DEU NO JORNAL

O “SACRIFÍCIO” DE LULA PARA SALVAR OS CAMARADAS ARGENTINOS

Editorial Gazeta do Povo

Lula e Fernández discutiram a crise econômica na Argentina por mais de quatro horas durante encontro em Brasília, no início de maio.

Lula e Fernández discutiram a crise econômica na Argentina por mais de quatro horas durante encontro em Brasília, no início de maio

Uma das marcas da “diplomacia ativa e altiva” petista durante a primeira passagem do partido pelo governo federal foi a disposição para enterrar dinheiro brasileiro em camaradagens com parceiros ideológicos, seja os ditatoriais, seja os mais democráticos. Esse papel de “financiador” já fora exercido no passado distante pela União Soviética, e mais recentemente pela Venezuela, antes que o “socialismo do século 21” conseguisse a façanha de afundar na miséria o país que tem as maiores reservas petrolíferas do mundo. Com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, o Brasil volta a ser a mina de ouro da vez – mesmo não estando muito bem das pernas, com perspectivas de crescimento baixo, na casa de 1%, mas, como se diz, é o que há para hoje. E, por isso, os companheiros já estão levando o pires a Brasília.

Lula, mentiroso contumaz que é, adora repetir que recebeu o Brasil “quebrado”, tanto de Fernando Henrique Cardoso, em 2003, quanto de Jair Bolsonaro, em 2023. Mas basta olhar indicadores deixados pelos dois ex-presidentes, como inflação e os tão vilipendiados juros, e compará-los com os da Argentina para ver o que é uma quebradeira real, e não uma quebradeira de fake news. Nossos vizinhos sofrem com inflação anual acima de 100%, câmbio descontrolado e juros de 91% ao ano, quase sete vezes maiores que a Selic brasileira. O caos é tamanho que o presidente Alberto Fernández já adiantou que não tentará a reeleição este ano. E foi ele quem visitou Lula no começo desta semana para pedir ajuda. Saiu “sem dinheiro”, comentou o brasileiro, que no entanto fez uma promessa preocupante: “vou fazer todo e qualquer sacrifício para que a gente possa ajudar a Argentina nesse momento difícil”.

Uma Argentina em frangalhos econômicos é prejudicial ao Brasil, disso não há a menor dúvida. O país é o terceiro maior parceiro comercial brasileiro (descontando-se a União Europeia, que é um bloco de 27 nações): no ano passado, foram US$ 15,3 bilhões em exportações e US$ 13,1 bilhões em importações. No entanto, a escassez de moeda estrangeira do outro lado da fronteira começa a prejudicar os exportadores brasileiros; quanto mais a Casa Rosada interfere no mercado de câmbio, mais os dólares somem, indo parar nos colchões ou em contas no exterior, dependendo das possibilidades de cada empresa ou cidadão argentino. Há quase 20 cotações oficiais diferentes no limbo entre o dólar “mayorista”, oficial, e o dólar “blue”, paralelo, cada uma para uma situação diferente, como o dólar Malbec, usado para o setor vinícola; o dólar Coldplay, aplicado a empresários do setor de cultura que contratam bandas estrangeiras para tocar na Argentina; ou cotações especiais para atrair turistas estrangeiros.

O que as esquerdas brasileira e argentina ignoram, no entanto, é que a Argentina só chegou a esse estado porque tratou as contas públicas e a responsabilidade fiscal com muito mais desleixo que qualquer governante brasileiro da era pós-Plano Real – até Dilma Rousseff seria uma fiscalista empedernida perto do que fizeram os últimos governantes argentinos. Mesmo o antiesquerdista Maurício Macri errou grosseiramente ao tentar fazer um ajuste gradual quando a situação exigia medidas mais drásticas; fez concessões ao funcionalismo, bastante numeroso, e terminou o mandato tabelando preços como um esquerdista padrão. Ou seja, a Argentina não é simplesmente “um país que só quer crescer, gerar empregos e melhorar a vida do povo”, como disse Lula ao criticar o FMI; é um país governado por terraplanistas econômicos que insistem em gastar o que não têm, não tiveram e não terão, receita que comprovadamente jamais trouxe prosperidade a povo algum.

