WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

VIAJANTE

Mote deste colunista:

Vou viajando escanchado
No lombo da poesia.

No dia em que aportei
Na terra de Vitalino
Musas entoaram um hino
Avisando que cheguei
Lembro quando me banhei
Nas águas da santa pia
Com pingos de maestria
Saí de lá batizado
Vou viajando escanchado
No lombo da poesia.

Depois segui para Altinho
No agreste pernambucano
Onde Deus mandou-me o plano
De seguir no bom caminho
Tendo o apoio e o carinho
Da família, todo dia
E ouvindo a melodia
De um pinho bem afinado
Vou viajando escanchado
No lombo da poesia.

Hoje sou um retirante
Da minha terra adorada
Mas enfeito a minha estrada
Com inspiração constante
Que vem a qualquer instante
Ser a minha companhia
E espanto a agonia
Com verso metrificado
Vou viajando escanchado
No lombo da poesia.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

A ESTREIA DE DILMA

“Eu tava aqui pensando, antes de entrar. O que eu tava pensando?
Eu tava imaginando o que que seria o papel de um banco de BRICS.
Porque eu pensei nessa hipótese? Se bem que ainda não há essa
hipótese. Porque vocês vejam bem. Um banco. Aqui na China…
Um banco como esse, aqui na China tem um papel, e que papel
é esse? Seria algo como seria um banco no Brasil, só que na China.”

DEU NO JORNAL

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Jovita Feitosa

Antônia Alves Feitosa nasceu em Tauá, CE, em 8/3/1848. Conhecida pelo apelido Jovita, alistou-se para a Guerra do Paraguai, em 1865 como Voluntária da Pátria. Foi vestida de homem, mas logo foi descoberta e seguiu assim mesmo para o Rio de Janeiro, como 2º sargento. Aclamada pelo público, tornou-se heroína nacional sem ter sido incorporada ao Exército, e foi inscrita no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria através da lei nº 13.423, de 27/3/2017.

Filha de Maria Rodrigues de Oliveira e Simeão Bispo de Oliveira, perdeu a mãe aos 12 anos e foi morar com um tio no Estado do Piauí. Pouco antes dos 18 anos alistou-se no Exército, disfarçada em roupas masculinas. Sua disposição e demonstração de coragem comoveu o presidente da Província do Piauí, Franklin Dória, que a aceitou como voluntária, recebendo farda e embarcando para o Rio de Janeiro. Ao chegar foi recebida como personalidade pública, atraindo a atenção de todos que queriam conhecer a mulher que desejava ir à guerra.

Transformada de repente em celebridade, foi notícia em todos os jornais cariocas, chegando a ser comparada a Joana D’Arc em prosa e verso. Sua fama chegou a causar a publicação de um livreto – Traços biográficos de Jovita: Voluntária da Pátria – escrito por Vivaldo Coaracy e publicado pela Typografia Imparcial de Brito & Irmão, em 1865. No entanto, sua incorporação ao Exército foi recusada pelo Ministro da Guerra. Seus apoiadores tentaram revogar a interdição e chegou a ser recepcionada pelo Imperador Dom Pedro II, em 18/9/1865, pedindo-lhe uma intervenção, que não foi atendida. Para custear seu retorno a Teresina, foi organizado um espetáculo beneficente entre os apoiadores. Ao chegar foi recebida pela família com certa frieza e teve dificuldades em se manter no mundo de onde viera.

Desiludida, voltou ao Rio de Janeiro e passou a levar uma vida precária. Conforme noticiou um jornal “arremessou-se no caminho da perdição e da amargura”. Conheceu o inglês William Noot, funcionário da Rio de Janeiro City Improvements Ltd. e passaram a namorar. Em pouco tempo, o rapaz teve que voltar à Londres e deixou um bilhete de despedida que ela não leu por não saber inglês. Em 9/10/1867 foi até a pensão do rapaz; soube de seu retorno à Londres; ficou abalada; foi até o quarto que ele ocupava e pediu para ficar só por um instante. Como demorou mais que o previsível, foram ao quarto e a encontraram deitada na cama com um punhal cravado no peito. Deixou um bilhete declarando que ninguém a havia ofendido e que se matava por motivos que só ela e Deus conheciam.

O nome de Jovita foi esquecido até os últimos 30 anos, quando reapareceu em livros que mesclam mito e realidade. A prostituição e o suicídio de certa forma desapareceram no imaginário nacional e para muitas pessoas ela morreu em batalha. Sua memória foi também recuperada como heroína da luta das mulheres pela igualdade de direitos. Esta é uma das conclusões a que chegou o historiador José Murilo de Carvalho em seu livro Jovita Alves Feitosa: voluntária da pátria, voluntária da morte, publicado pela Editora 34, em 2019. O livro traz a reprodução de diversos documentos de época, notícias de jornal, depoimento dado à polícia, diversos poemas escritos em sua homenagem, fotografias etc. Sua inclusão no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria revela, de certo modo, os critérios sobre a inclusão de nomes no referido livro.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

SOBRE O HOMÃO DA GALILEIA

Encareço licença aos leitores desta gazeta escrota, para lá de muito arretada de ótima, para indicar, na perspectiva de uma chegante Semana Santa 2023, algumas leituras por mim feitas, nos últimos tempos, que muito clarearam minhas intuições sobre Aquele que foi, acredito piamente, o maior revolucionário de toda a História da Humanidade, Jesus de Nazaré.

