GUSTAVO GAYER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Prezado editor e amigos leitores,

Vejam só que coisa curiosa sobre a letra “J”.

O maior Homem que já viveu, foi chamado Jesus, criado por um Homem chamado José, da tribo chamada Judá, numa região chamada Judéia e batizado por um homem chamado João, em um rio chamado Jordão de uma terra chamada Jerusalém.

Filho do Deus chamado Jeová.

Impressionado?

Agora lembre que seus país está sendo salvo do demônio esquerdista por um homem chamado Jair.

Compartilhem enquanto estivermos ainda neste mês chamado Julho!

Abraços para todos.

DEU NO JORNAL

O RISCO DE UM LEVANTE POPULAR

Alex Fiuza de Mello

O Brasil não está imune a um levante popular. Ao contrário. O presente cenário político apresenta todos os ingredientes indispensáveis à emergência do aludido lanço: insatisfação popular generalizada; hostilidade exacerbada entre agentes sociais; abuso de poder por parte de autoridades constituídas; difamação trivializada de reputações; manipulação e tendenciosidade da informação pelos meios de comunicação de massa; perversão e desfaçatez de condutas de agentes públicos; desrespeito sistemático ao Estado de Direito; desarmonia, assédio e desvios de função entre Poderes da República; ativismo judicial; descrédito progressivo do Poder Judiciário (STF na cabeça); impunidade criminal; fomentação de conspirações; tentativas de golpe, etc. – eventos que, somados, fermentam a descrença crescente nas instituições e em seus representantes, conduzindo impreterivelmente a sociedade à condição de barbárie e ao estado de guerra.

Acostumadas à passividade das massas e à sua ordeira submissão, as tradicionais elites políticas, em sua “bolha brasiliense”, ignoram e desdenham da possibilidade de uma contundente reação popular às suas ardilosas intrujices, ainda acreditando em seu incontestável e habitual mandonismo ou, no limite, na suposta ingenuidade e ignorância dos costumeiros súditos.

Vaidades e empáfias, com condimentos de egolatria psicopática, impedem Suas Excelências de perceber a gravidade do quadro que se desenha sob o seu próprio nariz e o movimento agitado das insondáveis correntes submarinas, que se deslocam, desapercebidas, no oceano turbulento da já convulsionada sociedade civil.

Por muito menos o estamento no poder da França do final do século XVIII foi guilhotinado em praça pública pelas multidões, cansadas de tanto descaso, injustiça e tirania, numa demonstração tácita de que ninguém está imune a repentinas “surpresas históricas”.

O que “Suas Majestades” ainda não compreenderam é que, em tempos de internet e de redes sociais, o tradicional “coronelismo analógico”, ancorado nos ordinários “currais eleitorais”, definhou de vez, juntamente com o antigo monopólio da informação, outrora reservado, com exclusividade, aos grandes e seletos grupos de comunicação – dos quais sempre foram sócias ou afiliadas.

Hoje, o terreno da política é outro. Como a extensão de sua arena e o alcance e pluralidade das alternativas da informação. Não há mais espaço para pensamento único, para mentiras veladas, para farsas impenitentes – sempre sujeitas a impetuosos e nivelados ricochetes e reações. Tampouco há ambientação para “esquecimentos seletivos” de reveladores fatos do passado – sempre passíveis de ressuscitação pelo resgate de imagens arquivadas na globosfera. O rei, o estamento corporativo-cleptocrático, portanto, está nu, em sua sanha delitosa – e toda a corte palaciana do entorno, acostumada à privacidade impune de suas privilegiadas e secretas regalias, ao custo da extorsão indecorosa de seus eternos e submissos acólitos e vassalos.

Sim, os tempos não estão para brincadeiras! O agravamento da crise política e moral empurra o país para o pântano de uma guerra civil, mesmo que oficialmente ainda não declarada. Os sinais e sintomas do esfacelamento de todo lastro de ordem social, com a falência do desempenho estatal e da legitimidade representativa (sobretudo no Congresso Nacional e na Suprema Corte), projetam o pessimismo e o descontentamento crescente da população, ameaçando a sua crença no futuro – a perdurarem os contornos da presente paisagem.

Eis que, depois de tanta bandidagem e humilhação, parecem emergir em cena os primeiros sinais de que o gigante acordou! A situação está por um fio! A corda, a qualquer momento, pode arrebentar – com chances de que a “revolução”, desta vez, não se dê pelo “alto”, mas pela base, pela ação direta do povo, finalmente despertado de seu sono secular.

Setores mais bem informados da sociedade já estão cientes da armação do golpe de Estado em andamento, previamente orquestrado nos bastidores mais recônditos dos escaninhos do poder, em concertação interinstitucional, suprapartidária e transnacional – tal-qualmente em outras paragens.

