PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AOS OLHOS DELE – Florbela Espanca

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM AGRADECIMENTO

Chegamos ao final de 2020 com muitas mágoas, com muita tristeza causada pela dor da perda de pessoas amigas, de familiares e, até mesmo, de outros que a gente conhecia através da arte como Aldir Blanc, Paulinho do conjunto Roupa Nova, Armando Mazareno, dentre tantos. Faltou uma ação associada ao “fique em casa” esperando os pulmões estourassem para depois procurar o hospital e ser matéria prima da imprensa noticiando mais uma morte em letras garrafais. Eu sou amante da Física e nela um tema que muito me atrai é a dinâmica que estuda as causas dos movimentos. Faltou isso: estudar as causas.

A ciência deixou muito a desejar. Não apenas porque não produziu respostas imediatas, mas também porque não se prontificou a explicar fenômenos fora do padrão e dentre estes eu cito o caso do número de óbitos na África bem menor do que muitos países desenvolvidos. O que tivemos lá de tão diferente? Muitos se referiram ao uso de remédios contra verminoses, notadamente o ivermectina. Eu não estou aqui dizendo que o uso do remédio evitaria a doença ou a morte. Ainda não tirei meu diploma de imbecil. O que estou dizendo é que onde foi usado houve menos mortes. É só comparar com as demais regiões. Eu não sou imbecil para acreditar numa correlação significativa entre número de óbitos e dosagem de ivermectina. Só um tolo pensa assim. Mas, caberia à ciência analisar se havia causalidade, no mínimo, uma relação de causalidade. Custava o quê? Não sei, mas talvez menos mortes! A ciência tem suas escolhas e raras estão dissociadas do poder econômico e do interesse político. A ciência sustentou a produção de gases para matar judeus nos campos de concentração.

Vamos entrar em 2021 sob os auspícios de uma vacina. É necessário? Lógico! Mas, onde está nosso Albert Sabin? Esse cara foi o maior exemplo de dignidade para quem faz ciência. Ele renunciou aos direitos de patente da vacina contra poliomielite pelo mundo, fato que permitiu uma difusão maior da vacina e que, graças a isso, eliminou, quase que totalmente, o vírus da poliomielite no mundo e o ele não ganhou um centavo com isso. Não há mais Sabin no mundo? Creio que não. Há uma indústria farmacêutica que visa lucros com o AZT que o SUS compra para dar, diariamente, aos soropositivos. Uma indústria que lucra com as aplicações de quimioterapia, a cada 21 dias, ao preço módico de R$ 5 mil (tomando como referência uma medicação dada a minha irmã em 2006) por aplicação. Precisa ser muito burro para ofertar um remédio que cure a AIDS, o câncer, a diabetes, etc. Precisa ser muito burro mesmo.

Infelizmente a memória de longo prazo não funciona para alguns, mas parece que as pessoas colocaram no esquecimento a campanha massiva da indústria farmacêutica contra os remédios genéricos, numa alucinada divulgação de que eles não serviriam. Usaram médicos cujas pesquisas eram financiadas por laboratórios para defender remédios de marca. Eu vejo tudo isso hoje exatamente como um flashback. Grandes autoridades médicas se posicionando contra isso ou aquilo atendendo preceitos da indústria farmacêutica. No Brasil, foi preciso uma lei (Nº 9.787, de 10/02/1999) para que médicos do SUS prescrevessem o princípio ativo do remédio e isso provocou uma mudança no comportamento da indústria farmacêutica que se adequou para ofertar o princípio ativo e com isso aumentou o preço de remédios genéricos. Em vários casos eles passaram a ter preços quase idênticos aos remédios de marcas e há casos que são mais caros!

Vamos adentrar 2021 com esperanças diversas das que tivemos para 2020. Nossa esperança é que a vida volte à normalidade, que a economia gere empregos, que as pessoas possam respirar aliviadas.

Para nós do JBF, o tempo não parou. Com a pandemia buscamos uma forma de nos conectar num ambiente remoto e jogar conversa fora bem no estilo do que diz Neto Feitosa: aqui só cabem inutilidades mesmo. Foram 16 quintas-feiras e duas terças que contamos com o bom humor de Luiz Berto, Rodrigo de Leon, Sancho Pança, Maurino Júnior, Jesus de Ritinha de Miúdo, Roque Nunes, Goiano, Renata Duarte, Marcos André, Rômulo Simões, Adônis Oliveira, Neto Feitosa, Marcos Mairton e Fernando Gonçalves (espero não ter esquecido ninguém, mas se aconteceu, de antemão, peço desculpa).

Esse “magote” de abestalhados falou de tudo: cornos, boiolas, doidos, dos costumes do povo mato-grossense, filosofia de bares e de para-choque de caminhão, da profissão mais antiga do mundo, de viagens à China e à cochina, da língua portuguesa, do Enem, do cearês, do pernambuquês, da cultura na lei, de Orlando Tejo, e a última do ano, apesar das intercorrências da tecnologia, um apanhado sobre as músicas de duplo sentido e cacofonias. Agradecemos a presença dos leitores e colunistas como Xico Bizerra, Cícero Tavares, Artur Tavares, Hélio Fontes, Ivon, Pablo, Aristeu Teixeira, Arael Costa, e tantos outros que se conectam para ouvir lorotas, mas quero agradecer particularmente, a Jesus de Ritinha de Miúdo pelo batismo do ambiente: Cabaré do Berto! Tem ainda a inserção (esperamos que longa) de Constância Uchôa que ontem emocionou com sua beleza potiguar e suas declamações.

Encantou-nos também a presença de Patrícia Luís, uma mineira de Viçosa que, esperamos, brevemente estará trazendo um trem de coisas de Minas para o Cabaré. Esperamos que outros colunistas como Marcelo Bertolucci, George Mascena, Francisco Iteraço, Altamir Pinheiro, José Paulo Cavalcanti, Xico Bizerra (Dominguinhos seria um bom tema), Carlito Lima, Carlos Eduardo, Narcélio, José Domingos, e todos os demais que ainda não participaram, nos brindem com sua experiência. Temos alguns como problemas de internet (Dalinha Catunda, José Ramos), outros com agenda (Jessier Quirino), que esperamos resolver. Teremos 52 quintas-feiras pela frente. Somos muitos colunistas, somos muitos leitores e não precisa participar de todas as reuniões, basta agendar uma data e falar “inutilidades”. Assim, deixo meu abraço a todos e que venha 2021. Uma coisa eu tenho certeza: toda quinta das 19h30 às 20h30 eu vou ter motivos para sorrir.

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ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

VINHO DE OUTRA PIPA, IRMÃO DE OUTRA OPA!

Hoje, pela manhã, estava “escuintando” um comentário sobre o dito racismo “do bem” – se é que essa excrescência existe – a respeito da prefeita eleita de Bauru, SP. Diziam os ditos “pogreçistas” de plantão: como ela pode ser mulher, negra, e, sumidade dos pecados, daqueles que fazem você ir direto para o lago de fogo e enxofre por toda a eternidade, “evangélica e conservadora”. E, não foi só um comentário, mas sim “trocentos” deles, com a mesma toada de viola, com acorda mestra desafinada, demonstrando que o “pogreçismo” deles é só uma mentira hipócrita e safada. Para essa gente, se você é mulher, preto, gay, traveco, xibungo, e, principalmente pobre, você só pode ser “pogreçista”. Mas, só poderá ser como uma categoria social, nunca como indivíduo, ou “persona” como dizia Salvattore Quasímodo.

Então, se me peguei analisando nossos “pogreçistas socialistas e comunistas” (Desculpem a redundância, apesar do Goiano querer me espinafrar nos comentários depois de ler este arrazoado de um caeté preguiçoso. Dele eu aceito, porque tem estofo argumentativo e suas críticas saem sempre da porção superior da coluna vertebral, que termina em um órgão chamado massa encefálica. O resto, infelizmente acaba pensando com a porção final do intestino grosso. Para esses dou uma banana). Mas, e olha eu me perdendo de novo, e sua sanha igualitarista, a fim de transformar o Bananão em uma pátria socialista e mais justa – detesto esse advérbio de intensidade junto ao adjetivo. Uma sociedade precisa ser justa, só isso. Uma sociedade que busca ser “mais” justa, já é injusta por definição.

Acontece que nossos “pogreçistas” só admitem uma sociedade igualitária, desde que eles fiquem em posição de comando, em um lugar em que possam dar as ordens e se comportarem como as elites vermelhas de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. “Sejemos” um pouco curiosos e perguntemos se as elites desses países sofrem as mesmas restrições de liberdade, o mesmo racionamento de comida, de saúde e de informação que o resto de sua população?

