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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EPITÁFIO – Bocage

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setúbal, Portugal (1765-1805)

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A PALAVRA DO EDITOR

COM OS ZOUVIDOS DOENDO

Desde ontem à noite que estou com os zouvidos doendo.

Não consegui dormir direito e, hoje cedo, o pinicado lá dentro da cabeça continuava forte.

Tudo por conta do gigantesco panelaço acontecido na noite dessa sexta-feira.

Um panelaço batizado de “Foi Bolsonaro quem matou”, conforme esta convocação, publicada ontem nas redes internéticas:

Assassinatos por sufocação.

Eu calculo que foram centenas de milhares as panelas que tiveram o fundo arrebentado de tanto levar pancada nesta Recife já normalmente barulhenta.

Cheguei no terraço aqui de casa e fiquei apavorado: o meu edifício estava balançando por conta das vibrações provocadas pela intensidade das cacetadas no fundo das frigideiras e panelas.

A revolta com os assassinatos cometidos pelo presidente da república era muito intensa, muito grande.

Um barulho infernal, um barulho tão terrível que chega soltava faiscas vermêio-istreladas nos ares.

Aí eu amanheci curioso…

E pergunto aos meus distintos leitores: vocês também ficaram de ouvidos moucos com a zuada aí nas suas cidades?

Me informem, por favor.

O Instituto Data Besta vai processar os dados que vocês mandarem pra fazer as estatísticas corretas.

Usem o espaço de comentários desta postagem e digam como é foi o estrondo aí em suas cidades.

Podem também mandar links de vídeos e imagens.

Agradeço antecipadamente a atenção de todos vocês.

Agora, peço licença que tô de saída: vou ali na farmácia pingar umas gotas de remédio anti-zuadístico nos dois zouvidos.

Tão duendo que só a porra.

Vôte!

Povão batendo panelas. Panelas vazias por conta da fome imposta pelo governo genocida

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

NEM ELES AGUENTAM

O jornalista Fernando Gabeira protagonizou uma cena inusitada nesta quinta-feira durante participação ao vivo no Edição das 18, jornal exibido na GloboNews, que pertence ao Grupo Globo.

Quando a apresentadora do programa, Aline Midlej, chamou Gabeira no telão para comentar o assunto que estava em pauta na edição, o jornalista apareceu na tela tirando um cochilo.

* * *

Gabeira só acordou depois que foi chamado pela colega jornalisteira globenta.

Ao vivo e a cores.

Se recompôs rapidinho e excretou sua bosta oral.

Nem eles mesmos aguentam…

Vôte!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

FURICO DE OURO

A Agência do Banco do Brasil em Garanhuns, fundada em 10 de novembro de 1923, se estabeleceu na Av. Santo Antônio, 446, com instalações modernas e funcionários de boa categoria, sobremodo em termos de educação.

Não se poderia imaginar que 40 anos depois viesse a registrar um fato capaz de deixar dúvidas quanto à reputação do funcionalismo como um todo, caso houvesse algum “vazamento” sobre o desprezível comportamento de apenas uma pessoa.

Com equipe de quase 20 rapazes, se soube que havia um – considerado “furico de ouro” – porque não se sentando como os demais, e sim colocando as partes glúteas no assento de plástico, defecava acocorado, com os pés em cima da louça com sapato e tudo.

Mas o assunto acabou correndo à boca-pequena, o que levou o então Gerente, Eutíquio Calazans, à obrigação de baixar uma Portaria, alertando para as regras sanitárias, documento que só agora vem à luz, após decorridos mais de 50 anos, o qual merece registro por sua característica tão fora do comum.

Conheci o Gerente Eutíquio quando fiz uma reportagem em sua Agência e o assunto foi relembrado. Em tom de gracejo, sobre o assunto, me disse:

– Olhe Carlos Eduardo, um sujeito que não respeita seus companheiros de trabalho e se torna “notável” por sua má educação, só poderia nos causar profundo desagrado. Aquilo era forma de obrar? Acocorado em cima da bacia do aparelho? De sapato e tudo? Só poderia estar mesmo pensando que tinha um “furico de ouro”.

Esta folha que está a seguir deve ser incluída como documento da “História Caganográfica” de Garanhuns:

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

FORD: DECISÃO PRECIPITADA?

A decisão da Ford de encerrar as atividades de produção no Brasil não se pode dizer que foi surpresa, afinal, em 2019 a unidade de São Bernardo do Campo já havia sido fechada e isso acendeu uma luzinha de alerta nas concessionárias em todo Brasil. Este ano, precisamente, faria 20 anos que a empresa atuava em Camaçari – BA num acordo fruto de uma “violenta” guerra fiscal entre os estados, até Pernambuco se ofereceu.

Quando Antônio Brito foi governador do Rio Grande do Sul, ele negociou com a GM e com a Ford a instalação dos parques de produção em terras gaúchas. Havia um pacote de incentivos fiscais que foi renegociado pelo governo Olívio Dutra, dentre os quais, o aporte de R$ 420 milhões, mais ou menos, como contrapartida do estado para financiamento do capital de giro. Olívio Dutra vetou esse financiamento e Ford não aceitou. Antônio Carlos Magalhães, Senador pela Bahia em 1999, ofereceu tudo que a Ford pleiteou, vendendo, inclusive, um terreno a preço simbólico. A Ford ganhou isenção de impostos federais, estaduais e municipais, tais como 100% de redução do imposto de importação, redução no IPI sobre a aquisição de bens de capital e, salvo engano, havia também isenção do imposto de renda sobre os lucros. Isso mesmo.

ACM brigou com FCH ameaçando, inclusive, deixar a base de apoio do governo caso o congresso não mudasse a lei para permitir a instalação da Ford na Bahia. Marco Antônio Maciel, então Vice-Presidente, colocou o PFL na defesa do pleito e a lei foi mudada. Dilma, mais tarde, criou o INOVACAR que atrela benefícios fiscais à investimento em P&D.

A SUDENE concedeu benefícios fiscais por 20 ou 30 anos para empresas que se instalarem no nordeste. O parque industrial do Curado, em Recife, tinha empresa como Tintas Coral, Romi, Phillips, Gerdau, Microlite, enquanto em Paulista você encontrava a Hering, Pirelli, etc. Acabou o benefício fiscal estas empresas fecharam suas portas. Estavam aqui porque os custos de produção eram menores, mas não me recordo que alguma parcela do lucro fosse reinvestida na região. Assim, do ponto de vista dos benefícios que a Ford recebeu, trata-se de uma grande sacanagem sua saída do país. Agora, não estou aqui me colocando como advogado do governo federal, mas não foi o presidente FHC quem levou a Ford para a Bahia, foi um senador e até onde sei a Bahia tem três no exercício do mandato. A Bahia tem um governador e Camaçari tem um prefeito. O que fizeram? Nada. Transferiram a responsabilidade que é mais fácil e encontraram respaldo nas redes sociais.

O balanço patrimonial da Ford e o demonstrativo de resultados estão disponíveis na internet. Entre 2015 e 2019, o passivo cresceu 14,94%. Eu destaco três pontos: aumento de 19,65% na dívida de longo prazo, aumento de 11,91% na dívida de longo prazo com o Ford Credit e o mais interessante, um aumento de 65,10% em ações em tesouraria. Sabem o que é isso? É o registro contábil que a empresa faz quando ela própria compra suas ações no mercado. Por que a Ford estaria comprando suas ações? Há um registro de prejuízo de US$ 315 milhões, mas não consegui separar por unidade produtiva.

O dano causado pela saída da Ford não vai ser apenas nos seus funcionários. De cara a Bahia vai perder, por baixo, uns R$ 5 bilhões, mas há uma cadeia produtiva que será afetada duramente que é formada por fornecedores da empresa, alguns desses, exclusivos. Vamos tomar como exemplo o caso dos fornecedores de tinta. Na linguagem econômica chama-se Monopsônio ao tipo de mercado onde há somente um comprador. O Monopsônio é uma imperfeição do mercado tanto quanto o Monopólio, caso em que há apenas um vendedor. Ambos geram custos sociais, mas entendo que o monopsônio é pior do ponto de vista da reestruturação. A Ford fechou, mas seus fornecedores possuem capacidade de continuar ofertando seus produtos em outros mercados. Não é fácil, mas é na crise que surgem as boas ideias.

Economicamente, a Ford está fazendo uma reestruturação de investimentos com foco para produzir mais na América do Norte. Saiu da Austrália, saiu do Brasil, optando pela Argentina cujo mercado é 10 vezes menor que o nosso, mas que produz o SUV que custa mais caro do que os carros produzidos no Brasil que se situam na faixa dos R$ 50 mil. O que a Ford está fazendo é valorizando a margem de contribuição do seu produto. Por que usar uma estrutura grande para fazer um carro que custa R$ 50 mil quanto se pode usar uma estrutura menor para fazer um carro que custa R$ 200 mil? A questão é custo e competividade. A Ford foi fundada em 16/06/1903, em Michigan, EUA, portanto, trata-se de uma empresa que tem 118 anos de existência e vale no mercado US$ 39,95 bilhões, enquanto a Tesla, fundada em 2003, vale US$ 96,96 bilhões. É preciso desenhar?

A Argentina possui condições econômicas piores que a nossa, mas a estrutura operacional da Ford no Brasil é muito grande e com a queda em vendas e produção gera-se uma ociosidade difícil de reverter, ainda mais porque a empresa ocupa o 5º lugar em vendas no Brasil. A decisão, portanto, é uma questão de sobrevida de uma empresa centenária. Até onde eu sei, o governo tentou negociar, mas como eu disse isso também era dever dos gestores da Bahia porque os empregos principais estão lá. Uma questão precisa ser tratada: a indústria automotiva precisa de apoio. As vendas estão despencando e, de fato, é preciso atrair investimentos. Acredito que é hora de rever o INOVACAR para tornar a indústria mais competitiva.

Em adição, a tecnologia na indústria vai continuar crescendo e aquelas que não se prepararem vão mesmo sair do mercado. Pessoas serão substituídas por robôs que não adocem, não recebem salários, não tem encargos sociais, trabalham 24 horas por dia e não são sindicalizados.

Assista ao vídeo a seguir e veja um sistema de produção inovador que já existe:

Enquanto isso ocorre, as universidades criam disciplinas como ento-afro-matemática.

Muito útil para competir com esse tipo de mudança tecnológica.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

CIDADÃO NORDESTINÊS

Comentário sobre a postagem GOIANO BRAGA HORTA – PETRÓPOLIS-RJ

Roque Nunes:

Quinta-feira foi, de fato, uma reunião deliciosa…

E o melhor de tudo é que o cabaré está atraindo jovens como o Lucas Santana…

Mas como disse lá… vou advogar minha ascendência pernambucana e pedir a cidadania nordestinês….

Essa gente é boa demais para existir por geração espontânea.

Nordestino deve ser uma invenção de extraterrestre, ou de algum gênio benevolente, ou de Deus, que, num dia de alegria suprema, criou o nordestino.

* * *

O Editor do JBF, em nome da Nação Nordestina, um recanto de mundo que vive de mãos dadas com os brasileiros de todos as regiões deste país imenso, agradece comovido o comentário do querido colunista fubânico Roque Nunes.

O também colunista fubânico Jessier Quirino, retratista deste nosso amado torrão, agradece em forma de música, com o seu inspirado talento poético.