RLIPPI CARTOONS

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

J.R. GUZZO

O BRASIL NÃO CRESCE PORQUE O GOVERNO LULA É MUITO RUIM

O presidente Lula, durante o aniversário de 43 anos PT, em Brasília - 13/02/2023 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

O ministro da Fazenda acaba de dizer que o Banco Central (BC) “também tem de ajudar o governo”. Está errado, e essa é mais uma das razões pelas quais nada de relevante deu certo até agora nos primeiros três meses do governo Lula; a ideia geral da coisa está fundamentalmente errada. O BC não está aí para “ajudar o governo”. Sua função é cuidar do valor da moeda nacional, tentando que esse valor seja amanhã mais ou menos o que é hoje; não serve ao governo, e sim ao cidadão, principalmente o mais pobre. Este não costuma ter reservas; vai simplesmente à ruína se o pouco dinheiro que tem no bolso chega ao fim do mês valendo muito menos do que começo.

Na verdade, para realizar direito o seu trabalho, o BC tem muitas vezes de fazer o contrário do que pede o ministro: tem de opor à desvalorização da moeda que o governo quer provocar o tempo todo, gastando mais do que pode para satisfazer aos seus desejos e ao que chama de necessidades do “Estado”. Isso é inflação. O BC é contra. Lula é a favor.

Todo o governo Lula e o PT estão obcecados com o BC — além de Bolsonaro e do senador Sergio Moro. Percebem, irritadíssimos, que a economia, o governo e o país vão mal — mas é claro que se negam terminantemente a entender que esse desastre em formação é resultado único e exclusivo da má qualidade patológica da equipe de ministros que Lula armou à sua volta, e da militância primitiva de suas posições econômicas. Sem consertar isso, e aí é trabalho de carpintaria pesada, não vão resolver nada, nunca. Mas quem é que diz que Lula quer resolver alguma coisa com racionalidade? Ele acha muito mais fácil, como sempre, fugir do seu fracasso escolhendo um culpado a quem possa atacar com o mínimo de risco e com o máximo de demagogia. No caso, escolheu o BC. Desde o primeiro dia, é culpado por tudo o que está acontecendo de ruim no Brasil por causa da incompetência terminal do presidente da República.

O conto do vigário que o seu governo quer aplicar no público é o que ouve todos os dias: o Brasil não está se desenvolvendo e criando empregos por causa dos juros altos estabelecidos pelo BC.

É falso. O Brasil não cresce, nem vai crescer de verdade, porque o governo Lula é muito ruim. Desde o primeiro minuto, numa erupção combinada de rancor com ímpetos suicidas, lançou-se numa guerra aberta contra a produção, a iniciativa privada e o capitalismo em geral — não porque tenha alguma coisa útil para colocar no lugar, mas porque Lula tem raiva, ouve gente que tem raiva e está numa cadeira onde pode exercer suas raivas privadas. As empresas só investem o que precisam para continuarem em funcionamento — quem quer investir num país em que presidente se acha “socialista”?

Na viagem que cancelou à China, um dos marajás mais gordos da comitiva seria um burocrata decidido a denunciar a soja, o milho e o agronegócio brasileiros como um mal a ser combatido. Iriam também sócios-proprietários do MST. Para que, numa viagem supostamente de “negócios”? Para pedir que o governo da China ajude o MST a invadir terras no Brasil? Socou de novo em cima da população impostos que haviam sido suprimidos; quer tirar da tumba ainda outros, como o imposto sindical e o seguro obrigatório. Pensa só em aumentar a carga fiscal. Diz que “precisa” de dinheiro para os pobres etc, etc.

De novo é falso. O governo Lula quer dinheiro (já levou uma fortuna antes mesmo de tomar posse) porque tem de pagar as viagens do ministro das Comunicações em jatos da FAB para ir à exposições de cavalo; seguem-se mil e uma coisas equivalentes. Os pobres continuam o seu pretexto para o governo forrar o Estado com cada vez mais dinheiro, que vai ser gasto cada vez mais consigo mesmo. A arrecadação total do Brasil, em todos os níveis, vai passar os R$ 3 trilhões — mas Lula acha que isso não chega, e exige que lhe deem mais. Se gasto público tirasse pobre da pobreza, já não haveria, há muito tempo, nenhum pobre neste país. Mas quem quer falar disso à sério? É muito mais proveitoso jogar a culpa no BC.

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

“LEVE” ?

