DEU NO TWITTER

CABRA MENTIROSO QUE SÓ A PORRA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Papa Berto, extra, extra, extra!!

O PSOL ingressou com uma ação no STF contra a divulgação as imagens de Jesus cruficado, alegando que a cruz é fake porque não tem a foice e o martelo da cruz que foi dada ao papa chiquinho por Evo Morales.

Gilmar Mendes foi sorteado como relator e já afirmou que, mesmo ao arrepio da lei, cruz sem foice e martelo é palito de dentes.

Em seguida concedeu um HC preventivo a Pilatos, livrando-o de qualquer investigação ou protesto por parte do seguidores de Cristo.

Destacou o ministro que isso foi necessário por na História não espaço para juiz covarde, só no STF.

R. Vôte!!! Danô-se!!!

É cada uma que até parece duas.

E só sai no JBF.

A grande mídia não publica isso de jeito nenhuma!

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O BOM LADRÃO NA TEOLOGIA MANSUETIANA

Nesta Semana Santa de 2021, estive lembrando de como Seu Mansueto – meu saudoso pai – apreciava debater assuntos religiosos. Como ficava feliz quando recebia em sua casa missionários cristãos, fossem eles católicos, protestantes ou testemunhas de Jeová, o que era mais comum.

A coisa se tornava ainda mais curiosa pelo fato de Seu Mansueto ler a bíblia diariamente, mas se considerar ateu. Por influência minha, às vezes admitia ser agnóstico.

– Eu acredito em uma força superior que criou tudo – dizia ele. – Criou e depois deixou aí para que cada um se vire. O resto é conversa.

– Então o senhor é agnóstico, papai. Se fosse ateu não acreditaria nem nessa força superior que teria criado o mundo.

– Meu filho, se você está me dizendo que é assim, então eu sou… Como é o nome mesmo?

– Agnóstico. Alguém que não acredita nem duvida da existência de Deus.

– Então eu sou agnóstico. Taí. A partir de agora, quando me perguntarem qual a minha religião, eu vou dizer que sou agnóstico.

Isso não facilitou a vida dos missionários que por lá apareciam. As controvérsias surgiam de várias passagens da Bíblia, deslocando-se do Livro do Gênesis para a crucificação de Cristo numa fração de segundos, como presenciei certa vez.

– Mas, Seu Mansueto, como é que Deus pode ter deixado cada um “se virar”?

– Eu acho que foi. Se Deus existe e criou o mundo, o trabalho dele acabou aí. O resto é com a gente. Cada um que se vire.

– Então, por que Ele teria enviado o próprio filho para nos salvar? – replicou o pregador.

– Você tá falando de Jesus?

– Claro! Jesus, nosso Salvador!

– Pois, se Jesus foi mesmo filho de Deus, taí uma prova de que o pai dele não tá preocupado com ninguém. Veja se tem cabimento. Deus manda o filho dele pra cá, pra ensinar as pessoas a serem boas. Aí os “manda-chuvas” da época acham que aquelas pregações são uma coisa perigosa para eles. Mandam prender, espancar e matar Jesus. Deus vê o filho sofrer toda essa covardia e deixa o rapaz morrer inocente. Que pai é esse, meu amigo?

– Mas…

– Pois, se fosse um filho meu, primeiro, eu não botava ele numa boca quente dessas. Depois, hoje mesmo, sem eu ser Deus, se eu visse esse pessoal querendo matar covardemente meu filho, eu me lascava todinho, mas não aceitava uma coisa dessas. Pode ter certeza: prum cabra crucificar um filho meu, sem ele ter feito nada de errado, tem que acabar comigo primeiro. E, se eu tivesse o poder de fazer e desfazer, como você diz que Deus tem… Aí a “peia dobrava”, meu amigo! O “pau cantava” era sem pena!

– Mas, Seu Mansueto, tinha que ser como foi mesmo. Porque foi o sofrimento de Jesus que pagou os pecados dos homens. Por isso que basta aceitar Jesus como nosso Salvador para a gente se salvar também.

– Salvar, pra você, quer dizer ir pro céu? Ficar lá, com Jesus, os anjos… é isso?

– É.

– Então, eu não preciso me preocupar. Porque, se o céu existe, eu devo ir é pra lá mesmo. Depois que eu morrer, é claro.

