RODRIGO CONSTANTINO

A CONVICÇÃO DOS TOLOS

A pior coisa nessa pandemia, depois das mortes, claro, foi a politização exacerbada da ciência. O uso que muitos ignorantes têm feito do nome da ciência em vão, para seus fins políticos, é assustador. Especialmente quando vem de jornalistas, que deveriam se manter mais céticos e humildes. E são exatamente esses que têm bancado os maiores especialistas do planeta, tentando ensinar o papa a rezar a missa.

Escolheram, para começo de conversa, o “papa” da ciência: o doutor Anthony Fauci. O problema é que o próprio Fauci tem agido mais como político do que cientista, e isso desde os tempos do combate ao HIV. Foi ali que ele passou a tratar “dissidentes” como “negacionistas”, termo que é alheio ao método científico, que clama por refutações, não por certezas absolutas.

Agora que inúmeros e-mails de Fauci vazaram, a mesma imprensa finge que não viu, pois são comprometedores à imagem criada em torno do homem. Talvez o caso das máscaras seja o mais evidente, por ele ter mudado tanto de opinião e confessado ser mais um ato simbólico do que para efeitos concretos, ou seja, um teatro. Fauci adoraria recomendar que todos colocassem máscaras nos olhos nesse momento, para não enxergar as mensagens. Nossos jornalistas, pelo visto, fizeram isso.

Vimos o espetáculo bizarro na CPI circense quando a Dra. Nise Yamaguchi foi prestar esclarecimentos. Ela foi tratada como uma charlatã. No dia seguinte, uma jovem pesquisadora, sem qualquer pesquisa relevante publicada, a cantora Luana “Lioness”, disse o que a oposição queria ouvir, chamando inclusive de “terraplanistas” os milhares de médicos que acreditam na possibilidade de eficácia do tratamento precoce. Foi tratada pela mídia como a voz da ciência, um “faixo de luz”.

O dr. Mauro Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina, gravou um vídeo condenando a postura dos senadores na CPI, e concluindo que sabemos pouco ainda na pandemia, os médicos possuem poucas certezas. Ironicamente, teve jornalista afirmando categoricamente que ele está errado! Jornalistas que “sabem” mais do que a mais alta instituição médica do país: até onde vai a arrogância dessa gente?

Algumas frases vieram à minha mente: “Não tenho paciência particularmente com a incapacidade de autocrítica do jovem. Ele quer certezas. Isso é produto de uma profunda insegurança, perfeitamente compreensível na juventude, mas, quanto mais cedo o jovem se der conta disso, mais cedo atingirá a maturidade”, disse Paulo Francis. Esses jornalistas não são tão jovens assim…

“A ignorância traz muito mais certezas que o conhecimento”, disse Charles Darwin. “O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência – ou seja, sua ignorância e arrogância – aos seus concidadãos”, resumiu Raymond Aron. Os socialistas já encerraram o debate: os remédios são “comprovadamente ineficazes”, repetem o tempo todo, o que é simplesmente falso.

Poderiam aprender algo com Sir Karl Popper, que sabia alguma coisa sobre método científico: “Não importa quantos cisnes brancos você veja ao longo da vida. Isso nunca lhe dará certeza de que cisnes negros não existem”. Foi o poeta Yeats que capturou a essência do problema: “Os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores estão cheios de intensidade apaixonada”. Bertrand Russell foi na mesma linha: “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e os idiotas estão cheios de certezas”.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Caro editor e leitores:

Neste vídeo em anexo aparece a dona Nejmi Aziz presa pela Polícia Federal, devidamente algemada.

Nejmi é esposa daquele ladrão Osmar Aziz, grande inimigo de Bolsonaro.

Claro que é inimigo de Bolsonaro, pois do lado do meu presidente não tem ladrão.

Pergunto ao ladrão Osmar: quando foi que isto aconteceu?

E também quero saber a razão pela qual ela foi presa.

