FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

RETRATO DE MÃE

Mãos na massa
Pés no batente
Leite de peito
Colo quente
Cantigas de ninar
Sempre presente
Antes de dormir
Palavras sussurradas
No ouvido da gente
Deus protege
Meu filho inocente.
Frágil e cansada
Se mostra contente
É o retrato de mãe
Que trago na mente

J.R. GUZZO

RESPEITO ZERO

A invasão do Congresso norte-americano por bandos de militantes inconformados com o resultado das últimas eleições presidenciais é o resultado inevitável do tipo de ação política que faz mais sucesso hoje em dia em certos países. Essa ação se resume numa lei acima de qualquer outra: se o adversário ganha uma eleição, é preciso que ele seja destruído. Não dá para esperar até as próximas eleições e, no meio-tempo, fazer apenas oposição e mostrar aos eleitores que as suas ideias para o país são melhores? Não, não dá. Não existem mais ideias; só existe o “nós” contra “eles”, qualquer que seja o tipo de questão, e quem está do outro lado não deve ter o direito de existir.

Vai se tornando cada vez mais comum, e cada vez mais aceitável, a noção de que na vida pública não há propostas diferentes – há uma só, a sua, e quem estiver do outro lado é apenas o inimigo. Não pode ganhar as eleições para presidente. Se ganhar não pode assumir. Se assumir não pode governar. Se governar tem de vencer um pedido de impeachment por dia. Se vencer não pode se reeleger. A coisa não acaba mais.

Que seja assim em países onde as pessoas ainda vivem nas cavernas, até que dá para entender. Mas nos Estados Unidos? Não é lá que se pratica há 235 anos seguidos a melhor democracia do mundo, ou a menos pior? Não é de lá que a mídia, os professores de universidade e o Facebook baixam todo santo dia decretos dizendo o que é certo e o que é errado, ou como você tem de se comportar para levar uma vida virtuosa, civilizada e politicamente correta? Pois é. Alguma coisa deu horrivelmente errado. Badernas como a invasão do Capitólio, na opinião das elites americanas, têm de acontecer na América Latina, ou algum outro fim de mundo. Não lá.

Na verdade eles não sabem direito, nem se importam em saber, o que vem a ser isso – “América Latina”. Acham, vagamente, que América Latina é uma espécie de subúrbio de Puerto Rico, ou algo assim, e que os latino-americanos são um aglomerado de boçais primitivos que usam sombreiro, fazem siesta depois do almoço e são incapazes de entender a ideia de democracia. O Brasil, então, é alguma coisa ainda mais lamentável, com a agravante de que vive tocando fogo na Amazônia, caça índio à bala e pratica racismo “estrutural”.

Imaginem o que a imprensa e as classes intelectuais dos Estados Unidos estariam dizendo do Brasil se um negócio desses acontece aqui. A pedida mínima seria uma bomba de hidrogênio, seguida de um boicote comercial até o ano 3000. É ótimo, sem dúvida, que ninguém tenha invadido coisa nenhuma em Brasília. De qualquer forma, não é um bom sinal o jeito como a política está sendo praticada hoje em dia neste país. Nos Estados Unidos a invasão do Congresso acabou na hora em que chegou a polícia – e, apesar das repetidas manifestações de horror em relação ao episódio, não há a menor preocupação, não a sério, de que possa haver um golpe de Estado em Washington a curto prazo. Aqui já é mais complicado.

A maior parte da sociedade norte-americana, como a de qualquer país bem-sucedido economicamente, respeita de modo ativo e consciente, há muito tempo, as chamadas “instituições” – o Congresso, o Poder Judiciário, a Constituição, o império da lei e por aí afora. No Brasil não há respeito praticamente nenhum, porque as instituições não se comportam de maneira a serem respeitadas. Na verdade, seus atos comprovam, o tempo todo, que estão fazendo o exato contrário disso. A estima da população pelo Congresso Nacional é zero; pelo STF, então, periga ser ainda mais baixa. Se fecharem ambos, pouca gente vai perder cinco minutos de sono. É onde estamos.

DEU NO TWITTER

ACREDITEM: ELE POSTOU MESMO ISTO

* * *

Essa postagem aí de cima é o retrato cagado e cuspido da grande mídia oposicionista de Banânia na atualidade. 

E também de seus jornalisteiros.

