SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

A PALAVRA DO EDITOR

A PEDRA E A BESTA

Existe aqui no meu computador um arquivo de documentos que tem coisa que só a peste. Tá entupidinho.

Um monte de textos em Word.

Entre eles estão os originais de todos os meus livros.

De vez em quando entro lá pra procurar alguma coisa.

Semana passada, catando um antigo texto, passei as vistas na lista em ordem alfabética e estava este título:

A Besta Fubana e a Pedro do Reino.

Não me lembrava mais o que era e cliquei pra entrar.

Quando a página abriu, apareceu este cabeçalho:

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
CURSO DE MESTRADO EM TEORIA DA LITERATURA
DISCIPLINA – CRÍTICA LITERÁRIA
PROFESSOR – LOURIVAL DE HOLANDA
ALUNA – ISLEIDE CRISTINA BARROS DA ROCHA

A Besta Fubana e A Pedra do Reino – Multíplices Romances

Pois é. É isto mesmo.

A aluna Isleide Cristina botou meu livro em uma resenha no seu trabalho de Pós-graduação em Letras, colocando O Romance da Besta Fubana ao lado da obra genial de Ariano Suassuna, O Romance da Pedra do Reino.

Aí eu resolvi fazer esta postagem com o texto dela.

Só pra me amostrar e bancar o besta inxirido. Só isso.

Quem quiser acessar o trabalho, basta clicar na imagem abaixo.

Podem esculhambar e baixar o cacete à vontade.

E tem mais:

Pra completar minha amostração e inxirimento, fecho a postagem com um artigo do grande intelectual paraibano Braulio Tavares, residente no Rio de Janeiro.

Foi publicado no Jornal da Paraíba em fevereiro de 2019.

Para acessar, basta clicar aqui.

RODRIGO CONSTANTINO

ENQUANTO VOCÊ FOCAVA NO CIRCO AMBIENTALISTA, O STF PROMOVIA O CIRCO DA IMPUNIDADE

A mídia e a esquerda, basicamente sinônimos, esqueceram da pandemia por um dia para só falar de clima, por conta da Cúpula do Clima promovida por Joe Biden. O intuito era demonizar Bolsonaro e o ministro Salles, mas o tiro saiu pela culatra: o governo americano considerou construtiva a fala do presidente brasileiro.

Nada disso acalmou nossa esquerda, claro. Se Bolsonaro fizesse um discurso de conflito, chamando os globalistas de hipócritas, a turma esquerdista estaria dizendo que ele é um irresponsável que prejudica o Brasil; como fez discurso apaziguador, chamam-no de cínico e mentiroso. Não importa o que ele diz, será sempre atacado.

No mais, o que nossa esquerda clorofila finge não perceber é aquilo que realmente está por trás de tanta “preocupação” com nosso bioma na Amazônia. Alexandre Garcia resumiu bem: “Nós precisamos ficar com o pé atrás com uma coisa que um amazônida chamou de ‘imperialismo ecológico’. Estão querendo impor que o Brasil seja mais sustentável, mas isso é porque nós somos concorrentes dos Estados Unidos na agropecuária”.

Mas enquanto todos olhavam para Biden, Macron, Trudeau e seus lindos discursos sobre como salvar o planeta, o nosso Supremo Tribunal Federal aprontava mais uma. O ex-juiz Sergio Moro foi considerado suspeito de um julgamento que não valeu, eis o resumo da ópera bufa. O Brasil, definitivamente, não é para amadores. J.R. Guzzo resumiu bem:

“A única coisa que aconteceu de fato, no mundo das realidades, é que os ministros do STF livraram o ex-presidente, ilegalmente, dos processos que estavam travando a sua carreira política — e, dessa forma, o transformaram no seu candidato pessoal à presidência da República.”

