ALEXANDRE GARCIA

A CULPA NÃO É DAS ARMAS DE FOGO. É DE LEIS FRACAS QUE GERAM IMPUNIDADE

A culpa não é das armas de fogo. É de leis fracas que geram impunidade

Nos dois primeiros meses deste ano, no Distrito Federal, houve em média dezessete ocorrências criminais diárias com faca. Mil e cinquenta casos em dois meses, do Distrito Federal, que tem 3 milhões de habitantes. Dezoito assassinatos.

No ano passado, foram 103 assassinatos com faca no Distrito Federal. No ano anterior, 116. Então tem que fazer uma campanha também, de tirar as facas. De registrar as facas, de ter que pedir licença para autoridade para comprar a faca, não?

Aí eu fui ver os números aqui em Portugal. O total dos homicídios por ano em Portugal inteiro, com veneno, com pau, com pedra, com tiro, com faca, com murro, esgoelando, dá menos de 100 por ano. No Distrito Federal, mais de 100 por ano, só com faca. Portugal tem 11 milhões de habitantes, o Distrito Federal tem 3 milhões.

Como fazem campanha contra arma de fogo, vui ver quantas tem em Portugal. Duas a cada dez habitantes. No Brasil, a cada dez habitantes tem 0,05 arma. O que significa 40 vezes mais arma de fogo per capita em Portugal que no Brasil.

E em Portugal o número de assassinatos é de menos de 100 por ano. Então não é arma de fogo. Então é outra coisa. Aquilo que eu digo: são cérebros que armas as mãos, não é? E são as lei fracas, as leis que propiciam impunidade, as leis que não propiciam castigo depois do crime, que estão no Brasil.

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Ficou bem claro que Bolsonaro é o queridinho do agro

Nesta segunda-feira abriu-se o Agrishow, maior evento de tecnologia do agro das Américas, em Ribeirão Preto. E foi aquilo que provavelmente o governo temia. Foi um celebração, uma manifestação pró Bolsonaro, como se fosse um comício. Foi um registro da volta dele, e ficou bem claro que ele é o queridinho do agro. Sei lá, 90% do agro é Bolsonaro. Por isso o ministro da agricultura não foi.

E fica o registro de que o governador de São Paulo, o governador Tarcísio, reafirmou aquilo que ele já pôs em prática. Que quem invade terra, invade propriedade em São Paulo, vai pra cadeia.

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O outro lado sobre o conflito entre yanomami e garimpeiros

Para terminar, um registro sobre a verdade entre yanomami e garimpeiros. Porque estão noticiando só um lado (“garimpeiro está matando yanomami”), e eu fui procurar o outro lado. Agora pessoal do garimpo legal diz que yanomami atacaram garimpeiros pra roubar comida, porque os yanomami estão com fome.

O governo fez todo aquele barulho no início, depois deixou os yanomami abandonados e os garimpeiros, idem. Disse que os garimpeiros tinham que sair mas não retirou os garimpeiros. Ao contrário, impediu a retirada, tocando fogo em avião etc.

Então é uma adoção de medidas populistas, emergenciais, sem que houvesse um planejamento e uma logística e daí o resultado: agora tem quatro garimpeiros mortos pela Polícia Federal.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

LULA QUER CONTROLAR AS REDES SOCIAIS

Sérgio Moro

O presidente Lula e o PT estão entre os apoiadores do PL 2.630.

O presidente Lula e o PT estão entre os apoiadores do PL 2.630

Escrevo sob a sombra do PL 2.630, com o qual o governo Lula pretende obter o controle sobre o que se posta nas redes sociais. No fim, superadas as discussões técnicas e os detalhes, é disso que trata o projeto.

A boa notícia que o início de semana nos traz é que o risco de aprovação do projeto aparenta ser declinante. Placares informais dos votos dos parlamentares apontam para a rejeição do projeto. O mais provável é que não seja colocado em votação diante das chances de rejeição.

Favoráveis ao projeto estão apenas o PT, partidos satélites e outros partidos que se aproximam sempre de qualquer governo. Como o PT não vê qualquer problema em ditaduras como Cuba, Venezuela e Nicarágua, é natural que não tenha óbices ao PL 2.630.

