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GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

MEDO

Estamos com muito medo.

Anteontem um juizeco de um tribunalzinho mandou prender um deputado federal por crime de opinião, porque ele publicou um vídeo fazendo críticas ao Supremo Tribunal Federal e aos Ministros, dizendo que um era isso, outro aquilo, porque insinuou coisas sobre masculinidade de algum, porque disse que outro recebia grana por fora, porque falou qualquer coisa que foi interpretado como proposta de fechamento do STF e que parecia que ele defendia o Ato Institucional nº 5, o AI 5, da época dos governos militares e outras opiniões que ele deu sobre o que ele acha que devia dar, usando de sua imunidade parlamentar.

Ora, se um deputado federal não pode fazer críticas construtivas, censurar e acusar por coisas que ele ache erradas, o que aconteceria se em vez de um parlamentar fôssemos nós, que não temos imunidade alguma ?!

Estamos com muito medo, porque nós elegemos um governo que nos protegeria quando tivéssemos a liberdade de publicar as coisas que quiséssemos nas redes sociais, porque liberdade é liberdade, se não pode falar alguma coisa não é liberdade mais.

Nós votamos em Jair Messias Bolsonaro porque pensávamos que ele nos garantiria caso quiséssemos marchar contra o Supremo, mostrar-lhe nossa revolta por soltarem criminosos todos os dias, atirando-lhe fogos de artifícios e avisando que caso não entrassem na linha estavam sujeitos a porrada como qualquer pessoa.

Achávamos que esse governo nos garantiria isso, só isso : – Liberdade !

Agora, estamos desse jeito, não sabemos se podemos falar, se por qualquer coisa que dissermos poderemos ter a polícia invadindo nossa casa inventando flagrante para entrar a qualquer hora do dia ou da noite.

Vai-se implantando o regime do terror, podemos ser presos por não usarmos focinheira ideológica, por invadir terra de índio, por chamar negro de imprestável, por desprezar mulheres, por odiar homossexuais, por qualquer coisa que « eles » achem politicamente incorreto e, agora ainda por cima, se quisermos que os militares honrem a farda e interfiram para implantar um regime verdadeiramente democrático no qual o presidente possa fazer o que queira e o que for necessário para o progresso da nossa Pátria, estaremos lascados.

Nem o Congresso, que devia segurar as pontas, se salva, e o deputado que deveria sair no dia seguinte foi condenado pela sua própria Câmara a sentar no boi. Até onde chegaremos ?!

Se disseres em público e, pior ainda, se escreveres, por exemplo, que bandido bom é bandido morto, ou que é preciso metralhar a petralhada, ou que tem de pôr os esquerdistas no paredão e fuzilar, ou guilhotinar, ou qualquer coisa que eles merecem, quem corre o risco a partir de agora somos nós, porque o judiciário tomou o poder e é quem governa – acabaram-se os direitos constitucionais do cidadão.

Se bobearmos, podem nos prender até se nos recusarmos a tomar uma vacina, podem nos prender se quisermos assumir a responsabilidade de irmos para os bares, por nossa conta e risco, afinal, quem manda no nosso corpo ?

Estamos com medo, muito medo. Parece que já vivemos em uma Cuba, ou em uma nova Venezuela, onde a liberdade de expressão acabou-se, e a coisa começa assim, um dia te proíbem de falar, no outro já estás na cadeia.

Medo, muito medo.

Pelo menos tenho seis pistolas em casa para o caso de quererem vir me pegar.

Enquanto isso, não passa nem agulha.

Vou até parar de comentar, porque a arbitrariedade está brava.

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PERCIVAL PUGGINA

364 DEPUTADOS ENTREGARAM OS DEDOS PARA PRESERVAR OS ANÉIS

Depois da sexta-feira negra, da Black Friday da Câmara dos Deputados, quando a dignidade do Poder Legislativo foi negociada no baratilho do oportunismo de uns e da covardia de outros, não me peçam devoção às nossas “instituições”. A irracionalidade de nosso modelo institucional faz do país um sanatório.