Releiam, meditem e concluam a que ponto chegou o nível de profundidade do mergulho dessa gente no esgoto fedorento da canalhice e da baixaria. 

Enquanto isto, em seus comentários aqui no JBF, o fubânico lulo-zisquerdista Ceguinho Teimoso afirma sempre que o truculento, o genocida, o bárbaro, o incivilizado e sem modos é Bolsonaro.

Pois sim.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

GUILHERME FIUZA

O FERIADÃO DA CIÊNCIA

Vamos mandar uma mensagem rápida ao passado. Ao passado recente, ali por volta de março de 2020. Só pra dizer a você aí de março de 2020 que aqui em janeiro de 2021 os malucos continuam decretando lockdown.

Não, não é brincadeira. Inglaterra, Alemanha, São Paulo… Se está dando certo? Adivinha. Se eles mostraram como funciona? Claro que não, bobo. Fique em casa senão você é um negacionista genocida e fim de papo. Sim, as áreas mais trancadas são as que têm mais óbitos (Bélgica, Argentina, Inglaterra…).

Não, não demonstraram nunca a barreira ao contágio supostamente erguida pela quarentena. Não, jamais propuseram uma política sanitária focada nos grupos de risco. O negócio é prender todo mundo.

Aí você pergunta, do seu mirante no já distante março de 2020: e os médicos? Respondemos aqui de 2021: o que tem os médicos? Você explica: estou perguntando pela medicina! Não há uma refutação acadêmica a esse instrumento bizarro (lockdown) fantasiado de certeza científica?

Não, querido antecessor. Não há refutação – pelo menos não em caráter institucional. Alguns falam isoladamente. O que há, de forma quase generalizada na classe médica, é uma complacência intrigante com a ideia de que vacinas desenvolvidas em seis meses sem tempo para verificar as reações orgânicas a médio prazo, especialmente nos mais vulneráveis, são a salvação da humanidade.

Se mais de 90% da população não correm riscos letais e os grupos mais vulneráveis são conhecidos, por que vacinar a população inteira, ainda mais de forma experimental? Resposta: para de fazer pergunta difícil. Entre num consultório médico e tente entender o que está acontecendo.

– Bom dia, doutor.

– Bom dia.

– Como vai?

– Vou bem, obrigado.

– Que bom.

– Tá quente demais, né?

– Muito, doutor.

– Saudade de esquiar.

– Ah… Imagino.

– Aqui nessa foto sou eu, minha mulher e meus filhos na Suíça.

– Certo.

– Fomos comemorar a conclusão do meu pós-doutorado nessa estação de esqui. Por isso a foto está ao lado do diploma.

– Ah, nem tinha reparado…

– Pois é, não fiz uma reprodução muito grande, pra não chamar atenção.

– Entendo. Então, doutor, a questão é que…

– Eu sei, eu sei. A gente não deve se envergonhar dos nossos feitos. Mas é que sou discreto, sabe? Low profile.

– Claro. Dá pra ver.

– E vou te confessar: eu não sou o melhor esquiador da família, não.

– Jura?

– Juro! Meu garoto mais velho é pentacampeão. Mas o caçula é muito bom também.

– Que bom. Deve ser a genética. Por falar em gene, estou preocupado com…

– Aí você falou tudo: é genética. Porque a minha mulher também esquia muito bem. Reparou no esqui dela na foto? Tínhamos acabado de comprar, presente de aniversário de casamento. Aliás, recebi o meu diploma de pós-doutorado no dia do nosso aniversário de casamento! Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não digo que foi o mais feliz, porque teve outros.

– Que bom, doutor.

– Você também esquia?

– Não, eu…

– Não sabe o que está perdendo. Se quiser posso te indicar um professor.

– Eu…

– O melhor. É meu amigo. Muito ocupado, mas se você disser que fui eu que indiquei ele arranja uma hora pra você.

– Obrigado. Eu vou…

– Eu também vou. Tenho que estar em meia hora sentado na mesa de um Congresso. E antes ainda tenho uma entrevista pra TV.

– Congresso?

– É, vou fazer uma palestra sobre a minha experiência clínica.

– Ok, doutor. Boa sorte. Não esquece o esqui.

CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

TODO MUNDO PEREIRA

Em minha última coluna, intitulada “Os laços é que são nós”, há uma poesia escrita que ora declamo – com consultas e sem receios.