Faço aqui uma confissão. Gostaria muito de só ler coisas boas nas redes sociais. Seria um sonho não ver nelas postagens agressivas ou grosseiras e poder confiar em tudo o que nelas se posta. Se elas fossem uma fonte dinâmica de informação verdadeira e confiável, seria o melhor dos mundos. Aliás, desde 2014, sou uma das principais vítimas de fake news espalhadas pelo PT e por seus aliados. A lista é gigantesca, passando do negacionismo da corrupção na Petrobras às acusações falsas de ligações com a CIA ou o governo norte-americano. Apesar disso, mesmo quando ocupava a posição de ministro da Justiça, jamais defendi conceder ao governo que integrava um poder de censura sobre as redes.

Não discordo de que as redes sociais precisam de alguma regulação. Há uma disputa comercial entre elas e a imprensa. O jornalismo profissional se ressente de produzir material e nada receber financeiramente por sua veiculação nas redes sociais ou na internet. Há bons argumentos para ambos os lados e defendo que a questão seja debatida em projeto de lei próprio e específico para que ela não seja contaminada pelo debate sobre a censura nas redes sociais.

Discordo da utilização das redes sociais para disseminar pornografia infanto-juvenil, veicular ameaças ilegais e golpes financeiros ou incitar a prática de violência. Com falhas, as redes sociais já atuam para excluir conteúdos da espécie e reputo razoável que a lei preveja mecanismos para garantir que sejam excluídos. Em relação a este tipo de postagem, é mais improvável termos divergências quanto à sua caracterização como impróprio ou mesmo para reconhecê-lo.

Já ofensas, calúnias e difamações são um problema nas redes, mas essas condutas são criminosas e a legislação penal já as trata como crimes, sendo de se questionar a necessidade de regras especiais aplicáveis às redes sociais.

Também sou favorável à ampla transparência das redes sociais. Conteúdo promovido ou patrocinado deve ser identificado. Contas automatizadas, inautênticas ou mecanismos artificiais de disseminação deveriam ser suprimidos ou completamente identificados. As regras de automoderação e autocontrole já utilizadas pelas plataformas deveriam ser publicizadas e deve haver mecanismos que promovessem a transparência de sua aplicação. Às plataformas ainda deveriam ser impostas regras que garantissem o espaço para o livre debate público, com respeito à pluralidade de opiniões e com a proibição de concessão de vantagens a conteúdos por motivos político-partidários ou por preferências ideológicas. Nesses aspectos, o PL 2.630 é bem falho.

Mas o grande problema é a pretensão do PL 2.630 de retirar das redes sociais as assim denominadas fake news, ainda que a pretexto de proteger a democracia e o debate público. Em última análise, alguém terá de ser encarregado de definir se uma informação divulgada na rede é ou não verdadeira. O PL 2.630 pretendia resolver isso criando uma misteriosa “entidade autônoma de supervisão” vinculada ao governo, com a atribuição de vigiar as redes sociais e as grandes plataformas. Diante de uma reação negativa da sociedade, o relator do projeto, na última versão, suprimiu o artigo que criava tal entidade. Ao incauto, o problema pode parecer superado, mas na prática o projeto tem um sujeito oculto e indefinido ao qual caberá a tarefa de censurar as redes sociais. Quem será ele? Nem o relator sabe dizer, o que já diz muito sobre o açodamento e a falta de ténica da proposta.

Temos um presidente da República campeão em produzir fake news. Destaco apenas algumas pérolas mais recentes. Segundo ele: a Ucrânia é tão culpada pela guerra como a Rússia; os Estados Unidos e a União Europeia incentivam a guerra ao ajudar a Ucrânia a se defender; Cuba, Venezuela e Nicarágua não são ditaduras e a primeira é um paraíso social; os Estados Unidos fomentaram a Lava Jato no Brasil pois as empresas brasileiras estavam ficando competitivas internacionalmente; o autor deste artigo teria ligações com a CIA ou com o FBI e teria “armado” um plano do PCC para figurar como vítima de um sequestro. Pois bem, este mesmo presidente quer criar um órgão vinculado ao seu governo ao qual caberá o poder de dizer o que é verdade e o que é mentira. Dá para confiar? Eu diria que não, que esse governo com um histórico vinculado a tentativas autoritárias de controlar a imprensa – recordemos da tentativa frustrada de criação do Conselho Federal de Jornalismo – não é confiável.