Por isso é tão preocupante que Lula fale em “fazer todo e qualquer sacrifício”. Porque, no fim das contas, o sacrifício não é dele, mas de quem efetivamente vai bancar a camaradagem, os financiamentos e os subsídios, e arcar com o prejuízo de um eventual calote, como os que o Brasil já levou das ditaduras cubana e venezuelana – o contribuinte brasileiro. Este mesmo que, se depender do arcabouço fiscal proposto pelo governo, terá de entregar ainda mais dinheiro para bancar o “piso de gastos” e as metas de resultado primário, e agora, para cumprir a promessa feita por Lula a seu colega argentino, possivelmente acabará também garantindo farras gastadoras além-fronteiras.

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

AGUACEIRO EM PALMARES

Quando João Cabral acertou o pagamento da pousada no Recife, Seu Manoel, o proprietário, pediu-lhe um favor: dar uma carona à Daniela, sua filha, até Maceió. Gentil, João disse ser um prazer. Partiram após o almoço. A jovem acomodou-se no banco da frente do Honda, não cumprimentou João, sequer um boa tarde, tinha “walk-man” grudado ao ouvido, parecia estar em outro mundo. Partiram rumo as Alagoas. A jovem calada, como se estivesse fazendo um favor ter sua companhia durante a viagem.

Cabral sentiu desconforto com o comportamento mal-agradecido da adolescente. Daniela, bem crescida, dizia ter 20 anos, entretanto, não completara 17. Corpo de mulher, cintura fina, quadris largos, a pele rosada destacava sob a blusa transparente de malha branca. Bermuda jeans apertada, esfarrapada, pernas bem torneadas. “Uma bela potranca” pensou Cabral enquanto analisava discretamente a companheira acidental.

A viagem transcorreu monótona, sem conversa, Daniela ouvindo rock. Em certo momento ela retirou o fone do ouvido, sem pedir licença, ligou o rádio do carro, procurou um rock pauleira, ficou a ouvir enquanto o carro rodava na estrada. Cabral tentou conversar, mas desistiu diante do mutismo irritante de Daniela.

Após quase duas horas de viagem caiu uma chuva persistente, há uma semana chovia na região. Ele parou num posto de combustível e abasteceu o carro. Foram à lanchonete, pela primeira vez, Daniela falou.

– Minha conta eu pago. Faço questão de não lhe dar despesas.

João Cabral já havia pagado, respondeu brincando:

– Na próxima você paga.

Retornaram à estrada sob intensa chuva, o limpador de para-brisa oscilava veloz limpando o aguaceiro que caia. De repente deparou-se com um engarrafamento, trânsito lento, carros parados. Acontecera um problema na estrada, o aterro da cabeça de uma ponte desmoronou devido à enxurrada da chuva. O D.E.R. tentava liberar a estrada a qualquer momento, entretanto ninguém podia passar, era perigoso enfrentar a estrada àquela hora, escurecia. O policial aconselhou a dormir em Palmares e continuar viagem no dia seguinte.

Cabral perguntou a opinião de Daniela. Simplesmente ela fez um gesto com os ombros e os lábios, como se dissesse tanto faz, ele precavido retornou ao posto. Recomendaram um hotel na cidade.

Na portaria Cabral pediu dois quartos. A chuva continuava mais forte ainda, marcou com Daniela para jantar no próprio hotel às 19: 00h.

Ele desceu na hora combinada, Daniela já havia jantado, subia as escadas para seu quarto, sequer deu um boa-noite. Cabral não entendia a grossura da jovem, jantou, recolheu-se cedo, leu um pouco, custou a dormir.

Durante a noite ouvia-se o forte retumbar dos trovões. Em certo momento João acordou-se com várias batidas na porta do quarto e a voz aflita de Daniela pedindo desesperada: -“Por favor, abra logo.” Cabral deixou a cama num salto, abriu a porta, Daniela entrou enrolada num lençol, deitou-se na cama, confessou com voz trêmula que morria de medo de raio e trovão. Cabral surpreso, fascinado pelo encanto da mulher-menina, sentou-se à cabeceira, buscou confortá-la, alisou a cabeça, mandou-a dormir à vontade, ele iria para o sofá. Surpreendeu-se quando ela puxou-o pelo braço pedindo: -“Vem para junto de mim cara!”

