LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DESCREVE A VIDA ESCOLÁSTICA – Gregório de Matos Guerra

Mancebo sem dinheiro, bom barrete,
Medíocre o vestido, bom sapato,
Meias velhas, calção de esfola-gato,
Cabelo penteado, bom topete;

Presumir de dançar, cantar falsete,
Jogo de fidalguia, bom barato,
Tirar falsídia ao moço do seu trato,
Furtar a carne à ama, que promete;

A putinha aldeã achada em feira,
Eterno murmurar de alheias famas,
Soneto infame, sátira elegante;

Cartinhas de trocado para a freira,
Comer boi, ser Quixote com as damas,
Pouco estudo: isto é ser estudante.

Gregório de Matos Guerra, Salvador-BA, (1636-1696)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

O ABRAÇO

O abraço é um gesto simples, porém carregado de sentimentos. Ele faz bem a quem o dá e a quem o recebe. O abraço sensibiliza, fortalece laços, promove a paz, a concórdia, o bem-estar. O abraço traduz amizade, afeto, amor. Os seres sociáveis apreciam um abraço, ainda mais se estiverem reclusos na solidão das suas moradas. O filho pródigo foi recebido com um abraço do seu pai. Há abraço de todos os matizes e feitios: abraços consanguíneos, de ternura, manhosos, efusivos, lacrimosos, veementes. Abraços religiosos, acalorados, mornos, sinceros, enfim, de todos os teores. Infelizmente, certas epidemias, por vezes, mandam o abraço para prisão domiciliar.

Se um dia o abraço for renomeado sugiro que passe a se chamar valeriana. Famosa por sua ação fitoterápica, a valeriana é uma planta mundialmente conhecida pelas propriedades sedativas e relaxantes.

Acredita-se que o abraço, que anima e recompõe, tem virtudes farmacológicas. Na história da medicina há um fantástico episódio que remete muito mais para a ficção do que para a realidade. Mas, acredite, é pura realidade:

Num hospital de Massachusetts, EUA, nasceram duas crianças, gêmeas, ficaram em incubadora separadas. Ele, o bebê Kyrie, ganhava peso, mas ela, sua irmãzinha Brielle, tinhas poucas chances de sobrevivência. Os médicos da UTI Neonatal tentaram de tudo, mas quá, ela só piorava. Lembraram-se, então, de um procedimento estranho, adotado em outros país. Contrariando normas do hospital, puseram Brielle na mesma incubadora do irmãozinho Kyrie. Inesperadamente o bebê Kyrie, saudável, colocou seu braço esquerdo sobre sua irmã (fotos na revista Life), num gesto carinhoso. A circunstância fez normalizar, rapidamente, o nível de saturação de Brielle. Para assombro e perplexidade da equipe médica Brielle progrediu, ultrapassou as dificuldades e, em poucos dias, foram os dois irmãos para a casa dos pais. A última notícia dessas crianças é que já estavam saudáveis, em idade pré-escolar.

Se o abraço tem virtudes terapêuticas eu preciso encontrar esse remédio.

Viva o abraço, mas cuidado com o abraço dos políticos, eles estão infectados de hipocrisia.

ALEXANDRE GARCIA

LEIS E JUDICIÁRIO NÃO DÃO A MÍNIMA PARA VÍTIMA

STF deve analisar tema das visitas íntimas nos presídios federais

Acho que não vão resolver a questão do crime no Brasil e nem a violência nas escolas porque até agora ninguém percebeu o óbvio: a lei brasileira e o Judiciário – que estão juntos e dependem um do outro – são lenientes, são favoráveis ao crime e não dão a mínima para a vítima. O criminoso é objeto de todas as atenções: o criminoso é vítima da sociedade, tem o direito de reagir em legítima defesa à polícia, “autodefesa intuitiva”, como disseram três desembargadores de São Paulo.

E agora o ministro da Justiça está arrochando as redes socais dizendo que é para proteger as escolas. O presidente Lula acha que para proteger as escolas basta a polícia. Tem gente que acha que é a arma de fogo. Mas o sujeito atacou a escola em São Paulo com faca, em Blumenau com machadinha, e se não tiver nem faca nem machadinha vai atacar com tijolo, com pau, com pedra, pedaço de ferro. Não perceberam ainda que é a mente que arma as mãos. E jogos eletrônicos também não é o problema. Gerações inteiras gostavam de história de mocinhos e bandidos, de atirar, de brincar de polícia, de revolver e não aconteceu nada.

* * *

Justiça leniente

O problema é a lei leniente: o sujeito assalta, passa pela audiência de custódia e vai embora arrumar outra arma para assaltar. Não entenderam isso. Tem juiz dizendo que não tem prova quando o próprio sujeito confessou o crime; dizem que não tem prova e que a confissão foi por medo da polícia. Tem de se mexer nas leis.

Outros países, que têm leis mais duras, como Portugal, têm mais segurança, seja nas ruas, nas escolas, de noite ou de dia. Pode haver furto por “descuidismo”, mas sem violência. Nós temos de pressionar os nossos representantes na Câmara dos Deputados e no Senado para abrirem os olhos e perceberem isso.

* * *

Ressaca

Outro assunto: depois da festa dos cem dias, a ressaca da festa. O FMI chega e estraga tudo dizendo “olha, o país não vai crescer o esperado”. No ano passado cresceu quase 3%, mas neste ano não vai crescer nem 1%, só 0,9%. Qual foi a reação do presidente da República? Disse que vai fazer exatamente o contrário do que diz o FMI. Parece uma criança birrenta, teimosa.

Mas o ex-ministro Almir Pazzianotto me disse que quando era advogado do Sindicato dos Metalúrgicos e Lula era o presidente, ele já era assim. Lula não gostava de quem tinha diploma, que tinha anel de doutor no dedo. Desprezava porque achava que era gente que só estudava teoria e depois queria implantar coisas que ele – Lula – sabia “na prática”. É mais ou menos isso que ele está dizendo agora. Vai fazer o contrário do que os técnicos, economistas, pessoas que estudam estatística, que examinam os dados sobre o Brasil – e que são pagos para isso, para pensar nisso o dia inteiro. Enfim, vai fazer o contrário e vai piorar a situação.

* * *

Consolo

Quando cai o PIB ou aumenta a inflação, o nome é estagflação”, mas, felizmente, pelo jeito não vai ter isso porque  a inflação de março foi bem, a de fevereiro estava assustando – já estava em 5,6% nos últimos 12 meses e agora baixou para 4,6% – a meta é 3,25%. Pelo menos esse consolo, porque estamos todos no mesmo barco, esse barco afundando, afundamos todos juntos. Teve gente que torcia muito para esse barco afundar. Não se importava em morrer afogado, mas queria que todo mundo morresse junto. No tempo da pandemia foi assim: a gente viu uma torcida grande pela morte. Terrível. Diziam que não tinha tratamento o doença; quantos milhares morreram por causa disso. Isso é inesquecível.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X