Lula solto, processos tendo de recomeçar do zero e com alta chance de prescrição, e a campanha para 2022 já segue a todo vapor. Assim como o esforço da imprensa em normalizar o corrupto do Foro de SP. A cada dia tem alguém forçando muito a barra para colocar o socialista defensor da ditadura cubana como um político de centro. Hoje foi a fez da Folha citar o ex-ministro Walfrido Mares Guia, alegando que o pobre homem sofre, vejam só, preconceito dos empresários!

Para dar aquela ajudinha na campanha, o circo não pode parar. É por isso que vem aí a CPI do Covid, não para focar nos estados e municípios, onde há fartos indícios de desvios, mas sim na suposta omissão do governo federal. Lacombe foi direto ao ponto: “A CPI é uma gororoba, é inoportuna, feita por e para oportunistas. Seus interesses vêm sempre à frente. E o país vai quebrando, afundado em dívidas, em insolvência, em pobreza”. Mas não é esse mesmo o objetivo da turma do quanto pior, melhor?

Não pensem vocês que, diante de tanta descalabro, o foco dos nossos “liberais” aponte para esse circo todo. Não: eles são os próprios palhaços encarregados de colaborar com a audiência! Os PsolKids do MBL, João Amoedo do Novo e demais “liberais” mal saíram em defesa da Lava Jato ou para condenar veementemente o STF na pirotecnia desta quinta. Eles estão mais preocupados em se unir ao invasor Stedile do MST em sua grande obsessão… o impeachment de Bolsonaro!

E qual o pretexto mesmo? Ah, sim: Bolsonaro é o genocida responsável pelas mortes por covid no Brasil. Só tem uma “pequena” falha nessa narrativa: a realidade com nossos vizinhos. Uruguai assumiu a liderança em óbitos por habitante, e a Argentina vem na cola, o que nossa imprensa finge não saber.

Mais de 500 mortes num só dia, para uma população de cerca de 40 milhões. Os argentinos já se arrependeram de ter eleito um poste socialista, aliás. A aprovação do governo caiu ao seu nível mais baixo. Faltam vacinas, liberdade e comida na mesa do povo.

Mas é para transformar o Brasil na Argentina que toda a esquerda radical se mobiliza, contando com a cumplicidade de boa parte da imprensa e a inestimável ajuda dos nossos “liberais”. Sem falar de companheiros supremos, claro. O Brasil não é para amadores – e pelo visto não querem que seja para pessoas decentes também!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Chico Anísio foi um gênio que passou pela Terra para torná-la melhor.

O que a viúva de Chico Anísio, Malga di Paula, falou sobre a imensurável generosidade dele, eu já conhecia.

O “Dr. Vídeo”, um técnico de televisão, rádio e som, aqui em Fortaleza, me contou , há mais de 30 anos, que seu irmão, também técnico de som, empregado de uma empresa, foi instalar um “Home Theater” na casa, ou apartamento, do genial Chico Anísio, no Rio de Janeiro.

O técnico demorou uns três ou quatro dias para montar tudo. Ao concluir seu trabalho, o grande Chico Anísio, com a lhaneza que lhe era peculiar, dirigiu algumas palavras de carinho ao técnico e ofertou-lhe uma generosa gorjeta.

O técnico, emocionado com o elogiável gesto do artista, agradeceu e saiu já em direção a uma loja revendedora de moto. Comprou à vista, e ainda lhe sobraram alguns “trocados” para encher o tanque de sua nova cinquentinha.

Genial Chico Anísio, cumpriste tua missão terrenal com o único e sublime propósito: FAZER O BEM.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DO PRAZER MAIOR – Bocage

Amar dentro do peito uma donzella;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Fallar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janella:

Fazel-a vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertal-a nos braços casta e bella:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a bocca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vel-a rendida enfim a Amor fecundo;
Dictoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que ha no mundo.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setúbal, Portugal (1765-1805)

COLUNA DO BERNARDO

GUILHERME FIUZA

A CONSTITUIÇÃO E O KAMA SUTRA

Depois que o Supremo Tribunal Federal reabilitou politicamente Lula, condenado a mais de 20 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o mundo do crime ficou mais leve. Não pense que é fácil você passar anos da sua vida assaltando e depois não ter paz para desfrutar tudo que você conquistou com o suor alheio. O STF resolveu essa injustiça e agora muita gente que estava vivendo nessa insegurança jurídica – na dúvida se precisa ou não continuar fugindo da polícia – está resolvendo a sua vida também.