– Então, o senhor já aceitou Jesus?

– Olhe, eu ainda não entendi bem o que é “aceitar Jesus”, mas eu acho que Deus, pra ser Deus, tem que ser justo.

– Isso é verdade. Deus é justo.

– Então, raciocine comigo. Pelo que tá escrito na Bíblia, quem foi uma pessoa que já morreu sabendo que ia pro céu?

– Como assim?

– Assim mesmo, como eu estou dizendo. Antes do camarada morrer, Jesus garantiu vaga pra ele no céu. Você sabe a história do ladrão que foi crucificado junto com Jesus? Um que chamam de “bom ladrão”?

– Sei.

– Então. Você lembra que Jesus disse, ali mesmo, na cruz, que ele ia direto se encontrar com o Pai dele? Se Jesus é Deus, como você diz, ele não ia mentir. Então aquele ladrão foi pro céu, que é onde dizem que Deus fica. Ora, se Jesus garantiu lugar no céu para um ladrão, então, eu, que nunca roubei, mereço ir pro céu também. Aliás, eu mereço até mais do que o tal do bom ladrão. Pra lhe ser bem sincero, até hoje eu não sei por que dizem que ele era bom. Pra mim, não existe ladrão bom.

– Seu Mansueto, é porque, quando estava na cruz, ele se arrependeu! Arrependeu-se de verdade, com sinceridade. Deus sabe se o arrependimento é sincero…

– Ah, mas aí é uma beleza! O cidadão faz as estrepolias que bem entende, e depois, quando está à beira da morte, crucificado, se arrepende! Arrependimento, depois de condenado? Pra mim não serve. Quem tiver que se arrepender, que se arrependa antes de ser descoberto. E, ainda assim, se quem roubou e se arrependeu merece ir pro céu, quem nem chegou a roubar merece muito mais. Por isso é que eu digo que, se houver céu, Deus pode até não me deixar entrar, mas ele vai saber a injustiça que está cometendo.

– Mas, Seu Mansueto, são os mistérios de Deus…

– Rapaz, não venha com essa história de mistério, não… Você não é o missionário? Então o seu serviço é me explicar as coisas que eu não entendo, pra eu me convencer a entrar pra sua religião…

– Eu sei, Seu Mansueto, mas veja bem…

E a conversa prosseguia em divergências sem fim, até o missionário se cansar e ir embora, geralmente com a promessa de voltar outro dia, acompanhado de outro mais experiente.

Enquanto Seu Mansueto viveu, muitos foram os religiosos surpreendidos com os argumentos de um homem de raciocínio extremamente lógico, que, apesar de duvidar da existência de Deus, conhecia os textos bíblicos como pouca gente.

Há outra coisa que é justo reconhecer: Seu Mansueto era absolutamente autêntico no que dizia. Defendia seus pontos de vista de sua teologia com uma honestidade intelectual que deixava transparecer facilmente o respeito que tinha por essas questões.

Se há mesmo uma vida após a morte – e acredito que há – Seu Mansueto hoje em dia deve travar uns bons debates por lá.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Mestre Berto,

O bem informado jornalista CLÁUDIO HUMBERTO, no seu DIÁRIO do PODER de hoje, 02/abril/2021, esclarece que o Brasil aplica mais de 1 milhão de doses de vacina pelo segundo dia seguido.

Desempenho mostra que potencial de vacinação em massa fica evidente, só faltavam doses.

A vacinação contra covid no Brasil continua batendo recordes, deixando sem argumentos os críticos e a “torcida do vírus”.

A maior prova foi dada nos últimos dois dias, quando aplicamos mais de 2 milhões de doses.

A meta de vacinar um milhão por dia, estabelecida pelo ministro Marcelo Queiroga (Saúde), batida na quarta (31) e elevada ontem (1º), mostrou o potencial do Plano Nacional de Imunização (PNI). Só faltavam as doses.

Essa manchete incontestável noticiada por um jornalista sério e bem informado mata de inveja a imprensa convidão e os jornalisteiros funerários em que se transformou o jornalismo brasileiro contra o governo do presidente Bolsonaro.

Acabou a verba de publicidade fácil, o ódio emergiu como um monstro na lagoa.

DEU NO JORNAL

MENTIRA

Faltou detector de mentiras na entrevista de Lula à rádio BandNews, ontem.

