PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MISTÉRIO – Florbela Espanca

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI MOREIRA – FEIRA DE SANTANA-BA

Berto,

Pergunta aí pro Goiano se Caio Copolla está falando a verdade ou se está inventando mais uma cabeluda.

É fake ou é foda?

Veja aí, meu irmão querido, estou curioso pra saber o que Goiano vai dizer.

Agradeço e mando um grande abraço fubanento.

* * *

DEU NO JORNAL

UMA GRANDE HONRA

A doze dias de acabar sua presidência na Câmara, o deputado Rodrigo Maia tenta criar fatos políticos para mostrar que ainda lhe resta poder e utilidade.

O factoide do dia, nesta terça (19), foi solicitar uma “reunião virtual” com o embaixador da China “para entender” criação de supostas dificuldades do governo chinês para fornecer o principal insumo para produção de vacina.

O bate-papo não terá efeito prático.

Serão apenas duas pessoas falando mal de quem mais detestam: Jair Bolsonaro.

* * *

Bolsonaro deve rezar aos céus.

Ser detestado por Maia e pelo embaixador da ditadura chinesa é uma honra inexcedível.

Um ponto de destaque na história de vida de qualquer cidadão.

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

A INDÚSTRIA DE AÇÚCAR CUBANA DA HERSHEY

A famosa fábrica de chocolate americana foi criada por Milton Snaverly Hershey, após trabalhar em panificadoras e confeitarias e construir uma fábrica de caramelos. Ele usava leite fresco para produzir os doces que fabricava, essa fábrica fez sucesso. Em 1893, Seu Milton foi ver uma exposição direcionada para industrias de alimentos e se impressionou com umas máquinas de fazer chocolate, não teve dúvida, vendeu a Lancaster Caramel Company por 1 milhão de dólares e investiu no ramo de chocolate, ele achava que a moda do caramelo não duraria, enquanto que o chocolate seria eterna. Construiu logo uma indústria de processamento de leite para abastecer a fábrica de chocolate. A fórmula que ele criou dependia menos da qualidade do leite do que as fórmulas tradicionais, e em 1900 ele criou a Hershey’s Milk Chocolate Bars.

Produtos da Hershey’s

A fábrica era localizada na pequena Derry Church e não tinha janelas para que os funcionários não se distraíssem. O baixo custo de vida na cidade atraiu muita gente para trabalhar, e para proporcionar lazer aos seus funcionários, Seu Milton criou um parque. A cidade se desenvolveu e mudou de nome para Hershey. O chocolate já era vendido em todos os Estados Unidos. O sucesso logo veio com o Hershey Kisses que virou febre entre crianças, jovens e adultos.

Parque na cidade americana de Hershey

Em 1916, Seu Milton foi a Cuba e lá gostou da produtividade da cana de açúcar e resolveu fundar outra cidade similar a Hershey americana, uma cidade iniciada do zero e que atraísse funcionários pelo seu custo de vida baixo, clubes para lazer e facilidade no deslocamento entre as casas e a usina. Lá os trabalhadores recebiam as casas para morarem com as suas famílias. Batizou com o mesmo nome da primeira: Hershey. Para transporte de cana entre as lavouras e a usina e de açúcar entre a usina e os portos de Havana e Matanzas, fez uma ferrovia, a primeira elétrica do país. Os trens transportavam passageiros também entre a Hershey e as cidades portuárias.

Eu na estação abandonada que me levaria a Camilo Cienfuegos

A cidade já nasceu desenvolvida, com escola, clínica médica, cinema, piscinas, campo de golfe, lojas e estádio de beisebol, com equipe disputando campeonato além de uma grande festa todo final de ano. Já a usina em si era a mais produtiva da América Latina, seus funcionários recebiam salários altos, comparados aos de outras indústrias do país. Hershey era uma “ilha” americana dentro da ilha de Cuba, uma cidade diferenciada do resto do país. Na vila haviam casas de vários níveis, as dos trabalhadores americanos, em cargos mais altos, eram maiores e na parte central da cidade, já a dos peões cubanos, geralmente negros, eram mais distante e menores que as dos chefes.

Placa avisa o fim da linha implantada por Milton Hershey

Em 1945 Milton Hershey morreu e a família vendeu todos os bens da empresa em solo cubano, inclusive a usina, e a vila passou por outros donos até que em 1959 veio a Revolução Cubana e os Castros estatizaram a usina e rebatizaram a cidade com o nome de Camilo Cienfuegos, um dos heróis da revolução, morto em uma acidente aéreo mal explicado. Com o socialismo, as casas foram redistribuídas sem segregação racial ou social, porém os baixos salários impediam que os residentes mantivessem a estrutura e estas foram se deteriorando, assim como a fábrica, os equipamentos e a linha de trem com suas locomotivas e vagões. O estádio de Beisebol foi demolido e a festa anual foi cancelada, mas a usina continuou produtiva até que a crise na União Soviética acabou com a ajuda do país a Cuba e o açúcar deixou de ser uma moeda forte cubana, culminando com o fechamento da já sucateada usina idealizada por Milton Hershey.

Sucata da que já foi a usina mais produtiva da América Latina

Hoje a cidade de Camilo Cienfuegos está praticamente abandonada, a estação de trem que levava passageiros e açúcar para Havana e Matanzas está fechada, os galpões estão enferrujados e as casas em ruínas. O Trem de Hershey que trazia turistas para a cidade deixou de ser uma atração em Havana. Para pegar o trem elétrico, pegava a barca, para atravessar a Baia de Havana, até Casa Blanca andava mais alguns metros e lá estava a Estação Casa Blanca, ponto de partida para Hershey e Matanzas, mas em 2016 o sistema foi desativado e substituído por ônibus chineses e caminhões pau-de-araras particulares. Eu fui lá em 2018 tentar viajar até Hershey, cheguei até a estação, mas uma placa escrita a mão em um papelão fixado em uma grade enferrujada dizia: “No hay tren hasta nuevo aviso”.

Trem de Hershey ainda ativo

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

UM CONTERRÂNEO QUE ORGULHA PERNAMBUCO

Estudante do Colégio Militar do Recife é aprovado na Universidade de Harvard

O brasileiro João Victor Arruda, 17 anos, participou da seleção mais concorrida da história da Universidade de Harvard.

Foram dez mil inscritos para disputar as 747 vagas.

A grande concorrência não o impediu de conquistar seu lugar na instituição norte-americana, onde irá cursar Ciências Políticas.

E ele ainda terá bolsa de estudo de 100% pelo programa Education USA.

* * *

Parabéns, meu jovem conterrâneo. 

Você botou pra torar!

A arrochada e suada didática conhecida por “Colégio Militar” é assim mesmo: deixa o estudante no ponto pra entrar até na lendária Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior do mundo.

Bem diferente daquela didática idiota chamada de “Paulo Freire”, que só forma descerebrados e militontos, que não conseguem ser aprovados nem no exame da carta de ABC da escolinha de Dona Marili, em Palmares.

Sucesso, seu pernambucano arretado da gôta serena!!!

Vá lá pros Zisteites, mostre raça e brilhe muito.

DEU NO TWITTER

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA GAZETA QUERIDA E BEM INFORMADA

Comentário sobre a postagem OBRIGADO, TWITTER, POR MINHA REEDUCAÇÃO FORÇADA: ILUMINEI-ME!

Deco:

Me desliguei completamente do Twitter.

Bem como não uso mais o Facebook há mais de três anos.

E enxerguei que não preciso de nenhum deles para viver bem informado.

Leio e Prefiro o JBF.

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PERCIVAL PUGGINA

HÁ APENAS DUAS CADEIRAS NO JOGO DE XADREZ

Engana-se quem pensa que os grandes noticiários ininterruptos dos principais veículos de comunicação mantêm o público a par do que está acontecendo e ajudam a formar um juízo sobre os fatos narrados. Infelizmente não é bem assim. A desinformação começa na escolha dos temas. Noticiar algo significa, frequentemente, não noticiar algo. Há notícias escolhidas para difusão e notícias escolhidas para omissão.

Salvo exceções, os noticiários de TV e rádio provêm de uma redação. Apenas noticiários rápidos e variados, acríticos, como os de rádio, lidos por locutores, poderiam sintetizar, ao longo do dia, o conjunto dos acontecimentos. Não haveria recursos humanos para abastecer um jornalismo completo com textos, imagens e opiniões sobre todos os fatos importantes de cada jornada. São pautados, então, certamente, os mais interessantes, os que servem aos objetivos da empresa e assim as opiniões são emitidas, ou omitidas. Aqui no Brasil, há dois anos, as notícias que servem nunca são boas ao governo. Estas vêm por e-mail ou em pequenos vídeos na redes sociais. Na imagem diariamente transmitida em editoriais, colunistas selecionados, noticiários de TV e comentaristas cevados na casa ou convidados, o governo é formado por um grupo de malfeitores.

Que Bolsonaro não é o príncipe perfeito estamos cansados de antever e saber, mas é o disponível, como demonstram as peças no tabuleiro do xadrez da política nacional. Quando estamos jogando xadrez, de nada vale nosso desejo de que as peças estejam em posições diferentes. Elas são as que vemos, nas posições em que estão. A mesa tem uma cadeira de cada lado. O resto, em volta, é torcedor, é peru, é secador. As cadeiras, não obstante, são apenas duas.

Em menos de um par de anos teremos eleições e a posição das peças no jogo mostra que se ninguém chutar a mesa ou derrubar o tabuleiro da disputa presidencial, de um lado estará o príncipe imperfeito, com suas deficiências e qualidades; do lado oposto haverá alguém representando os derrotados na eleição de 2018: PT, PCdoB, Psol, PDT, Rede e outros afins. Nesse jogo, a vida me ensinou o que não quero.

Ora, se todo o empenho da mídia que considero militante, a que me referi no início deste artigo, vai a desfavor do lado onde joga o atual presidente, ela serve, então, doses diárias de suporte ao lado oposto. E o faz sem sequer precisar referir que esse lado existe. A CNBB fez a mesma coisa durante anos, atacando os governos não petistas e ajudando o partido a ponto de merecer, posteriormente, o público reconhecimento de Lula ao apoio recebido.

Note-se que a própria oposição sequer se movimenta politicamente junto à sociedade. Ela se beneficia mais com o cotidiano serviço que lhe é prestado por alguém supostamente “neutro”, interessado apenas no bem do país, como seriam os grandes meios de comunicação. Esse é o quadro. Quem não entendeu até agora, não entenderá jamais.

CHARGE DO SPONHOLZ