Elas impõem frustrações aos cidadãos, à normalidade da vida e à estabilidade política. Elas criam obstáculos à liberdade, à ordem, ao progresso, à justiça e à segurança. Querem mais? Elas vivem no fausto, desprezam a razão e manipulam as leis. Não me peçam devoção. Não me peçam fé e esperança. Nem me peçam caridade ante os abusos e absurdos que cotidianamente exercitam.

Enquanto transcorria a sessão que entrará para as páginas sombrias da história de nossa mal nascida República, percebi quanto os oradores fugiam do tema principal, para fazer aquilo que chamam de “política”, de “enfrentamento”, quando não simplesmente de “luta”. O real assunto da sessão era a absoluta ilegalidade praticada pelo Supremo Tribunal Federal ao homologar a ato arbitrário com que o ministro Alexandre de Moraes realizou sua vendeta pessoal contra o deputado Daniel Silveira. Flagrante, se houve, foi este: o desafio do STF à Câmara dos Deputados.

Os que, em plenário, invocavam o fantasma do quase sexagenário AI-5 para atacar seus opositores homologaram o AI-5 do STF. Como registrou de modo brilhante o deputado Marcel Van Hattem, a Câmara dos Deputados não herdou a dignidade dos seus pares de 1967 que recusaram o pedido de autorização para prisão do deputado Márcio Moreira Alves. Ali nascia o AI-5. E se poderia ainda acrescentar: o STF, na composição legada à pátria pelos governos petistas, fez o que nem os generais de então ousaram fazer. Prenderam na marra aquele cujo falar os incomodava.

Daniel Silveira é um desrespeitador, atrabiliário. Um subproduto das liberdades democráticas. Mas é um membro do Congresso e a Câmara dos Deputados foi desrespeitada com sua prisão. O STF, por seu turno, desrespeitou o parlamento e o devido processo. Vendeu por lebre uma ninhada de gatos jurídicos para criar um flagrante impossível. Ao aprovar por unanimidade a absurda decisão, tomada no contexto de um inquérito intimidador que é outra ninhada que mia, o Supremo trocou por corporativismo o direito de exigir mesuras.

Do outro lado da Praça dos Três Poderes, o presidente da República, assiste. Num cenário em que a loucura se impõe em nome da sanidade das instituições é acusado de ser o que outros efetivamente são e de fazer o que outros efetivamente fazem. É acusado de conspirar quando os demais conspiram. Imputam-lhe aspirar por um AI-5 que já está vigorando e veste toga.

* * *

O nível da sessão de ontem vinha ao rés do chão quando as mais veementes defesas da democracia saíam aos gritos da boca de parlamentares que se têm como compañeros de Maduro, dos Castro e de qualquer ditador comunista com prisões repletas de presos políticos.

Escrevo este artigo na manhã de sábado, dia 20 de fevereiro em estado de náusea cívica. Nunca pensei que os ministros do STF, que tantas vezes já foram longe demais, que convivem com colegas tão boquirrotos e valentões quanto o deputado preso, que a toda hora “constitucionalizam” o seu querer, fossem capazes de fazer contra um congressista, unanimemente, algo que nem os generais de 1967 fizeram. Nunca pensei que o Congresso fosse entregar os dedos para conservar os anéis. Nossos dedos foram junto. Que dia triste!

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MIGALHA DE VENTURA – Olegário Mariano

Tirem-me a luz que os olhos me alumia,
O ar que me enche os pulmões e o céu que adoro;
Tirem-me esses momentos de alegria,
Tirem-me a voz de pássaro canoro;

Tirem-me a paz do espírito, a harmonia
Da vida, e o mar que canta, quando eu choro
Tirem-me a noite e, ao luar da noite fria,
O sonoro esplendor do céu sonoro;

Tirem-me a glória de viver, o encanto,
A lágrima, o sorriso, a mocidade
Que faz com que eu na vida engane tanto!

