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DEU NA MÍDIA DOS ZISTADOS ZUNIDOS

* * *

Eu quase entortei a língua ao tentar pronunciar: The Wall Street Journal.

Danô-se!

Só sei é que estavam falando aqui da nossa terrinha.

E isto porque escreveram lá em cima: Brazil.

Com “z” e com direito a foto.

Foi essa semana, quarta-feira passada.

Mas não tenho a menor ideia do que seja ou do que falaram.

Baixaram o cacete ou falaram bem da gente?

Esse jornal é um pasquim de ponta-de-rua ou é uma publicação da grande mídia dos Zistados Zunidos?

Peço aos leitores fubânicos trogloditas – aqueles que falam vários idiomas -, que me ajudem e me informem.

Que danado de destaque foi esse que deram pra gente em manchete de primeira página?

Estão denunciando o Genocida? Seria isso?

Me esclareçam, por favor.

J.R. GUZZO

A POLÍTICA DA CIÊNCIA

Um dos efeitos mais notáveis da covid, e não só no Brasil, foi ter criado um tipo até então desconhecido de ciência – a ciência estática, na qual um bloco de cientistas tem certeza absoluta de que todo o conhecimento humano existente na área de medicina, por exemplo, chegou ao seu ponto máximo e não pode mais ser ampliado, nem modificado. Não poderia haver uma abordagem diferente para uma questão médica, sobretudo se ela nunca se apresentou antes? Não, não poderia. A verdade científica, por esta visão do mundo, esgota-se naquilo que o professor Pedro ou o pesquisador Paulo sabem – ou, mais precisamente, naquilo que acham que está certo, ou de que gostam. Resultado: é proibido discutir, segundo a ciência estática, qualquer afirmação, constatação ou hipótese que não seja aprovada pelos gestores do que se tornou hoje o universo “cientificamente correto”.

Outra maneira, menos paciente, de descrever isso tudo é dizer logo de uma vez que a política, na onda da covid, entrou com as quatro patas na ciência. Nada demonstra essa perversão tão bem quanto a “CPI” da covid, na qual o submundo policial do Senado grita todos os dias o que é “ciência boa” e o que é “ciência ruim”. A primeira é qualquer coisa que sirva aos seus interesses políticos. A segunda são os fatos que querem abolir. Todo mundo vê: semianalfabetos que não saberiam dizer que horas são, mas têm uma carteirinha de senador, interrogando médicos e outras pessoas de bem como se fossem um soldado da PM diante de algum vagabundo numa delegacia de polícia. É um “ambiente tóxico”, disse o presidente do Conselho Federal de Medicina. E é isso, na sua forma mais grosseira, o “cientificamente correto”.

Que gente com o nível de um senador de CPI faça isso, quando se pensa cinco segundos no assunto, é bem aquilo que se poderia mesmo esperar. Menos compreensível é a atuação, cada vez mais excitada, agressiva e repressora, dos médicos, pesquisadores e cientistas que praticam o “cientificamente correto” e se tornaram militantes de uma causa: a de que a covid só pode ser tratada de uma forma, a sua, e que qualquer ideia diferente tem de ser denunciada como uma ameaça à saúde pública. Assumiram o papel de vigilantes. Na vertente mais lamentável da sua conduta, querem punição, inclusive penal, para colegas que estiverem em desacordo com eles.

A política e a ideologia já interferem de maneira cada vez mais rancorosa nas disciplinas da ciência ligadas ao meio ambiente, na biologia humana, na gramática – fala-se, até, de uma “matemática negra”. Por que a medicina seria poupada dessas deformações? Mas é especialmente perturbador que a contaminação política vá tornando cada vez menor, junto à população brasileira, a credibilidade da medicina e dos médicos. Talvez nada comprove isso de maneira tão clara quanto a guerra aberta ao tratamento precoce da covid – ou as tentativas de se fazer alguma coisa pelo paciente antes que a sua situação se agrave a ponto de precisar de uma UTI.

O Conselho Federal de Medicina se coloca, claramente, a favor do direito dos médicos de darem o tratamento que julgarem mais indicado para quem lhes pede socorro, dentro de sua relação pessoal e intransferível com os clientes. É assim em todas as doenças – por que não na covid? Negar a liberdade do médico, aí, é tornar ilegal o livre exercício da medicina no Brasil. O CFM tem a atribuição constitucional de supervisionar a prática da medicina no País; não é um botequim onde se dá palpite sobre remédio. Não faz nenhum sentido, como acontece na CPI e nos grupos onde se trata a covid como questão política, jogar suas recomendações na lata de lixo.