Estou aqui esperando sua resposta, senhor ladrão Osmar Aziz.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

GENOCÍDIOS

Nesses últimos dois anos eu venho tendo sustos sobre sustos, principalmente no uso das palavras da “Inculta e Bela”. Ao que me parece, levamos uma pancada no lobo parietal, e, de repente, as coisas deixaram de ter sentido, as palavras perderam seus significados, as pessoas perderam parâmetros, e a sociedade perdeu o seu rumo. No campo do comportamento eu já nem me meto mais, ainda mais quando vejo as ditas mulheres militantes da esquerda. É um bando de mulher feia, com o corpo todo fora de esquadro, sebentas, fedidas, encardidas e com uma maturidade mental menor que a de meu sobrinho de seis meses de idade. E, quando veem uma manifestação, a primeira coisa que fazem é tirar a roupa e botar o fiofó e a bacurinha para cima, a fim de todos verem. Perguntaram-me uma vez o motivo delas fazerem isso e eu disse que elas estavam arejando o cérebro. Não sei por que perdi a amizade dessa pessoa, depois dessa resposta.

Mas, no terreno do vocabulário a coisa perde o controle. Primeiro é a tal da fake news. Um estrangeirismo para a mentira. Isto é, para as pessoas aparecerem cultas, inteligentes e conectadas com o mundo, em vez de usar a palavra mentira, usam fake news, ou notícias falsas. Ora, se é falsa, não tem como ser notícia. O nome correto é mentira, ou fofoca, mas não notícias. Simples assim. Outro termo muito em voga, na atualidade é “genocida”. Por qualquer coisa se tira essa palavra de dentro do picuá de argumentos e lança-se na cara dos outros. Esse vocábulo, ou adjetivo, se preferirem serve como um ferrolho. Quando alguém usa esse adjetivo contra seu oponente, simplesmente está passando um ferrolho em qualquer tentativa de debate, ou argumentação. É a estratégia do ponto jogando xadrez: derruba as peças, espanta o oponente, caga em cima do tabuleiro e sai de peito estufado dizendo que venceu a partida.

Todavia, o que eu acho mais interessante é que as pessoas que usam esse vocábulo, principalmente para atacar o presidente de plantão, são as mesmas pessoas que defendem, com unhas e dentes, a chamada agricultura orgânica. E, então, algum gaiato pode me perguntar: o que afinal uma coisa tem a ver com outra, se são temas distintos? Uma ova que são distintos. São temas correlatos em que aqueles que a defendem, são, em sua essência protogenocidas, ou genocidas latentes. Mas, vamos por parte.

A moda da atualidade é usar o termo “orgânico” como se fosse uma panaceia para todos os males da sociedade. Eu fico com um sorriso cafajeste no canto do beiço quando alguém fala que tal produto é “orgânico”. Como eu tenho apreço pelas palavras, fico se me pensando: ora, todo produto cuja composição molecular possui carbono, é, em essência, orgânico. Mas ai alguém pode dizer: usa-se essa terminologia para diferenciar dos produtos à base de agrotóxicos. E outra besteira se forma: agrotóxico. Essa gente não sabe o que é um defensivo agrícola. Para eles tudo é “agrotóxico”.

Então, você pega artistas, músicos, apresentadores de televisão, que diariamente espinafram e acusam o presidente de genocídio, ao mesmo tempo em que defendem, de maneira ferrenha, a tal agricultura orgânica como meio de livrar o ambiente dos ditos “agrotóxicos” e melhorar a qualidade dos alimentos das pessoas. Lindo! Bom! E Belo.

Aqui na gloriosa Campo Grande/MS, até 2019 havia uma feira de produtos orgânicos que ocorria todas as quintas feiras a partir das 19 horas até as 23 horas em uma praça central. Certa vez, fui “bispar” essa feira e fazer algumas comparações. Havia maço de alface com folhas pequenas, custando nove reais, o quilo da batata orgânica custava vinte e três reais, cebolinha orgânica custando onze reais. Na comparação, no mercado aqui perto de casa, o quilo da batata cultivada pelo método tradicional custa três reais e cinquenta centavos, o maço da alface, daqueles parrudos sai por um real e cinquenta centavos, cenoura a dois reais, e por aí vai.

