PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TESTAMENTO – Manuel Bandeira

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros – perdi-os…
Tive amores – esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!… Não foi de jeito…
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, Recife-PE (1886-1968)

COLUNA DO BERNARDO

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VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O ANJO

Morava em Nova Cruz (RN) um rapaz de nome José Teixeira, filho de uma viúva, pertencente a uma ramificação de tradicional família daquela cidade.

Dizem que, desde criança, sempre demonstrou tendência feminina nos gestos, preferindo os brinquedos das meninas e desprezando carrinhos e bolas com que os meninos brincavam. Cresceu assim, e, dessa forma, tornou-se rapaz, passando a se dedicar às prendas domésticas.

Revelou-se um verdadeiro artista, aprendendo a bordar, pintar, confeccionar flores e chapéus femininos ornamentados.

Com o passar do tempo, José Teixeira dedicou-se completamente à decoração de ambientes e preparação de festas, difundindo cada vez mais suas habilidades artísticas. Com elas, passou a ganhar dinheiro, ajudando no sustento da mãe, viúva pobre, e suas duas irmãs.

Era religioso, educado, e sabia respeitar as pessoas, sendo por isso também respeitado. Nenhuma festa acontecia na cidade, sem que estivessem presentes a sua arte e o seu bom gosto. O preparo de altares na Matriz da Imaculada Conceição, Padroeira da cidade, os andores para as procissões, festas de casamento, aniversários, enfim, quaisquer acontecimentos festivos contavam com a sua indispensável participação.

Tornou-se o decorador oficial da cidade, nos eventos públicos ou privados, inclusive nas festas religiosas do final do ano, onde havia uma Quermesse para angariar fundos para a Igreja.

Eram frequentes os jantares, os saraus, os bailes, as procissões e novenas, como manifestações da realidade artística, religiosa e social da cidade. Em tudo, estava a presença marcante desse filho de Nova-Cruz.

Merece destaque, o fato de José Teixeira nunca ter escondido sua tendência feminina, mantendo, entretanto, uma conduta discreta e digna. Vivia para o trabalho, e nunca se meteu em fofocas. Seu excelente círculo de amizade incluía moças, senhoras casadas, senhores e rapazes. Até o Padre da Paróquia de Nova-Cruz lhe fazia elogios publicamente, em agradecimento pelo seu trabalho de embelezador e colaborador das festas e procissões.

Nessa época remota, o distúrbio genético apresentado por José Teixeira era raro, e a cidade que o viu nascer o aceitava como era.

Sua presença tornou-se indispensável nas festas de aniversários, casamentos e bailes. Também ocupava lugar de honra na vida familiar da cidade, sendo sempre convidado para almoços e jantares, e ainda para padrinho de crianças. Tornou-se amigo e confidente de todos.

A cidade se desenvolveu e passou a ter mais festas, aumentando também o prestígio de José Teixeira. Era um verdadeiro “patrimônio” artístico de Nova-Cruz.

Surgiu o primeiro bloco de carnaval da cidade, tendo José Teixeira como organizador, decorador e figurinista. Esse bloco saía às ruas de Nova-Cruz no tríduo carnavalesco, “assaltando” as residências de pessoas da cidade, onde era recebido com bebidas e salgadinhos, à vontade.

As calçadas e ruas transformavam-se em salões de festa e a alegria era imensa.

O nosso Tio Paulo, uma figura inesquecível, era um dos maiores incentivadores do bloco, e o “assalto” à sua casa era indispensável! Irmão do nosso pai, Francisco, as casas eram vizinhas, e o “assalto” era aproveitado por nós, ainda crianças. Dançávamos no meio da rua, jogando confetes e serpentinas, presenteadas por ele, num clima de felicidade sem igual.

Tio Paulo distribuía lança-perfumes para os seus amigos, compradas em Natal, que eram usadas para perfumar o cangote das moças. E o cheiro se espalhava pelo ar. Não havia porre, loló nem brigas. O carnaval era só alegria e higiene mental.

O Rei Momo e a Rainha do Carnaval eram eleitos, uma semana antes, por uma comissão apontada por José Teixeira, da qual fazia parte.

José Teixeira confeccionava a alegoria, porta-estandartes e as fantasias para o carnaval.

Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas (vem Odalisca do meu harém vem, vem vem… ) e Piratas eram as principais fantasias.

A tarde entrava pela noite, com trombones, tamborins e outros instrumentos, executando os mais belos e tradicionais frevos e marchinhas de carnaval. A cidade era calma e o povo todo era conhecido.

Não havia o carnaval sensual/sexual de hoje, e os seios e nádegas eram guardados com recato.

