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A PALAVRA DO EDITOR

UM BOA DICA PROS NOSSOS LEITORES

Os colunistas fubânicos Goiano Braga Horta e Altamir Pinheiro estão travando um diálogo muito esclarecedor.

Um diálogo que está sendo levado a efeito numa vigorosa troca de mensagens realizada hoje, em postagem nesta gazeta escrota.

Um debate esplendoroso, instrutivo e apaixonante, confirmando que o JBF é um recanto único, sem paralelos, sem outro igual.

Aconselho vocês a dar uma olhada.

Acho que irão gostar.

Cliquem aqui, entrem na postagem e vejam no espaço dos comentários, do meio pro final, o magnífico e apaixonante debate.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DE TODAS AS PUTAS – Bocage

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta d’um soldado;
Cleópatra por puta alcança a c’roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isso de virgo e honra é tudo peta.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setúbal, Portugal (1765-1805)

A PALAVRA DO EDITOR

TÁ CHEGANDO VACINA ATÉ EM ITABAIANA

Hoje pela manhã me ligou o colunista fubânico Jessier Quirino, grande Poeta da Nação Nordestina.

Ligou-me pra contar que nesta terça-feira, 19, os ares de sua pacata Itabaiana, no interior paraibano, foram tomados pela zuada de um helicóptero que tinha vindo trazer vacina pro povo da cidade.

Jessier só não me disse, e eu me esqueci de perguntar, se era a vacina chinesa presenteada por João Doria.

Depois eu tiro esta dúvida com ele.

Pois o Poeta me informou que foi uma festa danada, uma movimentação intensa nas ruas, os matutos que estavam na feira espichando os olhos pro céu, apreciando o deslocamento do bichão pelos ares.

Como hoje em dia todo mundo tem um celular, o fato foi amplamente documentado, as pessoas apontando seus aparelhos pro céu pra registrarem aquele momento incomum.

Por fim, Jessier me disse que a cena o fez lembrar de uma crônica do meu livro A Prisão de São Benedito e Outras Histórias. E por isso ele tinha me ligado.

Confesso que fiquei feliz e ganhei o dia com essa lembrança evocada por nosso colunista.

Aliás, aproveito a oportunidade para fazer um reclame:

Todos os meus títulos podem ser adquiridos na página da Editora Bagaço, via internet, com segurança e tranquilidade. A entrega dos volumes será feita pelos correios.

Basta clicar aqui para acessar a página da editora.

Só pra me amostrar, quero dizer que todos os meus livros tem mais de uma edição. Este do São Benedito já vai na sexta!

Esta é a capa da primeira edição, lançada em 1982. Capa de autoria do meu saudoso amigo Natanael:

E, pra fechar a postagem, aqui está a crônica citada por Jessier, da qual ele se lembrou vendo o helicóptero nos céus de sua cidade.

Espero que gostem da leitura!

* * *

O AVIÃO DE PAULO AFONSO

Essa história sucedeu-se tem muitos anos passados. Mas eu me lembro dela perfeitamente, e gravei aquele dia na memória para o resto da vida. Um dia incrível, apocalíptico, incomum.

Era manhã de semana, o mercado funcionando normalmente. As donas de casa já haviam comprado a carne e a verdura do almoço. Minha mãe temperava o guisado, enquanto nós jogávamos ximbra na rua.

De repente, um barulho tomou conta dos céus e passou a matraquear o espaço, como se anunciando a chegada da Besta Fubana a comandar o fim do mundo. Era um barulho desconhecido naquelas paragens, monótono, ritmado, ensurdecedor. Muito alto para a Palmares silenciosa de então.

Olhamos para o céu e nada enxergamos. Só escutávamos o barulho. Num segundo, a rua já estava cheia, e acredito que não havia um só vivente dentro de casa. Em um instante, rápido e mágico, ele surgiu por cima dos telhados e nos encheu os olhos.

Um enorme helicóptero, com sua cauda metálica gradeada, a passear por sobre a cidade.

