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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TRISTE ENCANTO – Mário Quintana

Triste encanto das tardes borralheiras
que enchem de cinza o coração da gente…
A tarde lembra um passarinho doente
a pipilar os pingos das goteiras…

A tarde pobre fica horas inteiras
a espiar pela vidraça, tristemente,
o crepitar das brasas nas lareiras…
Meu Deus! o frio que a pobrezinha sente!…

Por que é que esses arcanjos neurastênicos
só usam névoa em seus efeitos cênicos,
nenhum azul para te distraíres?…

Ah! se eu pudesse, tardezinha pobre,
eu pintava trezentos arco-íris
neste tristonho céu que nos encobre…

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

PUXANDO O TAPETE DA DEMOCRACIA

Guilherme Fiuza

O noticiário anunciava nuvens negras sobre o Planalto. Movimentos bruscos em cargos importantes, cabeças rolando, turbulência ministerial, pastas militares envolvidas, cheiro de pólvora, instabilidade, crise. O mercado respondeu com uma alta forte na bolsa de valores. Não respeitam nem mais as crises neste país.

Um jornal chegou a escrever que era a maior crise militar “em quase 45 anos”. Hoje em dia você tem que ler jornal com uma calculadora do lado – além do lenço para enxugar as lágrimas de tanto rir (para não chorar). Detector de mentiras para manchetes inventivas ainda não inventaram, mas tem os checadores – e quando eles aparecem você já sabe que há algum assunto importante sobre o qual alguém quer esconder alguma coisa. Fake news! Eles gritam mesmo, porque patrulha fascista trabalha com intimidação.

Claro que “a maior crise militar em quase 45 anos” não vai tomar carimbo de “desinformação” dos senhores da verdade, porque mentira boa é mentira amiga. Se servir para fermentar crise de proveta contra o fascismo imaginário, está valendo. Também não vamos gastar o seu tempo aqui com “a maior crise militar em QUASE 45 anos”. Apenas vamos lembrar ao estagiário da resistência cenográfica que a bomba no Riocentro explodiu há QUASE 40 anos.

Checamos: a troca de um ministro da Defesa em 2021 é mais explosiva que a bomba que matou um sargento e levou a duas décadas de investigações sobre um suposto atentado dentro do regime militar. Ou seja: se faltar crise no Brasil de hoje, não vai ser por falta de vontade dos especialistas.

Vamos ver até onde a democracia brasileira aguenta, num cenário de tanta gente boa, harmoniosa, empática, humanitária e fofa tentando chutar o pau da barraca dia e noite por pura distração ou tédio, já que as intenções são sempre sagradas. E isso nem é privilégio do período Bolsonaro. Ainda na gestão Temer já havia essa gente educada e inteligente fazendo cara de nojo para as reformas fiscal, trabalhista e previdenciária porque… Adivinha por quê?

Porque não era o momento, porque não tinha clima, porque o Temer parecia um mordomo etc. Ou seja: porque só vale consertar o país se for pelas mãos dos meus amiguinhos.

Bolsonaro poderia ser uma aventura arriscada, até pela trajetória eventualmente caricata, e requeria olho vivo. Assumiu e compôs uma equipe de governo com um peso para critérios técnicos como talvez nenhum antecessor tenha feito. Fisiologismo e apadrinhamento não foram a guia para a montagem do primeiro escalão. Apresentou a agenda de reformas que o Brasil sério e não parasitário pedia. Propôs e negociou com êxito a reforma da Previdência no Parlamento. E daí?

A resistência cenográfica não está interessada em nada disso. E não é só para remover Bolsonaro, como já exemplificamos mencionando o período Temer. E não é só o petismo, o sindicalismo, o esquerdismo ou outra caricatura dessas que os distraídos vivem atacando. É boa parte da elite nacional que investe de forma esganada em clubes particulares de poder – e para esse tipo de plano a democracia é uma tragédia.

Essa gente asquerosa fantasiada de empática está há mais de dois anos falando em golpe militar. É uma ideia fixa. Uma tara. Só falam em fascismo e em ditadura e absolutamente não se conformam com a democracia. “Denunciaram” suásticas, farejam a sigla AI-5 em tudo quanto é fala – e não interessa que o presidente da República tenha repudiado de pronto qualquer tentação desse tipo, declarando-se um escravo da Constituição. Fingem que não veem — assim como fingem que não veem o STF fazendo política à revelia da Constituição.

