DEU NO JORNAL

CPI IN MEMORIAM

Alexandre Garcia

Enfim, temos a CPI para investigar o Presidente. Renan Calheiros é o relator, Jáder Barbalho o primeiro suplente o Presidente é o Omar Aziz. Insuspeitos vão investigar o Grande Suspeito. Entre os gerontes do senado, houve o cuidado de escolher os de passado ilibado. O objetivo real é tentar evitar que Bolsonaro seja reeleito. A pauta já estabeleceu que devem comprovar que o Presidente é um genocida que matou gente, empregos e empresas. A tese já está pronta; só falta convencer o povo. Afinal, provas nem são necessárias. Com o aval do Supremo, até provas ilícitas pode, se forem amplamente divulgadas e não forem contestadas, como ensinou a Barroso o Ministro Lewandowski.

A CPI se instala depois de uma semana de novas agressões à Constituição. Depois de o Supremo, governadores e prefeitos passarem um rolo compressor em direitos fundamentais do pétreo art. 5, 24 governadores ignoraram o art. 84 e propuseram acordos com o Presidente Biden. Os Estados Unidos já tiveram 13 colônias, agora se ofereceram 24.

Também na semana passada Fachin prorrogou por 60 dias a investigação de que Renan teria recebido 32 milhões e Jáder 4,3 milhões, segundo depoimento do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado(MDB). Esta semana, o Presidente inaugurou asfalto novo na Bahia, e era um pavimento muito espesso – não havia sido retirada a maior parte para propina. Aí, cai a ficha: fechado o propinoduto, é preciso livrar-se de quem fechou a cornucópia. Afinal, na tese de Lewandowski a Barroso, combater a corrupção dá mais prejuízo ao país que o que o dinheiro público que se recupera.

Na véspera da CPI, a PGR ofereceu denúncia contra o governador do Amazonas, Wilson Lima, e mais 17 pessoas. Desvios em contratos de respiradores. Aí se entende que “ficar em casa até ficar com falta de ar” é para justificar contratos de respiradores. Tratamento imediato deve ser combatido, porque não gera respiradores. O remédio é baratinho e tão antigo que já nem paga patentes, por isso a narrativa ganha a companhia de laboratórios. Taí um bom tema para a CPI, se decidir rejeitar palanque eleitoral e respeitar a memória dos que foram sacrificados.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AIRTON BELNUOVO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Caro amigo,

Recortei um trecho de matéria do El país (edição Europa ) sobre o processo de vacinação na Venezuela:

Días atrás, un mensaje de texto llegó a los teléfonos de algunos de los pensionados inscritos en el Sistema Patria, una plataforma creada hace cuatro años por Nicolás Maduro para distribuir las pagas. Pero esta vez no anunciaba la llegada de un nuevo aporte, sino que los beneficiarios habían sido seleccionados en un sorteo para recibir una vacuna contra la covid-19. Bajo un toldo en la avenida principal de Las Mercedes, una zona empresarial del este de Caracas, pegados unos a otros, 500 ancianos esperaban su turno el 9 de abril para recibir la inyección de la Sputnik V. La jornada estuvo a cargo de la cámara legislativa de esa jurisdicción, controlada por el partido de Gobierno. Todos, aseguraron los organizadores, fueron convocados a través de ese inesperado mensaje de texto.

Quem quiser ler a matéria completa clique aqui.

Abraços

FALA, BÁRBARA !

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COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

Caro amigo, Berto, bom dia!

É sempre um prazer imenso poder visitar as páginas do JBF.

É uma honra tê-lo como amigo.

Estou enviando um texto despretensioso.

Se o caro amigo encontrar um tempinho para lê-lo, terá valido a pena escrevê-lo.

Fica meu abraço afetuoso a você e toda a sua família.

R. Pode ter certeza que a honra é toda minha, caro amigo.

Aqui nesta gazeta escrota vocês leitores não pedem nada: mandam e desmandam.

Disponha sempre.

E vamos ao excelente texto que você nos mandou.

