CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

PREVISÃO DA METEOROLOGIA: TEMPO SECO, MAS CHOVE CHATO

Recebi no meu e-mail esse texto para lá de engraçado, cujo título é o mesmo título desta minha coluna de hoje.

É da autoria do psiquiatra doido de jogar pedra, Emanoel Bione, petista rivotril, fundador do hebdomadário O Papa-Figo, office boy a seu serviço, cachacista, co-fundador do bloco carnavalesco “Nóis Sofre, Mas Nóis Goza”, biógrafo do Amigo da Onça, adorador e devoto desvairado do homem mais honesto deste país, para o qual está escrevendo a biografia que prova de A mais Z sê-lo a mais viva alma honesta deste País, ao qual dedicou a vida…

* * *

“O genial Tom Jobim tinha uma teoria sobre o chato bem própria. Ele dizia que o chato adora contato de pupila. Por isso ele, que tinha uma mesa cativa nos fundos do restaurante Plataforma, no Rio, sempre usava óculos escuros, fosse de dia ou de noite. Contava que certa feita, no avião, ele ostentava seus óculos escuros e um jornal, que lia do princípio até o fim da viagem. Mas sentiu vontade de ir no banheiro. Soltou o jornal e, ao voltar, o cara sentado a seu lado perguntou: “Estou lhe reconhecendo: você não é aquele cantor Antônio Carlos & Jocafi? Ele, em cima da bucha: “Não, meu senhor. Eu sou o Tom & Dito.”

Agora vamos aos chatos mais comuns:

Chato 1

1) Chato come-come – O cara que garante que não há mulher que, depois de 10 minutos de papo, ele não consiga comer. Até chegar em casa e encontrar a esposa com um urso escondido no guarda-roupa. Conta-se que num dos festivais de humor do Piauí, um conhecido cartunista pernambucano veio com esse papo de pegar a mulher na primeira cantada.

O chargista Adão Iturrusgarai, muito gozador, o desafiou, depois de arriar as calças e mostrar a bunda: “Me come, fulano!” Para riso geral.

Chato 2

2) Chato sabe-tudo – É a pessoa que vai de piadista a médico, depois a físico atômico, especialista em assuntos criminais ou em literatura. Quando alguém da mesa explica algum assunto, ele sempre expressa um ponto de vista exatamente contrário a fim de desqualificar o falante. E diz que apenas está fazendo uma “crítica construtiva”.

Chato 3

3) Chato centopeia – Parece contar com mais de 100 pares de pernas para correr atrás de alguém por ruas, shoppings, aeroportos, e até no exterior, a fim de aborrecê-lo até o limite da insanidade com suas asneiras.

Chato 4

4) Chato amigável – Gente que, no segundo minuto, está te chamando pelo apelido. No segundo encontro usa diminutivos para se referir a você, e no terceiro se acha seu irmão. Lembra aquele cara que fala de teus defeitos como se fosse um elogio, te deixando com um sorriso amarelo, por não conseguir se defender. Eu conheci um assim. Certa vez na minha repartição chegou um senhor com uma deformação na coluna, que o pessoal chama de corcunda.

Esse chato já o conhecia en passant. Então ele desferiu seu golpe mortal: botou a mão no ombro do rapaz e mostrou para os presentes: “Estão vendo esse amigo aqui? Ele tem essa radiola nas costas, mas é um cara feliz. É ou não é, amigo?”

O rapaz balançou a cabeça em sinal de positivo e saiu em direção ao elevador, com um sorriso amarelo nos lábios.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DA SEPARAÇÃO – Vinícius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes, Rio de Janeiro (1913-1980)

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

NEGUINHO DO CABELO PIXAIM

Comentário sobre a postagem OPERAÇÃO MACACO

José Paulo Cavalcanti:

Como “trigueiro”, assim está no meu Certificado de Reservista, posso me considerar no grupo dos negros.

Quase isso, vá lá.

Quando estudei em Harvard, era o aluno mais escuro de minha classe.

Por isso gostei tanto de sua postagem, meu Papa.

Viva Berto, e sua brancura inglesa!

* * *

A “brancura inglesa” deste Editor foi seriamente maculada quando serviu ao Exército.

Na sua identidade militar, emitida em janeiro de 1965, consta que tem cabelos “Crespos Pretos” e cútis “Parda”.

Ou seja, neguinho todo!!!

Avacalharam minha ascendência germânica.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

Caríssimo amigo, Berto.

Estou passando pelo reino encantado do JBF, criado pelo melhor editor do Brasil, para desejar ao caro amigo e sua linda família, um excelente 2022.

Depois de um longo período de escassez criativa profunda, me animei, um pouco, e escrevi umas linhas descompromissadas. Me sentiria honrado se o amigo as lesse.