Grupos armados e organizados, à esquerda e à direita, já ensaiam, em surdina, suas táticas e meneamentos para o instante ainda indeterminado do presumível confronto, numa projeção antecipada dos territórios e trincheiras a serem ocupados quando chegar a hora “H”. Até lá, continuará a ser testada, de várias maneiras, entre as partes, a correlação de forças presente no cenário, a exemplo de um tabuleiro de xadrez, por meio de jogadas inesperadas de ataque e defesa, ação e reação, em lances sequenciais e surpreendentes, aos moldes de “gambitos da rainha”.

Tudo, por ora, são planos. Mas os planos são concretos e efetivos – e não fictícios –, em plena cinesia e execução, constituindo, por isso mesmo, parte significativa (e sinalizadora) da nebulosa realidade.

Quem sabe já não se vive o limiar de uma ensolarada “primavera tupiniquim” (de instauração de uma verdadeira república), até bem pouco tempo impensável nos quadros de nossas fleumáticas tradições? Ou, ao inverso, o advento de um rigoroso e prolongado “inverno brasílico” (de explícita ditadura cleptocrática), a congelar em grau máximo os vestígios mais lancinantes dos choros e rangeres de dentes sobejados? Quem sabe?!

Talvez tenha chegada a hora da inevitável encruzilhada; de ter-se que escolher, de uma vez por todas, entre a república democrática (da liberdade, da transparência e da justiça) e a cleptocracia oligárquica (da criminalidade legalizada, do engodo e do arbítrio) – por bem ou por mal.

Decerto, só o tempo dirá! Porém, pelo andar da carruagem, fica patente que tudo pode acontecer nesse contexto tão sombrio e gelatinoso, de difícil e laborioso prognóstico.

Enquanto isso, malgrado o perigo à vista, os protagonistas do caos continuam a brincar, desajuizadamente, de CPIs (caricatas e patéticas) e de reescrever, ao seu “estilo”, à sinistra – sem legitimidade para tal –, a Constituição, segundo seus devaneios e ambições, alheios e moucos ao clamor ensurdecedor das ruas, sem se aperceberem do rumor ameaçador que se avizinha e do timbre agudo de aviso prévio unissonamente entoado pelos inúmeros intérpretes, em vigília – já com exalação de hálito de pólvora nas notas sofregamente solfejadas.

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LIBERDADE DE PENSAMENTO

Luís Ernesto Lacombe

Escrevo este texto no Dia Mundial da Liberdade de Pensamento. Talvez hoje me seja permitido pensar… Esse é um ato que passa necessariamente por outro: perguntar. No fim das contas, não há pensamento sem perguntas, sem um mínimo de senso crítico. Se não tivéssemos a capacidade de buscar respostas, explicações, entendimentos, não teríamos a capacidade de pensar. E, se não fôssemos livres para indagar, para questionar, estaríamos sempre reféns das decisões de outras pessoas, empurrados para caminhos que poderiam não ser os nossos, que poderiam ser errados, equivocados. Quando nos tomam o direito a questionar, nos tomam tudo, nos transformam em autômatos, em títeres.

Resolveram que “a ciência disse”, e está resolvido. Mesmo que a ciência só exista se houver debate, se houver o enfrentamento de opiniões baseadas em observação, dados, fatos, em evidências, experiências. É preciso haver divergência, para haver ciência, hipóteses, tese e antítese, prova e contraprova. Não é algo que se faça em pouco tempo. Aliás, a ciência ignora o tempo porque se desenvolve eternamente, com choques e embates… E nada disso se faz sem perguntas, sem questionamentos, num esforço contínuo para solucionar mistérios e estabelecer conhecimento.

Pensei que estaríamos livres na internet, nas redes sociais, para, pelo menos, perguntar. Era a grande chance de acabar com o monopólio da informação mantido pela mídia tradicional, a dona de todas as verdades. A esperança durou tão pouco. Desfez-se neste Dia Mundial da Liberdade de Pensamento, quando o YouTube derrubou o vídeo da edição de estreia do Programa 4 por 4, que Ana Paula Henkel, Guilherme Fiuza, Rodrigo Constantino e eu estreamos no primeiro domingo de julho. Já alcançava 800 mil visualizações, mas, segundo a plataforma de vídeos, violou as “diretrizes da comunidade”, algo tão vago e suspeito.

