COLUNA DO BERNARDO

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Caro Berto,

Peço-lhe a gentileza de publicar, nesse espaço mais democrático do Brasil, um vídeo em que a nobre Deputada Federal Chris Tonietto, do Rio de Janeiro, fala sobre o Projeto de Lei, PL 4754/2016, na Comissão de Constituição e Justiça.

Sou bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará – 1979/1983, mas confesso nunca ter assistido a uma aula ministrada com tanta didática sobre o Sistema de Freios e Contrapesos, que visa ao controle recíproco entre os três Poderes da República: Legislativo, Executivo e Judiciário, criado justamente com o propósito de evitar interferência de um Poder no outro.

A Deputada Chris Tonietto é Bacharela em Direito pela Universidade Federal Fluminense, por isso se expressa com tanta firmeza e propriedade.

Vejamos o vídeo:

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE MEIO MINUTO (8)

Mais conversas, em livro que estou escrevendo (título da coluna).

* * *

GIOVANNI SCANDURA, publicitário. Viu duas irmãs suas conversando sobre a morte:

– Geórgia, eu quero morrer!

– Que, nada!, Célia, tu vai aos médicos todos os dias… como posso acreditar?

* * *

IGNEZ BARROS, escritora. No metrô de Paris, conheceu um francês charmant. Chegando ao seu destino, Boulevard Poissonière, ele perguntou:

Vous voulez connaître ma bite? (você quer conhecer minha colina?, foi o que ela entendeu).

Pourquoi pas? (por que não ?).

Marcaram encontro, às 17 horas, em frente à École Accord. Esperançosa, falou com amigas sobre o encontro. E todas ficaram horrorizadas. Só então percebeu ter entendido butte (colina), quando ele disse bite (pênis). Você quer conhecer meu… Não foi ao encontro, claro. Deu em nada esse quase caso de amor parisiense, graças ao bom Deus.

* * *

JOSÉ WILKER, ator. Ia sempre à Fortunato Russo Sobrinho, maior loja de tecidos na cidade. Seu Chiquinho, proprietário, me explicou:

‒ Comprava sempre uma peça de chita preta. Como gostava dele, dava pelo preço de custo.

‒ E pra quê iria querer isso?

‒ Em casa, cortava em pequenas tiras e misturava tudo na terra. Até ficar com cara de pano velho. Depois ia vender, no Mercado de São José, como retalhos da batina do Padre Cícero Romão.

Vendia tudo. E assim se sustentou, enquanto morou no Recife. Grande Zé Wilker.

* * *

SÉRGIO MORO, ministro da Justiça. O ministro do Supremo Gilmar Mendes o criticou. Escrevi artigo, em sua defesa, que Moro comentou:

– Sabe que ele escreveu um artigo em uma coletânea em minha homenagem? Mas coerência e equilíbrio não são o forte, ali.

Pois é…

* * *

SORÓ, professor de tênis. Durante quase três anos foi amante da ex-mulher de um prefeito de capital nordestina. Bem tratado, sempre. E recebendo presentes valiosos. Até quando o tal prefeito, na frente de um grupo de matadores, veio falar com ele. Educadamente.

‒ Senhor Soró, estou muito preocupado com sua saúde. Que os ares daqui não lhe estão fazendo bem. Sugiro não voltar à cidade. Vai ser melhor, para você.

Soró desapareceu do lugar, na hora. E foi bom. Sobretudo para ele, que continua vivo.

* * *

XICO BEZERRA, poeta. Certo dia, viu o doido de estimação da rua subindo num poste. E o interpelou,

– Que vai fazer lá em cima?, doidinho.

– Vou chupar manga.

– Mas isso não é uma mangueira.

– Eu sei, é um poste, a manga está no meu bolso.

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GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

LIBERLÂNDIA – UM PAÍS OU UMA PIADA?

Liberlândia é uma micro nação europeia localizada entre a Croácia e a Sérvia, tem uma área de 7 km² e uma população de 7 habitantes que não residem no país.

O país é localizado em uma área considerado pela ONU como terra nullius, termo em latim usado no direito para designar uma terra que não é reivindicada por nenhum país. Na mesma situação encontram-se Bir Tawil entre o Egito e o Sudão e a terra de Mary Byrd na Antártida.

O território de Liberlândia não tem nenhuma estrutura, é formado apenas por um bosque encharcado pelas águas do Rio Danúbio e tem uma área menor do que a do bairro de Boa Viagem no Recife.

Governo provisório

6Apesar da sua situação, o país já tem sua moeda, o “Mérito”, porém a mais usada atualmente é a criptomoeda bitcoin.

A Croácia não reconhece Liberlândia como um território independente, mas sim como uma região de domínio indeterminado. Gornja Siga é o termo que o país trata a região e chama de “uma ideia provocativa que atingiu proporções sérias”. Já a Sérvia informa oficialmente que Liberlândia não infringe a fronteira do país, e que a sua situação não tem importância para o país.

Entenda: o Rio Danúbio, que divide a Sérvia da Croácia e de Liberlândia, foi ao longo do tempo mudando o seu traçado, cheias e reordenamento hidráulico da sua calha foram alterando o seu traçado, o que fez com que a fronteira entre os países fossem mudando. Enquanto os dois países faziam parte da Iugoslávia, esse detalhe não era tão importante, porém após a sua divisão em Eslovênia, Macedônia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia do Norte, Croácia e Sérvia, esta fronteira passou a ser contestada entre estes dois últimos. A Croácia reconhece a fronteira como sendo a antiga, com o rio sinuoso, mas a Sérvia diz que a fronteira é o rio atual, essa discórdia deixa 11 áreas em litígio, sendo 7 no lado leste, que ambos os países reivindicam para si e Gornja Siga e mais três do lado oeste, estes quatro são renegados por ambos os países. Essas áreas são conhecidas como bolsos.