Embora tenha sido pouco meu contato com você ultimamente, saiba que o respeito pela pessoa não enfraqueceu e a admiração pelo profissional não diminuiu nada. Ao contrário.

Abraços fraternos

R. Meu caro amigo, que bom que você reapareceu e deu notícias!

Senti muito sua ausência e já estava preocupado. Você é um cabra que faz falta por aqui.

Nos dê a alegria de aparecer sempre.

E gratíssimo pela generosidade de sua apreciação sobre este Editor e seu modesto trabalho na publicação mais escrota do Brasil.

Disponha sempre deste espaço.

Um excelente 2021 para você e todos os seus.

E vamos ao texto que você nos enviou.

* * *

BOLSONARO É O PIOR PRESIDENTE DO BRASIL. GRAÇAS A DEUS!

A censura aos apoiadores do presidente Bolsonaro, principalmente nas redes sociais, é uma realidade inegável e creio que não estaria sendo desonesto se, considerando esse cenário funesto, afirmasse que para elogiar as realizações do governo federal sem sofrer represália, teria necessariamente de recorrer a algum tipo medíocre de malabarismo verbal para criticar, elogiosamente, a atuação do presidente e sua equipe de ministros. Seria mais ou menos o mesmo que acreditar que a china é um país comunista de direita. Tem paulista que acredita. Para se referir aos inimigos do presidente, inverte-se o sistema, usando o não menos deplorável elogio crítico.

Diante do acima exposto, tomei a liberdade de me aventurar pelos meandros do devaneio escrevendo uma ode à insanidade doutrinária que move a nova ordem mundial, onde nada parece ser o que realmente é, usando a crítica como instrumento de aplauso ao governo Bolsonaro. Coisdiloco. Divaguemos, então. Devagar.

É constrangedor, mas dou a mão à palmatória e confesso publicamente o meu mais profundo arrependimento por ter votado no presidente Bolsonaro em 2018. A decepção dói na alma.

Onde esse maluco estava com a cabeça quando zerou os impostos de mais de 500 produtos, entre eles os de enfrentamento ao Covid, os que combatem o câncer e o HIV? Nem os equipamentos de energia solar e de cirurgias oftalmológicas foram poupados.

A insanidade alcançou o seu ápice quando, de forma autoritária, determinou a redução de impostos do arroz, da soja e do milho. Meu Deus!, nem os games e o DPVAT escaparam da fúria do capitão. Para acabar de vez com qualquer chance de reconciliação que meu gadismo crônico teimasse considerar, zerou os impostos que incidem sobre a importação de seringas e agulhas. Como defender um presidente desses?

Procuro dissimular, mas não consigo disfarçar minha perplexidade ao constatar que, apesar do presidente, a Bolsa de Valores não cansa de bater recordes, a indústria não parou de crescer nos últimos sete meses. Só no mês passado foram criados mais de 400 mil empregos. O Brasil é muito doido!

Me espanta, também, a confirmação de que o time de ministros acompanha a incompetência do chefe. Tem aquele neto do Roberto Campos, por exemplo, que teve a ousadia de ser considerado o melhor presidente de bancos centrais do planeta. Tem, ainda, um outro certo capitão que está revolucionando a logística do Pais! O homem não para de asfaltar as BRs, cismou de revitalizar o transporte ferroviário recuperando e ampliando significativamente a malha ferroviária brasileira, decepcionou os agourentos e modernizou os portos. O de Santos está até dando lucro! E os trabalhos em cidades por esse brasilzão de meu Deus afora que não param? Pai do céu, é muita vontade de ter o que fazer! Deusolivre.

E aquele senhor de cabelos grisalhos que só foi colocado lá no Ministério da Fazenda pelo Bolsonaro porque deve ter alguma ligação com a rede de postos Ipiranga, então! Em plena pandemia e com a economia praticamente estacionada, o cara surta e consegue evitar o caos econômico, não permitindo o agravamento da fome, nem o desabastecimento como consequência inivitável (ah, como fui insensato. Porque não votei no haddad?). Tem até o Marinho do bem, que está levando água para todo o Nordeste. Reiterando meu lamento acima, se eu tivesse sido um pouco mais patriota e ajudado a eleger o candidato petista, com certeza o final das obras da transposição do Rio São Francisco seria estrategicamente remarcado para 2022, e, é lógico, contemplaríamos o inevitável desperdício de algumas centenas de milhões de reais. Em se tratando de casas populares é que o abuso extrapola. Foram entregues mais de 400 mil unidades habitacionais. Pode isso, Berto?