Aí eu se me pergunto: quem é o genocida mesmo? Façamos um exercício aqui. Suponhamos que a humanidade renuncie a agricultura atual e opte por produção orgânica. O primeiro impacto seria a necessidade de se multiplicar por cem a área destinada à agricultura, pois se perderia em produtividade para se ganhar em escala. Um estudo que eu li, sobre essa possibilidade dizia que seriam necessários uma área de duas vezes e meia a superfície do planeta Terra para poder produzir comida para toda a humanidade se ela optasse pela agricultura orgânica.

Então viria o problema do preço final do produto “orgânico”. Quem vocês acham que teria dinheiro suficiente para pagar 23 reais pelo quilo de batata? O rico, ou o pobre? Quem poderia dispor de recursos para ir a uma feira orgânica, comprar o necessário e deixar quase um salário mínimo lá, só com essas compras? O artista descolado, que ganha milhões por ano, ou o assalariado que come carne de terceira, duas vezes na semana, quando come, para não perder o gosto de como é uma proteína animal?

O resultado, segundo esse estudo – ele foi exposto pelo ativista conservador Bem Shapiro na Universidade da Califórnia em San Bernardino, em 2019 -, seria a morte por inanição de quase seis bilhões de pessoas em todo o planeta, pois não teriam recursos suficientes para comprar uma alimentação adequada e em quantidade suficiente. E isso, é relativo apenas à produção de vegetais, cereais e leguminosas. Quando se expande para a produção de proteína animal, a coisa fica muito mais absurda, a ponto de só os muito ricos – e aqui se inclui os artistas, os cantores, os músicos e os ditos “inlfuencers” que ganham muito na internet falando bobagem -, poderiam comer proteína animal.

E ainda assim, eu vejo como artistas, cantores, gente dita descolada e “consciente”, cuja preocupação com o planeta está acima do bem e do mal, prega a necessidade de banimento da agricultura atual, em prol da agricultura orgânica, pois ela traria benefícios às pessoas e ao planeta. Mas, nenhum deles para pensar nas consequências de seus atos e militância em prol do bom, do belo e do justo. Diante de todos esses dados cabe a pergunta…. quem é mesmo o genocida?

A PALAVRA DO EDITOR

CHEGOU A SEXTA

Sexta-feira, véspera de final de semana.

Chupicleide está trabalhando hoje com os dentes arreganhados, relinchando de felicidade.

Isso graças às doações feitas pelos leitores Osmar Lemos, Amélia Mileto, Luiz Cesar e Osnaldo P.

A nossa inxirida secretária já fez um vale de adiantamento de salário e disse que vai encher a cara hoje de noite, no Bar da Tripa, localizado no bairro do Totó, em Jaboatão.

Ô sujeitinha desmantelada que só a peste.

Brigadíssimo a todos vocês que colaboram não apenas com as cachaçadas de Chupicleide, mas também que nos ajudam a pagar as despesas de hospedagem e assistência técnica dessa gazeta escrota, a cargo da empresa Bartolomeu Silva.

Isso sem falar do dinheirinho que sobra pra comprar o capim de Polodoro e a ração de Xolinha.

Vocês são porretas!

Sejam todos felizes e tenha um excelente final de semana.

Obrigado a todos vocês, estimados leitores!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM MOTE BEM GLOSADO E UM FOLHETO DE ABC

Adalberto Pereira glosando o mote:

Acordei para ver a madrugada
Abraçar com carinho o novo dia.

Fui dormir com meu coração contente
Por um dia cheio de felicidade;
Sem rancor, sem angústia e sem maldade,
Consegui ter um sono diferente,
Esquecendo as tristezas que na gente
Faz morada pra tirar nossa alegria.
Tive um sonho parecendo fantasia.
Pra fugir dessa noite agitada,
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

No jardim, vi os belos beija-flores
Misturados com ousados bem-te-vis;
Bons exemplos de uma vida mais feliz.
Passarinhos misturando suas cores;
Para eles não existem dissabores.
Seus cantares nos transmitem alegria
Em perfeitas e sonoras melodias.
Num sussurro sutil da minha amada,
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

A cidade trabalhava normalmente,
Pra buscar o progresso desejado.
Na floresta, o barulho do machado,
Maltratava nossa mata inocente.
Quem espera um futuro mais decente,
Com certeza não terá tanta alegria.
Maltratar inocente é covardia
Dessa gente de moral atrofiada.
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

