PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

HORAS MORTAS – Alberto de Oliveira

Breve momento após comprido dia
De incômodos, de penas, de cansaço
Inda o corpo a sentir quebrado e lasso,
Posso a ti me entregar, doce Poesia.

Desta janela aberta, à luz tardia
Do luar em cheio a clarear no espaço,
Vejo-te vir, ouço-te o leve passo
Na transparência azul da noite fria.

Chegas. O ósculo teu me vivifica
Mas é tão tarde! Rápido flutuas
Tornando logo à etérea imensidade;

E na mesa em que escrevo apenas fica
Sobre o papel – rastro das asas tuas,
Um verso, um pensamento, uma saudade.

Alberto de Oliveira, Saquarema-RJ, (1857-1937)

J.R. GUZZO

LINHA DE CONDUTA

A liberdade de imprensa, como se sabe, não significa apenas que os veículos de comunicação e os jornalistas têm o direito de publicar tudo aquilo que querem – respondendo, naturalmente, pelas consequências do que disseram. Tão importante quanto isso para a liberdade de imprensa é o direito de não se publicar nada daquilo que não se quer. Ninguém pode ser legalmente forçado a ficar em silencio. Ninguém, da mesma forma, tem a obrigação de falar seja lá o que for.

O começo, o meio e o fim dessa história toda se resume numa noção bastante simples: um órgão de imprensa não vive nem morre em função do que publica ou deixa de publicar, e sim em função da confiança que os leitores têm ou não têm nele. Aí não há Constituição, código de princípios editoriais ou operação de marketing que resolva: ou o público confia ou vai embora sem dizer nada, e em geral não volta nunca mais.

Uma das atividades mais antipáticas que se pode exercer neste ofício é a de fiscal de conteúdo. Você sabe o que é isso: a atitude de dizer, o tempo todo, que o veículo tal fez isso ou aquilo de errado, que deveria fazer assim e não deveria ter feito assado etc. Como dito acima, quem resolve essas coisas é o público que paga por elas.

O quanto um veículo de comunicação deve engajar o seu conteúdo nesta ou naquela linha de conduta editorial ou política, portanto, é problema privativo de cada um. Neste momento, por exemplo, um dos traços mais comuns entre a maioria deles é a ausência de informações que, de maneira direta ou indireta, possam criar dúvidas sobre a necessidade de combater a qualquer custo a epidemia da covid-19. Essa ou aquela notícia pode ser interpretada como uma objeção ao “distanciamento social”, à luta global contra o vírus ou à ação das autoridades legais na gestão da doença? Então não vai ser publicada.

É assim que não se lê nada – ou quase nada, o que acaba dando na mesma – sobre as denúncias internacionais de fraude maciça no combate à covid que envolvem a Organização Mundial de Saúde. Não se menciona que a vacina chinesa a ser distribuída pelo governo do Estado de São Paulo (e paga diretamente com o dinheiro dos seus impostos) não fora autorizada até há pouco por nenhuma agência reguladora de medicamentos do mundo – nenhuma que possa realmente ser levada a sério. Não se publicam, a não ser como coisinhas sem importância, os episódios de corrupção em modo extremo ocorridos nas despesas públicas feitas para lidar com a epidemia. Não se publicam as raras sentenças judiciais contra atos ilegais cometidos pelas autoridades; na verdade, não se publica nada que possa pôr em dúvida a legalidade de qualquer coisa feita pelos “governos locais” – da Lei Seca ao número de pessoas que podem estar presentes na sua casa na ceia de Natal.

Os comunicadores, na verdade, estão viajando num bonde mais ou menos mundial – destinado, em geral, às classes médias altas, à população intelectual-cultural-artística e aos políticos dessa vasta sopa que vai da meia-esquerda em diante, e faz meia-volta na direção dos políticos que neste momento querem parecer “de esquerda”. A covid passou a ser a carteirinha de identificação mais utilizada para as pessoas deixarem evidentes as suas posições políticas e aquilo que supõem ser o seu equipamento ideológico. Usar máscara em público no decorrer de uma reportagem, por exemplo, tornou-se uma espécie de manifesto pessoal: “Uso máscara; logo existo como militante contra o fascismo”.