E a nossa ministra da Agricultura, redentora das cristinas latinas, que deu show de competência e transformou o agronegócio no farol da salvação, incumbindo-o de iluminar a travessia dessa imensa nave chamada Brasil pelas águas revoltas do mar da pandemia. Para finalizar essa ópera do pandemônio, o presidente Bolsonaro teve a petulância de completar dois anos à frente do governo federal sem que se tivesse tido notícia de qualquer denúncia de corrupção. Quem esse cidadão pensa que é? Meu Brasil está virado de cabeça para baixo!

Ainda bem que tem o governador joão agripino, vulgarmente conhecido como doria, para redimir minha insensatez doismiledezoitooista e colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Sem nenhum interesse político-eleitoral, jamais sequer cogitou ser presidente do Brasil, e levando em consideração somente o bem estar e a segurança sanitária dos paulistas, não se furtou em prejudicar os aposentados, aumentar o ICMS, diminuir, em plena pandemia, os recursos da Saúde e reduzir o valor do repasse das verbas destinadas às santas casas, cancelar a gratuidade no transporte público para os idosos, empurrar, na marra, a vacina chinesa goela a baixo do povão e, num gesto de extrema grandeza, traço inerente aos grandes estadistas, decretou o lockdown em todo o estado de São Paulo e foi tomar café em Miami. Sem máscara! Lula foi reduzido a um aprendiz insignificante. Viva o doria!, ou seria vivo, o doria? Sei lá!

Permaneçam espertos, brasileiros! Tomem cuidado com o maias, com os alcolumbres, com os stfs, com o ciros, com os dirceus, com os moros. Precavenham-se, fiquem atentos às globos, às folhas, aos estadões, às magalhães, às oyamas, aos noblats. Esse povo todo, sem exceção, é só um tremendo bando de puxa-saco do Bolsonaro. Não acreditem no que eles publicam sobre o presidente, tanto faz se nos jornais, na televisão ou nas redes sociais. É só bajulação.

É por tudo isso que, na condição de redimido por joão agripino, o doria, afirmo, confirmo e reafirmo: Bolsonaro é o pior presidente do Brasil.

Graças a Deus!

PERCIVAL PUGGINA

O AUTOR CONFESSA

A quem interessar possa, confesso que sou portador de um pacote de anomalias que me fazem ser a favor da instituição familiar e contra os que a depreciam, a favor da liberdade e contra arreganhos totalitários, a favor da sociedade e contra a bandidagem. Podem me olhar de cara feia, mas é assim que sou. Também sou – pobre de mim – contra a miséria e, por isso, a favor do desenvolvimento econômico. Podem me chamar de porco capitalista, mas me sinto mal ao ver um miserável papeleiro fazendo tração animal, puxando carroça, porque o município não lhe proporciona outro modo de recolher papéis pela cidade, tendo preferindo zelar pelo cavalo e não pelo papeleiro. Podem me chamar de direitista – não de fascista porque, como se sabe, fascista é a mãe de quem chama –, no entanto, não consigo discutir sobre política com quem vive no mundo da lua.

A propósito, outro dia, disse-me alguém que a discussão entre esquerda e direita não define rigorosamente o quadro político brasileiro porque existe uma esquerda democrática e uma direita democrática e as duas posições são igualmente legítimas.

Aí já comecei a vislumbrar o cidadão sentado à borda de uma cratera lunar, balançando os pés e olhando a Terra azul. No mundo real, disse a ele, não existe esquerda e direita ideal. Existe uma direita real e uma esquerda real. Esta última, a que existe no Brasil, a que vai às urnas, a que faz voto e disputa o poder, é representada por dois ou três partidos que se definem como adversários da democracia liberal, representativa, que chamam “burguesa”, e querem promover mudanças para a, assim dita, “democracia popular”. Com esse mesmo rótulo, aliás, foram comercializados os regimes totalitários no leste da Europa e da Ásia, durante décadas, a partir de 1948.

Em toda democracia, mas de modo muito especial numa sociedade pluralista e de escassos consensos como a nossa, é preciso, sim, haver uma esquerda e uma direita democráticas. Acontece que a esquerda que governou o Brasil fez o que se sabe e o que se sabe é apenas parte do que fez. Por todos os modos tentou criar sua “democracia popular”, aparelhou toda a máquina pública com seus sovietes (conselhos), tomou conta das universidades, semeou discórdia onde havia união etc., etc., etc.. Não fez diferente no Rio Grande do Sul nas duas ocasiões em que governou o Estado causando catástrofes econômicas, fiscais e sociais.

Tenho 76 anos e nem um único minuto desse tempo todo estive em cima do muro. Não me parece sensato instalar-me sobre ele, como se a política fosse um jogo em que eu, neutro como uma biruta de aeroporto, me movimentaria segundo o vento das circunstâncias.

Sou culpado? Quem sabe? Nesta terra, disparate é a sensatez. E vice-versa.