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

LEITOR DETONA: COISA FEITA PRO GADO!!!

Comentário sobre a postagem É ISSO MESMO???

José Trajano Chacon:

Parabéns pela fake news!

Se mostrar esses mesmos dados na fonte, acreditarei, mas isso é impossível.

Coisa feita pro gado!

Sugiro que inclua os gastos dos cartões corporativos da era Bolsonaro comparando-os aos de presidentes anteriores.

Essa informação tem que ser à parte.

Ok, meu velho?

* * *

O editor “meu velho” tem que dar a mão a palmatória e reconhecer que os gastos dos cartões corporativos do genocida Bolsonaro são bem mais escandalosos que estes números do Portal da Transparência.

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

GUARARAPES, O SEGUNDO AEROPORTO MAIS DISTANTE DO MUNDO

1. Seu nome oficial é Aeroporto Internacional do Recife – Guararapes – Gilberto Freyre e os seus códigos são: REC (pela IATA) e SBRF (pela ICAO). É o terminal aeroportuário mais movimentado do Norte e Nordeste e o 5º do Brasil em abril de 2021. O comprimento da sua pista é de 3007 metros.

Vista do terminal com a passarela que leva ao terminal do metrô

2. O seu nome homenageia o fato histórico ocorrido no Monte dos Guararapes (que fica a menos de 2 quilômetros da sua pista), na batalha para expulsão dos holandeses do território pernambucano, e o escritor e sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, autor de Casa Grande & Senzala.

3. Oito empresas de aviação operam seus voos do Guararapes: Latam, Gol e Azul são as brasileiras que operam voos nacionais e internacionais. Copa, Air Europa, TAP e TACV são as operadoras estrangeiras. A Azul Conecta opera voos sub-regionais para Caruaru e Serra Talhada e em breve para Patos, na Paraíba. A Itapemirim planeja incluir Recife na sua malha.

4. Em 25 de julho de 1966, durante o regime militar, uma bomba explodiu no saguão do aeroporto matando duas pessoas e deixando outras 14 feridas. Neste dia era esperada a chegada do ministro do exército e candidato a presidente Costa e Silva para um ato de campanha. Foi o primeiro ato terrorista com morte durante o período militar.

Vista do terminal com os prédios do vizinho bairro de Boa Viagem

5. O terminal de passageiros é um dos mais modernos do Brasil, sendo considerado o melhor aeroporto regional do Brasil e o 4º da América do Sul pelo World Airport Awards 2020.

6. O estacionamento tem 2120 vagas, dentro do terminal são 56 estabelecimentos de comércios e serviços, uma loja livre de impostos para quem desembarca do exterior, a Dufry, 64 balcões de check in e 11 pontes de embarques de passageiros e mais 10 posições auxiliares.

Lista de aeroportos premiados

7. Há voos diretos para todas as capitais do Nordeste e Sudeste, para cidades interioranas da região e destinos internacionais tradicionais como Lisboa, Madri, Miami, Buenos Aires, Montevidéu e Santiago. Tem também voos sem escala para aeroportos menos conhecidos como Cidade do Panamá, Fort Lauderdale (EUA) e Sal (Cabo Verde), com a pandemia alguns destes destinos estão inoperantes.

8. O terminal é servido por uma estação de metrô, que fica a 450 metros de distância. A ligação é feita por uma passarela com esteiras rolantes, passando sobre a Av. Mascarenhas de Morais. Na estação, além do metrô que leva a Cavaleiro e Centro do Recife ou Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão, terminal rodoviário e Camaragibe, com baldeação, tem também várias linhas de ônibus.

9. Quatro acidentes aconteceram durante pouso ou decolagem do aeroporto, o primeiro foi em 1º de novembro de 1961, quando um Douglas DC7 da Panair proveniente de Lisboa com escala na Ilha do Sal, em Cabo Verde, se preparava para o pouso, voando mais baixo do que o recomendado, atingiu uma colina no bairro de Tejipió. Dos 88 ocupantes, 45 perderam a vida. O segundo acidente se deu no dia 11 de setembro de 1974: um Boeing 727 da Varig, vindo de Maceió, não conseguiu parar na pista, derrubou o muro e parou na avenida. Não houve fatalidade. O terceiro ocorreu em 11 de novembro de 1991, quando um Embraer Bandeirante da empresa Nordeste Linhas Aéreas decolou com destino a Salvador na Bahia e uma falha de motor fez com que a aeronave caísse em uma praça no bairro do IPSEP, todos os 15 ocupantes mais 2 pessoas que estavam na praça morreram. O quarto acidente se deu no dia 13 de julho de 2011, quando um Let L-410 da empresa Noar, que acabara de decolar com destino a Natal e Mossoró teve problema em um motor e ao tentar retornar, caiu em um terreno na beira mar de Boa Viagem matando todos os 16 ocupantes.

Boeing 727 da Varig na avenida

10. O Guararapes é o segundo aeroporto internacional mais distante de outro país, só perdendo para o de Perth, na Austrália, quer ver vejamos: os locais mais próximos são a Guiana Francesa e a Ilha de Ascensão, que distam quase 2300 km em linha reta. Outros grandes países, que poderiam tomar essa posição do Recife, como Estados Unidos, tem vizinhos próximos no Canadá ao norte ou México e Cuba ao sul. O Canadá tem os Estados Unidos ao sul e oeste (Alasca) e a Groenlândia ao Nordeste. A Rússia tem locais ao norte muito distantes dos vizinhos europeus ou asiáticos, porém tem ilhas norueguesas ao norte bem próximas da sua costa. A China, que mesmo imensa, não tem nenhum ponto a mais de 1300 km de outro país.

DEU NO JORNAL

QUE FIQUE BEM CLARO: LULA NÃO É LADRÃO ! ! ! ! !

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse neste sábado (5), que vai processar o cantor Amado Batista, por chamar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão” em uma entrevista à Rede Nordeste de Rádio.

* * *

Pessoal, não digam que o ex-presidiário Lula é ladrão.

Gleisi não gosta que digam que Lula é ladrão.

Que absurdo, cantor Amado Batista, dizer que Lula é ladrão.

Tu estás estás muito errado em chamar o Lula de ladrão.

Tu tens mesmo que ser processado por chamar Lula de ladrão.

Lula não é ladrão.

Lula nunca foi ladrão.

Classificar Lula como ladrão é um absurdo: ladrão ele jamais foi.

Repito: Lula não é ladrão!!!

Chamar Lula de ladrão é uma mentira infame.

O próprio Lula fica indignado quando o chamam de ladrão.

Veja:

E, já que o tema é “ladrão”, qualidade injustamente atribuída a Lula, que nunca foi ladrão, vamos fechar a postagem com Amado Batista cantando uma linda música que tem a palavra “ladrão” logo no título.

Uma inspirada composição denominada “Quem Foi o Ladrão”.

Será que Lula estaria por trás dessa pergunta contida no título da música?

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OLÊ MULÉ RENDÊRA, OLÊ MULÉ RENDÁ

Bilros manipulados pelas mãos hábeis das rendeiras

Como se fora uma ladainha das festas profanas, das muitas que ainda hoje são realizadas em muitos lugares do Nordeste, a letra da música imortalizou a lembrança cultural de alguém que, inicialmente não passava de um sofrimento obrigatório, para “passar o tempo” – enquanto Lampião não chegava.

Lembro, era assim:

“Olê, mulé rendêra
Olê, mulé rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá
(Tu me ensina a fazê renda)
(Que eu te ensino a namorá)

Lampião desceu a serra
Foi dançá em Cajazeira
Encontrou Maria Bonita
Que virou mulé rendêra
Encontrou Maria Bonita
Que virou mulé rendêra”

Crescemos escutando coisas assim ou parecidas. O tempo passou e algumas pessoas da família até se envolveram diretamente com a atividade da manipulação dos bilros, dos espinhos de cardeiro (nome que damos aos espinhos de cactos no Ceará), às almofadas arredondadas, linhas quase sempre branca e uns desenhos (modelos) em papel seguidos à risca para a formação das peças de renda.

A “rendêra” virou “Rendeira” depois de uma pertinente e admirada musicalidade até então considerada matuta – mas que sempre teve muito do contar o sofrimento de alguns que viviam apenas esperando a morte, ou a felicidade com os namorados que conviviam com o cangaço.

Mãos hábeis seguram os bilros que seguem o “modelo” de alguma peça de renda

Minha hoje falecida tia-avó Teté foi uma ainda “rendêra” de mancheia. Se, viva estivesse, seria hoje uma “Rendeira” dessas de grifes famosas cujas lojas funcionam apenas nos “xópis”, com peças de valor individual inalcançável para alguns. São peças feitas sob encomendas.