A liberdade de expressão está aí para articulistas fanfarrões pregarem a morte do presidente e até golpe de Estado. Jornais perpetram editoriais histéricos denunciando um autoritarismo que se fosse real não daria chance a uma fração dessas intrigas. Bolsonaro não é o cara. É só um presidente escolhido pela população com a expectativa de tirar as garras dos parasitas do seu cangote. Dentro da democracia.

Michel Temer era politicamente mais fraco, vinha de um partido repleto de fisiologismo e suas escolhas passadas também suscitavam controvérsia. Mesmo assim resistiu a uma tentativa de virada de mesa e pôs adiante a agenda de reformas. Pôs ou não pôs? Então por que Bolsonaro, com toda a controvérsia, também não pode ser um veículo para o avanço da reconstrução que o país quer, se já mostrou compromisso com essa agenda e equipe apta a executá-la (a exemplo de Temer)?

Não pode porque a escória intelectual não quer. Ela quer ficar aí inventando que a pandemia é pior no Brasil – e que isso é culpa do governo. Quer ficar gemendo contra o apocalipse fascista na Amazônia. Quer fazer o rebolado retórico que for necessário para deslegitimar um presidente eleito e emplacar seus grupinhos no poder. Quem está puxando o tapete da democracia?

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCELO ALCOFORADO – RECIFE-PE

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA OU OS VÍRUS ASSASSINOS

Os primeiros sintomas foram apenas incômodos. Cansaço, febrícula, dores, essas coisas a que estamos acostumados. Jamais se vira, no entanto, uma doença alastrar-se tão rapidamente. Primeiro, epidemia, que de pronto se fez pandemia e dor, muita dor, no eterno adeus dos entes queridos.

Apesar das reiteradas advertências dos especialistas, o governo tratava o assunto como se fosse de interesse secundário, enquanto o vírus ceifava, sem discriminação, vidas ricas e pobres, embora estes em flagrante desproporção.

O governo, enfim, foi compelido a agir, e em vez de brincar de médico foi, mesmo a contragosto, implementar providências enérgicas. A força da pandemia, contudo, é maior, não permitindo redução do ímpeto viral, como desejado.

A propósito, a realidade cede lugar à ficção de José Saramago (Ensaios sobre a cegueira) falando de um mundo onde todos os habitantes se tornam cegos. Nesse mundo, apenas uma mulher manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que serão causados, presenciando o poder, a obediência, a ganância, o carinho, o desejo, a vergonha, os dominadores e os dominados, os subjugadores e os subjugados, as lutas pela comida, a compaixão pelos mais necessitados, a violência, o abuso sexual, a morte…

Prossegue Saramago relatando que a cidade estará toda infectada, cheia de cadáveres, lixo, detritos, todo o tipo de imundície. Os cegos, por sua vez, passarão a seguir os seus instintos animais, vindo a sobreviver como nômades, instalando-se em lojas ou casas desconhecidas. José Saramago nos induz a refletir sobre a moral, os costumes, a ética e o preconceito através dos olhos da personagem principal da obra, a mulher do médico.

Esse quadro aterrador pertence à ficção de José Saramago, repita-se, mas, pense bem, tem muitas afinidades com a realidade atual. Ausência de leitos e de vagas em UTI para os que se estão ultimando nestes dias turbulentos, é uma delas.

Pensando bem, Ensaio sobre a cegueira é pesadelo ou realidade?

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

O ASSUNTO É PUTARIA DE NOVO

Comentário sobre a postagem SUSPENSA FUDELANÇA PROFISSIONAL NAS ALTEROSAS

Airton:

Caro editor:

No link que deixou na postagem, tem um outro link para um livro escrito por 12 putas, intitulado A Voz das Putas.

Com download grátis para texto e áudio

Como o JBF é um espaço feito por escritores, acho que elas merecem um espaço por aqui .

* * *

Nota do Editor:

Quem quiser entrar na putaria e acessar o link destacado por nosso leitor Airton, basta clicar na imagem abaixo: