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O TERRORISMO IDIOTAL-FUNERÁRIO NÃO TEM LIMITES

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO A QUATRO MÃOS – Paulo Mendes Campos

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Paulo Mendes Campos (1922-1991)

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PERCIVAL PUGGINA

UNIDOS PELO VÍCIO

No livro “Histórias sem data”, Machado de Assis conta que o Diabo, certo dia, resolveu organizar sua atividade e fundar uma igreja. Seus afazeres mereciam ser valorizados por certa pompa, paramentos, novenas, escrituras etc.. Foi ter com o Senhor para notificá-Lo da decisão. Na conversa, o tinhoso dissertou longamente contra as virtudes e a favor dos vícios, atrativos reais com que contava para fazer prosperar sua iniciativa. O ponto alto deu-se quando discorreu sobre as razões da venalidade. Vale a pena transcrever:

“A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender tua casa, o teu boi, o teu sapato, teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que em todo caso estão fora de ti, como é que não podes vender tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? Não pode, um homem, vender uma parte de seu sangue a um outro homem anêmico? E o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem?”

A conversa segue, abrindo o ventre e eviscerando a miserável falta de escrúpulos com que operam certas instituições nacionais. E não me peçam para dar nomes e sobrenomes aos bois desse cercado porque eu gosto de dormir na minha casa, na minha cama, com minha mulher. Vejam pois, amigos leitores, a impiedosa sina: umas poucas páginas do bom e velho Machado, com quem quis buscar refúgio e proveito estético, me arrastaram de volta ao amado Brasil cuja realidade me traz dor ao peito.

Machado de Assis cortou fundo. Com razão não ficou apenas no dinheiro mal havido, mas quase invadiu o território misterioso das criptomoedas, descortinando as múltiplas moedas da venalidade. “Nem só de pão vive o homem”, disse Moisés e repetiu Jesus. E nem só de dinheiro vive a corrupção.

É assim que eleitores e políticos vendem votos. É assim que muitos deputados trocam convicções morais pelo sorriso afável dos corruptos que se resguardam com leis de autoproteção. E é assim que tantos rasgam compromissos de campanha e se desdobram em agrados ao poder togado do outro lado da praça.

É assim que ministros do STF fazem o mesmo jogo internamente e, para bem servi-lo, rasgam o que escreveram em seus livros, ou desdizem o que tantas vezes repetiram antes, com floreios de saber jurídico e certeza moral. A Constituição é, assim, enviada às urtigas. É assim que se serve a Corte e se desserve a sociedade, prendendo quem ataca a instituição e soltando bandidos socialmente perigosos. É assim que consciências cedem à gratidão e a gratidão se impõe ao dever moral de declarar a própria suspeição.

É assim que a opinião vai ao mercado em busca do melhor preço ou do maior número de cliques. É assim que, para tantos, a fé erguida à condição de sacramento da Ordem se corrompe e se torna utilidade política, o sermão vira discurso e o discurso torna “a casa dividida contra si mesma”. E servem a dois senhores.

Em seu devaneio criativo, Machado de Assis foi apocalíptico.

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COLUNA DO BERNARDO

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J.R. GUZZO

NÃO SE PODE NEM REZAR MAIS EM PAZ NESSE PAÍS

Poucas coisas são tão difíceis no Brasil de hoje quanto obter alguma decisão justa, ou pelo menos razoável, por parte do Supremo Tribunal Federal. É uma calamidade, assim, que nesses raríssimos momentos em que o STF emite um modesto sinal de luz no meio da sua própria treva, apareça um monte de gente caindo de pau em cima – e a decisão correta, então, passa a ser imediatamente atacada como um crime de lesa-pátria pelo consórcio que age todos os dias para manter em estado de coma a sociedade brasileira.

O ministro Kassio Nunes Marques, dias atrás, liberou parcialmente os templos brasileiros para a celebração de cultos religiosos – naturalmente, uma liberação limitada e sujeita à observação de todas as exigências de “segurança sanitária” que foram sendo criadas nestes tempos de covid. Foi como se o ministro tivesse liberado o assassinato em massa dos recém-nascidos. Um partido-anão, desses que vivem às custas do “fundo partidário” e de outras trapaças legais, “autoridades locais” cada vez mais enraivecidas com seu fracasso na gestão de uma epidemia que já matou 320 mil pessoas, e pelo menos um ministro do próprio STF entraram em mais uma crise de nervos – e querem, agora, anular a decisão do ministro Kassio.

Tudo o que ele fez foi permitir que as pessoas possam, com todos os cuidados do “distanciamento social”, ir um pouco à missa, assistir um batizado ou participar da oração nas igrejas evangélicas. Nem isso? Não, nem isso. O partido-anão, que tem dirigentes que já foram comunistas e hoje não são nada, as “autoridades locais” e o resto acham que botar o pé numa igreja, no país totalitário que querem criar com a desculpa de combater a covid, é uma ameaça social que tem de ser reprimida com todos os rigores da força do Estado.