Pois Teté me mandava para as capoeiras “caçar, tirar e trazer” espinhos de cardeiro para que ela pudesse afixar os trabalhos já feitos nas almofadas. Fazia peças que, à primeira vista, nem os melhores teares da indústria eram capazes.

Teté foi apenas mais uma que viveu o sonho de esperar a chegada de alguém do cangaço de Virgulino. Teté morreu virgem (cabaço) e se contentava apenas com a almofada entre as pernas. Calma. A almofada! Nada de bilros!

Peça de renda feita por rendeira de Beberibe

Nos dias atuais, fazer renda em artesanato é uma profissão. Reconhecida. Pelo menos em meio aos artesãos.

Não exige estudo, não exige graduação acadêmica, mestrado ou doutorado – e ninguém exige para que o “deploma” seja amostrado. É um trabalho feito com as mãos. Há quem afirme que a tradição da renda teria vindo da Europa e da África.

Já lemos em algum escrito que, ansiosa para agradar à “dona”, uma escrava, com a habilidade desenvolvida com o que aprendera com os antepassados, fazia peças para a patroa. Agradou e, ansiosa para proporcionar às semelhantes o mesmo direito de ter a amizade das patroas, ensinou.

No Brasil, renda de artesanato é considerado “coisa de branco”, daí a aproximação pelo menos teórica, que teria com os antigos escravos. No Ceará é uma fonte de renda (dinheiro). Cascavel, Beberibe, Aracati têm polos de produção e propagação desse tipo de artesanato.

Mas a maioria aproxima a “Rendêra” com o fato da espera por alguém. A mulher “esperava alguém” e aproveitava para preencher o tempo fazendo renda.

“Rendêras” fazendo poesia com linhas, bilros e espinhos

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AUGUSTO NUNES

TODO ADORADOR DE FIDEL ODEIA A VERDADE

A imagem congelada em agosto de 2010 dispensa legendas: o sorriso abobalhado diz aos berros que Franklin Martins, em êxtase, flutua sobre flocos de nuvens profundamente azuis. Ao lado do ídolo incomparável, a quem fora apresentado pelo então presidente Lula, o ministro da Comunicação Social se imagina mandando bala em Sierra Maestra, cavalgando tanques de guerra no centro de Havana, condenando ao paredón meia dúzia de esbirros do tirano Fulgencio Baptista, insultando o imperialismo ianque no comício imenso – e, claro, decidindo o que os jornais podem ou não publicar. Ninguém ama Fidel sem odiar a liberdade de imprensa. Ninguém venera Fidel sem desprezar a verdade.

O discípulo aprendeu com o mestre que, como os fins justificam os meios, também a mentira é uma arma dos revolucionários. A verdade retarda, às vezes impede a chegada ao paraíso socialista. E um jornalista comunista tem o dever de odiar a liberdade de imprensa. Isso é coisa de burguês, acredita Franklin desde o berçário. Quase 11 anos depois da foto em Havana, ele continua o mesmo. Tanto assim que acaba de assumir a área de comunicação da campanha eleitoral de Lula.

Se o chefe vencer a disputa, Franklin voltará ao ministério – e imediatamente exumará a fantasia que persegue desde o dia do parto: “uma ampla pauta de reforma do setor de comunicação do país”. São 15 propostas sobre temas muito caros aos pastores do autoritarismo. Uma delas ressuscita a versão mais recente do “controle social da mídia”, codinome usado pela censura quando participa de reuniões do PT.

Também em 2010, ao discursar no Congresso Brasileiro de Jornais, o candidato a presidente José Serra constatou que o governo Lula colecionara tentativas de sufocar a liberdade de expressão. “Ao dizer que o governo censura e persegue a imprensa, Serra falta com a verdade”, revidou Franklin, juntando três pecados numa frase só: negou uma obviedade, colocou na boca do adversário palavras que não ditas e fez de conta que é possível alguém que enxerga em Cuba um céu na terra deixar de sonhar com a estatização dos meios de comunicação.

Franklin vive dizendo que, se voltasse no tempo, faria de novo tudo o que fez. Em setembro de 1969, quando militava no Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, foi ele o encarregado de redigir o manifesto que resumia as ideias e exigências dos sequestradores do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O texto tem 859 palavras. Os substantivos “liberdade” e “democracia” não aparecem uma única vez. Passados 52 anos, Franklin Martins só ficou 52 anos mais velho. É um caso perdido.