PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TUDO PASSA – Auta de Souza

Aquela moça graciosa e bela
Que passa sempre de vestido escuro
E traz nos lábios um sorriso puro,
Triste e formoso como os olhos dela…

Diz que sua alma tímida e singela
Já não tem coração: que o mundo impuro
Para sempre o matou… e o seu futuro
Foi-se num sonho, desmaiada estrela.

Ela não sabe que o desgosto passa
Nem que do orvalho a abençoada graça
Faz reviver a planta que emurchece.

Flávia! nas almas juvenis, formosas,
Berço sagrado de jasmins e rosas,
O coração não morre: ele adormece…

Auta de Souza, Macaíba-RN (1876-1901)

DEU NO JORNAL

UM SÁBADO COM EXCELENTE NOTÍCIA

O Brasil ultrapassa neste sábado a marca de 30 milhões de pessoas totalmente imunizadas com duas doses de vacina ou uma dose do imunizante Janssen.

Elas representam mais de 14% da população.

* * *

Não vai sair no Jornal Nacional.

Nem no resto da imprensa oposicionista e funerária.

Mas sai aqui nesta gazeta escrota.

E vamos fechar a postagem repetindo uma gostosa roda de choro.

Um excelente final de semana pra toda a comunidade fubânica!!!

DEU NO TWITTER

O PARAÍSO DOS CANHOTOS

* * *

Isso aí é a terra do sonhos dos canhotos brasileiros.

Aquela turma que é conhecidos pela sigla de BB, os Babacas Banânicos.

Quase 100% das torneiras de todo um país sem água corrente!!!

Do jeitinho que as militantes petralhas dos suvacos cabeludos e priquitos fedorentos gostam.

Bem que podiam ir todas pra lá. 

“Cumpanhêro Maduro, num te esquece de providenciar minha lata d’água pra eu lavar a bunda e os pentelhos mais tarde”

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Caro Berto,

Peço-lhe a gentileza de publicar este vídeo da originalíssima Samantha Cavalca, TV PIAUÍ: “Ministro do Turismo dá invertidas em Túlio Gadêlha”.

O que a grande mídia encobre, esta Gazeta insolente desnuda.

Fico-lhe grato!

J.R. GUZZO

POBRES PARA SEMPRE

Cabe à autoridade pública, em condições normais de temperatura e pressão, interromper a prática de um crime todas as vezes que esse crime estiver sendo praticado à sua vista, e à vista de todos. É o que manda a lei; é para isso, entre outras coisas, que a autoridade é paga, desfruta de licença-prêmio e tem aposentadoria com salário integral. Mas no Brasil da covid não é assim que funciona. Em primeiro lugar, os que cobram os seus impostos e, ao mesmo tempo, ganham o direito de mandar na sua vida não acham que o crime é crime. Ao contrário, acham que é virtude; deve ser praticado, e não interrompido. Em seguida, quando são forçados a perceber a calamidade que estão fazendo, não se mexem. Quando se mexem, enfim, é para anunciar que vão tentar – ou, pelo menos, que alguém vai tentar – fazer alguma coisa a respeito. Mas não agora; em setembro, se for possível. Até lá, o crime vai continuar sendo praticado e os criminosos vão continuar apitando o jogo.

As crianças e jovens de São Paulo, o maior, mais importante e mais rico Estado do Brasil, estão sem aulas desde março do ano passado; no momento, caminham para o segundo ano letivo perdido. Isso mesmo: dois anos seguidos sem escola, ou com uma mentira chamada “ensino a distância”, coisa sem paralelo em qualquer país civilizado do mundo – onde, ao contrário, manter as escolas abertas foi uma prioridade dos governos desde os primeiros casos de covid. É um crime social inédito na sua extensão, na sua violência e nos seus efeitos contra vítimas que não podem, e nunca puderam, se defender. São aqueles que precisam mais desesperadamente ir às aulas – as crianças pobres cuja única chance de sair da casinha à beira do Rodoanel e conseguir algum trabalho mais compensador, uma renda melhor e uma vida menos sofrida que a dos seus pais é ir todos os dias à escola e adquirir o máximo de conhecimento que for possível. Foram roubados de algo que não poderá mais ser devolvido.

