DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

UMA DUPLA AMERICANA NO FORRÓ

Um vídeo com uma montagem genial.

Meu ídolo Fred Astaire dançando um autêntico forró nordestino com Rita Hayworth.

Vejam só que desmantelo criativo!

Aproveito a oportunidade para agradecer as doações feitas esta semana ao JBF pelos fubânicos  Luiz Francisco, Marta Menezes, José Claudino Primo  e Violante Pimentel.

Chupicleide manda um beijão pra vocês!

Um excelente final de semana para todos os nossos queridos leitores.

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

A GENIALIDADE DE DEDÉ MONTEIRO

José Rufino da Costa Neto, o Dedé Monteiro, “O Papa da Poesia”, Tabira-PE, 1949

* * *

Dedé Monteiro declamando o poema “As Quatro Velas“, de sua autoria

* * *

A VOZ DO ESPELHO – Dedé Monteiro

Triste e espantado, sem sorriso algum,
Diz, frente ao espelho (velho amigo seu):
– Não, não me diga, de jeito nenhum,
Que tudo passa e que esse aí sou eu…

Quem foi que disse que esse vulto é meu?
Que eu virei “isso”… e que nós somos um?
Por que meu riso, que era tão comum,
Do seu semblante desapareceu?

Será um sonho, um pesadelo, enfim…
Ou foi a idade que passou por mim?…
Responde o espelho: – Disse muito bem!

Por que o tempo, esse carrasco mudo,
Que a todos muda e que transforma tudo,
Não passaria por você também?

* * *

SOU DO PAJEÚ DAS FLORES – Dedé Monteiro

Se eu morasse muito além,
Onde nada me faltasse,
Talvez que nem precisasse
Cantar pra me sentir bem.
Sofro, mas canto também
Pra tristeza se mandar.
Se ela insistir em ficar,
Eu canto a canção das dores…
Sou do Pajeú das flores,
Tenho razão de cantar!

Tive a sorte de nascer
Num chão que tanto me inspira,
Minha querida Tabira
Que me dá tanto prazer.
Se a seca me faz sofrer,
O verso me faz gozar,
Pois trago n’alma um pomar
Com frutos de mil sabores!
Sou do Pajeú das flores,
Tenho razão de cantar!

* * *

FIM DE FEIRA – Dedé Monteiro

O lixo atapeta o chão
Um caminhão se balança
Quem vem de fora se lança
Em cima do caminhão
Um ébrio esmurra o balcão
No botequim da esquina
O gari faz a faxina
Um cego ensaca a sanfona
E um vendedor dobra a lona
Depois que a feira termina.

Miçanga, fruta, verdura,
Milho feijão e farinha,
Bode, suíno, galinha,
Miudeza, rapadura.
É esta a imagem pura
De uma feira nordestina
Que começa pequenina,
Dez horas não cabe o povo
E só diminui de novo
Depois que a feira termina.

Na matriz que nunca fecha
Muito apressado entra alguém
Mas sai vexado também
Se não o carro lhe deixa
O padre gordo se queixa
Do calor que lhe domina
E agita tanto a batina
Quem que vê fica com pena
Toca o sino pra novena
Depois que a feira termina.

A filhinha do mendigo
Sentada a seus pés, num beco,
Comendo um pão doce seco
Diz: papai, coma comigo.
E o velho pensa consigo
Meu Deus, mudai sua sina
Pra que minha pequenina
Não sofra o que eu sofro agora
Ria a filha, o velho chora
Depois que a feira termina.

Um pedinte se levanta
Da beira de uma calçada
Chupando uma manga espada
Pra servir de almoço e janta
Um boi de carro se espanta
Se o motorista buzina
Um velho fecha a cantina
Um cachorro arrasta um osso
E o pobre “azavessa” o bolso
Depois que a feira termina.

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DEU NO JORNAL

ZONA TAMBÉM NAS RELAÇÕES EXTERIORES

O chanceler de enfeite Mauro Vieira continua sendo escanteado.

Na terça (4), coube ao aspone Celso Amorim, e não ao próprio ministro das Relações Exteriores, despachar com japoneses sobre o Brasil no G7.

* * *

É impressionante.

Mas é isso mesmo.

É rotina na administração petralha.

Esse gunverno é uma verdadeira zona (sem qualquer ofensa aos puteiros, claro…)

Dilmo é igual intestino: quando não está preso, está fazendo cagada.

RLIPPI CARTOONS

DEU NO JORNAL

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

EVOCAÇÃO

“Uma esmolinha, pra minha Mãe jejuar no dia d’hoje!”

