CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HÉLIO CRISANTO – SANTA CRUZ-RN

NO BOTEQUIM DA ESQUINA

No batente um pirangueiro
Logo depois da oitava
Vomita um prato de fava
Na frente do bodegueiro.
Numa mesa um cachaceiro
Passa a mão numa menina
Chega a policia e buzina
O venderão se aborrece
De tudo isso acontece
No botequim da esquina

Afogando o seu desgosto
Um tocador enche a cara
Enquanto o garçom prepara
Um peba pra tira-gosto.
Um pinguço mela o rosto
Chupando uma tangerina
Enquanto uma cafetina
Sua menina oferece
De tudo isso acontece
No botequim da esquina

Um sujeito embriagado
Procurando confusão
Cospe no pé do balcão
Querendo beber fiado
Outro que vem do mercado
Chega fedendo a urina
Reclama da sua sina
Toma uma e adormece
De tudo isso acontece
No botequim da esquina

Um menino tange um gato
Que pula em cima da mesa
Outro pagando a despesa
Tangendo as moscas d’um prato
Um doido todo gaiato
Limpa a boca na cortina
Depois que a farra termina
Velhaco desaparece
De tudo isso acontece
No botequim da esquina

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COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

PARCERIA COERENTE

O líder do PT no Senado, Paulo Rocha, defendeu o amigo Renan Calheiros, relator da CPI da covid.

“Dizer que Renan não pode participar da CPI da Covid porque tem interesses… Queria saber quem não tem interesses, aqui”, afirmou Paulo Rocha.

* * *

Um petista da cúpula da quadrilha chefiada por Lula defendendo Renan: uma junção perfeita.

Coerência irretocável, identificação completa.

O petralha e o corruptalha: uma parelha admirável

J.R. GUZZO

A TRAPAÇA DA CPI DA COVID

Os peritos em ciência política, desses que sempre aparecem nas mesas redondas de televisão, provavelmente estão lhe explicando, em detalhes e com oratória de universidade, como são complexos os pontos centrais (e os laterais, também), dessa CPI que o Senado acaba de inventar com o objetivo oficial de apurar atos de inépcia, negligência ou má fé que teriam sido cometidos pelo governo federal no combate à covid. Mas não é preciso mais do que três minutos de observação, realmente, para se concluir que não há complicação nenhuma. Basta ver quem são os senadores que estão na CPI, fazendo o papel de polícia que corre atrás do bandido. Que complicação poderia haver?

O presidente na CPI, não menos que o presidente em pessoa, é um senador do Amazonas que já teve a própria mulher, além de irmãos, presos por roubalheira maciça justamente na área da saúde; ele próprio, figurão da política amazonense e de Manaus, está metido há cinco anos em encrenca feia com a Operação “Maus Caminhos” – e um de seus desdobramentos, a “Cash Back” – que a Polícia Federal iniciou em 2016 para investigar corrupção na sua zona de influência.

O representante titular do PT é o senador Humberto Costa, notável por ter o apelido de “Drácula” – esteve envolvido no prodigioso escândalo dos vampiros, que roubavam sangue dos hospitais quando ele era ministro da Saúde do governo Lula. É como “Drácula”, por sinal, que Costa está registrado no célebre Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira Odebrecht, na lista de políticos comprados pela empresa e guardada em seus computadores.

Está no papel de mocinho e juiz, também, outro peixe graúdo na coleção da Odebrecht – o “Whiskey”, codinome do senador Jader Barbalho, do Pará. Ele é descrito, respeitosamente, como “veterano” da política; de fato, está relacionado há décadas, sempre, entre os políticos mais investigados por corrupção neste país. Enfim, acredite se quiser: aparece na CPI, e no cargo de relator, o senador Renan Calheiros, simplesmente ele – o “Atleta” do listão da empreiteira, e com certeza o membro mais enrolado com o Código Penal que há no Senado do Brasil ou, possivelmente, de qualquer senado do mundo.

É preciso, diante disso, dizer mais alguma coisa? Os especialistas podem ficar explicando o assunto pelo resto da vida, mas não há nada a ser explicado: a CPI da Covid é uma das mais espetaculares trapaças que já se praticou na política brasileira. Até uma criança de dez anos de idade sabe que os dois Estados onde mais se roubou na covid, inclusive oxigênio, são justamente Amazonas e Pará; pois é dali, bem dali, que vêm dois dos mais lustrosos investigadores da CPI.

Parece brincadeira, mas não há nada de brincadeira nisso tudo. Ao contrário: estão levando muitíssimo a sério o trabalho de impedir que a verdade sobre a corrupção que marcou o combate à covid seja revelada um dia. Governadores e prefeitos, as “autoridades locais” a quem o STF entregou autonomia para lidar com o problema (e que receberam do governo federal no último ano RS$ 60 bilhões de reais em verbas das quais em grande parte não precisaram prestar contas), estão exatamente no centro do escândalo.

Nessas horas, nada melhor do que sair gritando “pega ladrão”.

PENINHA - DICA MUSICAL