O crime continuado que mantém as escolas com as suas salas vazias é obra de responsabilidade direta, em São Paulo, do consórcio que se formou entre o sindicato dos professores, de um lado, e o “Centro de Contingência” montado pelo governo estadual e povoado por “cientistas”, médicos e burocratas, de outro. (No resto do Brasil, os autores são comissariados equivalentes criados pelas “autoridades locais”.) Juntos, e com o apoio integral de magistrados que há mais de um ano não vão ao fórum para dar um único despacho, sequestraram dois anos da vida útil de milhões de crianças – o que não aprenderam agora não poderá mais ser aprendido, não sem prejuízo do que terão de aprender no futuro. Os “cientistas” e médicos que gostam mais do Diário Oficial do que do microscópio ou da sala de cirurgia dizem, como o sindicato, que haverá “reposição” das aulas perdidas. De que jeito? Não foi dada até agora uma única explicação decente e respeito de como essa “reposição” seria feita na vida real. Não é possível, simplesmente, dar mais tarde as aulas que não foram dadas agora – a recuperação terá de deixar de lado o currículo e socar em um ano, ou menos, o que deveria ter sido aprendido em dois, ou mais.

É um desses escândalos silenciosos tão a gosto dos intelectuais, da elite e das classes “progressistas” do Brasil – sempre prontas a sacrificar tudo pela “igualdade”, desde que isso não interfira em seu estilo de vida e os sacrifícios, na prática, sejam feitos pela pobrada cuja sorte dizem lamentar. Num país já arruinado com as desgraças de uma concentração de renda estúpida, injustiças sociais especialmente grosseiras e diferenças de oportunidade que transformam a democracia brasileira numa piada gigante, o consórcio de “cientistas”, médicos e sindicato dos professores pensou e agiu unicamente em defesa dos próprios interesses e pontos de vista políticos. E as crianças, em cuja saúde se declaravam tão interessados? As crianças — ou melhor, as crianças pobres – que vão para o diabo que as carregue. O ensino “a distância”, “on-line”, virtual, não-“presencial” e outros disparates não prejudicou a todos por igual. Prejudicou justamente quem menos podia ser prejudicado.

Os alunos do Dante Alighieri, e de todos esses colégios onde estudaram as autoridades locais e nos quais as anuidades podem passar dos 100.000 reais, vão sobreviver. O ensino via computador, para eles, foi feito com equipamento top de linha, internet de banda larga, professores particulares e outras amenidades que o dinheiro dos pais pode pagar. A perda, para todos eles, será menor. Para a molecada da Vila Quaquá, a história tem sido outra. Se muitos (a maioria?) não têm nem o computador, que raio de ensino “eletrônico” podem ter? Além de perderem as aulas, perderam até a merenda – para muita gente, a principal refeição do dia. Seu desempenho nas avaliações vai desabar. É esperado que uma parte considerável deles todos simplesmente não volte nunca mais à escola – vai ser, aí, o prejuízo com perda total.

Como uma agressão tão perversa aos direitos mais elementares da população pobre, algo sem igual na história da injustiça no Brasil, tem sido tolerada com tão poucos escrúpulos pelos que mandam no país – e pela aristocracia de Terceiro Mundo que vive à sua volta? Eis aí, mais uma vez, o Brasil mostrando a sua cara – a sua cara como ela é, hipócrita, egoísta e insensível, e não como aparece no palavrório dos políticos, no circo da CPI ou no noticiário da mídia. Este é o Brasil onde uma categoria profissional inteira, a dos professores da rede pública de ensino, deu e pretende continuar dando um espetáculo mundial de covardia – na Europa civilizada e igualitária que tanto admiram na hora de fazer seus discursos na sala de aula, as escolas praticamente não fecharam. Pior: há mais de um ano estão se aproveitando de uma tragédia inédita para tirar proveito pessoal e obter vantagens políticas. Fazem exigências com caráter de chantagem – como a de serem vacinados integralmente, seja qual for a sua idade, e como se fossem melhores ou mais importantes que todos os outros brasileiros que também prestam serviços essenciais. Tem sido um tempo de triunfo da falsidade – como o argumento de que não poderiam voltar a dar aulas porque um professor morreu de covid. Nunca mencionaram que a vítima não pegou a doença na escola, pois não havia escola.