No Dia da Mentira, ele surrupiou a verdade.

Com a “convicção” dos condenados com base em muitas provas.

No caso dele, 3 mil.

* * *

Só 3 mil provas???

Eu acho que essa notícia aí de cima é mentira…

A PALAVRA DO EDITOR

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

Hoje, Sexta-Feira da Paixão, eu se alembrei-me de uma crônica do meu livro “A Prisão de São Benedito”, onde há uma referência a este dia.

Uma crônica intitulada “Outra Glosa”, e que está transcrita logo a seguir.

Aliás, vou aproveitar o pretexto pra fazer o reclame dos livros onde estão as besteiras que escrevo.

Para adquirir qualquer um dos meus cinco títulos, é só entrar na página das Edições Bagaço, clicando aqui.

É tudo baratinho, baratinho.

A compra é feita via internet, com toda segurança, e a mercadoria será entregue pelos Correios.

E aqui vai a crônica sobre a qual falei:

* * *

OUTRA GLOSA

Elias gostava de caçadas e de raparigar. Dava-se muito bem com as duas atividades e a elas se dedicava com afinco.

Enrabichou-se com uma rameira conhecida pelo nome de Maria Cu-de-Apito. Tanto e tanto, que não respeitava nem feriado, nem dias santos, gastando o tempo que podia no leito da escolhida.

Assim, não foi difícil aos companheiros de caçada descobri-lo em plena noite de uma Sexta-Feira Santa para um Sábado de Aleluia: encontraram-no, já de madrugada, na Coréia, o bairro da zona, na casa da mulher.

E puseram-se a bater na porta, fazendo o maior barulho, chamando-o para uma caçada.

A rapariga sentiu-se duplamente lesada: tanto pela latomia no seu batente, quanto pela ousadia de quererem levar seu homem em pleno meio da noite. E pôs-se a dirigir impropérios a Elias, chamando-o pelos piores nomes que havia em seu repertório.

– Cabra safado, me largar aqui sozinha para ir caçar com os parceiros.

E, vendo a calma olímpica de Elias, que ia se vestindo como se não estivesse ouvindo a chuva de desaforos, resolveu chegar às últimas consequências, atirando-lhe na cara a pior ofensa que se podia dirigir a um homem naquele tempo:

– Chupão!

Elias permaneceu impassível, mas o desaforo foi escutado perfeitamente pelo grupo lá na calçada. Escandalizaram-se de imediato.

– Repara só: Maria Cu-de-Apito chamou Elias chupão!

Um deles, de ouvido mais apurado, percebeu logo o alcance da situação:

– Menino, isso dá um mote!

“Maria Cu-de-Apito
Chamou Elias chupão”

Fernando, glosador de respeito, pegou a coisa no ar e cometeu essa obra-prima:

Tinha fama de bonito
Mas teve um fim infeliz.
Repare quem ele quis:
Maria Cu-de-Apito.
E sendo um dia bendito,
Sexta-Feira da Paixão,
Não se sabe porque razão
Aquela puta escrachada,
Às duas da madrugada,
Chamou Elias Chupão.

AUGUSTO NUNES

OS RUFIÕES DE QUARTEL

Em paragens menos esquisitas, a era dos generais-presidentes inaugurada em 1964 por Castello Branco e desativada vinte anos depois com a partida de João Figueiredo já seria coisa para historiadores e memorialistas desde 1984. Mas o País do Carnaval, como vivia lembrando Tom Jobim, decididamente não é para principiantes (talvez tenha deixado de ser até para profissionais). Faz 57 anos que está na prorrogação o Fla-Flu que deveria ter terminado naquele 31 de março (1º de abril, corrigem os perdedores). Os dois times saíram de campo, foram-se os protagonistas e quase toda a plateia. Filhos e netos de espectadores inconformados com o placar adverso seguem adiando o apito final. A Revolução de 1964 (golpe militar, corrigem os perdedores) não consegue repousar nos livros de História. No Brasil, o passado não passa.

