COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

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CARTOMANTE COM ALZHEIMER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O INTELECTUAL – Marcos Mairton

Discreto, sério, culto e educado,
Segue em visita a uma livraria.
Relê um conto, lê uma poesia.
“São tantos livros!” – pensa emocionado.

Até lamenta não ter dedicado
A vida inteira simplesmente a lê-los.
Mas, eis que surge um par de tornozelos,
No pé esquerdo, um trevo tatuado.

As panturrilhas e cada joelho,
Coxas que somem sob o tom vermelho
De um vestido fino e sensual.

E, sem esforço, aquela criatura
Logo desvia da literatura
Toda a atenção do intelectual.

Marcos Mairton da Silva, Fortaleza-CE, é juiz federal, mestre em Direito Público (UFC) e MBA em Poder Judiciário (FGV Rio). Juiz Auxiliar do STJ. Escritor, poeta, cordelista, compositor e colunista do JBF

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DEU NO JORNAL

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JANJA DA SILVA: O NAMASTÊ E O DESLUMBRAMENTO

Guilherme Macalossi

Janja da Silva: o namastê e o deslumbramento

O cônjuge de um presidente da República não desempenha qualquer função oficial. Não recebe para isso. Homem ou mulher, a nomenclatura que adquire é advinda de seu parentesco. Ainda assim, pela proximidade com quem exerce o poder, tem status e benefícios, bem como certas responsabilidades institucionais inatas. Sua posição lhe exige decoro, prudência e discrição. É tudo o que falta para a atual primeira-dama. Janja da Silva, que se casou com Lula em 2022, esbanja inadequação e deslumbramento, inclusive para prejuízo do atual governo.

Na última semana, enquanto voluntários e equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros se desdobravam no esforço de encontrar desaparecidos e salvar pessoas em situação de risco nas áreas inundadas no Rio Grande do Sul, Janja voava para a Índia acompanhando o marido. Antes de embarcar, escreveu nas redes sociais que teria 20 horas para tuitar. A postagem contrastou com a agenda anterior do casal presidencial, que não teve um único minuto para visitar as vítimas de uma das maiores tragédias naturais da história do Sul do país.

Não sendo o bastante, já em Nova Dheli, Janja publicou um vídeo comemorando a chegada. Sorridente, apareceu fazendo “Namastê” e dizendo “Olá, Índia! Boa noite. Me segura que eu já vou sair dançando”. Ninguém estava dançando em Muçum, ou em Roca Sales, cidades gaúchas que foram dizimadas pela água e pelo lodaçal. Ciente do prejuízo político, a assessoria do Palácio do Planalto removeu o vídeo, mas não a tempo de evitar que circulasse pela web, gerando incontáveis memes.

Essa postura indiferente, quase que como a de uma blogueira sem noção da realidade, não é inédita. No início de 2023, quando chuvas castigaram o litoral norte de São Paulo, a primeira-dama não interrompeu sua participação do carnaval. Continuou sambando em Salvador. Naquela oportunidade, Lula foi até a região, mas a imagem dela fazendo festa em Salvador não foi bem recebida.

A alegação de que Janja não governa ignora o fato de que, por ser a esposa do presidente, não pode ficar à margem de situações dramáticas. É preciso decoro nessas horas, e saber que sua imagem está indelevelmente ligada a do presidente.

A primeira-dama vem sendo fanaticamente protegida e paparicada pela militância lulopetista. Críticas à sua conduta são respondias como expressões de “misoginia” e “machismo”, aquelas palavrinhas mágicas do dicionário ideológico identitarista que servem de escudo para qualquer coisa. Por sua formação como socióloga com especialização em história, alguns imaginam que Janja possa ser a Ruth Cardoso de Lula. Até aqui ela não conseguiu nem mesmo ser Dona Marisa, que não era intelectual, mas ao menos tinha senso de ridículo.

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