Não são apenas os professores que estão fazendo essas coisas, é claro. Para começar, coloquem na mesma conta a maior parte dos funcionários públicos – e os seus assemelhados. Há os pais que não querem que seus filhos vão à escola porque estão com medo de que tragam o vírus para casa. Fingem que estão pensando “nas crianças” – que não pegam covid. Estão pensando em si próprios, isto sim. Há de tudo. Mas os professores são um caso à parte. Numa sociedade tão doente como a do Brasil atual, a única porta de saída efetiva para a pobreza é a melhoria da educação pública – não as “bolsas família” e outros programas de esmola inventados pelos governos. Há mais de um ano, com o “cancelamento” das escolas, o país faz exatamente o contrário. “O aluno não está aprendendo o que aprenderia na escola, é preciso deixar isso claro”, diz o secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, um dos mais persistentes e corajosos advogados da volta às aulas em todo o Brasil. O fechamento das escolas, que ele quer terminar em setembro, é um atraso fatal, na sua opinião. “Isso é aumento da desigualdade direto na veia”, disse Soares dias atrás numa entrevista a O Estado de S. Paulo. “O discurso de ‘não voltar’ está prejudicando o aluno da rede pública, o que mais precisa de escola. Acho que as próximas avaliações nacionais vão ser um desastre; vai ficar muito claro o tamanho do buraco. Para começar a recuperar, vamos ter de ensinar em um ano a matéria de dois ou três.”

Mas e daí – quem é que está ligando para isso? Não a elite que governa e faz questão de pensar por todos. As crianças e adolescentes que perderam e vão continuar perdendo a sua única e estreita oportunidade de escapar da pobreza não fazem parte das suas preocupações. Essa gente invisível, sob a indiferença mais completa das classes intelectuais e iluminadas, está toda condenada desde hoje, em consequência do ensino que lhe foi roubado, a levar a vida inteira com os piores empregos, os salários mais baixos, as tarefas mais cansativas, monótonas e desmotivadoras, o trabalho duro, repetitivo e manual. Terão baixo acesso ao consumo – vão continuar comprando os produtos de pior qualidade, mais obsoletos e mais baratos. Não terão uma carreira, nem uma casa confortável, nem SUV, nem nada disso que aparece nos comerciais de televisão – em que todas as coisas caras e certas, como por milagre, são lindamente disponíveis para todos, e os brasileiros negros são ricos, chiques e felizes. Os brasileiros de verdade não vão ter vez, como não tiveram na tragédia das escolas fechadas. Eles não têm voz, não aparecem na imprensa, jamais foram vistos por um publicitário e ninguém nem sabe como eles se chamam. Não dão entrevistas nas páginas que promovem a igualdade. Ninguém fala por eles. Em suma: não existem. O importante, para o Brasil da covid, é acompanhar o que o senador Renan Calheiros vai revelar amanhã na CPI, na luta comum da elite para “salvar vidas”. Infelizmente, não vão salvar a vida de quem precisa ser salvo – os jovens que estão recebendo hoje a confirmação de sua sentença de pobreza vitalícia.

COLUNA DO BERNARDO

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PERCIVAL PUGGINA

O QUE EU DIRIA AO PRESIDENTE

Presidente, pense eleitoralmente, mas pense, também, politicamente

Acho que já referi que falei com Bolsonaro uma única vez na vida. Não sou próximo e não tenho interesse em ser próximo aos espaços de poder. De qualquer poder. Este cantinho do mundo onde vivo me dá um bom ângulo de visão sobre o que acontece em meu país e isso me basta para seguir fazendo o que gosto junto à parcela da opinião pública com interesse em saber o que penso sobre o que vemos.

Por isso escrevo estas linhas sem a pretensão de ser lido pelo presidente da República. Dirijo-me aos meus leitores.