Naqueles idos de março, eu tinha 14 anos e acabara de fundar, em companhia de quatro colegas da quarta série ginasial, a Frente Nacionalista Taquaritinguense. Consumada a queda do presidente João Goulart, combati os vitoriosos nas páginas de um diário interrompido em maio, ao compreender o que havia acontecido. Inimigos divididos em dois conglomerados político-militares apostaram corrida para ver quem dava o golpe primeiro. Ganhou a aliança conservadora, apoiada pela maioria das Forças Armadas. Os cérebros em bom estado deviam ser mais numerosos no agrupamento vencedor. Mas nos dois lados sobravam imbecis. Conselheiro de Jango, o general Assis Brasil dizia ao presidente, de meia em meia hora, que podia dormir em sossego. O sono seria velado por um “dispositivo militar” invencível. No lado contrário, o general Olimpio Mourão antecipou sabe-se lá por que o desencadeamento da insurreição marcada para o dia seguinte. Se a História fosse justa, os dois seriam derrotados.

Assis Brasil nunca explicou por que suas tropas imaginárias se renderam sem disparar sequer uma bala de festim. Mourão tampouco revelou o que lhe deu na telha para botar a soldadesca na estrada. “Em matéria de política, sou uma vaca fardada”, definiu-se ao descobrir que nada lhe fora reservado na divisão do butim. Também não tinha talento para livros de memórias. Escreveu mais de mil páginas sublinhadas pelo humor involuntário. Duas palavras resumem o forte impacto que lhe causava a passagem pela sala da empregada doméstica: “Que bunda!”, deslumbra-se. O mesmo capítulo é encerrado pela delirante frase de efeito: “Vou dormir. Sozinho, infelizmente, não posso salvar o Brasil!”, exclama de novo. Idiotas ou sagazes, triunfantes ou derrotados, todos os militares estrelados envolvidos nos barulhos de 1964 pertenciam à geração dos tenentes da década de 1920.

Com o triunfo da Revolução de 1930, os jovens oficiais conheceram os encantos da política e os prazeres do poder. Animados com o que viram, transformaram o Exército no Partido Verde-Oliva e até os anos 60 estimularam a proliferação do anfíbio. Os exemplares da espécie ora empunhavam o bastão de mando nos quartéis, ora expediam ordens alojados em cargos civis. Enquanto acumulavam promoções que os levariam ao generalato, alternavam a farda e o terno comandando tropas, reinando em governos estaduais, aprendendo a arte da guerra em missões no exterior ou exercendo a Presidência da República. Veja-se o caso do Marechal Cordeiro de Farias. Antes de tornar-se ministro do Interior do governo de Castello Branco, que extinguiu a espécie, esse anfíbio gaúcho fora líder tenentista, governador de Pernambuco, interventor no Rio Grande do Sul e um dos comandantes da Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial.

O Exército de 1964 não existe mais. Sumiram há tempos os representantes de sobrenomes indissociáveis da caserna – os irmãos Geisel, os irmãos Andrada Serpa. De vez em quando ainda aparece um Etchegoyen, mas as marcas de nascença aristocrata se diluem no universo de sobrenomes comuns. A oficialidade distribuída por postos de comando vai refletindo com crescente nitidez o mosaico étnico brasileiro, os oriundos de famílias pobres são bem mais numerosos. Sobretudo, as Forças Armadas aprenderam a lição: melhor deixar a política para os políticos e ater-se ao papel estabelecido pela Constituição. Ainda não sabem disso os esquerdistas brasucas, reiterou nesta semana o comportamento da tribo. Com a cabeça estacionada no século passado, excitados pelo apoio do jornalismo indigente, os revolucionários de picadeiro se alvoroçaram com a troca da guarda no Ministério da Defesa e na chefia das Forças Armadas.

Em 48 horas, o general Fernando Azevedo entregou o gabinete ao general Braga Netto e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foram substituídos. Tremenda encrenca, excitaram-se parlamentares e colunistas. Bolsonaro virou campeão de impopularidade no universo dos fardados, concordaram os jornais. A democracia está em perigo, voltaram a berrar videntes em pânico com a iminência do que chamaram de “autogolpe”. O ex-capitão politizou a relação com os generais para colocá-los sob o controle do Planalto, advertiram analistas com doutorado em nada. Nenhum deles conseguiu disfarçar a torcida pela quartelada nascida para alcançar um objetivo só: a demissão do Genocida. O impeachment ficou complicado? Que viesse a ordem de despejo pessoal e intransferível: Fora, Bolsonaro.