* * *

OS MAIS LONGOS DOS ANOS

Viagem descompromissada pela letra da canção “I Dreamed a Dream”, tema do filme “Os Miseráveis”, da obra de Victor Hugo.

Pairam sobre a pátria brasileira os mais longos dos anos. Pouco menos de quarenta. Muito mais que uma eternidade. Suas noites sombrias e gélidas quedam-se intermináveis e fazem minguar os raios revigorantes e rejuvenescedores irradiados pelo sol nosso de cada dia.

Embevecido por um entusiasmo quase juvenil acreditei que os ventos da bonança soprariam generosas lufadas de progresso. Eu era jovem e destemido, determinado a não desperdiçar nem mesmo o sonho mais impossível. Preparei-me, então, para desfrutar da fragrância inebriante emanada da democracia que se descortinava no horizonte. Dediquei minha mais profunda aspiração para recepcionar o som mágico do abrir das asas da liberdade sobre nós. Nenhuma canção alvissareira deixei de cantar. Embriaguei-me com o vinho da confiança. Invadido por uma euforia que confesso, desconhecia, gritei o grito da esperança.

Bendito 1985! Viva Tancredo!

Porém, há tempestades que podemos prever, mas que não temos como evitá-las. Tancredo não viveu e o que se viu desde sua morte foi o desfile interminável da incompetência, da inconsequência, da arrogância, da sordidez e, mais acentuadamente, da corrupção. Eu sonhei que o meu Brasil seria bem diferente deste inferno que a sede de poder o transformou. Tendo toda uma nação como testemunha, no passado amaldiçoaram os dias que os antecederam. No presente, bendizem a era que os enriquecem. Temo pelo futuro que urdem. Desconsolado, só me resta lamentar a triste realidade tão distinta daquela que eu sonhei em 1985.

Dissimulados, se fantasiaram de arautos da boa nova e, em meu nome, festejaram o Brasil Novo. Acampados no poder, em nome deles, celebraram o estelionato, romperam com a retidão e homenagearam os políticos de sempre. Assoberbados, traíram a decência e se amasiaram com a política velha. Em defesa da hegemonia política e de privilégios pessoais não se constrangeram em enlamear suas biografias.

E agora, aqueles que se apresentaram como os donos da virtude e senhores da retidão, com a adaga da traição golpearam de morte o sonho que sonhei. O porvir visionário de um País modernizado, desenvolvido, culto e livre da indecente e eleitoreira custódia do estado perdeu-se nos conluios oportunos e nas alianças oportunistas. Usurpadores da dignidade alheia manipularam a miséria. Covardes, se abstiveram de redimir os miseráveis.

Hoje, moribunda, a esperança de um novo Brasil que fez exacerbar minha brasilidade ufana naqueles dias memoráveis resiste heroicamente na coragem e na determinação de um presidente que, sozinho, ousou derrotar o sistema. Desesperados, e movidos pelo mais profundo e refinado ódio, buscam freneticamente, dia e noite, eliminar um certo Capitão Jair. Os meios, pouco importa. Em suas mentes doentias e depravadas, os fins justificam, e, democratizam, facada, infâmia, mentira. Imorais, incentivam o justiçamento. Pérfidos e presunçosos, transformaram meus sonhos em vergonha.

Se, mais de um século e meio depois, o escritor francês Victor Hugo reencarnasse latinoamericano nesses tempos estranhos que pariu nos laboratórios da mediocridade a metáfora farsesca do socialismo de mercado com ações na bolsa de valores e deu origem à patética figura do comunista de direita, certamente reescreveria seu romance imortal sob outra perspectiva.

Sua pena privilegiada haveria de restaurar a justiça. Seus personagens não seriam Jean Valjean, Javert, Cosette, Marius, menos ainda, os infames Thérnardies. Seu enredo não teria heróis, teria apenas efeagacês, lulas, dilmas, dirceus, fidéis, maduros, cristinas, correias, ortegas, evos.

Seriam esses os miseráveis!

PENINHA - DICA MUSICAL