Uma visão impressionante para as crianças, preocupante para os adultos e aterradora para os velhos, a pensar na chegada do Juízo Final.

– É um avião sem asas!

O barbeiro Babel, navalha em punho, a correr pela rua junto com um freguês ensaboado, garantia ser uma invasão estrangeira, vingança dos alemães derrotados na Segunda Grande Guerra.

O engenho voava devagar e, a cada manobra, ia arrastando a população de um lado para outro. Às vezes ele parava no ar e dava um descanso para o povo. Os pescoços se espichavam, as mãos na testa para proteger os olhos do sol. Os dois ocupantes olhavam para baixo, mas não se conseguia decifrar suas feições.

Na Rua do Galo, algumas velhas puxavam um terço. Dona Ricardina, que morava na rua principal, aconselhava a vizinha:

– Num saia não. O Evangelho diz que quando os anjos chegarem tocando trombetas, quem tiver na rua, fique, quem tiver dentro de casa, num saia. Pode contar, que daqui a dez minutos vão vir os anjos. É o fim do mundo. Vamos rezar!

Mas os apavorados eram poucos, algumas velhas e beatas. Ajoelhados pelas calçadas, conclamavam a turba a rezar e se arrepender dos pecados. A maioria estava extasiada com as manobras do desconhecido engenho voador, olhos pregados no céu limpo e azul. Voando lentamente, o aparelho parecia um ímã, arrastando magneticamente a população de Palmares pelas ruas. Um rebuliço sem conta e sem tamanho.

Pelo menos dois casos de mulheres nos dias e que pariram no susto foram registrados naquela manhã louca. Inúmeros os feijões queimados nas panelas de barro, pois as donas de casa se igualavam aos meninos e aos homens na suarenta corrida pelo rastro do avião sem asas. As pessoas se atropelavam, gritavam, subiam e desciam ladeiras, davam topadas nas pedras soltas do calçamento, sempre de olhos no aparelho. A esta altura, o piloto parecia se divertir, voando exatamente por sobre o traçado das ruas. O comércio fechou e todas as atividades rotineiras da cidade foram paralisadas. Salvo os velhos a rezar, ninguém ficou em casa.

O helicóptero pegou o rumo da Rua da Rodagem e seguiu em direção à Usina 13 de Maio. Ficou parado em cima do campo de futebol, enquanto a população tomava de assalto o gramado. Foi perdendo altura aos poucos, e o povo, adivinhando sua intenção, ia abrindo a roda e dando espaço para o pouso. Ao incrível barulho veio se juntar o vento provocado pelas hélices. Tocou de leve na grama. Os ferros, vivos e negros, junto com a maravilhosa visão do motor aparente, compunham um quadro impressionante.

Pousado, visto de perto, recém-chegado do céu, o aparelho ficava realçado em seu encanto. Místico, profético, apocalíptico, ali estava ele ainda rugindo.

A hélice foi diminuindo a velocidade, o povo ia fechando a roda. Os dois ocupantes pareciam assustados e preocupados. Uma camioneta da usina se aproximou com dois funcionários graduados. Houve uma ligeira conferência sob as hélices em funcionamento. A camioneta se afastou, e o ronco do pássaro se alteou. A este sinal, a roda se alargou novamente. Parecia se impando de força, e o povo recuou assustado. Alteou-se devagar e novamente ganhou os ares. Com pouco, estava lá em cima. Novamente a correria no rastro.

O helicóptero dirigiu-se à usina, e lá começou novamente a perder altura. Frustrada, a multidão o viu desaparecer por trás dos imensos muros da indústria. Sumiu e, com pouco, desligou os motores. Do lado de fora, a multidão, calada e quieta, prestava atenção no silêncio e aguardava.

Um funcionário da usina explicava para alguns de que se tratava: tinham vindo inspecionar as linhas de transmissão que chegavam a Palmares para trazer a energia elétrica da Cachoeira de Paulo Afonso. E, então, o engenho foi imediatamente batizado: o Avião de Paulo Afonso.

Devagar, em procissão, a população foi voltando à cidade, entre comentários e conversas. Era tanta gente que levantava poeira no arruado sem calçamento da usina.

