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DESSA VEZ ELE CAI

* * *

Gigantesca manifestação em Brasília.

Foi hoje, domingo, dia 31 de janeiro.

Para que o mundo inteiro tomasse conhecimento do poderoso movimento, os cartazes estavam escrito em inglês:

Stop Bolsonaro

A Esplanada ficou superlotada com a fantástica multidão de manifestantes antibolsonaristas.

O presidente tá fudido: dessa vez ele cai.

De hoje pra amanhã ele desocupa o palácio.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DO PAU DECIFRADO – Bocage

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um U;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setúbal, Portugal (1765-1805)

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CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

“EIS O MISTÉRIO DA FÉ”

Ao homem causa deslumbre o desconhecido. Arrebata-lhe violento esse misto de temor, força e curiosidade. Uma fúria que acovarda, um impulso que trava, um acordo tácito de um conhecimento talvez movediço. O mistério é um dramaturgo que não apresenta jamais os desfechos de sua temática.

Terá sempre a fé a preponderância dos enigmas. A promessa de paraíso que nos faz navegar, na diretriz de seu horizonte, sob o mar sacro da bússola temporal. Imensa e fecunda, fé! Eis que o maior dos mistérios nos conscientiza de nossa finitude e nos faz crer eternos. Tolhe e semeia, poda e germina.

O mistério é o que nos aprisiona no afã tolo da liberdade sonhada. Assim, quem domina parte do saber, torna-se mira de um fascínio interminável: fiapo terrestre de Deus, esgarçado de dúvidas, mas certo da devoção.

A morte e a vida, a presença e a falta, todos se cobrem no tecido tão áspero quanto brilhante do indecifrável. Seduzem por seus mistérios! Despem-se, ou não, na incerteza de um enlace com os caprichos do acaso.

A crônica O Avião de Paulo Afonso, da Obra A prisão de São Benedito e outras histórias, envolve-nos em seus dogmatismos, desde o espanto “apocalíptico” à gênese dos personagens, feito se pudéssemos voltar e reescrever nossas histórias. Creio que o criador parira o romance sem prever que os seus leitores batizá-lo-iam nas águas de seus olhares sorridentes. Alcancemos os sinais! A lágrima da graça é santa.

O escritor Luiz Berto cria o (no) Juízo Final. Ouçamos as trombetas!

Berto disse: Haja voo! E no ar se fez…

(adaptação do início da crônica à métrica – a poesia foi por conta do romancista).

* * *

Essa história sucedeu
Em um tempo já passado;
Mas lembro perfeitamente,
Na memória tá gravado.
Dia da Besta Fubana,
Era manhã de semana,
Estava aberto o mercado.

Haviam até comprado,
Carne e verdura do almoço,
O guisado temperado
Por mãe quando eu era moço,
Logo o mistério insinua,
Jogava ximbra na rua,
Quando vi o alvoroço.

De repente, o esboço:
Besta Fubana voando,
Um barulho tomou conta,
Dos céus viria o comando,
De Deus seria um repúdio?
Parecia um prelúdio,
Do fim do mundo chegando.

Passava matraqueando,
No espaço, o estampido,
Monótono e ritmado,
De ensurdecer atrevido.
Cada paragem ruidosa,
Que a Palmares silenciosa,
Nunca então teria ouvido.

Um barulho tão temido,
Nada no céu enxergamos,
Olhamos tanto sem ver,
Aquilo que escutamos;
Num segundo, a rua cheia,
Parecendo ser a meia,
Da vida que nem calçamos.

Foi quando enfim avistamos,
Parecendo até magia,
Lá por cima dos telhados,
Com rapidez se insurgia:
O avião sem ter as asas!
No chão, vazias as casas,
Sem saber quem morreria.

Ninguém ali viveria,
Fascinante e anormal,
Afinal que era aquilo,
Um recado ou um sinal?
Por deveras preocupante,
Nada é mais impressionante,
Do que o Juízo Final.

GUILHERME FIUZA

A ÉTICA DOS CONDENSADOS

Tem certas horas que é melhor falar de culinária. Vai aqui então uma receita da vovó para adoçar um pouco mais a sua quarentena vip.

Pegue uma lata de leite condensado e derrame três quartos dela no seu cérebro. Espere o tempo necessário até sentir que a sua honestidade intelectual esteja 100% embotada. Se tiver dúvidas, consulte o site do Butantã. Depois mexa bem até que todos os seus neurônios passem a chamar urubu de meu louro e egoísmo de empatia.

Concluída essa etapa, pegue o conteúdo restante da lata de leite condensado (um quarto) e derrame nos seus olhos, para não correr o risco de se olhar no espelho. (Nota da vovó: alguns preferem realizar essa parte da receita jogando fora os espelhos de casa. É válido, mas nem sempre se chega ao ponto certo, porque às vezes uma porta de vidro ou mesmo uma tela apagada podem súbita e inadvertidamente mostrar a você a sua própria cara).

Com seu cérebro embotado e seus olhos melecados, pare um pouco de salvar a vida de ninguém pelo zoom (você merece um descanso) e pegue uma panela vazia. Não ponha nada dentro dela, porque, como já dizia vovó, panela em quarentena vip é tamborim. Agora apanhe uma colher, vá para a janela do seu belo apartamento e plec-plec-plec-plec! Assim você estará denunciando o escândalo do Leite Moça que destrói o país e põe vidas em risco, conforme você leu nas melhores fake news de grife.

Aproveite que o mundo está olhando para o seu heroísmo e faça o V da vitória e da vacina. Peça à equipe científica do Butantã para te explicar que o V se faz com dois dedos. Mas se a vacina for meia-boca, como é a sua, pode fazer com um dedo só. Preferencialmente use o dedo do meio, em homenagem às cobaias que estão pagando o experimento dos laboratórios bilionários.

Você está fazendo história com o Sarney, o Dória, o FHC e o Temer – todos recomendando uma vacina que não tem estudo suficiente para idosos, mas tudo bem porque ali ninguém é idoso. Só vaidoso. Vá, idoso! Pra onde? Procura na receita da vovó.

Agora que o seu spa está mais doce do que nunca, pegue o seu deleite condensado, misture com o seu espírito de porco e saia gritando “fique em casa”. Pode ficar tranquilo porque com o seu cérebro embotado e seus olhos grudados de Leite Moça você não vai enxergar os ônibus lotados, nem os idosos na periferia aglomerados em casa com os jovens que vieram dos ônibus lotados. Você só vai ouvir a suave cantilena da Lady Gaga te dizendo que está tudo bem na quarentena vip e o vírus está desolado do lado de fora. O corona só pega negacionista e quem não tem avião pra seguir a ciência até Miami.

Ingrediente final para o seu delicioso brigadeiro ético: pegue um laudo de eficácia do lockdown (você encontra em qualquer camelô chinês) e entregue às pessoas que estão adoecendo em casa, sem liberdade e sem emprego. Mande por motoboy, porque o que você ouviria se saísse do zoom não pode ser publicado numa coluna de culinária.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O ENCANTAMENTO EM CADA UM DE NÓS

“Um dia, todos seremos estrelas no firmamento divino”

A selva que se inicia em cada um de nós

Ontem no exato momento que caía uma forte e contínua chuva, sem perceber que os anos se passaram e que envelheci, parei de ler, fechei o livro, e me pus a observar o direito aparentemente sagrado do ir e vir das estrelas, durante a noite.

Um desenho animado e multicolorido nos céus. Parecendo uma chuva de meteoros.

Aflito, resolvi fazer à mim mesmo uma pergunta:

– Por que os nossos direitos de ir e vir, não são assim, como o das estrelas?

Ninguém me respondeu. Não obtive resposta alguma. Nem mesmo de mim mesmo, à quem perguntei. Fiquei calado, pois não tinha mesmo o que responder.
Aliás, não sabia o que responder.

– Por que as estrelas, tão brilhantes e cintilantes, podem passear, ir e vir, e nós humanos, não?

Eis que uma voz distante, que provavelmente somente eu ouvia, respondeu trombeteando:

– Pois, transforme-se numa estrela, ora!

Me bastou a resposta da minha imaginação. Me bastou o campo ocupado do meu tempo – e assim, tudo me bastou.

Reabri o livro. Voltei à leitura.

Mas, ainda com o pensamento viajando – sempre para o passado efervescente da juventude – voltei a fechar o livro. Agora, deixando-o cair no chão de forma proposital.

Voltei o pensamento para a primeira namorada. Corpo bonito. Limpo de muitas coisas ou quaisquer outros problemas. Corpo jovem, viçoso, enfim. Seios rijos, dentes alvos e limpos, boca bonita protegida por um buço que, de tão real, precisava olhar com a lupa para ser percebido.

A beleza da terra e da noite de lua

Por que envelhecemos?

Que razão há para isso?

Por que, não permanecemos eternamente jovens?

Eis que, distante dali, aquela mesma voz que interferira noutro momento, mas ainda longe, e agora em tom mais suave, voltou a sugerir:

– Pois, transforme-se numa estrela!

A PALAVRA DO EDITOR

ENQUETE

Será fechada hoje a enquete que está no ar, promovida pelo Instituto Data Besta, o mais sério e confiável da praça.

Neste dia bonito, exerça sua cidadania fubânica.

Vá aí do lado direito e dê o seu pitaco.

Um excelente domingo pra todos os nossos leitores!!!

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CORDEL A TRADIÇÃO DO REISADO

Esse cordel participou em Janeiro de 2021 do Sesc Cordel Podcast Crato-Ceará

Desenho desta colunista

1
Hoje vou pegar retalhos
De histórias no pensamento
Pra costurar um cordel
Tecendo cada momento
Com fios da tradição
Na trama da narração
Expondo cada elemento.

2
É da tradição cristã
Essa festa que seduz
E tem como inspiração
O pequenino Jesus
E a visita dos Reis Magos
Que trouxeram seus afagos
Guiados por uma luz.

3
Seguindo uma bela estrela
Belchior e Baltasar
Fizeram longo percurso
Lado a lado com Gaspar
Pois saíram do oriente
Cada um com seu presente
Para o menino ofertar

4
O ouro, o incenso e a mirra
Trouxeram na ocasião
E ofertaram a Jesus
Em meio a adoração
Nasceu desse ritual
O presente de Natal
Que se tornou tradição.

5
Nascimento de Jesus
Passou a ser celebrado
O mundo inteiro faz festa
E nós fazemos dobrado
Nasce a festa popular
Divina espetacular
A qual chamamos Reisado.

6
E foram os portugueses
Em tempos coloniais
Que trouxeram seus costumes
Legado dos ancestrais
Culinária e devoções
Festas e celebrações
Herdamos os rituais.

7
No dia seis de janeiro
Tem festejo e alegria
O povo todo animado
Se prepara nesse dia
E na Folia de Reis
Brincantes de muitas greis
Celebram com cantoria.

8
A festa é bem variada
Em sua apresentação
Quando se tira reisado
É feita a visitação
Um grupo de porta em porta
Em cada morada aporta
Com cantos de louvação.

9
Louvam o dono da casa
E Jesus de Nazaré,
Sem esquecer de Maria
E também de São José
Para a festa pedem prendas
Logo após as oferendas
Prossegue o cortejo a pé.

10
O grupo sempre arrecada
Bebida e também dinheiro
Apresentam-se em praça,
Em alpendre e em terreiro
Vestidos com fantasia
Vão espalhando alegria
Num trajeto prazenteiro.

11
A Festa dos Santos Reis
Também chamamos Reisado
E de Folia de Reis
Dependendo do condado
Cada um tem seu enredo
Para atrelar ao folguedo
Costumes próprio do Estado

12
Cada grupo tem seu mestre
E também sua bandeira
Usam roupas coloridas
Dançam, fazem brincadeira
Instrumentos musicais
Até bandas cabaçais
Pra animar a pagodeira.

13
Tem viola e violão
Tudo enfeitado com fita
Tem reco-reco e sanfona
Também cantiga bonita
Tem o toque do pandeiro
Tem tambores no terreiro
Muitas cores muita chita.

14
No Cariri Cearense
O Reisado é tradição
A festa é bem grandiosa
É de chamar atenção
Pois ali brinca a criança
Repleto de esperança
Também brinca o ancião.

15
Tem dança, teatro e música
Todo tipo de reisado
Tem de couro e de careta
Grupo diversificado
Também nessa caminhada
Ainda tem a congada
Tudo bem organizado.

16
Em cada apresentação
Seja nas casas ou praça
A meninada feliz
Do palhaço instiga graça
E Mateus chega animado
Pulando pra todo lado
Em cena não se embaraça.

17
Sempre ao lado de Mateus
Nessa festa nordestina
Aparece chafurdando
A gaiata Catirina
Com as suas presepadas
O povo dá gargalhadas
Enquanto ela desatina.

18
O feioso Jaraguá
De todos chama atenção
Já chega batendo o bico
Dançando com seu jeitão
Ele mexe o corpo inteiro
E faz o maior salseiro
E agrada a população.

19
Tem, mestre, rei e rainha
Nos folguedos pra Jesus
E tem coroa dourada
Que na cabeça reluz
Cada vez que o mestre apita
O grupo entra na fita
E assim o mestre conduz.

20
A burrinha é atração
Sapeca e bem aplaudida
Sua dança é envolvente,
Sua veste é colorida
Bem faceira e dançadeira
Faz parte da Brincadeira
E dança toda exibida.

21
Entre o gracejo e a dança
Tem combate tem porfia
Lembrando os gladiadores
Na luta que contagia
Geração a geração
Se pratica a tradição
De adereço e fantasia.

22
É bem diversificada
Essa festa popular
É a vontade do povo
Que faz o Reisado andar
Só com criatividade
Paixão e capacidade
Se consegue festejar.

23
É profana e é sagrada
é de maria e José
É festa que se destina
Ao bom Rei de Nazaré
É festa pro nordestino
Que ao Tirar o Divino
Iça o estandarte da fé.

24
Para falar de Reisado
Fui seguindo a minha Luz
Como fez os três Reis Magos
Ao visitarem Jesus
Foi a musa estrela guia
Ela de noite ou de dia
É sempre quem me conduz.