Um paralelismo histórico se faz necessário para compreendermos essa dicotomia entre os líderes e os liderados na utopia socialista. E não vou pegar a “Revolução dos Bichos” como metáfora para isso. Basta olharmos São Petersburgo no início de 1917 e o Supremo Tribunal Federal do Brasil no fim de 2020 e teremos esse paralelo perfeito. Lá, em São Petersburgo, depois rebatizada como Leningrado, e de volta a São Petersburgo, Nicolau II, sua família, a nobreza e o clero ortodoxo viviam em outro mundo. Enquanto comiam caviar, carnes finas, vinhos de melhores safra, premiados e de origem, o povo mal podia comer um pão que, se tentássemos colocar na boca, com certeza viria ânsia de vômito, dado ao ele continha. Carnes para o povo? Só se fosse de rato, cachorro (faz lembrar alguma nação contemporânea?), ou qualquer ser asqueroso que conseguiam encontrar. No inverno de 1905, quando as tropas czaristas abriram fogo contra o populacho que, pelas ruas chamavam Nicolau II de “paizinho” – tratamento carinhoso com que o povo chamava seu soberano à época – clamavam apenas por um olhar justo, e auxílio contra a miséria extrema. A recepção a bala, naquele dia de 1905 marcou o fim do czarismo e selou o destino de Nicolau e sua família. O mais interessante é que, nenhum líder socialista que conspirava contra o czar morreu, ou mesmo se feriu nesse protesto.

Hoje, no Brasil a confluência daquele 1905 parece se repetir como farsa. Temos um supremo – assim mesmo em letras minúsculas para homenagear a estatura daqueles que estão lá -, Temos 11 czares desligados da realidade nacional que, enquanto comem lagostas e vinhos premiados, estão cegos e surdos para o Brasil que trabalha e paga imposto. Estão na mesma “nau dos insentatos” de Bosch, assim como estiveram Nicolau II e sua família. E, dentro dessa nau, também estão nossos “pogreçistas” tupiniquim. Sempre lutando pela sociedade socialista mais justa, desde que não tirem deles seus baseados, seu uísque de fim de tarde, sua porção de sol da tarde e sua cobertura “no Leblon”.

Nossos “pogreçistas” são vinho de outra pipa e irmão de outra Opa. Falam o português, andam pelo Bananão, lutam por um socialismo à la Cuba, desde que possam manter seus privilégios como os Romanov no Palácio de Inverno de São Petersburgo daquele longínquo início de 1917. Digo isso porque recentemente vi uma postagem da deputada Sâmia Bonfim comemorando “o bebê” de treze semanas que ela carrega no ventre. Parabéns a ela pela futura maternidade. Isso, no entanto, não teve o condão de mudar o seu pensamento. Como uma deputada do Psol – esse tipo esdrúxulo que só cresce aqui em Pindorama. Um partido que consegue aliar os termos “socialista” e “liberdade” merece o prêmio Darwin, e o Nobel de Química, pois conseguem juntar dois conceitos antagônicos num ajuntamento político com a consistência de uma gelatina e transformar tudo em merda -. Pois bem, Sâmia Bonfim é desse partido que defende o “direito” de assassinato de um ser humano com três meses no ventre materno. Ah, mas defende o direito de assassinar para as outras mulheres, pois no ventre alheio não existe um “bebê”, apenas um ajuntamento de células.

E nossos socialistas seguem nessa toada. Aliás, Hélio Gaspari na excelente trilogia sobre o período 1964-1985 traz para os leitores o episódio sobre o assalto ao cofre de Adhemar de Barros. Para os incautos a história é a seguinte: Adhemar de Barros era governador de São Paulo entre 1961 e 1963. Foi a partir dos atos bucaneiros dele que surgiu a expressão “rouba, mas faz”. Conta-se que o Colina – Comando de Libertação Nacional -, da qual aquele “papa-figo” de saias que atende pelo nome de Dilma Rousseff, ex-presidANTA do Brasil participou, “expropriou – apenas uma palavra bonitinha para assalto e roubo – o cofre de Adhemar na casa de uma grã-fina e encontrou cerca de 4,5 milhões de dólares. Esse dinheiro à época faria o sonho de qualquer grupo revolucionário. O que se sabe é que essa grana toda saiu do país. Um pouco voltou para comprar terras no Centro Oeste e na Amazônia para a formação de centro de contrarrevolução. O que se sabe a partir daí é que muitos “companheiros” acabaram virando proprietários rurais e mandaram o sonho revolucionário ao diabo que o carregasse.

Nossos “pogreçistas” de esquerda seguem nessa toada. Querem um país que tenha a malandragem caribenha dos Castros que mantém o povo em uma prisão sem muros, enquanto eles desfrutam, em ilhas privadas, as belezas das sociedades abertas; a truculência assassina dos Kim da Coreia do Norte que mente e mata seu povo na base do lançador de míssel terra-ar, enquanto mandam seus filhos estudarem na suíça; e a safadeza de gigolô de um Nicolás Maduro que explora a fome e a miséria de seu povo, enquanto desfruta das melhores carnes em restaurante chique na Turquia. Esse é o arranjo sonhado por nossos “pogreçistas” desde que eles sejam os comandantes dessa ópera bufa chamada sociedade socialista. Perguntem a qualquer socialista se eles se contentariam com o simples papel de cidadão nessa antitopia, e prontamente responderão com um sonoro não! Querem o socialismo, desde que possam comandar e dar ordens. Qualquer arranjo fora desse esquema e eles correm para “Niviorque”, porque até o paraíso seria torturante se eles não estivessem Deus, apenas como coadjuvante.

Ideia conveniente, ajustada em uma teoria escrita. Mas nossos “pogreçistas”, assim como nossos Romanov do STF esquecem que, quando o poder é empalmado por alguém com dois graus a mais de vigarice e cinco graus a mais de sanha assassina, o sangue deles é o primeiro a empapar a bandeira vermelha que carregam, pois, tal como os vigaristas dos Castros, os tarados assassinos dos Kim e o gigolô da fome alheia do Maduro, essas novas lideranças não aceitam e não admitem a divisão de poder. A história nos ensinou isso com o bigodudo assassino da Georgia chamado Joseph Stalin. Daquela vez foi como drama, agora será como farsa. São mesmo vinho de outra pipa, e irmãos de outra Opa.

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O BRAZIL DO BRASIL

Alexandre Garcia

Antes de fechar o ano, foi anunciada a descoberta mais um poço de petróleo no pré-sal e produzindo 50 mil barris/dia, a 5.540 m de profundidade. Os 45 poços no pré-sal de Búzios, a 188km da costa do Rio, já respondem por 20% da produção da Petrobras. Estamos com reservas de petróleo de alta qualidade entre as maiores do mundo. Temos abundância de energia limpa e de energia renovável. O mais importante é que temos o maior potencial do globo na produção de comida, capaz de dar garantia alimentar para a humanidade. Comida é o item de maior valor estratégico, porque vital. Temos a maior reserva de água potável do planeta. Assim como as maiores reservas minerais e ambientais da Terra.

Também ao fechar o ano, o Senado aprovou um projeto sobre venda de terras a estrangeiros, no limite de 25% da superfície de um município. Quer dizer, um holandês que compre 25% de Altamira, será dono de uma área igual à do seu próprio país. Se comprar na divisa com São Félix do Xingu e adquirir também 25% do município limítrofe, terá uma área contínua equivalente a duas vezes sua vizinha Bélgica. Se a Câmara aprovar o projeto, o Presidente da República avisou que vai vetar.

Em 1967, uma CPI das terras, de iniciativa do deputado Márcio Moreira Alves, apurou uma preocupante desnacionalização das terras brasileiras. Naquele tempo, a esquerda era nacionalista; hoje é globalista.

O mundo está de olho neste imenso, rico e inexplorado Brasil. Ainda temos 90 milhões de hectares potenciais para agricultura, além dos 60 milhões de hectares que já nos tornam campeões – e minerais de altíssimo valor estratégico. A cobiça estrangeira é justificável; tem a ver com o bem-estar e a sobrevivência. Para eles, quanto mais fraca nossa soberania, melhor para nos explorar a custo menor. Quanto menor for nosso sentimento de posse, de ocupação, de conhecimento para explorarmos o que é nosso, melhor para os sonhos colonizadores.

Estão de olho porque já conhecem o Brazil. Nós é que não conhecemos o Brasil, por causa dos antolhos urbanos de curto alcance. E por causa da propaganda globalista para nos tolher na ocupação do território. A idéia de internacionalizar a Amazônia tem o apoio ideológico de brasileiros que Brizola chamava de entreguistas. A Amazônia Azul, no Atlântico, do tamanho da Amazônia verde, é outra riqueza que nos importa pouco. Os chineses estão de olho na pesca ao largo do Rio Grande do Sul. Como o conhecimento e soberania andam juntos, para os interesses externos, é conveniente o atraso em nosso ensino e pesquisa. O Brasil precisa conhecer o Brazil dos olhos alheios, para protegê-lo e desfrutar como dono.