Abriu o lençol, estava apenas de calcinha preta, abraçou-o tomando os lábios. Irresistível, não houve outro jeito, se amaram feitos dois animais.

A noite continuou chuvosa, continuaram mudos nos intervalos de amor. Não conversaram, havia apenas gemidos na hora do prazer. A louca ninfeta sabia tudo do amor, perfeita na hora certa, nada foi aprendido, sábia de nascença, uma Deusa.

No dia seguinte Cabral acordou-se espreguiçando, olhou ao lado, de Daniela apenas o suave perfume de alfazema na cama vazia. O tempo havia melhorado. João Cabral tomou um banho, fez a barba, arrumou a mala e desceu. Durante o café da manhã percebeu Daniela pronta sentada numa poltrona com a mala, esperando a partida.

Entraram no carro e Daniela sentou-se na mesma posição, calada como se nada tivesse acontecido, como se Cabral fosse um estranho. Arrogante, cheia de soberba não sorriu sequer ao companheiro do amor noturno. Nariz empinado, fone no ouvido, não lhe dirigiu a palavra durante o resto da viagem, sequer deu um “obrigado” quando ele a deixou na casa de um tio no bairro do Farol.

DEU NO JORNAL

CASO DANIEL SILVEIRA: UMA SEQUÊNCIA DE ERROS

Leandro Ruschel

Ontem, o Supremo derrubou um indulto concedido ao ex-deputado Daniel Silveira pelo então presidente Bolsonaro.

A decisão é gravíssima, pois mexe diretamente na separação de poderes, e representa o capítulo final de uma sequência de ilegalidades.

Segundo a Constituição brasileira, o indulto é uma prerrogativa do presidente da República, e opera como uma ferramenta de equilíbrio entre os poderes, visto que pode corrigir eventuais excessos do Judiciário, como parece ser o caso, da condenação do ex-deputado Silveira a 8 anos de prisão por um vídeo feito na internet.

Há pessoas que cometem homicídio e são condenadas a penas menores que essa. É razoável condenar alguém a 8 anos de prisão por conta de palavras proferidas?

Todo esse caso demonstra o colapso institucional brasileiro.

Em primeiro lugar, o Art. 53 da CF é claro:

“Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.”

Ou seja, por mais que o deputado tenha proferido um discurso inaceitável – o que ele mesmo reconheceu – o caminho constitucional seria o de ser avaliado pelo Conselho de Ética da Câmara e eventualmente expulso.

Ao invés disso, ele foi preso de ofício por ministro, com a criação do conceito de “flagrante perpétuo”, por ser um vídeo disponível na internet.

Também é impossível não se espantar com a arbitrariedade de uma corte se colocando na posição de vítima e julgadora ao mesmo tempo.

No limite, os ministros ofendidos deveriam se declarar impedidos, assim poderiam ser chamados ministros do STJ para completar a corte e julgar o caso, por exemplo.

Enfim, toda a sequência de fatos envolvendo o ex-deputado Daniel Silveira é emblemático da erosão institucional brasileira, com ataques sistemáticos ao Devido Processo Legal e ao Estado Democrático de Direito.

* * *

A SANHA PERSECUTÓRIA CONTRA O EX-PRESIDENTE BOLSONARO

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CORDEL E TEATRO

Santini e eu

O Santini é uma lenda,
Nas páginas do cordel.
Canta, conta tudo em versos,
Com ares de menestrel.
A galera fica atenta,
Ao pandeiro e a vestimenta,
Que dão vida ao seu papel!

Dalinha Catunda

Minha amiga Dalinha
Catunda, grande poeta,
Puxando verso na linha,
Tem na mente grande meta:
Fazer o verso entoar
Sua fala, ecoar …
Na rima que se completa

Edmilson Santini

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CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

“VACINA DE CUSPE”

Ramalho Leite: escritor, político, advogado e jornalista

Costumo esquadrinhar jornais antigos e livros de história contemporânea do Brasil não apenas para conhecer fatos pouco comentados; mas, sobretudo, pelo espírito de descobridor de minúcias que procuro retransmitir aos meus pares.