As estrelas enfeitavam o infinito
E a lua se escondia no horizonte;
A manhã com seu jeito elegante
Alegrava cada coração aflito.
Tudo isso vem de Deus e é bonito
Mais parece uma orquestra em harmonia,
Deleitando com sonora melodia
Os ouvidos da plateia apaixonada.
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

Anoitece e um sonoro violão
Acompanha o cantar do seresteiro,
A donzela abandona o travesseiro
Pra fugir da terrível solidão.
Da janela sob a luz do lampião
Ela sente o sabor da melodia;
E naquele sentimento de alegria
Não esconde que está apaixonada.
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

Contemplando a beleza do oceano
Vi as ondas com seu barulho feroz.
Eu achei que aquela era a voz
Vinda de um animal serrano.
Descobri como Deus é soberano
E perfeita a sua sabedoria.
A beleza do infinito eu sentia,
Quando a face pelo vento era tocada.
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

Sorridente deixei meu leito quente
Pra sentir o sabor da natureza.
No jardim descobri toda beleza
Pra mudar o vazio que há na gente.
É aí que o nosso corpo sente
O valor de estar em alegria.
Mas é bom ter em nossa companhia
A presença de uma pessoa amada.
Acordei para ver a madrugada
Receber com carinho o novo dia.

* * *

ABC DO CASAMENTO – Antonio Sena Alencar

A – Amor é um sentimento
Que nasce no coração
E quando um casal o tem
Com firmeza e devoção
Não existe falsidade
Que fira a fidelidade
De sua doce união.

B – Bela e bacana é a vida
De um casal que se ama,
Porque em qualquer evento
Nenhum do outro reclama;
E de maneira geral
Na vivência conjugal
Não há lugar para trama.

C – Casamento eclesiástico
Ou civil é cerimônia
Que deve ser respeitada
Por qualquer pessoa idônea,
Mas no foro conjugal
O que mais pesa afinal
É um casal de vergonha.

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A CPI DOS “CORONÉ”

Luís Ernesto Lacombe

Um jornalista de televisão não depende dos adjetivos. Ele tem as imagens, tem o áudio. Nesse veículo, raramente a adjetivação cabe. Quando escrevo textos para serem lidos, não falados, também não sou de ficar qualificando, classificando, caracterizando… Por isso, quando penso na CPI da Covid, ainda que muitos adjetivos desabonadores se apresentem apressadamente, eu me remeto a substantivos.

O que temos, afinal, nessa comissão, que pretende apenas emparedar o governo federal, sem disfarce algum? Bizarrice, deselegância, falta de educação, grosseria, arrogância, prepotência, ameaça, intimidação, coação, manipulação, falsidade, agressividade, tirania, boçalidade, violência, palhaçada, afronta, sem-vergonhice, despudor, indecência, covardia, estupidez, raiva, ódio, ataque, desrespeito, desonra, ignorância, hostilidade, brutalidade, bestialidade, ofensa, selvageria, truculência, abuso, indelicadeza, descortesia, ferocidade, rudeza, constrangimento, opressão, imposição, aspereza, desaforo, desfaçatez, insolência, massacre, boicote.

Não é contra todos, claro, porque a CPI prima pelo desequilíbrio, pela parcialidade, pela injustiça. Para aqueles que trabalham pelas narrativas dos senadores que têm contra si uma coleção de processos, inquéritos e investigações, há outra lista de substantivos: cumplicidade, benevolência, proteção, elogio, bajulação, complacência, elegância, educação, respeito, delicadeza – os antônimos de tudo o que atiram sobre os que trazem informações e explicações indesejáveis.

Para a turma que joga com os “coroné”, há todo o tempo para falar, sem interrupções. Não tem essa de “sim” ou “não” como resposta. Simplesmente porque há um relatório pronto, todo mundo sabe, e cada palavra de apoio às narrativas será exaltada, enaltecida, estimulada. Já as palavras contrárias ao que o relatório da CPI quer impor como verdade serão interrompidas, cortadas, silenciadas, eliminadas.

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