Era com essas palavras, que as crianças pobres de Nova-Cruz (RN) esmolavam de porta em porta, na Quinta-Feira Santa e Sexta Feira da Paixão.

Ainda hoje, essa frase ecoa nos meus ouvidos, como um apelo desesperado contra a fome.

Na sala da nossa casa, ficavam dois sacos grandes, um com brote, outro com bacalhau. Eram as esmolas que Dona Lia, minha mãe, distribuía aos pedintes nos dias da Semana Santa. Mas o número de pedintes aumentava mesmo era na Quinta-feira Santa e Sexta-Feira da Paixão.

Nessa época, final da década de 50, e anos 60, bacalhau era produto de baixo custo. Não chegava a Nova-Cruz o bacalhau de 1ª qualidade.

A Semana Santa, principalmente para os católicos, era uma época triste e sombria. O martírio de Nosso Senhor Jesus Cristo era revivido com respeito.

Para começar, não havia aula durante a Semana Santa. Não se ouvia música profana; ninguém chamava “nome feio”, e ninguém brigava. Era um período de reflexão, arrependimento, união e orações.

Na Quarta-Feira de Trevas, que antecede o martírio de Jesus, parecia que o mundo estava de luto, com a perspectiva de que no dia seguinte começaria o seu Calvário. Na Igreja lotada de fiéis, era rezado o “Ofício das Trevas”, no final da tarde,

A crendice popular era tão forte, que grande parte do povo da roça chegava ao ponto de não tomar banho na Quarta-Feira de Trevas, achando que era pecado e temendo ficar entrevado (aleijado). Foi preciso a intervenção de Frei Damião, numa das “Santas Missões” que costumava fazer na cidade, para convencer o povo da roça de que não era pecado tomar banho na Quarta-feira de Trevas. E o Santo Frade Capuchinho sempre terminava seus sermões pela manhã, dizendo:

– Agora, vocês voltem para suas casa, e vão tomar banho!!! Não quero que cheguem aqui na Igreja mais tarde, cheirando mal.!

Na Quinta-Feira Santa, quando se revive a traição de Judas durante a Última Ceia, sentia-se na cidade o clima de tristeza e solidariedade. Revivia-se o começo do martírio de Jesus, que carregou sua Cruz até o Calvário ou Gólgota, colina na qual foi crucificado e que, na época, ficava fora de Jerusalém.

Era comum o furto de galinhas na noite da Sexta-Feira da Paixão, costume oriundo da cultura popular nordestina. O produto do furto garantia o tira-gosto aos cachaceiros de plantão, que bebiam até o amanhecer. Essa “brincadeira” grosseira, detestada pelas donas de casa, quase sempre era praticada por turmas de amigos, que gostavam de farrear.

Para se precaver dessa prática desalmada, à tardinha, as donas de casa mais cuidadosas transferiam as galinhas, do galinheiro para um quarto dentro de casa.

Na Semana Santa, as comadres da minha mãe, que residiam na zona rural, traziam-lhe beijus de goma com coco de presente, feitos em Casa de Farinha. O cheiro e o gosto desses beijus, eu nunca esqueci.

Os católicos não comiam carne durante a Semana Santa. O almoço tinha como “mistura”, bacalhau popular, peixe salgado, ou fritada de sardinha “Coqueiro”. Estou falando de uma época em que o progresso estava muito distante de Nova-Cruz. Não havia energia elétrica e, consequentemente, não havia geladeira.

Na Sexta – Feira da Paixão, Jesus estava morto e a imagem do seu corpo ficava em exposição na Igreja, durante todo o dia. Formava-se uma fila interminável, para que os fiéis o beijassem. Era o chamado dia do “beija”.

Nesse dia triste, eram obrigatórios, de acordo com os preceitos da Igreja Católica, o jejum e a abstinência de carne e bebidas alcoólicas.

As rádios só transmitiam músicas sacras ou clássicas. Não se ouvia o apito do trem, pois ele não trafegava. Não havia entrega de leite dos currais, pois não se tirava leite naquele dia. Não se comercializava nenhuma mercadoria, em respeito ao sofrimento de Jesus Cristo, traído por Judas, e vendido por 30 moedas.

Os clubes sociais, bares ou outros ambientes de entretenimento, também não funcionavam.

A tristeza só desaparecia no Sábado de Aleluia, que revive a expectativa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse dia, havia a malhação de Judas, um boneco/homem, de palha ou de pano, em tamanho natural, exposto em praça pública para ser castigado, por ter traído Jesus.