Às vezes, procuro adequar o estilo desta coluna e preencher meus escritos sob o tom anedótico que costumo dar a estas crônicas, ditas como cheia de graça. Mas, nem sempre…

Severino Ramalho Leite, escritor, político, advogado e jornalista paraibano, escreveu vários livros escavacando fatos históricos relevantes quase esquecidos e plenamente desconhecidos pelas gerações atuais.

Quem, por exemplo, já ouviu falar em “Vacina de Cuspe”, medicação inventada pelo farmacêutico José Fábio da Costa Lira, nascido em Umbuzeiro, na Paraíba, onde foi Prefeito?

Diz-nos Ramalho Leite: “O jornal A Noite, do Rio de Janeiro, em edição de 11 de agosto do ano de 1936, na primeira página, revela a existência, no interior da Parahyba, do autor de um processo a que se atribuem curas assombrosas”.

Doentes com tuberculose, Câncer, lepra e diabetes eram objeto de tentativas de curas pelo método que denominou “Lymphotherapia” e que consistia na transmutação do princípio vital que aflora certas glândulas de crianças e menores, desde que estejam sãs, para pessoas doentes, isto é, para aquelas cuja energia orgânica esteja perturbada, diminuída ou esgotada”, explica José Fábio, para finalmente comparar: se posso dizer, é a voronofthapia simplificada.

Ao usar o neologismo o criador da famosa “Vacina de Cuspe”, como ficou conhecida a injeção que aplicava nos enfermos, refere-se ao cirurgião russo radicado em País, Serge Voronoff (1866-1951).

A reportagem de A Noite sobre o modesto farmacêutico do interior, também aludia a possibilidade de seu sistema provocar o rejuvenescimento e garantir uma velhice mais sadia e alegre.

Tal atividade, porém, foi considerada irregular, pela Sociedade de Medicina da Paraíba, e ele mesmo reconhece: 

Sei que venho agindo fora da minha profissão, pois não sou médico, mas compreendo também que a ciência não pode ser patrimônio de uma classe.

Revela que suas experiências não fazem vitimas, e conformado, conclui:

– Já me compensam as emoções de ter com meu método aliviado algumas dores humanas.

Comenta Ramalho Leite:

“Depois do pronunciamento negativo da entidade médica paraibana, o farmacêutico começou a ser perseguido pelo vigário de Bananeiras, José Pereira Diniz.

Ao tomar conhecimento e que o boticário havia dito que seu método provinha de missão divina recebida de um espírito superior que não era o Deus da religião de vocês.

Seu método de cura é resultado de estudos científicos publicados em dois livros e um memorial inédito lido perante o corpo médico do Hospital Pedro I, de Campina Grande.”

Proibido de exercer suas experiências na Parahyba, José Fábio mudou-se para o Rio Grande do Norte. A vacina era inclusive recomendada por sua mãe que a identificava como injeção milagrosa, nada mais do que saliva transformada num líquido injetável que se aplicava para qualquer tipo de doença.

Em 2016 a universitária Rosana do Nascimento Gomes de Melo apresentou à Universidade Estadual da Paraíba sua tese de História sob o título: “A seiva da vida” referente às assombrosas curas da Lymfoterapia, de José Fábio de Lyra com suas vacinas.

O trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado em cumprimento à exigência para obtenção do grau de Licenciada em História. Orientador: Prof. Dr. Azemar dos Santos Soares Júnior, que obteve Menção Honrosa.

O trabalho experimental de José Fábio da Costa Lira está detalhado no livro: “Da Lymphothrapia ao Physio-Pschismo”, publicado em 1924, sob o patrocínio de Solon de Lucena, então Presidente do Estado da Parahyba. (Naqueles anos os governadores eram considerados Presidentes de Província.)

Mas foram vãs as tentativas em legalizar seu método científico de curar. José Fábio não acumulou fortuna. Sobraram-lhe apenas sofrimentos e frustrações, fruto das perseguições sofridas ao longo de sua existência profissional.

O inventor, entretanto, se conformava com o apoio moral que recebia dos que alcançavam a saúde plena pelo uso da popular “Vacina do Cuspe”.

PENINHA - DICA MUSICAL