O ex-ministro Guido Mantega já obteve um bom upgrade com a turma do Gilmar – que, conforme já assinalamos, é uma turma que não entra em briga para perder. Mantega não foi ministro do sítio de Lula, mas foi ministro da Fazenda de Lula, o que não é pouco. Tomar conta do dinheiro num governo que virou quadrilha dá trabalho. E ele ainda continuou por lá com Dilma, aquela que caiu por pedalar – ou seja, por transformar contabilidade fiscal em ficção científica. Imagina a trabalheira que esse pobre ministro não teve.

Gilmar foi compreensivo e passou uma borracha nisso tudo – ou ao menos em parte disso. O recurso usado foi aquele mesmo que consagrou Lula como o ladrão mais honesto do país: afirmar que a tramoia foi julgada pelo juiz errado. É uma tecnologia fantástica que economiza um trabalhão para ficar negando crimes flagrantes que todo mundo viu. Isso é muito desgastante – mas acabou. Nem é mais preciso falar de crime. Basta falar de “competência” – e “plim”, some a dor de cabeça.

A “competência” do juízo que condenou Lula já tinha sido confirmada até em tribunal superior. Mas isso não é nada diante da vontade de ajudar os homens de bens. E vamos combinar que a sociedade está meio aparvalhada mesmo com a normalização da pancada em quem anda na rua, a assimilação do toque de recolher ditatorial como gesto de “empatia” e a onda de tarados querendo transformar em cidadão de segunda classe quem não tomar agulhada com aquela poção mágica feita na velocidade de um hambúrguer. O que é uma doce hipnose jurídica diante disso tudo? Relaxa.

Alvo da Operação Pentiti da Lava Jato, Mantega foi iluminado pelo farol de Gilmar e sua turma, que enxergaram imediatamente problemas de “competência” na investigação do ex-ministro. E lá se foi outro processo para gavetas bem mais competentes. A tese é aquela: a vara de Curitiba só pode julgar delitos relativos à Petrobras. Como você e todo mundo sabe, a Petrobras era só o centro de um sistema de corrupção montado no Palácio do Planalto e executado em escala nacional (e internacional). Mas um togado com vontade férrea pode até dizer que o roubo do pré-sal só pode ser julgado em vara submarina. Eles descobriram que competência territorial é um poder extraterreno.

O ex-ministro de Lula era investigado, entre outras coisas, por supostamente ordenhar os arquivos de contratos da Petrobras para preparar pedidos de propina aos fornecedores. O STF está certíssimo: fornecedor da Petrobras não tem nada a ver com Petrobras. Cada um na sua – e a propina na minha, que ninguém é de ferro.

Fica combinado assim: quem tiver sido pego com dinheiro roubado na cueca deve pedir imediatamente ao STF a averiguação de competência judicial. O meliante que está sendo investigado na área de jurisdição do flagrante pode pedir a suspensão do processo porque o roubo foi em outra localidade. Questão de competência. Mas, se o roubo tiver ocorrido desgraçadamente na mesma localidade do flagrante, não é o caso de perder a esperança: o dinheiro estava na cueca, portanto a cueca é o local do crime. Se ela for importada, o juiz natural do processo não pode estar no Brasil.

Entendeu? A diferença da Constituição para o Kama Sutra está no intérprete. No moderno direito nacional, em se plantando tudo dá.

FALA, BÁRBARA !

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COLUNA DO BERNARDO