Janeiro de 2010. Lula, presidente da República, estava indo a Davos ‒ onde receberia, no dia 29, o prêmio Estadista Global do Fórum Econômico Mundial. Mas seu avião fez parada, no Recife, para que inaugurasse uma UPA. Dá para acreditar? Problema foi ter, aqui, passado mal. O médico da presidência, destacado para a caravana oficial, era ortopedista e não conseguia definir o que tinha. Razão pela qual o levaram ao Hospital Português. Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, estava preocupado. Que a imprensa entendia ser, aquele mal-estar, decorrente de uma discussão que tivera com o presidente. Pediu, então, que fosse atendido pelo doutor Murilinho Guimarães. Esse diminutivo, no nome pelo qual é conhecido, se deve a ser filho do grande advogado, e Reitor da UFPE, Murilo Guimarães (o mesmo acontece comigo; que, para os mais velhos, continuo sendo Zé Paulinho).

Murilinho Guimarães é consagrado (internacionalmente) especialista em pulmão. E, só para constar, estava em uma degustação de vinhos (norte-americanos), outra de suas muitas especialidades. Foi, correndo, ver de que se tratava. E, depois dos exames, o diagnóstico que deu foi “pneumonia, associada a hipertensão e dispneia como manifestações de uma sepsis se instalando”. Os da comitiva afirmaram que teria que viajar, naquela mesma noite, para a Europa. E Murilinho “vai morrer”; por não ser capaz de suportar, naquele estado, as grandes altitudes de um voo sobre o Oceano Atlântico. Lula falou com o médico Roberto Kalil. Decidiram que melhor seria ir até São Paulo, onde ficaria sob os cuidados do Sírio Libanês. E que o avião voaria, para lá, abaixo dos mil metros. Evitando os riscos da pressurização. Assim deve ter se dado, que chegou a seu destino sem maiores problemas. E Celso Amorim foi designado para representá-lo, naquele prêmio.

Entram em cena Franklin Martins e Dilma Roussef, ponderando que a versão de uma hipertensão leve seria melhor, politicamente. “A verdade é um cachorro que tem que ficar preso num canil”, dizia Shakepeare (Rei Lear). Pediram que Murilinho desse, nas televisões, esse diagnóstico. “Perdão, mas o que ele tem é pneumonia”. E recusou se prestar a esse papel subalterno. O médico do presidente, mesmo não sendo especialista, foi encarregado de dar a versão falsa (enquanto Murilinho ficou retido, numa sala, até que o último repórter se fosse do local). Tudo correu bem. O público acreditou. E a história seguiu seu curso. Pouco depois Dilma acabou presidente(a); Lula condenado (por Juiz, TRF do RGS, STJ) e preso por corrupção, descondenado e solto pelo ministro Fachin (do Supremo), para em seguida voltar a ser presidente; e Franklin, ano passado, lançou um muito interessante (e grosso) livro sobre músicas de campanhas políticas.

“A história se repete”, dizia Maquiavel em O Principe. Enquanto Marx respondeu “só como farsa”, em 18 Brumário. No caso, vale considerar que “a prática é o critério da verdade”. Uma frase comumente atribuída ao dito Marx, quando está mais alinhada ao pensamento leninista ‒ ver Berger, Guérin, Korsch e Pannekoek (que, depois da Revolução Russa, rompeu com o leninismo). E se assim for basta ver o que aconteceu, agora, para definir qual dos dois pensadores tem razão. Lula, segundo Kalil, se apresentava com “pneumonia leve”. Ninguém perguntou a razão de não ter sido, esse diagnóstico, dado pelo médico que o atendeu em Brasília, cabendo isso a um amigo íntimo que sempre o acompanhou. Sem que se entenda como declarou ser “leve”, a tal pneumonia, sem ter sequer auscultado o pulmão do paciente. Pelo visto, Kalil é mais amigo de Lula do que da verdade ‒ perdão, caro leitor, trata-se apenas de uma brincadeira com a famosa frase de Aristóteles Amicus Plato (sed) magis amica veritas (Platão é amigo mas ainda mais amiga deve ser a verdade). Como a viagem à China foi cancelada, apesar de sua enorme importância, o cenário sugere não ter sido tão “leve”, assim, a tal “pneumonia”. O diagnóstico sugerido, pelo Palácio do Planalto, foi claramente falso. De novo. Como antes. Prova de ter mais razão o florentino, que o prussiano. A história se repetiu mesmo, e não como farsa.

Essa introdução, mais longa talvez de que deveria, tem só a intenção de questionar a Grande Mídia do Sul. O Globo estampou em primeira página (edição do sábado passado), o que os demais grandes jornais de lá também deram, “Com pneumonia leve Lula adia viagem à China em um dia”. Depois se veria ser (bem) mais que um dia. Quase dois meses. Só detalhe, para eles. E seguiram, no mesmo caminho, para conforto e alegria do Palácio do Planalto. Parecendo sócios em um projeto de poder. Mas essa notícia está jornalisticamente correta?, eis a questão. Pelos manuais de redação o certo seria dizer “Segundo o médico Roberto Kalil, tem pneumonia”. Ou “pneumonia leve” se quisessem. E jamais o que saiu. Caberia então perguntar, ao ministro Alexandre de Morais, não considera isso fake news? Se for mídia social, contra esse governo, o cidadão se arrisca a ser preso. Mas se forem grandes jornais do Sul, a favor desse governo, e mesmo sendo uma notícia claramente falsa, isso parece não incomodar o famoso ministro. Como se todos os envolvidos, inclusive o ministro, fossem jogadores de um mesmo time. Parceiros. Juntos. Só mesmo rindo.

Para encerrar, apenas lembrar que Deus deve ser brasileiro. Como dizia o pai de Fernando Sabino, “no fim tudo acaba bem”. A saúde de nosso presidente está em ordem e respiramos aliviados. A Grande Mídia, nos dias de hoje, continua se pautando por interesses (muito) discutíveis. E a única pergunta é: Será essa a imprensa que precisamos, e desejamos, em nossa pobre Democracia?

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

O PRIMEIRO PEDIDO DE IMPEACHMENT

Deputados apresentam pedido de impeachment contra Lula.

Deputados apresentam pedido de impeachment contra Lula

Na quinta-feira, 33 deputados apresentaram um requerimento ao presidente da Câmara para que abra processo de impeachment contra o atual presidente. O autor do pedido é o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, da família imperial brasileira. É uma das mentes mais brilhantes desse país; ele é do PL e representa São Paulo. Outros 32 assinaram, mas nem precisaria deste número, tanto que o impeachment de Dilma foi assinado por três pessoas; basta que haja algo concreto.

O artigo 85 da Constituição trata do que seria crime de responsabilidade do presidente da República, e esse pedido de impeachment parece que pega dois casos. O que atenta contra o livre exercício do Poder Legislativo é a afirmação do presidente de que queria acabar com Sergio Moro, que era juiz da Lava Jato e hoje é senador. O que atenta contra a segurança interna do país é o momento em que Lula disse que a operação da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça contra o PCC era uma armação de Moro. O pedido fala também da falta de decoro, porque Lula usou um palavrão que eu não ousei repetir aqui, em respeito a vocês que me acompanham. Em vez de “acabar” com Moro, ele disse uma palavra bem vulgar. O documento agora está nas mãos do presidente da Câmara, e ele certamente recebe com isso uma munição política.

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Como os invasores do 8 de janeiro entraram tão facilmente no Planalto?

Chamou minha atenção o depoimento de um coronel da PM na CPI do 8 de janeiro, no Legislativo do Distrito Federal. Esse coronel, da inteligência da Secretaria de Segurança, disse que em 5 de janeiro receberam um documento do Ministério da Justiça, prevendo acontecimentos que poderiam levar a uma tentativa de derrubada do poder. Isso coincide com uma nova informação do senador Marcos do Val, que tem documentos da Abin e de outros órgãos de informação, pelos quais fica muito claro que a Presidência da República, o Ministério da Justiça, todo mundo foi avisado para se prevenir.

Coincidência ou não, o ex-presidente Bolsonaro – que chegou a Brasília na manhã de quinta, depois foi para a sede do PL e deu uma entrevista – disse que estranhou a entrada fácil no Palácio do Planalto porque ninguém arrombou porta. Ele lembrou que muitas vezes estava dentro do palácio e via a multidão lá fora, chamando o nome dele; ele pedia para abrirem a porta e demorava uns dez minutos até trazerem a chave. Mas essa porta foi aberta facilmente naquele 8 de janeiro, e ele desconfia que houve facilidade demais. Daí a necessidade de uma CPI no âmbito do Congresso Nacional, com deputados e senadores, para esclarecer essas responsabilidades também.

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As indenizações da Comissão de Anistia estão de volta 

A nova Comissão de Anistia do atual governo teve a primeira reunião nesta quinta. Foi uma reunião festiva por causa da “semana do nunca mais”, que lembra o 31 de março. Nesta sexta faz 59 anos que o presidente João Goulart foi derrubado. Primeiro, a Igreja pregou a derrubada dele, dizendo que vinha aí um regime comunista; depois veio a aprovação dos donos de jornais, que entraram na mesma campanha – só o jornal do Samuel Wainer ficou fora, todos os outros aprovaram. Depois, o povo foi para as ruas. E, por último, um general de Juiz de Fora tomou a iniciativa e aí desandou um dominó.

Eu fico imaginando: se não acontecesse aquilo, nós seríamos uma grande Cuba, e uma Cuba desse tamanho certamente teria evitado a extinção da União Soviética, o fim da Guerra Fria, seria uma pressão enorme contra os Estados Unidos, um país desse tamanho, com tanta matéria prima no Hemisfério Sul; enfim, são os caminhos da história.

Agora aparecem os anistiados, 59 anos depois tem gente pedindo indenização. Muitas foram negadas no último governo, mas agora anunciaram que muitos pedidos negados foram concedidos. As pessoas vão receber atrasado desde 1999, dá perto de R$ 1 milhão do seu dinheiro, dinheiro dos nossos impostos. Não sei exatamente qual o critério, mas até o deputado Ivan Valente (PSol) vai receber também uma indenização que foi aprovada na quinta.

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Oposição quer derrubar decreto de Lula sobre armas

Por fim, só para lembrar, a oposição na Câmara está se mobilizando para fazer um decreto legislativo que anule os efeitos do decreto presidencial de 1.º de janeiro sobre armas, que prejudica clubes de tiro, lojas, empregos etc. ligados aos CACs, colecionadores, atiradores e caçadores.

MAGNOVALDO BEZERRA - EXCRESCÊNCIAS

AS GARRAFAS DE VINHO

Dizem que o vinho é um néctar dos deuses.

Pessoalmente também acho. Um bom vinho liberta o espírito, faz bem à saúde e não deixa dúvidas de que há muita coisa boa neste mundo. Desde os tempos bíblicos o vinho é elevado à categoria das coisas divinas.

Claro, não se pode exagerar, como quase tudo neste mundo.

Uma garrafa do vinho Romanée Conti, por exemplo, é vendido aqui nos Estados Unidos por 35 mil dólares (na adega), podendo custar 40 mil dólares em um restaurante fino. Coisa que só um bom corrupto que tem um Presidente nas mãos pode encarar.

Também não se necessita tomar um vinho de garrafão feito na Bolívia para saber quanto dói uma ressaca.

Existem bons vinhos no Brasil, claro.

Na festa dos funcionários da empresa metalúrgica para a qual trabalhava em 1988 foi montada uma cesta de Natal que continha uma garrafa de um bom vinho de Bento Gonçalves (não me recordo a marca), um panetone, uma caixa com um quilo de chocolates, pacotes de amêndoas, figos secos, queijos e outros paranauês típicos das festas natalinas. Para baratear os custos, cada um desses componentes foi comprado pela própria empresa, sendo as cestas montadas pelos funcionários do Departamento de Recursos Humanos.

Os vinhos – em torno de 500 garrafas – foram guardados na Ferramentaria, uma área cercada que oferecia relativa proteção contra investidas dos amigos do alheio, para serem postas junto com os outros componentes da cesta natalina três dias depois.

Mas bem o sabe vossuncê que tem experiência de vida, tentação é uma arma do desejo, e Satanás sempre dá um jeito de se infiltrar no espírito dos mais fracos.

Dois de nossos colegas Operários chegaram à conclusão que umas cinco ou seis garrafas de vinho em um lote de 500 certamente passariam despercebidas se viajassem por caminhos incógnitos. Em outras palavras, se fossem surrupiadas.

E bolaram um plano.

Como trabalhavam no segundo turno ficaram um pouco mais tarde após a partida dos demais colegas, e um deles pulou a divisória cercada da Ferramentaria para socializar as garrafas, passá-las por cima da cerca para o outro, saissem furtivamente pelo fundo da fábrica, sem iluminação adequada, e ganhassem o mundo com três garrafas cada um. E o plano teve início.

O que aconteceu bem acontecido é que nosso arretado ladrão de vinho que ficou dentro do cercado para transferir as garrafas ao que estava de fora, não resistiu à tentação e resolveu abrir uma garrafa para provar a bebida dos deuses. Passava uma garrafa por cima da cerca e tomava um bom gole de vinho. Gostou! Passou a segunda, tomou mais um gole, passou a quarta e tomou um gole da terceira junto com mais outro da primeira, abriu a quinta e tomou mais uma talagada da segunda, e em cada uma delas um bom e arretado arroto para celebrar a vitória.
Como estava de estômago vazio não chegou à sexta garrafa.