A ofensiva contra a decisão é o pior ataque já feito desde o início da quarentena contra um dos mais sagrados direitos fundamentais do ser humano, vigente no Brasil desde o imperador Dom Pedro II – a liberdade de religião, uma garantia universal, elementar e indiscutível em qualquer sociedade minimamente democrática.

Os militantes da covid falam, a respeito deste tema e de qualquer outro, que querem “salvar vidas”. Mentira. A cada dia fica cada vez mais claro que usam a epidemia para impor, através da promoção do pânico, um regime político sem direitos individuais e liberdades públicas, no qual o livre arbítrio do cidadão é abolido e o Estado ganha o poder de decidir como cada pessoa tem de viver – em nome da “vida” e do “bem comum.”

A covid transformou-se hoje numa ferramenta política. Muitos dos que exigem todos os dias as medidas mais extremas para paralisar o país estão pouco ligando, na verdade, para os efeitos reais da tragédia – falam em “salvar vidas”, mas o que querem na prática é satisfazer os seus próprios desejos. Estão convencidos de que a epidemia é a melhor oportunidade que jamais tiveram para conseguir ganhos políticos pessoais, que se expressam na imposição de ideologias e no controle da máquina do Estado. Não vão parar com a vacina.

Querem um “novo normal”. Querem um país onde grupinhos de médicos e de burocratas decidem se o sujeito pode ajoelhar num banco de igreja. Querem o poder de fechar shopping centers. Querem proibir a venda de carvão, o trabalho dos barbeiros e a degustação de esfihas. Querem ter o monopólio dos alvarás, das licenças e do resto do papelório através do qual se fecha ou se abre um negócio. Querem “requisitar” bens “móveis e imóveis”. Querem autuar, multar, prender, algemar e espancar pessoas que não cometeram crime nenhum – aliás, fazem isso todos os dias, no país inteiro. Querem um Ministério Público calado e uma imprensa obediente aos protocolos que impõem – e por aí afora. O resto é pura conversa.

DEU NO JORNAL

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SUPREMO PARECE ESTAR CONTRA A RELIGIÃO E A CONSTITUIÇÃO

Alexandre Garcia

O ministro do STF Kassio Nunes Marques disse que a Constituição está acima dos homens e determinou que locais de manifestações religiosas não podem ficar fechados por decretos estaduais e municipais.

Ele baseou a decisão no inciso VI do art 5º, que é cláusula pétrea, que estabelece a inviolabilidade da “liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos”.

Como disse o saudoso doutor Ulysses Guimarães, a Constituição é cidadã. Ela é de fácil leitura e interpretação. No entanto, os ministros do STF conseguem ter leituras diversas sobre o mesmo artigo.

Nesta segunda-feira (5), o ministro Gilmar Mendes citou jurisprudência e deu voltas e mais voltas no assunto para contrariar o entendimento de Nunes Marques. E os mais próximos dizem que Gilmar é o ministro que mais entende de Direito entre os 11 da Corte.

O ministro justificou o posicionamento afirmando que estamos no meio de uma pandemia e que a situação é grave e, portanto, deve ser considerada. Falou também que a decisão de manter fechados templos religiosos não é tolher a liberdade de crença.

Mas está escrito na Constituição. Há mil interpretações. Foi uma exegese bem inteligente do ministro, mas a lei diz “livre exercício dos cultos religiosos”. E isso acontece dentro dos templos. Quando eles são fechados parece que estamos no tempo em que os imperadores romanos perseguiam cristãos e eles precisavam se manifestar em labirintos.

Segundo Gilmar Mendes, é mais importante nesse momento ficar em casa para conter a pandemia. Mas será que ele não sabe como funcionam as missas católicas? Porque há modos de administrar isso, não é necessário fechar esses locais.

Quando eu vou à missa no domingo, auferem minha temperatura, há lotação máxima, as pessoas ficam distantes umas das outras nos bancos, durante a paz de cristo ninguém mais dá as mãos, a hóstia é posta na mão e não mais diretamente na boca, há álcool em gel disponível e todos precisam estar de máscara.

Parece que o Supremo está contra a religião. O ministro Nunes Marques fica olhando e pensando o que aconteceu. Ele deve se questionar se Gilmar acredita ser superior a ele.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou recurso ao presidente do Supremo, Luiz Fux, afirmando que a primeira manifestação veio de Nunes Marques e que, por isso, a ação pedindo para anular a decisão deveria ser encaminhada a ele.

No fim de semana, o ministro Marco Aurélio ironizou a decisão de Nunes Marques falando que ele deve ser muito religioso. Mas isso torna a recíproca verdadeira. Sendo assim, quem concede habeas corpus a traficante é entusiasta do tráfico.