Os democratas de manifesto foram traídos pela ansiedade golpista (e o latifúndio de papel inteiramente ocupado pela “crise militar” teve de ser parcialmente devolvido à pandemia de coronavírus). Se não fossem portadores de cérebros baldios, se não sofressem de estrabismo ideológico, se trocassem a vadiagem pelo estudo da História recente do Brasil, saberiam que o profissionalismo imuniza militares contra rufiões de quartel. Foi por isso que em 1999, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, eles aceitaram serenamente a criação do Ministério da Defesa, que retirou dos comandantes das Forças Armadas o status de ministro e subordinou-os a um civil. Por que haveriam de rejeitar a troca de um general por outro? Se não denunciaram a prevalência de critérios políticos nas nomeações ocorridas nos 13 anos de governo do PT, por que dar atenção a hipócritas patológicos?

Lula e Dilma presentearam com o Ministério da Defesa, por exemplo, o vice-presidente José Alencar, que decerto ignorava a diferença entre uma bota de montaria e um coturno, o melífluo Celso Amorim, um dos parteiros da política externa da canalhice, o comunista de carteirinha Aldo Rebelo, que desde a infância luta para virar genro de algum capitalista selvagem, e o polivalente sindicalista Jaques Wagner, conhecido no Departamento de Propinas da Odebrecht pelo codinome Polo. Fora o resto – resto que inclui prontuários ambulantes e nulidades incuráveis. Comparado a esse bando, o general Braga Netto merece mais que o ministério. Merece virar em vida estátua equestre, inaugurada ao som de tambores e clarins.

DEU NO JORNAL

SÓ PRA CONTRARIAR

A vacinação contra covid no Brasil continua batendo recordes, deixando sem argumentos os críticos e a “torcida do vírus”.

A maior prova foi dada nos últimos dois dias, quando aplicamos mais de 2 milhões de doses.

A meta de vacinar um milhão por dia, estabelecida pelo ministro Marcelo Queiroga (Saúde), batida na quarta (31) e elevada ontem (1º), mostrou o potencial do Plano Nacional de Imunização (PNI).

A meta de um milhão de doses foi batida uma semana depois de lançada por Queiroga, que já disse que será possível vacinar 2,4 milhões por dia.

Mais importante que um ou dois bons dias é a média móvel de vacinas aplicadas diariamente.

Segundo o vacinabrasil.org, passamos de 740 mil.

* * *

Este tipo de notícia não sai na grande mídia funerária nem com a porra.

Mas sai aqui nesta gazeta escrota.

Adoro fazer raiva pros terroristas que torcem pelo quanto pior, melhor.

Esses babacas tão quebrando a cara!

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

O grande cantador pernambucano Oliveira de Panelas, um dos maiores nomes da poesia popular nordestina da atualidade

* * *

Oliveira de Panelas

No silente teclado universal
Deus pôs som nas sutis constelações,
e na batida dos nossos corações
colocou a pancada musical,
quando a harpa da brisa matinal
vai fazendo concerto pra aurora,
nessas lindas paisagens que Deus mora
em tecidos de nuvens está escrito:
é a música o poema mais bonito
que se fez do princípio até agora.

Quando as pétalas viçosas das roseiras
dançam juntas com o sol se levantando,
vem a brisa suave carregando
pólen vivo das grávidas cerejeiras,
verdejantes, frondosas laranjeiras,
soltam hálito cheiroso à atmosfera,
toda mãe natureza se aglomera:
de perfume, verdume, que beleza!…
É o canto da própria natureza,
festejando o nascer da primavera!

* * *

Manoel Francisco

Só é preciso uma caixa
De Melhoral infantil
Um pacote de Bombril
E um saco de bolacha
Uma prateleira baixa
Não precisa ser cumprida
Uma grade de bebida
E um gato que pegue rato
Uma bodega do mato
Com qualquer coisa é sortida.

***

Odilon Nunes de França

Acho bom a mocidade
Não querer envelhecer
Velho ninguém quer ficar
Moço ninguém quer morrer
Sem ser velho não se vive
Bom é ser velho e viver

* * *

Dimas Batista

Alguém já me perguntou:
o que são mesmo os poetas?
Eu respondi: são crianças
dessas rebeldes, inquietas,
que juntam as dores do mundo
às suas dores secretas.