Segundo muitos, Bolsonaro teria, na real, obtido votos para vencer a eleição de 2018 no primeiro turno. Disso nada sei, mas não duvido que pesquisas eleitorais honestas, não elaboradas com o intuito de manter viva a disputa no primeiro turno, talvez tivessem produzido essa consequência. Vi acontecer o mesmo no segundo turno, quando as pesquisas apresentaram margens de erro tão descomunais que pareciam elaboradas no aconchego de algum comitê eleitoral adversário.

O fenômeno já está novamente em curso, favorecido pelas reiteradas negativas no sentido da adoção do voto impresso auditável. Repete-se o cenário. O presidente só tem o apoio que falta aos outros – o apoio do povo. E poderia dizer, bem sinteticamente – do povão. Como em 2018, partidos e meios de comunicação trabalham para derrotá-lo, com ainda maior afinco.

O presidente precisa lembrar-se de que naquela eleição o candidato Geraldo Alckmin foi apoiado por 9 partidos de peso. Suas bancadas na Câmara dos Deputados representavam mais da metade das cadeiras. Ele tinha em tese, um exército de congressistas para agir por si. E fez menos de 5% dos votos. A maior parte daqueles parlamentares migrou em apoio a Bolsonaro e o abandonou após a eleição como havia abandonado Alckmin na campanha de primeiro turno.

Com isso, estou querendo dizer que não se pode amarrar cachorro com linguiça. Ele não pode correr o risco de enfrentar mais quatro anos com as mesmas dificuldades com que convive hoje. O modelo precisa de correções. Se não ainda não constitucionais, ao menos que o sejam de negociação política e não ao sabor dos abraços. O presidente precisa de um partido forte, de acordos sólidos com outros partidos fortes. Para uma campanha feita com segurança e que inspire confiança.

O presidente está fazendo um bom governo; só os desajuizados da política, em suas “narrativas”, afirmam o inverso. No entanto, a impressão deixada pela falta de uma base partidária e parlamentar sólida é de instabilidade política a inspirar desabafos presidenciais, necessários, mas pouco produtivos. Os adversários baterão nessa tecla, pisarão nesse calo. E ele dói. O xadrez da construção da estabilidade é mais difícil, mas bem mais eficiente.

A política é como essas modernas “plataformas” tecnológicas que a toda hora precisam de atualizações. E nós estamos desatualizadíssimos. Será um erro enfrentar tudo e todos confiando, ali na frente, que os melhores chegarão ao Congresso em número suficiente para, com eles, formar uma sólida maioria. Não vai funcionar. Política, presidente. E o Supremo é tóxico demais para o senhor fazer política.

DEU NO JORNAL

UMA IMPRENSA CRIMINOSA E SEM LIMITES

Paulo Eneas

O blog O Antagonista, uma espécie de guerrilha política esquerdista do submundo do jornalismo de esgoto, fez apologia ao assassinato do Presidente da República em uma matéria publicada em seu site nesta sexta-feira (09/07).

Usando de um cinismo dissimulado à guisa de ironia, para fins de blindagem legal, o blog do jornalismo de esgoto afirmou que o Haiti é um país mais desenvolvido que o Brasil pelo seu nível de engajamento político. Este engajamento a que O Antagonista se refere foi o assassinato do presidente daquele país caribenho ocorrido esta semana.

Em seguida, a matéria afirma que teremos que esperar até as urnas eletrônicas no ano que vem para cancelar o CPF do presidente. Como é sabido, a expressão “cancelar o CPF” significa matar alguém, e normalmente é usada em referência a criminosos mortos em enfrentamento com as polícias.

A mensagem em editorial dissimulado do blog do jornalismo de esgoto foi clara: como o Brasil é “menos desenvolvido” em termos de engajamento político do que o Haiti, não tivemos aqui até agora o cancelamento do CPF do presidente (ou seja, seu assassinato), como os haitianos fizeram esta semana, restando então ao país esperar até o ano que vem.

O Antagonista fez uma clara apologia ao assassinato do Presidente da República e precisa responder na forma da lei por este crime.

COLUNA DO BERNARDO