Mapa da região com Liberlândia em verde

Em 13 de abril de 2015, o tcheco Vít Jedlička proclamou a República Livre da Liberlândia, fincando a bandeira na pequena ilha, junto com sua namorada e mais um grupo de amigos. O país é reconhecido desta forma apenas por Bir Tawil, outra terra nullius.

Projeto futurista de Liberland City

A forma de arrecadação é do tipo financiamento colaborativo, onde só paga imposto quem quer, porém só quem paga é que tem direito de participar das decisões políticas. O estado só atua na justiça, segurança e diplomacia.

Atualmente, Jedlicka está proibido de colocar os pés no território do país que ele governa, o governo Croata não aceita que os liberlandenses pisem no solo, para isso mantém vigilância constante pelo Rio Danúbio e a polícia tem ordem para prender quem se atrever a descumprir esse exilio.

Bandeira

Dentre os membros do governo estava José Miguel Maschietto, que se apresenta como um comandante do exército italiano e diz ter servido nas tropas de paz da ONU em Kosovo, mas não informa o período. Antes de assumir o cargo em Liberlândia, Maschietto se apresentava como pianista e compositor famoso, ganhador de um prêmio pela trilha sonora no filme Gravidade, maestro na ópera de Praga, de Paris e do Balé Bolshoi. Diz também que já conversou com vários embaixadores, mas não cita o nome de nenhum deles. Sabendo destes desvios, Maschietto foi demitido imediatamente por Jedlicka.

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MAGNOVALDO SANTOS - EXCRESCÊNCIAS

A BROCA E A TINTA VERDE

Em 1974 Geraldo era um simpático funcionário da Manutenção na fábrica da General Motors em São José dos Campos, SP.

Rapaz habilidoso, dedicava-se de corpo e alma à sua especialização e trabalhava em horas extras quase todos os dias para prover um bom conforto à sua bonita e jovem esposa. Seu profissionalismo era exemplar.

Oriundo da mesma cidade mineira – Camanducaia, quase na divisa com o estado de São Paulo – o colega Vicente, também conhecido como “Mineirinho”, tornou-se um grande amigo de Geraldo, e, solteiro que era, em vários finais de semana quando as gurias espertas tinham outros compromissos, desfrutava de um bom churrasco, um chopinho, torresmo, pão de queijo e muita conversa sem proveito junto ao amigo em sua casa. E assim, com esses trens todos, a vida seguia em paz, uai.

São José dos Campos, SP

Vários meses depois Geraldo teve uma excelente oportunidade de trabalho na usina nuclear de Angra dos Reis em Resende, RJ – era a fase de “milagre econômico” brasileiro, época em que Lula fingia que trabalhava honestamente e Dilma Rousseff era apenas uma guerrilheira fajuta que só pensava na mandioca e, brilhante pensadora que era, teve aí suas primeiras ideias sobre a tecnologia de estocar vento. E para Resende lá se foi o nosso personagem.

Nos dois a três primeiros meses a esposa ficaria em São José para acertar a venda da casa e nesse período, por razões práticas, Geraldo enviava quinzenalmente o dinheiro para sua amável esposa através de seu amigo Mineirinho, com recomendações para que se certificasse de que nada estaria faltando à sua jovem consorte.

Acontece que faltava, sim, se vosmecê me entende.

E assim o atencioso Mineirinho atendeu de forma cabal, com admirável competência e maestria, as necessidades explícitas e implícitas da gentil esposa de seu ex-colega.

Claro, não tardou para que o excesso de cuidados do amigo chegasse aos seus ouvidos.

Em uma inesperada sexta-feira um furibundo Geraldo, utilizando o crachá de um outro colega para entrar, irrompeu na fábrica armado com uma broca de meia polegada de diâmetro e doze de comprimento, afiada de acordo com os padrões da ABNT e da Anvisa, buscando seu desafeto com a fúria do cangaceiro Ciro Gomes para eletrocutá-lo com dita broca, ideia certamente não muito simpática ao Mineirinho que, avisado por colegas, disparou fábrica adentro buscando um canto qualquer para se esconder.

No aperreio da hora, já com as tripas descontroladamente alardeando sua participação no episódio, não achou nada melhor que uma área na seção de pintura que tinha pouca iluminação, onde vários tambores vazios de tinta estavam estocados. Não titubeou: abriu a tampa do primeiro e, sem pensar, pulou lá dentro.

Deu merda!

Era um dos poucos tambores que tinham tinta dentro. Verde.

A turma do “deixa disso, todo mundo leva um chifre de vez em quando, arranja outra mulher”, segurou o Geraldo enquanto outros correram para tirar o Mineirinho, agora pintado de verde, do tambor de tinta. Além do prejuízo material, teve que arcar com as despesas médicas para tirar a tinta do corpo e limpar a ambulância das manchas verdes, despesas essas não honradas pelo convênio de saúde.

O Mineirinho não voltou mais ao trabalho na G.M., por razões que fogem à minha compreensão.

Ignoro também como ficou o relacionamento do jovem casal após esse lamentável incidente.