Tirem-me o manto, deixem-me desnudo,
Mas não me tirem da alma esta saudade,
Que é meu sangue, meu ser, meu pão, meu tudo!

Olegário Mariano, Recife-PE, (1889-1958)

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

BODE PRA CACETE

Igreja do Sagrado Coração de Jesus, submersa para formar o lago de Itaparica, em Petrolândia, Pernambuco

Numa das viagens que fiz desenvolvendo atividades para o Departamento de Projeto Especiais do Diário de Pernambuco, em anos recentes, éramos comandados por Arijaldo Carvalho, que projetava as pautas, definia as missões de cada jornalista e os levava às cidades do interior, para a cobertura.

Quando Petrolândia completou 100 anos, em 2009, o governo local projetou um mês de eventos culturais, culminando com a edição do encarte do Diário, com cerca de 40 páginas.

Como se sabe a região se tornou conhecida pela quantidade de restaurantes que servem carne de bode. Numa dessas viagens, paramos para almoçar na estrada, em pequena casa de pasto, onde se come refeições ligeiras, sendo o bode é a carne preferencial.

Quase às 14h., com as barrigas reclamando falta de alimentos, paramos num desses locais. Éramos cinco: um fotógrafo, um cinegrafista e dois jornalistas, além de Arijaldo; todos esfomeados. Na porta do “estabelecimento” já estava D. Zefinha, a dona, que abriu os braços de felicidade por faturar mais quatro pratos e cumprimenta nosso chefe-de-viagem, como se um filho fosse.

Jornalista Arijaldo Carvalho

Após o fraternal amplexo Arijaldo deu o primeiro “grito de guerra”

– D. Zefinha, sirva-nos cinco bodes!

Alguns de nós não conhecia aquele tipo de carne, pouco comum na Capital, mas no interior, é o “filé”. De pronto a senhora indagou em brado forte:

– Mas seu Arijaldo, o senhor tem certeza que seu pessoal quer comer bode? Não preferem uma carnezinha de sol? Tá uma delícia!…

– Quer, D. Zefinha.! Todos eles estão com cara de quem só gosta de bode. Tem mais, com a fome que estão eles comem até papel de jornal com farinha.

– Mas me diga uma coisa, Seu Arijaldo, toda vez que o senhor vem aqui com seus amigos só pede esse tipo de carne… Por que o senhor gosta tanto de bode?

– Porque na outra encarnação eu fui cabra! E gosto de bode pra cacete!…

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

UM SÁBADO DE PPP: PARLAMENTARES NA PAJARACA DE POLODORO

Duas vezes condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula disse a jornalistas que “topa” ser candidato em 2022.

É ficha-suja, está atrás nas pesquisas e pode ser preso a qualquer momento, mas topa.

* * *

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Esse canalha não tem um único pingo de simancol ou de vergonha no fucinho.

Mas, como diz meu amigo e conterrânedo de Palmares, o Malamanhado, irmão do também meu amigo Malouvido:

“Lula né besta não. Besta é quem acredita nele.”

A prova tá aqui no JBF.

É só olhar pro Ceguinho Teimoso.

Aliás, em falando do ex-presidiário Lapa de Corrupto, meia dúzia de funcionários do Twitter definem o que é exibido no Brasil para milhões de usuários.

A entrevista de Lula, que não estava entre os temas mais comentados, ficou dois dias na seção “O que está acontecendo”.

Vou ganhar a manhã deste sábado mandando esses porras do Twitter, que cancelaram a minha conta, a tomarem no meio do olho do furico.

A tomarem no furico preferencialmente com a pajaraca de Polodoro.

E, já que falamos de Polodoro, vamos botá-lo pra rinchar em homenagem aos 364 deputados que votaram pela manutenção da prisão ilegal e arbitrária de um colega, rasgando vergonhosamente a Constituição Federal.

Rincha, Polodoro!!!

COLUNA DO BERNARDO