As marchinha e frevos não tinham maldade. Tinham beleza e poesia.

Podemos dizer que, em Nova-Cruz, foi José Teixeira quem inventou o carnaval, o bloco, a alegoria e o estandarte, quando a maldade não tinha nascido.

Assim era José Teixeira. Totalmente feminino, amado, respeitado, e aceito por todos, sem sofrer exclusão pelo seu modo involuntário de ser.
Para mim, ele era um Anjo. E Anjo não tem sexo…

Hoje, desapareceu a pureza. Os Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas e Piratas se desnudaram. Restaram expostos, em abundância, seios, nádegas e tatuagens.

A modernidade nos deixou apenas o direito de nos fantasiarmos de PALHAÇOS!!!Palhaços das nossas ilusões!

Decepcionados, abafamos no peito a saudade dos velhos carnavais.

O cheiro de lança-perfumes sumiu! Roubaram as fantasias do nosso povo!

Roubaram o sorriso de felicidade, que existia nos rostos nos dias de carnaval.

Ó, abre alas, que eu quero passar!

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FRED MONTEIRO - MASCATEANDO

QUADRILHA E FORRÓ, LÁ E CÁ

Em abril de 1991, lá se vão dez anos, publiquei no blog SeteInstrumentos um vídeo que editei a partir de um segundo vídeo que havia assistido. Tratava-se de uma tradicional dança de quadrilha do noroeste americano, movida a um trio de rabeca, banjo e percussão, com casais de jovens dançando na maior animação.

Achei uma interessante semelhança com os passos da nossa quadrilha nordestina, justamente no polo geográfico oposto ao daquela: ou seja, uma no NORDESTE brasileiro, outra no NOROESTE americano.

E hoje, abrindo um vídeo maravilhoso que recebi pelo Zap, tive o prazer de ver o grande dançarino FRED ASTAIRE mandando ver num forró miudinho bem dançado (não num tijolo só, mas num salão de baile daqueles cinematográficos).

E quem acompanhava esse casal batuta de dançarinos?

Um trio de forró da gota serena de bom, acompanhando uma das nossas forrozeiras de fé a cantar FEIRA DE MANGAIO, do saudoso Sivuca.

Achei interessante e mando pra essa a nobre platéia do melhor portal cultural do Brasil e quizás, quizás, quizás, do Universo conhecido, esta nossa Gazeta que não tem nada de Escrota!!

Curtam aí, comentem, inscrevam-se no canal e ativem o sininho… (PUTZ, o que não faz essa lavagem cerebral webiana com a gente..) deixa pra lá.

Mas, curtam !


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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

REINALDO MAROJA – TERESINA-PI

Caro Editor:

Essa placa foi instalada por comerciantes e agricultores da cidade de Santa Filomena-PI.

É em reconhecimento ao trabalho que o governo Bolsonaro está fazendo nos cerrados piauienses.

Na região será inaugurada uma ponte sobre o Rio Parnaíba.

A dupla Bolsonaro e Tarcísio é campeã!

R. Pela simplicidade dos casebres que estão ao fundo, o cartaz está muito bem abrigado!!!

Caro leitor, vou aproveitar a oportunidade pra dizer uma coisa.

Eu fico cansado só de ver a agenda diária de trabalho desse Ministro Tarcísio.

Quando entro no Twitter, é só o que vejo.

Confira clicando aqui

O cabra num fica quieto em momento algum e é mais ligeiro do que coceira de macaco!

Vive se deslocando de Norte a Sul e de Leste a Oeste, trabalhando, inaugurando, instalando e fiscalizando obras.

E tem um detalhe que merece ser destacado, ressaltado, ampliado, divulgado: não rouba, não deixa roubar e não existe um único escândalo de corrupção desde que ele assumiu a sua pasta.

Quando foi essa semana, fiquei sabendo a razão de ser ele assim:

Tarcísio de Freitas é milico de formação e fez seu curso superior na Academia Militar das Agulhas, tradicional e histórica instituição de formação de oficiais do Exército Brasileiro.

Onde se formaram os colunista fubânicos Carlito Lima e Pedro Malta.

Tá tudo explicado!

O desempenho do ministro Tarcísio me dá uma dupla alegria:

Pelo fato em si e pela raiva que provoca nas zisquerdas.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

TÁ EXPLICADO

O Papa Francisco sente rancor de quê?

Elogia a Colômbia por receber venezuelanos, e não diz uma palavra sobre 270 mil fugitivos da ditadura Maduro acolhidos no Brasil.

Só porque não gosta do seu presidente.

* * *

Chiquinho é argentino.

Um argentino zisquerdóide.

E isso já diz tudo.

Não precisa falar mais nada.