A questão, porém, é ainda mais profunda: nenhum governo é confiável para dizer o que é verdade e o que é mentira. Para isso não cabe solução fácil, não existe uma solução milagrosa ou um Deus ex machina. Essa tarefa cabe a cada um, a nós mesmos. A melhor solução encontrada pela humanidade, em jogo de tentativa e erro, foi o livre intercâmbio de ideias, sem censura estatal, por meio do qual as informações e opiniões puderam ser testadas no grande palco da humanidade e aquelas ruins ou falsas, como a teoria de que o Sol girava em torno da Terra ou de que o comunismo traria liberdade e igualdade para todos, foram jogadas fora. Agora, está na hora de jogar fora o PL 2.630 e sepultar em definitivo a ideia falsa e autoritária de que o governo deve ter algum papel em dizer o que é verdade ou mentira nas redes sociais, na imprensa ou em qualquer meio de comunicação.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

GOLPE DE MESTRE (1973) – UM CLÁSSICO DESPRETENSIOSO

Dois vigaristas dão um golpe em um capanga e embolsam uma grana alta. Mas isto não fica assim, pois o chefe da quadrilha decide se vingar. Porém, quando um deles foge e entra em contato com um ex-parceiro, ambos decidem aplicar no criminoso um tremendo conto do vigário.

Um dos grandes clássicos dos anos setenta e um dos melhores roteiros já escrito. Filme indicado a dez óscares, sendo agraciado com sete: melhor filme, melhor direção, melhor ator, (Robert Redford), melhor roteiro original, melhor montagem, melhor figurino, melhor direção de arte e melhor trilha sonora.

Há que se destacar a trilha que é simplesmente perfeita e o roteiro que é impecável, seus atos são de uma qualidade absurda. Temos um elenco só de monstros sagrados do cinema como Robert Redford, Paul Newman e Robert Shaw, ou seja, três lendas. Golpe de Mestre é um filme de um ano cheio de grandes filmes que fica difícil mensurar qual foi o melhor.

É um filme atemporal e surpreendente que, apesar de ter uma trama intrincada é contada de forma leve e bem humorada. Enfim, é uma história de vigaristas feita unicamente para entreter sem qualquer pretensão de passar lição de moral no fim. Isso é um artigo raro no cinema.

Um pouco depois da primeira parceria do Paul Newman e do Robert Redford em (Butch Cassidy)-(1969) o diretor George Roy Hill escalou-os novamente na comédia inteligente Golpe de Mestre. Em quase todos os quesitos esse filme é melhor que o anterior da dupla, sem contar que há nele um nível de inteligência sem igual, fazendo-nos rir do que nós mesmos pensamos.

A direção do George Roy Hill é magistral, criando um clima perfeito de suspense policial com uma boa pitada de comédia pastelão. As atuações estão todas perfeitas, desde a dupla principal até a escalação coadjuvante. Mas o destaque de todo o filme é o roteiro, um dos mais inteligentes que já vi em filmes de comédia. A história central pode ser de difícil compreensão ao decorrer do filme, mas a cada parte entendemos o melhor.

Pode parecer que toda a comédia se esvaiu, mas há uma virada final que deixa qualquer um de boca aberta e dando risada dos seus próprios pensamentos. O restante da obra é igualmente bom, tratando da trilha-sonora, cenários, fotografia, edição, etc.

GOLPE DE MESTRE pode não ser um clássico do gênero, mas ele pode dar vários momentos de diversão, devido principalmente ao roteiro extremamente rocambolesco e inteligente.

The Sting Official Trailer #1 – Paul Newman, Robert Redford Movie (1973) HD

The Sting (3/10) Movie CLIP – A Game of Jacks (1973) HD – Cenas memoráveis

 GOLPE DE MESTRE (1973) – SESSÃO #257 – MEU TIO OSCAR

PENINHA - DICA MUSICAL

PAUL McCARTNEY & WINGS

Quero dedicar as postagens desta semana a uma mulher guerreira, a nossa querida Schirley.

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Mull Of Kintyre