Nova política de preços da Petrobras não necessariamente seguirá o preço internacional do petróleo
Quatro meses e meio após Lula subir a rampa, está realizado o sonho de todo governante populista brasileiro: a Petrobras oficialmente abandonou sua política de preços alinhada com o mercado internacional, e que fora responsável pelo início de sua recuperação após a depredação realizada na primeira passagem do petismo pelo Planalto. Cumprindo uma promessa de campanha de Lula – e, mais uma vez, o que seria elogiável em qualquer outro governante se torna maldição para o país –, o preço dos combustíveis será “abrasileirado” e as consequências são imprevisíveis, tanto para a própria Petrobras quanto para o incipiente setor privado, que compete com a estatal no fornecimento de combustíveis.
Nunca é demais recordar as razões que fizeram do Preço de Paridade de Importação (PPI) a escolha da diretoria que assumiu a Petrobras quando Dilma Rousseff foi cassada e substituída por Michel Temer. O Brasil depende do mercado externo, pois sua autossuficiência em petróleo é ilusória: como o parque de refinarias nacional é insuficiente e obsoleto, o país precisa importar óleo e derivados. Além disso, ao praticar preços de mercado, a Petrobras permite que haja competição justa com os demais fornecedores privados, já que a estatal, sozinha, não dá conta de toda a demanda nacional por combustíveis. Nada, portanto, de “crime contra o povo”, como o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, classificou a PPI, mas de prática exigida por boas regras de governança.
Crime, na verdade, era o que o petismo havia realizado com a Petrobras, a ponto de fazer dela a petrolífera mais endividada do mundo, segundo dados de 2017 da Organização Mundial do Comércio. As perdas com a corrupção propriamente dita, quando o PT saqueou a Petrobras em conluio com empreiteiras e partidos aliados, foram bilionárias, mas o prejuízo com o represamento artificial de preços fora muito maior. A dobradinha Dilma Rousseff-Graça Foster fez com que a estatal vendesse derivados abaixo do preço de custo durante um longo período, para tentar controlar a inflação e não prejudicar as perspectivas de reeleição em 2014. Se o preço das ações da Petrobras subiu na terça-feira, aliás, foi em parte por um certo alívio do mercado, uma sensação de que a nova política de preços, embora pior que a PPI, poderia ter sido bem mais desastrosa, com um retorno declarado a essa época de devastação.
A nova política não estará completamente desvinculada do mercado internacional. “Não vamos nos desgarrar do preço internacional como uma Venezuela e vender o diesel ao preço que quiser. Quando subir lá fora, terá que subir aqui dentro. Quando descer lá fora, vai ter que descer aqui”, prometeu o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, na semana passada. Mas as novas regras incluem outros critérios, definidos de forma um tanto vaga, com expressões como “melhor alternativa acessível aos clientes” e “custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia”. Ao afirmar no comunicado que continuará “seguindo as referências de mercado”, mas “sem abdicar das vantagens competitivas de ser uma empresa com grande capacidade de produção e estrutura de escoamento e transporte em todo o país”, a estatal deixa subentendido que terá uma grande margem discricionária para, no fim das contas, praticar o preço que quiser.
E, com isso, não é apenas o risco de novos prejuízos que volta à tona. Nos últimos anos, a Petrobras se voltou prioritariamente para a extração, atividade bem mais lucrativa que o refino e a distribuição, e iniciou um programa de desinvestimento que incluía, por exemplo, a venda de refinarias. Isso permitiu a entrada de players privados nessa área, embora ainda minúsculos em comparação com a gigante estatal. Mas, quando Prates fala em deixar a Petrobras “mais eficiente e competitiva, atuando com mais flexibilidade para disputar mercados com seus concorrentes”, indica que a empresa deve jogar todo o seu peso para tentar retomar fatias de mercado perdidas nos últimos anos. Ocorre que a Petrobras tem como suportar eventuais perdas se praticar preços artificialmente baixos, mas seus concorrentes não. Se a nova política tornar a atividade inviável para o setor privado, teremos a repetição do caso argentino, em que a estatal YPF represou seus preços e quebrou a concorrência, causando escassez de diesel.
Além disso, não se pode descartar que o governo Lula esteja interessado em usar a Petrobras como a mais nova arma em sua guerra contra o Banco Central. Os combustíveis têm enorme peso no cálculo da inflação, e uma redução de preços neste momento cairia como uma luva, quem sabe mantendo o IPCA acumulado dentro do limite de tolerância da meta por mais tempo, freando a elevação prevista para o segundo semestre e aumentando a pressão para que o Copom reduza a taxa Selic. No fim, tudo se resume à velha prática petista: usar toda a estrutura do Estado para atender aos próprios interesses, pouco se importando com as consequências desse sequestro.
Todas as vezes que faço uma pesquisa lembro-me de nomes de etnólogos de Pernambuco, sobremodo aqueles que deixaram sua contribuição ao setor. Mário Souto Maior, que figura entre os proeminentes.
Sentado em sua rede, no terraço da casa de Olinda, com um catálogo telefônico à mão, ele produziu seu primeiro livro: “Dicionário do Palavrão e termos afins”. Conversamos durante horas sobre suas pesquisas, num adorável domingo.
Como hoje ele não está mais entre nós, andei me aventurando a relacionar alguns nomes raros, não constantes de sua publicação e que certamente seriam por ele aceitos a fim de completar sua obra, se vivo ainda estivesse.
Nessa procura de nomes exóticos, raros e pouco conhecidos recebi a colaboração de muitos leitores que contribuíram para a publicação destas notas. Há poucos dias dei continuidade à busca, iniciando com uma relação da Folha de Pagamentos, onde constavam nomes de funcionários do Banco do Brasil, no decênio de 1960.
Dos personagens que conheci aproveitei para publicar seus apelidos, a fim de dar graça à relação. Nesta oportunidade aproveitei correspondências e telefonemas que me chegaram, a fim de engrandecer a “coleção” que ora venho publicando. Vejamos:
Abdalino Serro Lopes (Lino) Abdenísio Costa Abdoral Marcondes Filho Agripa Ulysses de Vasconcelos Agustiniana da Silva Mendes Alaíde Bruna de França Albenaldo Fonseca Alcidélia Marcondes Ferro Almanaíra Logan (Mana) Ana Flor Marcondes Arão Mendes Argentina Castello Branco Austriclínio Roberto Santos Bailton Neves (Babá) Benevaldo Nobre de Melo (Bené) Clidenor Ferreira da Silva Dailane Correia Demevaldo Melo Reis Denerilson Arruda Deobertina Caruso Desandra Elisio Teles Desandra Santos Djailton Ferreira da Costa (Dadá) Docivaldo Melo Cruz (Dôci) Dulcinaura Dias Ebtuso Maia Carrilho Edilsenir Melo Gomes. Eleunere de Matos Elibertona Soares Elinevanda Lopes Silva Elsonildes de Arruda Silva Elvandilma Correia (Elva) Erivaldene Lopes Cardoso Estrelina Mendes Félix Florisbundo Menezes da Rocha Gedalva Maria de Sena Hermógenes de Araújo Viana Jenoveva Cândida Mendes (Véva) Joacir de Medeiros José Florisbelo Costa (Floris) Marinalva Teles Mendes Menivalda Loureiro Onix Lorenzzoni Sizolmar Cavalcanti Tertuliano Veríssimo Silva (Teté) Valeriana Carmencita Valeriana Carmencita.
Outro dia, ouvi num restaurante, ouvi um cidadão contar uma história incomum. Uma senhora, mãe solteira, que estava grávida, disse que teria que batizar seu filho com um nome inventado por ela, a fim de tornar o rebento um cidadão de nome raro. E mandou ver.
Registrou o pobre como Florisbundo Menezes da Rocha.
Ainda bem que não foi u’a menina. Pois assim seria um nome raríssimo e o apelido, quase impronunciável: Florisbunda.