A imprensa tem o direito de impor a si própria os deveres que entende adequados à sua função. Junto com isso, tem o ônus de responder por suas decisões perante o público.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Mestre Berto,

gostaria de enviar para esta Gazeta Natalina um pouco das palavras do Poetinha Vinícius de Moraes.

Mensagens natalinas em versos, para compartilhar com os familiares e amigos.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima.

GUILHERME FIUZA

PLANO SÃO PAULO, FASE MIAMI

João Dória foi a Miami e voltou com a rapidez de um Zorro, o cavaleiro mascarado. Esses heróis de cara tapada são muito velozes. A reversão do Plano Miami só não foi mais rápida que a coletiva do Butantã para anunciar que não haveria coletiva.

Os dados da vacina chinesa previamente anunciados não existiam. Nesses casos é melhor mesmo cancelar a divulgação. Que fique claro: não ter o que divulgar não é problema nenhum para a equipe científica do Plano São Paulo. Todos são muito bem treinados no teatro amador e capazes de improvisar horas a fio sobre o nada. Mas nesse caso era melhor uma aparição curta, cirúrgica, apenas para recauchutar as expectativas e prometer que a novidade seria quente. Como se faz nas novelas – o próximo capítulo sempre será o melhor. Mesmo assim, a autoridade do Instituto aproveitou os holofotes para dizer que a sua vacina é a melhor de todas.

Em se tratando de ciência, desinibição é tudo.

Foi assim que o Plano São Paulo avançou para a fase Miami – e recuou em menos de 24 horas. Essa é a beleza da ciência: o monitoramento rigoroso da fenomenologia faz com que tudo possa mudar em questão de segundos. No caso, foi de um sofisticado equipamento chamado desconfiômetro que veio o alarme para a correção de rumo. Dória não tem desconfiômetro – ninguém é perfeito – mas como as reações ao Plano Miami bateram no teto da Escala Richter, os androides que assessoram o governador importaram às pressas um desconfiômetro de Pequim e constataram o problema.

Quando João Dória aborta uma missão porque está pegando mal é sinal de que o problema é grande. Como todo mundo sabe, o governador de São Paulo é imune ao constrangimento. Nenhum imunizante na história da medicina conseguiu tanta eficácia quanto esse bloqueador de vergonha. E não vá achando que Dória perdeu essa imunidade. Ela continua 100% eficaz – ou seja, o paciente permanece sem qualquer vestígio de culpa, remorso ou embaraço no sangue. Mas se os sensores do desconfiômetro chinês indicaram que estava pegando muito mal, era melhor seguir a ciência e mudar a maquiagem.

O erro básico detectado estaria no fato de que o avanço do Plano São Paulo para a fase Miami não estava sendo bem compreendido. A população do estado brasileiro trancado pelo seu governador não entendeu por que ele se mandaria para um estado americano sem lockdown. O povo nunca entende nada. Mas a explicação é simples: Dória sabia que passar o Natal em liberdade era uma experiência arriscada, e se ofereceu sozinho como voluntário para a perigosa missão sob as palmeiras de Miami. É nessas horas que se reconhece um estadista. Na praia e sem máscara se reconhece qualquer um.

Dória se arriscou por seu povo. Agora cabe ao seu povo se arriscar por ele, saindo do trancamento totalitário e hipócrita. Como não haverá jatinho para todos, a fase Miami terá de ser aplicada no Brasil mesmo. Praia, palmeira e coqueiro não vão faltar. Mas sejam solidários e não se esqueçam de retribuir o confinamento ao confinador.

DEU NO JORNAL

AO CONTRÁRIO DO UNIVERSO, A ESTUPIDEZ NÃO TEM LIMITES

* * *

Não consigo comentar este absurdo inominável.

O meu estômago está embrulhando de nojo e de revolta.

Tive que sair correndo pra pegar o pinico: a ânsia de vômito foi muito grande.

Vou apenas repetir os nomes que estão na notícia: PSOL, PT, PCdoB, PSB, David Miranda e Maria do Rosário.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MOMENTOS DE LEMBRANÇAS

Nesta última coluna do ano de 2020 que, graças à Deus está terminando, deixando para nós um saldo negativo no que se trata de amigos e familiares, quero aproveitar para renovar a amizade e o respeito que sinto por todos que aqui comparecem, curtindo, comentando, ou postando suas matérias.

Que tenhamos um 2021 diferente. Para melhor. Que sejamos mais sensatos, e que tentemos com o que está ao nosso alcance ajudar na reconstrução desse País – dilapidado e jogado na lama por quase duas décadas.

A Fé reconstrói!

Coloque o seu tijolo nessa obra. Sinta-se participante na correção do que nos usurparam, e sigamos em frente.

Para fechar este ano, volto à infância que foi minha e, com certeza, de outros tantos que foram e continuam peraltas.

* * *

1 – Quando chegar em casa a gente conversa!

A varinha mágica

Que chegar em casa qual nada, mermão. A situação era resolvida era ali mesmo. Fosse onde fosse, e na presença de quem estivesse ali. Afinal, o “filho” era dela, e não do Conselheiro Tutelar uma exceção que o Estado nos impingiu, roubando nossos direitos de partícipes na educação familiar dos nossos filhos!

Era assim que minha Mãe era. Pau é pau, e pedra é pedra, doa à quem doer. Homem é homem, e mulher é mulher. Segundo ela, “baitola” é invenção de quem comeu merda ou barro tirado da parede, e se delicia com melecas tiradas das narinas.

Hoje é que acontecem essas marmotas e um monturo de idiotas fica querendo saber por que as crianças são rebeldes! Çei!

E çei, de novo!

Quer mais um “çei”? Então toma: çei!

Se não ficarem satisfeitos com todos esses “çeis”, mando um arre égua!

* * *

2 – Não quero essa comida!

Item da farofa que matava fome

Pense no prato preparado com o maior dos sacrifícios, às vezes até com a “intera” comprada fiado na bodega da esquina, e nos era servido: um baião de dois, farofa de carne em conserva fiambrada Kitut, uma banana prata madurinha.

Quem se atrevesse a dizer que não queria, a solução era a seguinte: “Tá bom, filhinho. Mamãe vai deixar aqui em cima da mesa, e coberto. Quando você estiver com fome, você vem e come, visse?!

E ó, depois lave os dois pratos, seque e guarde. Tá pensando o que?”

Hoje, a mamãe fica assoberbada, nervosa, caçando moedas e trocados em tudo que é lugar da casa e em todas as bolsas, procura nos dois sutiãs e fica atarentada para satisfazer o gosto do fdp, enquanto ele continua dedilhando o celular!

É, ou não é?

* * *

3 – Vá banhar e sem dar um pio!

A tarde era toda de jogar bola na rua na frente daquela vila, onde os moradores escutavam até o ronco dos outros durante a noite. Nunca a escolha dos times era feita sem confusão. Os “traves”, lembro bem, eram montados com camisas emboladas. Os donos das camisas tinham vagas nos times, caso contrário retiravam as camisas e iam embora – nessa situação a pelada acaba antes do tempo. E o tempo, quem determinava era a escuridão da noite que chegava.

Quando começava escurecer, com a claridade do dia dizendo até amanhã, ainda que o placar do jogo estivesse 5 a 5, tinha chegado a hora de entrar. Resmungar era algo natural. Responder ou discordar, ninguém se atrevia, quando escutava: “Chega de bola. Entra e vai direto pro banheiro, sem dar um pio. Lave bem as orelhas e as costas.”!

Hoje, provavelmente por que não existem mais aquelas peladas, o que alguns talvez escutem é o seguinte: “Stefesson (hoje não existem mais os José, Raimundo, Pedro, Francisco), será que não está na hora de largar esse computador, meu filho?”

E, se por alguma audácia materna, ele escutar aquele antigo “sem dar um pio”, ele, desaforadamente responde que não é pinto e até ameaça denunciá-la ao Conselho Tutelar. Pois sim!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Mestre Berto,

Segue o vídeo do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que ficou conhecido nacionalmente por ser o primeiro a denunciar o esquema de propina do mensalão petista, conhecido como ação 470.

E que levou muita gente graúda à cadeia por corrupção.

O vídeo é uma entrevista dada por Roberto Jefferson ao jornalista Rodrigo Constantino, na qual ele denuncia, sem papas na língua, o que rola no porão putrificado do Supremo Tribunal Federal, que ele chama de “A Lata de Lixo da História do Brasil.”

Vale a pena assistir a esse pequeno trecho da longa entrevista, Jefferson com a faca nos dentes: