WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SAUDADE POÉTICA

Recorte da capa do LP “Repentes e Repentistas”, dos poetas Zé Vicente da Paraíba, pai deste colunista, e Passarinho do Norte. Gravadora Rozenblit, Recife, 1973. Arte do amigo Michelângelo Wandrol.

Em um banco na calçada,
Depois da hora da janta,
Meu pai tocava a viola
Já cansado da garganta.
No canto que ele cantava
Hoje a saudade é quem canta.

Poeta João de Lima

A minha se agiganta
Quando vou a casa dele.
Recito uns versos que um dia
Eu fiz inspirado nele.
Volto sem ter avistado
Nem a viola e nem ele!

Wellington Vicente

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Boa

Maria Oliveira Barros nasceu em Remígio, PB, em 24/6/1920. Empreendedora bem-sucedida dona de um cabaré, em Natal, RN, na década de 1940 e seguintes. Um luxuoso prostíbulo com apresentações musicais, teatro de revista e encontros casuais. No início sua clientela era constituída principalmente por soldados norte-americanos, instalados na base de Natal, durante a II Guerra Mundial. Teve seu nome gravado numa aeronave da FAB-Força Aérea Brasileira.

Na adolescência ajudava o pai numa banca da feira de Campina Grande e ganhou o apelido de Maria Boa, devido a gentileza com os fregueses e, também, aos belos atributos físicos. Era uma moça bonita, que chamava à atenção com seus cabelos pretos e longos. O apelido não agradou o pai, mas encantou os rapazes que passavam na barraca só pra vê-la. Ela acabou engraçando-se por um deles, que tirou-lhe a virgindade. O pai exigiu o casamento como reparação, mas o rapaz recusou. Ela se viu abandonada pelo namorado e pelo pai, que a expulsou de casa.

A mãe sentiu muito o desfecho da tragédia, mas não pode fazer nada e teve que aceitar a decisão do marido seguindo o padrão exigido pela sociedade local naquela época. A família não podia manter sob o mesmo teto uma filha sem honra. Era este era o costume. A partir daí, ela sentiu-se estranha e indesejável na cidade e foi tentar uma nova vida na capital João Pessoa, em meados de 1935. Arrumou emprego numa tipografia como secretária. Pouco depois conheceu um político; namoraram; brigaram e ela foi ameaçada de morte. Em pouco tempo passou a ganhar a vida como prostituta em algumas cidades da Paraíba até chegar em Natal.

Segundo relata o jornalista Luiz Henrique Gomes, há uma controvérsia entre os cronistas sobre o modo como chegou em Natal. Diz-se que ela já trabalhava num bordel, quando Madame Georgina, dona da Boate Estrela, soube que em Campina Grande havia uma bela jovem que acabara de cair na vida. Foi até lá e trouxe-a para sua Boate. Outra versão conta que ela chegou em Natal, em julho de 1942, aos 22 anos. “Sem eira nem beira”, porém bonita e atraente, logo encontrou emprego na Boate Estrela, onde foi bem recebida por Madame Georgina, que não poupou nos vestidos e joias, nem nas músicas para apresentá-la à sua clientela. Logo encontrou um alto funcionário público, com quem manteve relacionamento e engravidou. Ao saber da gravidez, o namorado não gostou e acabou o namoro. Ela abortou, ficou impossibilitada de procriar e abalada com a situação, afastou-se do Cabaré.

Em seguida trabalhou em algumas “casa de drink” e tinha como característica o respeito e educação. Era reservada, não tolerava gaiatices e tratava os clientes com cortesia. Levava seu trabalho a sério e era respeitada pelas colegas. Por esta época os soldados norte-americanos se instalaram em Natal, causando uma mudança urbana na capital potiguar. Em 1943, a cidade com 40 mil habitantes fervilhava com a chegada dos 15 mil militares americanos, que trouxeram o cinema de Hollywood, cigarros com filtro, coca-cola e os bailes na base militar alimentando fantasias de progresso material. Foi aí que ela aguçou o tino empreendedor. Percebeu que a cidade não dispunha de um lugar onde os homens pudessem se divertir. Em parceria com um amigo, alugou um casarão e montou seu negócio. Além dos soldados norte-americanos, a casa era frequentada pelos homens da alta sociedade e, assim, prosperou, rapidamente.

O Cabaré tornou-se um lugar conhecido não só pela prostituição. Mantinha uma boa cozinha e dizem que lá foi o primeiro lugar a servir o galeto assado, quando só existia o frango caipira cozido. Em pouco tempo reuniu um time de garotas bonitas dos estados vizinhos e fez com que sua Boate se tornasse uma referência no turismo da cidade e ponto de encontro dos empresários, fazendeiros e políticos da região. O serviço era impecável naquele ambiente, digamos, do pecado. Cuidava da saúde das moças e exigia algum recato na recepção e trato com os clientes. Foi neste ambiente que Maria Boa reinou com seu Cabaré.

Sua fama chegou também aos militares da aeronáutica brasileira. Os aviões B-25 eram identificados com variadas cores, conforme o local da base aérea. Na Base de Natal, além das cores foi acrescido desenhos artísticos de mulheres em trajes de praia, ao lado esquerdo da fuselagem. Na aeronave 5079 foi aplicado o desenho e o nome de Maria Boa. Alguns tenentes levaram-na até o hangar dos B-25 para lhe mostrar a homenagem prestada, deixando-a comovida.

Com o tempo adquiriu a sobriedade de uma madame. Não gostava de ser fotografada nem dava entrevistas, talvez para proteger sua família. Adotou duas crianças e manteve-as em boas escolas. Ajudou a pagar os estudos das primas e sobrinhos e fazia questão que todos tivessem uma formação diferente da sua. Chegou a ajudar inúmeras famílias carentes e as mães de suas funcionárias. Enfim, o nome Maria Boa fez justiça ao nome e tornou-se uma mulher respeitada e admirada em Natal. Em 1997, aos 77 anos, tinha problemas cardíacos e passou por uma cirurgia de alto risco. Pouco depois teve um AVC e faleceu em 22/7/1997. No dia seguinte o Diário de Natal estampou a manchete: “Morre a Dama das Camélias”.

DEU NO JORNAL

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

POR AMANHÃS FELIZES

Ruídos advindos do Vaticano dão conta da existência de estudos profundos para uma edição da Bíblia Sagrada – AT e NT – de conformidade com os paradigmas contemporâneos, deixando os escritos inspirados por Deus com feições mais condizentes com uma pós-modernidade cada vez mais evolucionária, evangelizando mais adequadamente espiritistas, espiritualistas, agnósticos e céticos.

Como coincidências não existem, um fato não muito recente, aconteceu nos Estados Unidos, num programa de televisão matinal, assistido por milhões de expectadores, quando o animador perguntou ironicamente a um evangelizador reconhecido internacionalmente:

– Muito bem, você tem afirmado que frequentemente tem falado diretamente com Deus. Então diga agora, para os telespectadores que nos assistem, qual é a principal mensagem de Deus para o mundo? Pode reduzi-la a uma ou duas frases? Tem cerca de trinta segundos para responder.

O entrevistado, Neale Donald Walsch, confirmou:

– Na verdade, posso reduzir a mensagem de Deus em apenas cinco palavras.

O apresentador, com ar de intensa ironia, se voltou para a câmara principal e anunciou:

– Senhoras e senhores, este homem, que diz estar sempre em comunhão com o Divino, vai revelar a principal mensagem de Deus para o mundo em apenas CINCO palavras!

Diante de um silêncio sepulcral, olhando com serenidade absoluta para a câmara que transmitia seu rosto tranquilo, revelou a mensagem recebida do Altíssimo:

– VOCÊS ME ENTENDERAM TOTALMENTE ERRADO.

Podendo o fato acima ser chamado de grande insight, de pressentimento incrível, de ideia brilhante, de premonição, de palpite profético, de previsão genial, de intuição mental ou de serendipidade (fenômeno amplo e multifacetado, cujo sinônimo mais imediato poderia ser “feliz acidente” – ou uma “descoberta fortuita e não planejada” – derivado de sorte, providência ou acaso. Como nada acontece por acaso….

Desde 1990, as anotações das milhares de conversas mantidas por Neale com o Criador, resultaram na série Conversando com Deus, agora condensada no livro O QUE DISSE DEUS: 25 MENSAGENS QUE VÃO MUDAR A SUA VIDA E TRANSFORMAR O MUNDO, Neale Donald Walsch, Rio de Janeiro, BestSeller, 2022, 415 p. Trazendo uma mensagem do autor que bem poderá provocar uma leitura urgente do livro:

“Está chegando o dia em que a enormidade do amor de Deus e da Sua dádiva à humanidade será plenamente realizada e se tornará parte da vida de todos. Esse resultado é inevitável. É apenas uma questão de tempo.”

Creio firmemente que está chegada a hora de a humanidade ter uma nova mensagem guia para poder estruturar uma nova história cultural. Onde alguns pontos necessitam ser amplamente aceitos pelos quatro cantos do mundo, favorecendo um viver fraternal jamais alcançado. Eis os pontos principais:

1. Somos todos um. Significa que cada um de nós é Divino. Você é uma individuação da Divindade.

2. Há o suficiente para todos, não sendo preciso competir, muito menos brigar.

3. Você fará muita coisa, mas jamais será por obrigação, posto que Deus não precisa, não exige nem ordena coisa alguma.

4. Deus fala com todas as pessoas o tempo todo. A questão não é “Com quem Deus fala?” É “Quem O ouve?”

5. Prestemos sempre atenção aos TRÊS princípios básicos da vida: Funcionalidade, Adaptabilidade e Sustentabilidade.

6. Não existe o certo e o errado, mas apenas o que funciona e o que não funciona.

7. No sentido espiritual, não há vítimas nem vilões no mundo, embora tudo que acontece com você acaba o beneficiando, posto que você é Divino.

8. Não existe inferno, tampouco condenação eterna.

9. A morte não existe, tudo sendo apenas um processo de re-identificação.

10.Não existe espaço e tempo, apenas o aqui e o agora.

11. O amor é tudo que existe.

12. Você é o criador da sua realidade, sempre a utilizar as Ferramentas da Criação: pensamento, palavra e ação.

13. Sua vida tem a ver com todos cuja vida você toca e de que forma toca.

14. Seu objetivo primeiro na vida é recriar-se, passar para uma versão mais luminosa.

15. Os três conceitos básicos da vida holística são: honestidade, consciência e responsabilidade.

16. Que haja um Novo Evangelho para todas as pessoas do Mundo. Somos todos um. E o nosso caminho não é o melhor, mas apenas outro caminho.

Saibamos perceber, com ampla sensibilidade espiritualista e espiritista, a implantação crescente dos paradigmas acima. Ampliemos nossa binoculização, lendo o livro acima citado. Sem perder a ternura jamais. E sem medos, nem insanas odiosidades.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL