CHARGE DO SPONHOLZ

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PARABÉNS MANAUARAS! UM EXEMPLO PRO RESTO DO BRASIL. ABAIXO O TERRORISMO DA MÍDIA FUNERÁRIA!

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VANITAS – Olavo Bilac

Cego, em febre a cabeça, a mão nervosa e fria,
Trabalha. A alma lhe sai da pena, alucinada,
E enche-lhe, a palpitar, a estrofe iluminada
De gritos de triunfo e gritos de agonia.

Prende a ideia fugaz; doma a rima bravia,
Trabalha… E a obra, por fim, resplandece acabada:
“Mundo, que as minhas mãos arrancaram do nada!
Filha do meu trabalho! ergue-te à luz do dia!

Cheia da minha febre e da minha alma cheia,
Arranquei-te da vida ao ádito profundo,
Arranquei-te do amor à mina ampla e secreta!

Posso agora morrer, porque vives!” E o Poeta
Pensa que vai cair, exausto, ao pé de um mundo,
E cai – vaidade humana! – ao pé de um grão de areia…

Olavo Bilac, Rio de Janeiro (1865-1918)

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

NATAL DE LUVAS

Natal é tempo de contar histórias. Como esta, de Meyer Michael Greenberg. Um homem simples que trabalhou na Revlon (Nova Iorque) até se aposentar, em 1990. Não era rico. Nem tinha prestígio no mundo social da cidade. Mas ficou famoso por algo que fazia, sempre, no inverno congelante da cidade. Ele distribuía luvas de lã. Ao morrer, Greenberg mereceu generoso obituário no New York Times, escrito por Lawrence Van Gelder. E acabou mais famoso que (quase) todos os milionários da Wall Street. Prova de ter razão, Matinas Suzuki (O Livro das Vidas), ao dizer que “é mais negócio ter um bom obituário no NY Times do que ir para o céu”.

Certa vez, ao dar um par de luvas, disse-lhe um velho: – “Não posso aceitar. Nunca ninguém me deu nada. O que você quer de mim?”. Greenberg queria só um aperto de mãos. E insistiu até quando, 15 minutos depois, o homem aceitou. Ainda jovem, foi figurante da Metropolitan Opera. E admirava o primeiro tenor, que brilhava, enquanto ele ficava nos fundos, segurando uma lança. Mais tarde o reconheceu, esmolando na rua. E lhe deu um par de luvas que o antigo parceiro agradeceu, comovido. Sem a menor ideia de que, no passado, estiveram juntos num palco. Ele, como estrela. Greenberg, como ninguém.

Um repórter, certa vez, acompanhou suas andanças. E perguntou se sabia quanto custava cada par. – “Sei. Custa um aperto de mão” – “O senhor é rico?”. – “Sim, claro”. – “E a quanto monta sua fortuna?” – “O senhor não está entendendo. Minha riqueza não está no dinheiro. Mas em trazer alegria para quem precisa”. Greenberg sabia que poderia entregar luvas em abrigos, que as distribuiriam. Mas escolheu fazer isso ele mesmo. E ia procurando, nas ruas, quem mais precisasse. – “Prefiro aqueles que evitam o olhar. Não é tanto a luva, mas dizer para as pessoas que elas importam”. No fim da vida, repetia sempre uma frase que seu pai vivia dizendo, – “Nunca se prive da alegria de doar”.

O amigo Fernando Pessoa um dia escreveu, no Cancioneiro (Natal), “Nasce um Deus. Outros morrem…/ Temos agora outra eternidade,/ E era sempre melhor a que passou”. Que neste Natal brasileiro, em tempos de pandemia, a lição se espalhe. E que, no coração de todos e cada um de nós, esteja presente, sempre, a disposição para doar. De ser solidário. De compreender bem dentro, no coração, o espírito desse tempo. Bom Natal, amigo leitor.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE MALTA – OLINDA-PE

Que 2021 me mantenha sedutor, bonito, sarado e rico.

Prometo manter a dieta rígida que já eliminou 1,253 kg durante 2020, e já é perceptível.

Literalmente todo homem de sucesso tem uma mulher por trás.

R. Tirando as mentiras todinhas que tu falou no primeiro parágrafo, dizendo que é bonito e sarado, resta a grande verdade do último parágrafo:

Por trás de um homem de sucesso, há sempre uma mulher.

Sônia é uma figura arretada como pessoa humana e, principalmente, por ter paciência pra te aguentar, sujeito!!!

Informo aos leitores desta gazeta escrota que este estimado casal de amigos são duas pessoas que moram na minha estima.

Uma dupla de empresários e empreendedores que gerenciam com muito sucesso a Kasa do Keijo, no Mercado de Sítio Novo, Box 35, em Olinda – Av. Luis Correia de Brito.

Lá podem ser encontrados queijos, frios e produtos regionais, além de mais de 80 itens de conveniência

Comprem por telefone e recebam a mercadoria em casa sem qualquer custo.

Telefones (81) 9-9729-8469 e 3104-4002.

O pessoal daqui do Recife e região metropolitana que ligar pra lá, se identificar como leitor do JBF e fizer alguma encomenda, vai ganhar um desconto especial!

Também é possível fazer consultas e compras por e-mail: amalta2@hotmail.com

Muito sucesso, meus caros Alexandre e Sônia!

Vocês formam uma parelha arretada e que mora na minha estima.

Abraços e um excelente final de semana.

FRED MONTEIRO - MASCATEANDO

VONTADE DE SER MENINO OUTRA VEZ

Nos muitos Natais da minha vida, sempre me fascinou e continua me fascinando o espírito da chamada Festa Maior da Cristandade.. Que eu diria da Humanidade inteira.

O Natal, estranhamente, é a festa mais universal de todas. É comemorada, como também a Passagem de Ano Novo por todos os povos do mundo. Jesus Cristo marcou a História como divisor de eras. AC e DC passaram a ser a contagem oficial do tempo, apesar dos calendários judeu e muçulmano, muito mais antigos, honrando seus Profetas e Patriarcas.

Por isso tudo, pela importância que o Natal tem nas nossas vidas, eu o comemoro sempre como a mesma criança que ainda se lembra nitidamente da imagem do pai colocando presentes junto à cama dos filhos pela madrugada do dia 25, somente pra rir com eles de alegria pura e santa ao ver seu entusiasmo descobrindo brinquedos ou roupas novas, felizes em ter a certeza de que todos os Natais pela frente seriam tão felizes quanto aquele.

E o Natal vem sempre ligado à Música, essa deusa eterna das artes, que nos alegra tanto e também nos traz recordações algo tristes, por não estarem presentes, nos Natais que se seguem na esteira do Tempo, os entes queridos que se foram pelo caminho…

Assim, gravei esta faixa abaixo com meus atuais recursos de um estúdio doméstico e alguns instrumentos , que insisto em aprender a tocar enquanto vivo estiver, uma sequência de músicas natalinas executadas na gaita de boca, guitarra e teclados, às vezes também o banjo, enfim, o que estiver à mão.. Vamos recordar juntos !

FELIZ NATAL !

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO – ACARI-RN

Meu Papa!

Sua bênção.

Ainda sob os auspícios desses Dias de Festas, trago para o JBF um vídeo gravado com os artistas da minha terra, o Acary do meu amor.

Nele encontraremos uma mensagem de esperança combinando com qualquer lugar desse Nordeste Nação.

Uma produção de Siderley Jatobá, cabra bom, puro sangue seridoense.

Um macho véi arretado que desde cedo, e ainda muito pequeno, aprendeu a ser gigante.

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AUGUSTO NUNES

O SUMIÇO DOS ESTADISTAS

Com a voz embargada, quatro lágrimas aguardando a hora de entrar em cena nos dois cantos de cada olho, Angela Merkel bordou o argumento que guardava para provar por A mais B que nenhum alemão deveria driblar os rigores da quarentena de fim de ano. “Se tivermos muitos contatos até a chegada do Natal e este acabar sendo o último Natal com os nossos avós, então teremos feito algo de errado”, avisou a chanceler no pronunciamento de 9 de dezembro. Os partidários do isolamento horizontal por um lockdown se uniram no orgasmo coletivo. Se até a mulher de ferro que conduz a nação desde novembro de 2005 se emocionara com a impossibilidade de lutar contra um vírus chinês, só mesmo os negacionistas, os terraplanistas e os fascistas em geral poderiam insistir no genocídio dos velhinhos da família, concordaram os loucos por um lockdown.

Quem tem a cabeça no lugar entendeu que Angela Merkel apenas confirmou a abrangência da epidemia de mediocridade que escancarou o deserto de estadistas de dimensões planetárias. Responsabilizar os netos pela morte dos avós, sabendo-se que são insignificantes as taxas de contaminação e transmissão da covid-19 entre crianças e adolescentes, é coisa de porta-voz de necrotério. