu na natureza
Para enfeitar meu jardim
Com toda sua beleza
Se veste toda de branco
De candura e de pureza.

Vânia Freitas

Alma-nova é o meu nome,
Ou também, copo-de-leite;
Minha essência é leve e calma,
No cabelo eu sou enfeite;
Sou branquelinha bonita,
E entre as flores sou deleite.

Wellington Santiago

Brasília, Flor do cerrado!
Logo que te conheci
Nunca pensei que um dia
Me encantaria por ti
Foram muitos os prazeres
No tempo que lá vivi.

Rosário Pinto

Se a flor tem o espinho
É o dom da natureza
É o forte do carinho
Procurando a destreza
E o forte da emoção
Chega quando o coração
Encontra sua certeza

Rivamoura Teixeira

A minha flor preferida
É um verdadeiro encanto,
Vai do nascente ao poente
Sem arredar do seu canto,
Buscando os raios do sol,
Uns a chamam girassol,
Eu a chamo de helianto.

Joames

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DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

TURBULÊNCIAS ECONÔMICAS À VISTA

Editorial Gazeta do Povo

O presidente e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O cenário econômico mundial nunca será um mar de águas calmas – a turbulência econômica é um fenômeno comum e que precisa ser manejado pelos países. Mas para isso é preciso eficiência e controle das despesas públicas, coisa que os maus governos dificilmente estão dispostos a fazer. Na América Latina, com poucas exceções, temos hoje governos ineficientes na gestão macroeconômica, populistas e irresponsáveis no manejo dos orçamentos públicos, cuja marca é a imprudência financeira, gastos públicos descontrolados, dívidas públicas em ascensão. O Brasil é um exemplo disso – e precisa corrigir seus rumos antes que seja tarde.

A partir dos anos 1970, o mundo percorreu longo período com crises econômicas recorrentes, cujo início foi a primeira explosão dos preços do petróleo em 1973 e continuou com a segunda explosão desses mesmos preços, a crise da dívida externa dos países subdesenvolvidos, o recrudescimento da inflação em várias partes do mundo, a grande recessão do Japão, a recessão em países da América Latina e outras turbulências que tiveram o efeito de freio no crescimento, aumento do desemprego e da pobreza. Quem viveu no Brasil dos anos 1980 conheceu de perto esse cenário nebuloso.

Nos anos 1990, o mundo iniciou um período de expansão que durou pelo menos até 2007, com algumas exceções, que foi um período de prosperidade marcada por crescimento do produto bruto, queda da inflação, baixas taxas de juros, elevação do consumo, baixas taxas de desemprego e ascensão de grande número de famílias para faixas de renda mais alta. Entre suas marcas, esse período de expansão viu o deslocamento de parcelas do produto mundial desde os países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, em função do movimento de desregulamentação internacional, maior inserção dos países no comércio exterior e expansão do que se denominou “globalização econômica”. Esse efeito propiciou o aumento da poupança global medida em dólares, resultando na queda da taxa de juros e da inflação.

A trajetória de crescimento e bons indicadores econômicos começou a sofrer os efeitos do violento choque causado pela explosão da crise imobiliária nos Estados Unidos, no ano de 2007, cuja gravidade se acentuou em 2008, prosseguiu nos anos seguintes e espalhou seus efeitos pela Europa, Japão e países produtores de petróleo, especialmente os que detinham elevadas somas de investimentos em dólar. Em tempo relativamente curto, o mundo viu um país atrás do outro mergulhar em grave crise, a exemplo de Irlanda, Espanha, Grécia, Portugal e Japão, além de outros. Com maior ou menor intensidade, os efeitos da crise pegaram todos os países do mundo.

Alguns países em desenvolvimento, entre eles Brasil, Rússia, Índia e China, componentes dos BRICs, pareciam estar fora dos males derivados da crise financeira e davam a impressão de que iam continuar seu ritmo de consumo, portanto imunes a eventual recessão grave. O consumo de alimentos, principalmente na China, seguia bastante alto e dava sustentação à elevação dos preços das commodities agrícolas, o que favoreceu o comércio exterior dos países produtores, entre eles o Brasil. Apesar de boas ondas aqui e ali, a crise foi profunda nos Estados Unidos e na Europa, e somente não resultou em recessão bem mais pesada porque os governos emitiram grandes quantidades de moeda e injetaram US$ 9 trilhões, para um PIB mundial na faixa dos US$ 80 trilhões. Esse é o tipo de solução que ameniza a tragédia no curto prazo e transfere uma pilha de problemas e danos para o longo prazo, em razão dos gigantescos déficits públicos e o retorno da inflação alta. Foi o que acabou acontecendo.

O Fundo Monetário Internacional fez vários alertas sobre as consequências dessa politica equivocada, entre elas a inflação e o desemprego. Na época, o governo Obama captou os sinais que prenunciavam graves problemas mais adiante e anunciou que seria necessário tomar medidas impopulares. As turbulências anunciadas como decorrência da crise e das medidas tomadas para impedir uma catástrofe de altas proporções foram agravadas quando, no início de 2020, o mundo foi castigado pela grave e imprevisível pandemia do coronavírus, que jogou a população mundial trancada por dois anos em suas residências com toda sorte de desorganização do sistema econômico, recessão, alto desemprego, falências e desespero financeiro e psicológico.

Quando, no início de 2022, o mundo começava a sair do isolamento social e da recessão produtiva, a Rússia invade a Ucrânia em 24 de fevereiro, e lança outra bomba econômica, social e política sobre o mundo todo. Nessa linha do tempo, com a guerra entre Rússia e Ucrânia seguindo sua tragédia humanitária e causando graves problemas sobre praticamente todos os países, os aumentos de preços de matérias-primas, especialmente energias e combustíveis, levam a economia mundial, já enfraquecida em vários flancos, a seguir amargando problemas, retardando a recuperação, atrasando o crescimento e freando a redução da pobreza.

Nesse cenário global, países com maus governos agravam os problemas iniciados com as turbulências geradas fora de suas fronteiras e contribuem para uma crise maior. Infelizmente, o Brasil está dentro desse rol: se insistir em manter-se como um Estado gastador, inchado e pouco eficiente, como tem sido até agora, sofrerá cada vez mais com as turbulências e crises que acontecem lá fora.