Acredito que a narrativa de um “louco genuíno”, enchera-me de ilusões…

De repente, gostem.

DEU NO JORNAL

EXCELENTE NOTÍCIA

Recife foi o destino nacional preferido dos brasileiros que conseguiram fazer turismo em 2020, segundo pesquisa ViajaNet.

A cidade foi responsável sozinha por 3,3% das viagens domésticas do País.

* * *

As raparigas daqui do Recife estão felizes que só a porra com a preferência dos turistas pela nossa cidade.

Elas são o setor da economia local que mais fatura com os turistas que gozam (êpa!) aqui suas férias.

Parabéns pras nossas esforçadas profissionais, que ganham a vida dando duro e levando duro!!!

Raparigas recifenses em Boa Viagem: tem pés-de-rabo pra todos os gostos

DEU NO JORNAL

TOME UM SORVETE

Luís Ernesto Lacombe

Cansei da patrulha, de quem aponta o dedo, vigia a vida alheia. Querem empatia, a palavra da moda, mas eles próprios não são capazes de se colocar no lugar de todas as vítimas dessa loucura que vivemos. Tentam transformar pânico em virtude, um sentimento que não eleva moralmente ninguém. Quem coloca mais pessoas em risco: alguém que não usa máscara ou alguém que se submete passivamente ao sequestro de liberdades fundamentais? A resposta exige equilíbrio, e é o pânico que move essa gente incapaz de perceber que preservar a liberdade é também defender a vida.

Tenho empatia pelos milhões de trabalhadores por todo o Brasil obrigados a enfrentar aglomerações no transporte público, ônibus, trens, metrôs. Pelas famílias numerosas que vivem em apenas um cômodo, num barraco, numa favela. Tenho empatia pelos que perderam o emprego, os que perderam a renda, os que quebraram, os que estão passando fome, os que não podem comprar remédios, os que dependem de um sistema público de saúde que sempre beirou o colapso e, diante da derrocada econômica, ficará pior. Aqueles que não usam serviços de entrega em domicílio, que não têm internet, plataformas de streaming.

Tenho empatia pelos estudantes impedidos de ter aulas presenciais, por todos que sofreram e sofrem com a violência, a violência doméstica, com os mais variados abusos, aqueles que perderam as esperanças, que foram empurrados para a depressão, que têm parentes e amigos que desistiram, que se mataram. Também por aqueles que, reféns do pânico, abandonaram tratamentos importantes, os que não fizeram exames para detecção precoce de doenças e agora enfrentam desafio muito maior do que um vírus que, sim, é potencialmente mortal, exige cuidados, mas tem taxas de letalidade e transmissibilidade baixas.

Tenho empatia por médicos que não defendem interesses políticos e comerciais, que são livres, que lutam pela vida, que seguem os ensinamentos de Hipócrates, o pai da medicina. Por todos aqueles que defenderam, desde o início, o isolamento vertical, apenas dos grupos de risco, pessoas mais velhas, com doenças pré-existentes e, claro, dos infectados. Portanto, repudio, com todas as forças, quem fala em ciência, despreza estatísticas e não prova que confinamentos pesados têm algo a ver com redução de números totais de infecções e mortes e são capazes de deter o avanço do vírus.

Tenho empatia pela população de Búzios e de Manaus; pelo prefeito de Porto Feliz e tantas outras cidades de São Paulo. Eles sabem que todas as vidas importam, que mais gente padecerá vítima de um falso ou equivocado combate ao coronavírus do que vítima da doença que o vírus chinês provoca. O risco maior são as decisões desequilibradas, até de juízes que fazem política, que se empenham na luta pela liberdade de bandidos, mas não pela liberdade de todos nós. Vá ao shopping center, tome um sorvete e pense nisso.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Caro Berto,

Hoje, enviaram-me um vídeo, cujo título me chamou a atenção: “A lei do retorno existe? Médico trata professor que o ajudou a entrar na faculdade de medicina. (Consultor Frota)”.

Ao ler a pergunta “A lei do retorno existe? ”, lembrei-me de um livro que li há alguns anos: “Da morte ao Nascimento – Entendendo o Karma e a Reencarnação” – Autor: Pandit Rajmani Tigunait, Editora Pensamento, tradução: Carmen Fischer, São Paulo, 1997.

Nesse livro, o autor ressalta que a palavras karma significa “ação”. Todas as nossas ações – com exceção das que estamos realizando – são karmas. As ações do agora, isto é, as que se estão realizando são kryias, enquanto as já concluídas são karmas. Portanto, as sementes do karma estão nas kryias, pois as ações que estão sendo realizadas tornam-se imediatamente ações concluídas. Quando uma ação é concluída, essa ação em si não existe mais em sua forma bruta, porém o efeito dela acaba por manifestar-se no futuro. Ambos, ações e efeito, são armazenados, em suas formas sutis, na mente inconsciente e são conhecidos como “karmas”.

Atualmente, a palavra karma tomou conotações negativas. Por isso, tanto no Oriente quanto no Ocidente, as pessoas fazem afirmações do tipo: “isso deve ser meu karma”, quando algo desagradável lhes acontece. Essa reação negativa, diz o autor, é uma distorção do conceito. O karma tanto pode ser positivo como negativo, louvável ou abominável.

Dessa forma, o karma nada mais é do que o efeito de uma causa. Por isso, a lei do karma, ou seja, a lei do retorno, diz simplesmente: “colhemos aquilo que plantamos”.

Constatemos tudo isso neste comovente vídeo:

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A VIAGEM DE PAPEL

Cada livro lido é uma viagem realizada

Nasci pobre. Continuei pobre e ainda sou pobre. As únicas riquezas que consegui amealhar, poupar e quintuplicar, foram os valores humanos e morais “depositados” nos porquinhos da minha vida pelos meus pais. Prosperei e, com certeza, vou deixar um bom saldo para meus filhos.

Por isso, muito provavelmente, nunca consegui viajar para fora do País. Nunca carimbei passaporte. Entretanto, com muita fé e coragem aceitei que, “ler, é viajar”! Cada livro uma viagem, com os conhecimentos, as paradas e rodopios feito um beija-flor.

Assim, sentado numa confortável poltrona sem numeração, viajei. Conheci até outro planeta e ali fiz amizade com uma raposa, com quem me habituei a cada fim de tarde olhar o pôr do sol e contar quantos lampiões o Acendedor acendia. Até aprendi a esperar o amadurecer das uvas, que a raposa teimava em vê-las sempre verdes.

Passei a juventude quase toda em Salvador. Conheci e convivi com quase todos os capitães daquela maravilhosa areia. Fui ao Pelourinho e os recantos mostrados por cada Jorge antes do encantamento.

O conhecimento pelo livro será sempre maior que os carimbos nos passaportes

Viajei no Expresso Oriente, bati longo papo com Hércule Poirot, e até o ajudei a descobrir alguns segredos. Ainda nessa viagem conheci vários quilombos e fiz amizades duradouras com mais de dez negrinhos. Na parte da tarde, dei milho aos pombos.

Nos rotulados anos de chumbo e exceção da década de 60, visitei Itaguaí e juntei todas as memórias do cárcere. Tudo parecia sonho. Mas era uma viagem real a cada página virada e uma nova escala a cada capítulo.

Ler é viajar, sim!

O livro é o único passaporte que a “esteira” não bloqueia

Neste exato momento estou no meu assento preferido. Sempre ao lado da janela, para melhor olhar as belezas que a Terra nos mostra, e que vão ficando para trás, renovando as esperanças que, mais na frente, nossos olhos premiarão nosso coração com o melhor roteiro.

Não suportei viver a arrogância, tampouco as atitudes descabidas dos Onze, cada um escondendo o pudor e o respeito aos semelhantes – como se eles, ao morrer, tivessem pelo menos direito a uma honrosa lápide.

Sentei na cadeira. O ônibus da vida vai partir e, neste exato momento, sigo para me encontrar com uma Pequena Abelha.

DEU NO JORNAL

SUPREMA DITADUTRA

O Supremo Tribunal Federal (STF), que se atribuiu o papel de legislador, já impõe à boa técnica de redação um artigo final nos projetos de lei aprovados no Poder Legislativo: “Até que o STF decida em contrário”.

Para substituir o velho “Revogam-se as disposições em contrário”.

* * *

Onze urubus agourentos atanazando a vida do Brasil.

Onze urubus que se atribuem o papel de judiciário, legislativo e executivo.

Uma ditadura togada aterrorizante, que não para de tiranizar o país, se aproveitando do cochilo que estão tirando o cabo e o soldado.

Xô, xô, xô!!!