A malhação ou queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas, que foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses.

É também realizada em diversos outros países, sempre da Sexta-Feira da Paixão para o Sábado de Aleluia, à meia noite. Simboliza a morte de Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus.

A liturgia da Páscoa, ou passagem, ocorre da madrugada do Sábado de Aleluia para o Domingo da Ressurreição, a data mais importante do calendário Cristão.

Segundo a Bíblia, Cristo ressuscitou três dias depois de morrer crucificado. Este é o maior motivo e fundamento da Fé Cristã.

Esse é o retrato da Semana Santa da minha infância e juventude, um tempo feliz, quando a vida me sorria e todos estavam vivos.

Olhando pelo retrovisor do tempo, sinto saudade do meu porto seguro, Francisco e Lia, e da família reunida durante a Semana Santa.

Evoco um país de sonhos, trazendo no peito um coração cheio de saudade.

Quero voltar o tempo, mas sei que é impossível. E a saudade faz chover nos meus olhos.

DEU NO JORNAL

OS BANDIDOS E OS LOUCOS

Luís Ernesto Lacombe

Peritos criminais investigam o local onde ocorreu o ataque a faca na creche Cantinho Bom Pastor, nesta quarta-feira, dia 05 de abril de 2023, em Blumenau.

Peritos criminais investigam o local onde ocorreu o ataque na creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, em 5 de abril de 2023

São cretinos, são canalhas, eles não têm caráter. São tão criminosos, são tão loucos quanto os que estão por aí, desde que o mundo é mundo, cometendo as maiores atrocidades. São “jornalistas”, são “políticos”, são “juízes”, eles têm raiva, têm ódio, mas são “do bem”. Podem nos dividir, podem revelar seu desejo de vingança, podem perseguir, anunciar fuzilamentos, uma guerra civil, podem dizer que vão “incendiar o país”, que seus inimigos vão “apanhar nas ruas”, que “vai morrer gente”… Eles se fingem de inocentes, fingem que não há sangue em suas próprias mãos.

Os selvagens e imbecis, os assassinos que invadem escolas e creches têm cúmplices nos principais jornais e canais de televisão do país. E a gangue voltou ao poder em Brasília. Está nos palácios, nos ministérios, no Congresso. Esses seres abjetos ficam repetindo a mentira de que todas as desgraças do Brasil começaram com a ascensão do que chamam de “extrema-direita”. O estímulo à violência, a linguagem de confronto, decidiram que esse é o problema e que eles não têm nada a ver com isso.

Os cafajestes livram corruptos, livram traficantes, sequestradores, estupradores, ladrões, assassinos. Eles toleram o intolerável. São lenientes com bandidos, veem lógica no assalto, têm pena de quem sofre apenas por roubar um celular… É assim: criminosos defendem criminosos; psicopatas defendem psicopatas. Eles não se preocupam com as vítimas. Desprezam o caráter punitivo da prisão. Querem ressocializar, querem mil benefícios para os presos, progressão de pena, saidinhas… Querem desencarcerar, mas bom mesmo seria nem prender.

As frouxas leis penais, foram elas que mantiveram nas ruas o homem que invadiu a creche em Blumenau. Em que país sério alguém com sete passagens pela polícia desde 2016 estaria em liberdade? Como aceitar que estivesse impune alguém que já tinha tentado um homicídio? Se ele tem problemas mentais, deveria estar internado num hospital psiquiátrico. Isso se não houvesse também uma Lei Antimanicomial demagógica, descabida, que foi proposta por um dos fundadores do PT e aprovada no Congresso em 2001.

Socialistas e comunistas em vários países consideram que a internação de doentes mentais representa o “cerceamento da liberdade individual, uma repressão ‘burguesa’ para defender os valores do capitalismo”. Não querem enxergar a verdade, que há casos em que a internação é necessária para proteger o próprio doente, quem está em volta dele, sua família. Fazem questão de ignorar os avanços da medicina, novos medicamentos, novos tratamentos… Escondem que já não dá para chamar hospitais psiquiátricos de manicômios. Fingem que a internação equivale a jogar o doente numa masmorra, num inferno.

A Lei Antimanicomial praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos mantidos pelo governo, mesmo que o tratamento ambulatorial só funcione em casos de doenças mentais menos graves. Essa lei provocou um desastre, assim como a nossa legislação penal, que protege criminosos, réus, condenados. E vivemos assim, no absurdo, nas inversões revolucionárias, numa estrutura baseada na mentira, num sofrimento devastador. Somos vítimas de bandidos e loucos que tomaram o poder.