Nossa vida é como um rio
no declive da descida,
as águas são a saudade
duma esperança perdida,
e a vaidade é a espuma
que fica à margem da vida.

* * *

Diniz Vitorino Ferreira

Qualquer dia do ano se eu puder
para o céu eu farei uma jornada
como a lua já está desvirginada
até posso tomá-la por mulher;
e se acaso São Jorge não quiser
eu tomo-lhe o cavalo que ele tem
e se a lua quiser me amar também
dou-lhe um beijo nas tranças do cabelo
deixo o santo com dor de cotovelo
sem cavalo, sem lua e sem ninguém.

* * *

Canhotinho

Acho tarde demais para voltar
estou cansado demais para seguir,
os meus lábios se ocultam de sorrir,
sinto lágrimas, não posso mais chorar;
eu não posso partir e nem ficar
e assim nem pra frente nem pra trás,
pra ficar sacrifico a própria paz,
pra seguir a viagem é perigosa,
a vereda da vida é tão penosa
que me assombro com as curvas que ela faz.

Te prepara, ladrão da consciência,
Que tuas dívidas de monstro já estão prontas,
Quando o Justo cobrar as tuas contas,
Quantas vezes pagarás à inocência?
Teu período banal de existência
Se compõe de miséria, dor e pragas;
Em teu corpo, se abrem vivas chagas,
Que tu’alma de monstro não suporta…
Se o remorso bater à tua porta,
Como pagas? Com que? E quanto pagas?

* * *

Antonio Marinho

Quem quiser plantar saudade
Escalde bem a semente
Plante num lugar bem seco
Quando o sol tiver bem quente
Pois se plantar no molhado
Ela cresce a mata a gente.

* * *

Toinho da Mulatinha

Em Sodoma tão falada
Passei uma hora só
Lá vi a mulher de Ló
Numa pedra transformada
Dei uma talagada
Com caldo de mocotó
E saí batendo o pó
Adiante vi Simeão
Tomando café com pão
Na barraca de Jacó.

* * *

Pinto do Monteiro

Admiro um formigão
Que é danado de feio
Andando ao redor da praça
Como quem dá um passeio
Grosso atrás, grosso na frente
E quase torado no meio.

* * *

Odilon Nunes de Sá

Admiro a mocidade
Não querer envelhecer
Velho ninguém quer ficar
Moço ninguém quer morrer
Quem morre moço não vive
Bom é ser velho e viver.

* * *

Léo Medeiros

Ensinei Ronaldinho a jogar bola
Fui o mestre de Zico e Maradona
Seu Luiz aprendeu tocar sanfona
Bem depois que saiu da minha escola
Caboré no pescoço eu botei mola
Também fiz beija-flor voar pra trás
Conquistei cinco copas mundiais
Defendendo a nossa seleção
Inventei em Paris o avião
O que é que me falta fazer mais?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – BELÉM-PA

Prezado Berto,

É a primeira vez que envio um vídeo para o JBF.

Sempre evitei porque, nestes tempos “internáuticos”, todos nós recebemos toneladas de vídeos, todos os dias; humanamente impossível de assistir a tudo, sob a risco de não conseguirmos fazer mais nada na vida.

Mas há duas razões principais: primeiro, porque ando com um bloqueio terrível para escrever, por razões diversas, que já comentei com você.

E segundo, porque, como consequência do primeiro, o vídeo mostra de uma maneira magistral exatamente o que estou sentindo, e que não estou conseguindo escrever, neste momento alucinado da humanidade, da inversão total de valores, em especial no meu trabalho.

Para mim, o contexto como foi colocada a estorinha da professora é simplesmente genial!.

Me sinto, hoje, exatamente como essa professora. Um ET, estranho no ninho, dentro da minha própria casa, da minha universidade.

Dedico esse vídeo aos professores do JBF, em especial aos de matemática, como na estória, como você, Berto, como o próprio Assuero, o Neto Feitosa, o Rodrigo e outros ainda, que me perdoem a omissão.

E para todos os que ainda acreditam neste pobre país, e que esse quadro de destruição ainda possa ser revertido.

Eu confesso que ando sem forças para continuar lutando.

O estrago foi muito grande.

Um forte abraço a todos, com os votos de uma feliz e abençoada Páscoa para a família JBF.