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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – BELÉM, NÃO DE JUDÁ, MAS DO PARÁ

O QUE SIGNIFICA O JBF?

Prezado Berto,

Essa mensagem, inicialmente, era apenas um comentário ao último artigo do Mauricio Assuero (UM AGRADECIMENTO).

Como ela começou a ficar tão grande, como invariavelmente acontece com os meus comentários, resolvi retrabalhá-la e transformar em um artigo separado, com a minha mensagem de final de ano para você e toda a comunidade fubânica.

Ela começava assim:

Prezado Maurício, apesar de não nos conhecermos, pessoalmente, assim como o Luiz Berto, e todos os outros fubânicos, cujos tantos nomes terei que me furtar em desfiar, é realmente impressionante – e não me canso de externar este sentimento – o que o Jornal da Besta Fubana representa para mim, e tenho certeza, para a maioria de nós.

O JBF é o boteco que não frequento, aquele mesmo!, do ponto de encontro, que dá vontade de largar tudo para encontrar os amigos e jogar conversa fora.

Ou mais especificamente, a mesa do boteco, aquela mesmo!, a reservada, a cativa do grupo. A “Stammtisch” do alemão.

Ou como aquela confraria de intelectuais dos anos 50, em Belém do Pará, que se reuniam, alternadamente, nas casas dos confrades, para falar de política e literatura; ou da viagem que um deles fez de navio, ao Rio de Janeiro, e voltou ansioso para contar as novidades da então capital do país. Confraria esta que, desde criança, por ter ouvido apenas os relatos saudosos dos amigos ou parentes mais velhos que a frequentaram, habita até hoje minhas entranhas, no desejo mais profundo, nostálgico, de experimentar, aquilo que jamais poderia ter vivido.

O JBF é o clube de filatelia que cheguei a frequentar nos anos 70, na antiga agência central dos (pobres) Correios, da Presidente Vargas, próximo a Praça da República, no centro de Belém. E que ainda existe até hoje. Ao comprar, trocar e conversar sobre os selos, viajávamos pelos quatro cantos mundo, pela história, política, geografia.

(Não tem como não sentir pena (?) dessas pobres crianças, hoje em dia, viciadas em celular).

Mas “confraria” é o termo que mais mexe comigo, pois vem da junção dos termos, em latim, “com”, que quer dizer “junto”, mais “frater”, que quer dizer “irmão”.

Como no esplêndido filme “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, pedindo licença ao Altamir Pinheiro para me assanhar um pouco na sua seara, em que uma sociedade literária surge em uma pequena comunidade para ajudar seus membros a superar as agruras da ocupação alemã durante a segunda guerra mundial.

O JBF é a nossa confraria, a nossa sociedade literária. E que sociedade!

E como tantas vezes já foi dito, com o uso e abuso da palavra “Democracia”, a mais maltratada desses tempos sombrios da inversão de valores, do politicamente correto e da imbecilização da sociedade:

O Jornal da Besta Fubana é o espaço mais DEMOCRÁTICO dessas paragens cibernáuticas. Aquele verdadeiramente livre, aberto, de qualquer tipo de censura. E justamente, e unicamente, e fubanicamente, por isso, tenho certeza, a maioria de nós ainda continua aqui.

Parabéns Luiz Berto, por ser pai desta criança. Por conseguir reunir tanta gente mal-assombrada, como você gosta de dizer, de todos os rincões, desse continente que ainda está querendo ser um país. Lugarzinho este, que durante a sua (a)fundação, e com base na distribuição das placas tectônicas, Deus teria dito:

– “Apesar d´Eu colocar esse país bem no meio da placa, livre de terremotos e vulcões, tsunamis e furacões, e ainda abrigar o mais espetacular espectro de recursos naturais – minerais, hídricos e florestais – apesar de tudo isso…. Esperem só pra ver o povinho que eu vou colocar lá!

É Luiz Berto, você selecionou a dedo, para o JBF, dentro desse malsinado povinho, o que há de melhor na literatura, na música e na poesia; na análise crítica sensata, fria e perspicaz, dos diferentes temas da economia e da idiotia. E sempre entremeado da mais perfeita e inteligente ironia. Que só você sabe tão bem fazer (já lhe disse várias vezes que aprendi esse estilo com você!).

Era isso, meu caro. No passado já lhe enviei, pelos Correios (arghh, ele outra vez!), uma garrafa da nossa incomparável cachaça com jambu, e que até hoje me culpo se não foi ela a responsável pelo seu piripaque fubânico.

Hoje, como não tenho mais o que lhe mandar, do plano material – na verdade, que você nem precisa – deixo um pouco daquilo que nos une, que me atrevo a fazer no meio de tantos, tão mais ilustres e melhor conhecedores desta arte, do que eu.

As letras, que estou tendo como privilégio de praticar aqui, neste espaço inominável, do JORNAL DA BESTA FUBANA.

Um feliz e abençoado ano novo, de muita luz, fé e esperança, para você e sua família, caro amigo, extensivo a todos os queridos amigos que fazem a nossa comunidade fubânica.