Minha única intenção é a de proporcionar aos amigos fubânicos o conhecimento de estudos e pesquisas desapegadas de uma ortodoxia bíblica, favorecendo uma melhor enxergância histórica do filho amado de Maria e José.

A ordem dos livros nada tem a ver com a importância de cada um deles. Ei-la:

1. SIMPLESMENTE JESUS, N. T. Wright, Rio de Janeiro, Thomas Nelson Brasil, 2020, 304 p. O autor é um renomado bispo anglicano, considerado atualmente o estudioso do Novo Testamento mais importante. Neste livro, Wright derruba obstáculos inúmeros para o entendimento da história bíblica de Jesus, esclarecendo três questionamentos contemporâneos: Quem foi o Salvador Jesus? Como devemos nos relacionar com Ele nos tempos contemporâneos? E que diferença Seus ensinamentos podem provocar em cada um de nós?

2. EM BUSCA DE JESUS: SEIS RELÍQUIAS QUE CONTAM A NOTÁVEL HISTÓRIA DOS EVANGELHOS, David Gibson e Michael McKinley, São Paulo, Editora Fontanar, 2015, 243 p. Os autores, jornalistas e cineastas norte-americanos, analisam os artefatos que comprovam a existência histórica do Senhor Jesus, valendo-se das ferramentas contemporâneas para comprovação verdadeira x falsa.

3. O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, José Saramago, 2ª. edição, São Paulo, Companhia das Letras, 2020, 443 p. O notável Prêmio Nobel de Literatura 1998, mesmo em nada de sobrenatural acreditando, explicita páginas emocionantes sobre o tema, sua escrita sendo considerada como a melhor prosa de ficção da língua portuguesa.

4. JESUS VIVEU NA ÍNDIA: SUA VIDA DESCONHECIDA ANTES E DEPOIS DA CRUCIFICAÇÃO, Holger Kersten, São Paulo, Madras, 2018, 366 p. O autor, teólogo alemão respeitado, explicita as razões pelas quais o Cristianismo resolveu ignorar as conexões do Nazareno com as religiões do Oriente, desconhecendo parte da sua vida na Índia. Conclusões surpreendentes, inclusive sobre o local do seu sepultamento em Srinagar, na Caxemira. O livro já foi editado em 42 idiomas.

5. JESUS; UM BREVE ROTEIRO HISTÓRICO PARA CURIOSOS, Alex Fernandes Bohrer, São Paulo, Chiado, 2021, 249 p. O autor é mineiro, professor universitário, Mestre e PhD em História Social da Cultura, e seu texto é um guia amplamente indagativo sobre a caminhada do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador. Uma leitura que muito satisfaz inúmeros questionamentos.

6. A BÍBLIA DE ÁLEF A ÔMEGA: UM GUIA PARA ENTENDER COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS, Rodrigo Silva, São Paulo, Ágape, 2020, 352 p. O autor é pastor, teólogo e escritor, tido e havido como uma das maiores autoridades brasileiras no assunto. Uma leitura profundamente apaixonante e sementeira. E o livro analisa como foi feita a construção histórica do cânon, conjunto dos textos considerados sagrados.

7. Se você deseja uma resposta clara sobre qual foi a experiência espiritual de Jesus de Nazaré pela qual Ele se sentiu o Filho bem-amado do Deus-Abba, pai muito querido, a mensagem profundamente convincente de um pequeno livro notável: A AMOROSIDADE DO DEUS-ABBA E JESUS DE NAZARÉ, Leonardo Boff, Petrópolis RJ, Vozes, 2023, 114 p. Páginas que ressaltam, pelas análises de um portentoso pesquisador cristão, como o Jesus kata sarka, segundo a carne, tornou-se o Cristo segundo o Espírito kata pneuma pela ressurreição. E conheça as três paixões do Jesus histórico, nosso Irmão Libertador.

Costumo dizer a pessoas alvoroçadas que sou um helderista, jamais helderete, que é aquele que bate palma sem saber os porquês, se emocionando diante de qualquer pigarro. Todo helderista busca sempre analisar os fatos e feitos cristãos mais atentamente, procurando inserir-se nos Planos de Deus. Sempre buscando usar altas doses de solidariedade e racional bom-senso.

Uma Semana Santa recheada de evolucionárias pensações, enxergâncias e binoculizações, favorecendo a conjugação sementeira do verbo Esperançar.
Feliz Pascoa para todos nós!!!

PENINHA - DICA MUSICAL