O colega do lado de fora percebeu que nosso bebum não tinha condições de pular a cerca de volta. Catou as 3 ou 4 que tinha nas mãos e se mandou. O bebum ficou tonto, caiu no chão e lá mesmo ficou roncando.

Como não tinha aparecido em casa no horário habitual, sua mulher telefonou para a Portaria da fábrica toda nervosa, o que determinou que os guardas fizessem uma busca na fábrica e flagrassem nosso inexperiente tomador de vinho totalmente inerme estendido no chão, eroticamente sonhando com a Benedita da Silva.

Fico me questionando quantas lapadas o ex-condenado tomou de Romanée-Conti antes de apagar e sonhar com a Maria das Candongas.

DEU NO JORNAL

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

PENSAMENTO DE POBRE

Pessoas como eu, criadas sem luxo, que se acostumaram a não ter contato com coisas supérfluas, não perdem o sono, pensando em diamantes e outras pedras preciosas de altíssimo custo, que jamais tiveram ao seu alcance.

Os valores variam de pessoa para pessoa. Entretanto, o povo brasileiro se vê, agora, obrigado a prestar atenção aos acontecimentos que a mídia exibe 24 horas por dia, e que enlouquecem os devotos do supérfluo.

Não tenho joias como gênero de primeira necessidade. Nunca senti necessidade de ter uma joia.

Não sinto necessidade de joias, nem nunca pensei em comprá-las, mesmo para pagar em “parcelinhas” de cartões de crédito. Minhas prioridades são outras. Jamais deixaria de comer para luxar.

Esses informantes da mídia não cansam de fazer uma barulheira nos jornais, rádios e TVs sobre as tais joias valiosíssimas, recebidas da Arábia Saudita, legalmente, pelo Presidente Jair Messias Bolsonaro, durante a sua gestão. Esse assunto é a bola da vez.

Com ódio nos olhos e um riso sardônico nos lábios, os comentaristas políticos da mídia babam de inveja, por não estarem no lugar do ex-presidente, para terem recebido essas pedras preciosas. Pelo tempo, já as teriam vendido e estariam usufruindo do dinheiro. Ao contrário, os mimos continuam bem guardados e preservados no acervo presidencial.

Estamos vivendo um verdadeiro Febeapá – “Festival de Besteiras que Assola o País” (1966). Sérgio Porto, o nosso inesquecível Stanislaw Ponte Preta (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 — Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1968), faz muita falta. Lá no Céu onde se encontra, deve estar escrevendo muito no Jardim do Éden e se divertindo com os assuntos que dominam a mídia brasileira.

As falências se sucedem e muitas casas comerciais sólidas veem-se ameaçadas com o aumento de tributos. Para que haja um comércio próspero, é necessário que ele exista onde a população também seja próspera e endinheirada.

O comerciante, para ser bem sucedido, precisa ter tino comercial no sangue, coisa que se transfere de pai para filho, com raras exceções. Não é preciso ter frequentado nenhuma academia de comércio, nem curso de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas ou Atuariais, para se ter tino comercial. Via-se isso, nas vendas e armazéns do interior, num passado remoto, onde havia comerciantes riquíssimos, mesmo analfabetos. Bastava que tivessem um guarda-livros (contador), honesto, e o comércio prosperava.

Quando é começo de mês, época dos pagamentos salariais, as vendas tem um grande movimento. É a fase em que os consumidores compram mais. No meado do mês, as compras diminuem, e no final do mês, a pindaíba é grande, para os trabalhadores assalariados. Enquanto isso, os políticos e artistas tomam banho com o dinheiro público.

Os impostos e outras tributações fiscais concorrem para a queda dos comerciantes.

Pois bem. Eu jamais deixaria de comer para poder luxar. Não consigo entender como se tem loucura por joias. Nunca me senti atraída por esses faiscantes objetos.

Meus valores são outros. Perguntem-me para que servem a carne, o leite, as verduras, e outros gêneros alimentícios, que estou por dentro. Sobre as joias, o que eu sei é que elas não dão saúde a ninguém. E a morte quando se aproxima, não recebe propina, nem em joias.

Finalmente, não entendo de preço de joias. Nem me interesso por elas. Em compensação, uma coisa eu digo sem pestanejar: O preço da carne está pela hora da morte. E a picanha prometida à mesa do pobre ficou no esquecimento.

DEU NO X