Almoçou-se tarde naquele dia. Mas, ao seu final, a vida tinha voltado à normalidade.

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DEU NO JORNAL

NOTA DO COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO

Brasília-DF, 18 de janeiro de 2021.

Senhora Ana Clara Costa, Editora-Chefe da Revista Época,

Incumbiu-me o Senhor Comandante do Exército Brasileiro de expressar indignação e o mais veemente repúdio ao texto de autoria de Luiz Fernando Vianna, publicado nesse veículo de imprensa em 17 de janeiro de 2021.

A argumentação apresentada pelo articulista revela ignorância histórica e irresponsabilidade, não compatíveis com o exercício da atividade jornalística.

Atribuir a morte de brasileiros a uma Instituição de Estado, cuja história se confunde com a da própria Nação, nas lutas pela manutenção de sua integridade, caracteriza comportamento leviano e possivelmente criminoso.

Afirmações dessa natureza, motivadas por sentimento de ódio e pelo desprezo pelos fatos, além de temerárias, atentam contra a própria liberdade de imprensa, um dos esteios da democracia, pela qual o Exército combateu nos campos de batalha da II Guerra Mundial e por cuja preservação tem se notabilizado em missões de paz em todos os continentes.

Cabe ressaltar que, durante a pandemia, o Exército, junto às demais Forças Armadas e a diversas agências, tem-se empenhado exatamente em preservar vidas.

Para isso, vem empregando seus homens e mulheres por todo o território nacional, particularmente em áreas inóspitas, onde se constitui na única presença do Estado, realizando atendimentos médicos, aumentando estoques de sangue por meio de milhares de doações, transportando e entregando medicamentos e equipamentos, montando instalações, desinfetando áreas públicas, enfim, estendendo a Mão Amiga a uma sociedade que lhe atribui os mais altos índices de credibilidade.

Por fim, o Exército Brasileiro exige imediata e explícita retratação dessa publicação, de modo a que a Revista Época afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconsequente.

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UM TEMPO RECENTE

* * *

E por falar em mídia banânica – que há pouco mais de dois anos era bem paga com dinheiro público -, vale ressaltar que o Boulos se tornou colunista da Folha de S.Paulo.

O pacote sanitário vem completo: 

Papel e a bosta, tudo junto.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS RABELO – RECIFE-PE

Glosando o mote da colunista Dalinha Catunda:

Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Se me derem uma opção
Eu tenho que decidir
Pra descer ou pra subir
É só minha a decisão
Quando o caso é injeção
Começa a complicar
Eu quero me vacinar
Mas uma dúvida me afunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

A PALAVRA DO EDITOR

CHUPICLEIDE TÁ SE RINDO-SE QUE SÓ A PESTE

Gratíssimo aos leitores Emmanuel Sampaio, de Aracaju, Márcia Savoia, de Uberaba, e Esdras Serrano, daqui do Recife, pelas doações que fizeram para esta gazeta escrota.

Chupicleide, secretária de redação, chega relinchou de alegria junto com o jumento Polodoro, mascote e segurança do JBF.

E a cachorra Xolinha arreganhou mais ainda a tabaca em sinal de agradecimento.

Que a generosidade de vocês sirva de exemplo e abra os corações dos miscos, dos pirangueiros, dos sovinas, dos murrinhas e dos avarentos.

São vocês, leitores e colunistas, que cobrem as despesas mensais de hospedagem e assistência técnica que nos são oferecidas pela empresa Bartolomeu Silva.

Vocês são a força que mantém este jornaleco nos ares.

Aproveito para fazer o reclame:

Esdras Serrano, leitor pioneiro e fiel desta gazeta escrota, é um empresário recifense da área de segurança, que atua em todo o Nordeste.

Quem quiser conhecer o seu trabalho, basta clicar na imagem abaixo e dar uma passeada pela página.

Página onde consta, entre outras coisas, um link para envio de currículos visando possíveis contratações.

Gratíssimo, a todos vocês, meus queridos amigos!!!

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