R. Vou dizer o quê?

Chega se engasguei-se-me todinho quando li tanta generosidade pra cima deste Editor e do seu trabalho.

Num vou falar nada.

A satisfação e a alegria que senti com esta sua mensagem me fizeram ficar de língua travada.

Quero apenas dar um aviso:

Hoje de noite vou botar minha vestimenta de Pai Babachola pra fazer um catimbó bem forte em favor de todos os amigos fubânicos, essa patota arretada que me dá força e estímulo neste incessante trabalho de abestalhar o mundo.

Um catimbó que irá trazer pra todos vocês saúde, paz, felicidade, tesão e saldo sempre positivo na conta bancária!!!

Só não vai ser possível trazer boniteza…

Olhem pra cara de Adônis e vocês entenderão o que estou dizendo…

Este Editor vestido de Pai Babachola

AUGUSTO NUNES

LULA NAMORA NA ILHA QUE AMA

Em 1º de janeiro de 1961, quando os guerrilheiros vitoriosos entraram na capital de Cuba, havia uma ditadura a desmontar, prostitutas demais em Havana e uma economia dependente da cana-de-açúcar. Passados 61 anos, há em Cuba uma ditadura comunista a derrubar, prostitutas demais em Havana e uma economia que depende da monocultura da cana. A história nem sempre se repete como farsa. Pode ser uma reprise mais angustiante da tragédia anterior.

Conheci Cuba em 1987. Nunca mais quis repetir a dose. Sete dias por lá bastaram para constatar que não há valor maior que a liberdade. Que as deformações sociais podem e devem ser eliminadas sem a supressão do estado democrático de direito. Que governantes fantasiados de homens providencias são apenas patéticos. Que a vida numa ditadura é uma sequência de perdas e renúncias, impostas pelo Estado onisciente, onipotente e onipresente.

Aprendi naquela semana que o regime cubano emagrece. Nas ruas só havia gente magra. Descobri no jantar de despedida que os gordos estavam todos em altos cargos do governo, distantes dos conformados com décadas de racionamento. “Se o povo visse isso, a ditadura naufragaria no dia seguinte“, disse a mim mesmo ao contemplar o cenário de filme épico sobre o Império Romano. A decoração incluía cataratas de frutos do mar e iguarias desconhecidas pela gente comum.

Lula ignora o mundo dos cubanos sem privilégios, sem horizontes, sem esperança. O ex-presidiário foi desfrutar de férias em Cuba, levando junto a namorada Janja, porque o universo que frequenta na ilha-presídio é privativo dos amigos do rei.

Enquanto o pesadelo durar, Lula pode passear por Havana sem ouvir as verdades que o acuariam se desse as caras numa rua do Brasil. Lá, ele é um companheiro injustamente preso por motivações políticas. Aqui, é apenas um corrupto, resgatado da gaiola por cúmplices alojados no Supremo. Sempre será.

COLUNA DO BERNARDO

A PALAVRA DO EDITOR

ATAQUES AÉREOS URUBULÍSTICOS

Hoje pela manhã amanheceu tudo fora do ar.

Tanto a página de edição, onde trabalho as postagens, quanto a página desta gazeta escrota, acessada por nossos leitores.

Quando tentei abrir, apareceu um aviso na minha tela explicando porque estava tudo travado:

Invasores tentando roubar até o deficitário cartão de crédito do Complexo Midiático Besta Fubana.

Vôte!!!

Desconfiei logo de 11 urubus que andam rondando o telhado da nossa redação.

Chupicleide passa o dia todo espantando-os com uma vassoura e gritando “Xô, xô, xô”.

Bartolomeu, nosso eficiente técnico e hospedeiro, que cuida deste espaço com muito competência e dedicação, resolveu tudo e, felizmente, as coisas voltaram ao normal.

Prometo a vocês que, antes do ano acabar, a edição de hoje estará nos ares, saciando o desejo dos nossos viciados.

Teve gente que surtou e o volume de mensagens que recebi com reclamações e apelos foi bem acima do normal.

Chega fiquei com pena da choradeira.

Fecho a postagem com este áudio que foi colocado no zap, no grupo “Cabaré do Berto” (essa turma é de lascar…), gravado pelo nosso estimado colunista Jesus de Miúdo.

Vejam só o tipo de desmantelo que pode ser causado pela abstinência fubânica:

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

MEUS QUERIDOS RÉVEILLONS

Nos anos dourados, 50/60, em nossa cidade, na virada de ano, ainda não havia festa de fogos de artifícios na orla. As festas populares eram de rua, na Praça Afrânio Jorge ou Sinimbu, onde se armavam palcos para o pastoril dançar e apresentações dos exuberantes folclores: chegança, guerreiro, reisado. O povão comemorava a passagem de ano nas barracas com a família ou em casa

A classe média organizava a festa da virada de ano nos clubes. Eu, como um bom morador da Avenida da Paz, festejava o ano novo no animadíssimo Réveillon do Clube Fênix Alagoana. Baile chique, homens trajavam smokings pretos com gravatas borboletas, faixas na cintura e as mulheres em cintilantes vestidos de bailes longos. Ao romper o ano novo no salão nobre do clube, os abraços não davam para quem queria. Momentos de alegria, beijos, chapeuzinho e apito. Também um bom momento para rever amigos que estudavam ou moravam fora.