Sem retórica, sem discursos, sem conceitos, preto no branco: falamos de vacinas experimentais e levantamos questões sobre os estudos em curso, em relação à segurança e à eficácia dos imunizantes. Falamos de “passaporte sanitário”, que praticamente tornaria a vacinação obrigatória, mesmo sem estudos conclusivos sobre as vacinas. Levantamos fatos, mostramos depoimentos, fizemos perguntas… Não pode? É proibido? Com tanta generalização, fica difícil de saber. Quais são os critérios, quais são as diretrizes? Nem isso se pode perguntar, e seria impossível haver respostas que não envolvessem dissimulação.

Estamos tomando as medidas legais para que se estabeleça a liberdade de expressão e de indagação, com todo o respeito às leis e às regras do país. Em breve, teremos nosso próprio portal, nosso aplicativo, mas essa não é uma luta particular, do nosso programa, de um grupo de jornalistas, escritores, analistas políticos… É uma luta de todos nós. O momento, mais do que nunca, exige atenção, alerta, ação. Do jeito que está, caminhamos para a ignorância completa, uma ignorância totalitária.

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDE MOTES, GRANDES GLOSAS

O saudoso cantador Valdir Teles (1956-2020) um dos maiores nomes da poesia nordestina 

* * *

Valdir Teles glosando o mote:

Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

A matuta faz fogo de graveto
Ferve o leite que tem no caldeirão
Bota sal na panela do feijão
E assa um taco de bode num espeto
Onde a música do sapo é um soneto
Mais bonito da beira de um barreiro
Não precisa zabumba nem pandeiro
Que o compasso da música é Deus que toca.
Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

* * *

Dedé de Dedeca glosando o mote:

Não existe nada eterno
Nesta vida de ilusão.

Mesmo o pior sofrimento
Um dia vai se acabar
Não vá se desesperar
Pois tudo tem seu momento
Um dia esse tormento
Acaba de supetão
O rico e o pobretão
O antiquado e o moderno
Não existe nada eterno
Nesta vida de ilusão.

“Não há mal que sempre dure,”
“Nem bem que nunca se acabe”
Todo mundo hoje sabe
Não há mal que Deus não cure
Esse vírus não procure
Pois mata qualquer cristão
O juiz e o ladrão,
O patrão e o subalterno
Não existe nada eterno
Nesta vida de ilusão.

Chico Xavier dizia
Eu bem sei que “tudo passa”
Orando, o bem ultrapassa
Não vá pensar heresia
A oração é poesia
Que salva qualquer nação
Deus quer nossa salvação
Para nós Ele é fraterno
Não existe nada eterno
Nesta vida de ilusão.

* * *

Antônio de Catarina glosando o mote:

O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

O carão, esta ave tão profeta,
habitante das matas do sertão,
sentiu falta da chuva no rincão,
ficou triste a sofrer como um poeta,
sem cantar sua vida é incompleta,
o fantasma da seca lhe apavora,
pesaroso partiu fora de hora,
antevendo um futuro tão sombrio;
O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

* * *

Mariana Teles glosando o mote:

Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Quando o sol se despede da campina
E a textura da nuvem muda a cor
O alpendre recebe o morador
Regressando da luta campesina
Entre os ecos da casa sem cortina
Corre um grito chamando por Maria…
E da cozinha pra sala a boca esfria
O mormaço da xícara quase cheia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Meia hora antecede a hora santa
Às seis horas da virgem concebida
E o cálice que serve de bebida
Desce quente nas veias da garganta
Já o trigo depois que sai da planta
Faz o pão quando a massa fica fria
E o tempero da cor do fim do dia
Tem mistura de terço, fé e ceia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

* * *

Zezo Patriota glosando o mote:

Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

Meu espírito não sossega,
com dívidas eu me espanto,
pago conta em todo canto
e devo em toda bodega,
quem deve conta e não nega
topa com que me topei,
tudo que tinha gastei,
com bodega e padaria.
Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

* * *

Júnior Adelino glosando o mote:

Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

No ramo da construção
Faço ponte, creche e praça
Com tijolo, cal e massa
Eu ergo qualquer mansão
Levanto em cima do chão
Parede bem grossa ou fina
Torre que não se inclina
Que não se quebra nem dobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Com o prumo e a colher
Lápis, régua, espátula e rolo
Cimento, areia e tijolo
Faço o que o dono quiser
Sobrado, muro ou chalé
Do tamanho de uma colina
Ser pedreiro é minha sina
Tenho talento de sobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Nasci com a vocação
E aprendi de longa data
Que o alicerce e a sapata
São partes da fundação
Numa grande construção
As ferragens predomina
Que a faculdade divina
Me dá aula e nada cobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Eu sei dizer que o concreto
É quem garante o sustento
Com pedra, areia e cimento
Começo qualquer projeto
Nunca fui um arquiteto
Nada disso me domina
Construo com disciplina
Qualquer coisa com manobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

* * *

Pedro Ernesto Filho glosando o mote:

Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O pequeno sanfoneiro
Com arte desafinada
Que de calçada em calçada
Vive a ganhar seu dinheiro,
Não é Alcimar Monteiro
Nem Gonzagão, nem Roberto,
Porém deixou boquiaberto
O povo do interior.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O sertanejo frustrado
Vítima da sociedade,
Somente vai à cidade
Quando se vê obrigado,
Falando pouco e errado
Porque vive no deserto,
Mas se houvesse escola perto
Talvez que fosse um doutor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

A prostituta de bar
Tem na consciência um farne,
Negocia a própria carne
A fim de se alimentar,
O bom conceito de um lar
Foi pela sorte encoberto,
Talvez que até desse certo
Se tivesse havido amor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O bom vaqueiro voraz
No mato faz reboliço,
Desenvolvendo um serviço
Que acadêmico não faz;
Coveiro é útil demais
Quando um túmulo está aberto
Rico não se torna esperto
Para fazer o favor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

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J.R. GUZZO

ATÉ O BOTECO DA ESQUINA MELHORA SEU SISTEMA. SÓ O TSE NÃO

A grande guerra do “voto impresso” que o público está vendo acontecer na sua frente é um desses clássicos da comédia – todos os personagens estão errados. Para começar, o público pagante, cujos interesses deveriam ser os únicos a serem levados em conta nessa conversa toda, está a anos-luz de distância do debate; até agora ninguém parou cinco minutos para pensar no que seria melhor para ele.

Depois, o “voto impresso” não é impresso – embora uma das facções se oponha furiosamente à impressão dos votos, a outra diz que jamais pensou em imprimir voto nenhum. Mais: é uma questão essencial para as eleições de 2022, mas os políticos acabam de adiar ainda uma vez a sua discussão, jogando tudo para “depois do recesso”. O lado “A” acha que o lado “B” quer roubar na apuração. O lado “B” acha que o lado “A” quer criar uma ditadura no Brasil.

Com a desonestidade fundamental que marca toda a discussão política no Brasil de hoje, transformaram uma questão puramente técnica, comandada pela mecânica e pela eletrônica, numa divisão ideológica irremediável.

A “esquerda”, encarnada no caso pelo ministro Luís Roberto Barroso e seus colegas do STF, diz que o sistema atual de urnas eletrônicas não pode ser tocado em absolutamente nada; não seria mais passível de nenhum tipo de aperfeiçoamento, por ter atingido a perfeição, segundo seus defensores, e qualquer tentativa de mexer nisso é um crime contra a democracia. A “direita”, encarnada pelo presidente Jair Bolsonaro, diz que esse mesmo sistema torna impossível uma eleição limpa – e que se as eleições de 2022 não forem limpas, não haverá eleição nenhuma.

Entre os dois fogos, ficam perdidos – e no mais completo prejuízo – o eleitor, que deveria ser o centro dos debates, e os que querem simplesmente um sistema de voto e de apuração melhores, mais modernos e mais seguros que o atual. O STF veta a discussão do assunto; diz que qualquer tentativa de melhorar o processo atual, em vigor há 25 anos, é “virar a mesa” para falsificar os resultados e impor uma “ditadura” ao país. Não foi capaz, até agora, de dar uma única resposta séria a uma pergunta simples: por que seria errado tentar aprimorar o atual sistema? Qual o crime em querer melhorar um conjunto de máquinas?

Os bancos, por exemplo, melhoram todos os dias a segurança, a eficácia e a inteligência de seus processos eletrônicos – gastam bilhões de reais nesse trabalho. A Receita Federal faz a mesma coisa; não passa na cabeça de ninguém, ali, trabalhar hoje com os métodos de 1996. A indústria e o comércio criam a cada ano, ou menos, novos ambientes eletrônicos para o exercício de suas atividades. O Uber melhora o seu sistema. O delivery de pizza melhora o seu sistema. O boteco da esquina melhora o seu sistema.

Só os burocratas do Tribunal Superior Eleitoral, sob o comando do STF, têm a certeza absoluta de que não há nada a melhorar nos mecanismos de votação e apuração das eleições brasileiras.

Mas os nossos políticos acham que nada disso é realmente importante, tanto que jogaram tudo para depois – na esperança de que a coisa acabe morrendo de morte natural. Como sempre acontece, mais uma vez fica claro que no Brasil há muita democracia, muita instituição, muito Estado de direito, muita ciência política – só não há povo. Esse não chega nem perto da conversa do ministro Barroso, dos mandarins da Câmara e do Senado, e de toda essa gente que aparece no jornal do horário nobre.

COLUNA DO BERNARDO