O baile era animado pelas melhores orquestras do Brasil, Tabajara de Severino Araújo, até a Casino de Sevilha. Muito charme, champanhe, comidinhas e moças bonitas desfilando em seus vestidos prateados, deslumbrantes. A mesa de meu pai era constantemente visitada para abraços e doses de uísque. Eu não parava, dançando com uma moça bonita ou cumprimentando os amigos. Tomava um bom uísque nas mesas mais animadas de Benedito Bentes, Teotônio Vilela, Jorge Quintela, Ardel Jucá. Cerca de duas horas da manhã a orquestra suspendia a música para anunciar a rainha do Clube Fênix. As jovens desde o início desfilavam informalmente, como se nada quisessem, eram candidatíssimas ao cetro de rainha.

Os metais sinfônicos tocavam músicas da época, bolero, chá-chá-chá, casais de namorados dançando de rosto e corpo colados no salão. Pelas quatro da manhã, de repente: uma, duas, três batidas de bombo anunciava o carnaval. A moçada e as senhoras de belos vestidos longos e cintados, os homens de smokings caíam no passo com o Vassourinhas ou cantando com alegria as marchinhas de Capiba.

“Mandei fazer um buquê para minha amada, mas sendo ele de bonina disfarçada…o brilho da estrela matutina…adeus menina linda flor da madrugada….” (escute a música no final da postagem…)

Iniciava o ano novo com um animado carnaval. Nada mais alegre, mais feliz. Ao despontar o dia, o Maestro Passinha descia com a orquestra em direção à praia tocando as mais belas canções e frevos de carnaval acompanhado pelos foliões bem vestidos. Amigos de braços dados, namorados aos beijos continuavam a festa vendo surgir um ano novo, amanhecendo o dia cantando e dançando embaixo das amendoeiras da Avenida, com direito a mergulho de roupa no mar calmo de uma luminosa manhã. Surgiam novas esperanças..

Namorados ainda bêbados, alegres, com o paletó do smoking aberto, o vestido caprichosamente costurado durante meses para o baile do réveillon, mergulhavam no mar ainda alaranjado pelo sol nascente, saudavam Iemanjá, Netuno e a vida. O réveillon dos anos dourados, da gente dourada, acabava na praia, como se fora a abertura do carnaval.

No primeiro dia do ano, depois de uma virada carnavalesca, eu acordava tarde, vestia um velho calção de banho, descia à praia da Avenida. Nas rodinhas de conversa, de paquera, embaixo das sombrinhas, o assunto era o réveillon, quem namorou, quem acabou o namoro, a rainha não merecia, tinha moças mais bonitas, essas conversas de jovens saindo da adolescência.

Na hora do almoço as meninas iam para casa, enquanto nós jovens, sadios, com força e vigor, continuávamos o primeiro dia do ano tomando uma cachacinha nos bares da praia em Jaraguá, perto dos trapiches, frequentados pelas raparigas amantes de banho de mar, às vezes, subíamos as escadas dos casarões para desejar um feliz ano novo às jovens que faziam vida nas pensões do bairro boêmio.

Os homens em suas imaginações férteis, às vezes maldosas, criam previsões infactíveis, como: o fim do mundo; um cometa destruirá a terra nos próximos anos; a existência de uma teia de aranha cobrindo o nosso planeta e outras babaquices. No final de 1959 um astrólogo do sul do país espalhou que o homem negro na passagem para 1960 iria virar macaco. Foi criado um verdadeiro terror, quem era realmente negro, analfabeto, ficou bastante preocupado com essa possível transformação em macaco. A brincadeira de mau gosto correu como uma onda em Maceió. Um amigo, Gerson, negro que nem um tição, melhor jogador de futebol da praia, me confidenciou, estava com medo da chegada do dia 31 de dezembro. Eu custei a convencê-lo que não passava de uma galhofa de péssimo gosto. Houve um clube que decorou o salão com bananeiras e bananas, foi o Réveillon da Banana.

Nelson Ferreira grande compositor pernambucano pegou essa notícia esdrúxula e compôs um frevo, muito tocado durante carnaval, dizia mais ou menos assim:

“Dizem que em sessenta… Negro vai virar macaco… Vejam só a grande confusão… Se for verdade essa Operação Macaco… Penca de banana vai custar um milhão.”

Terminava a música se lastimando que o Brasil ia perder Pelé e Didi. Hoje, certamente, Nelson Ferreira seria crucificado.

Assim eram nossos réveillons, cheios de charmes e histórias fantásticas. Um excelente 2021, que todos sejam vacinados, e que amanhã tudo volte ao normal, deixa o ano acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar…

* * *

PENINHA - DICA MUSICAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AOS OLHOS DELE – Florbela Espanca

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA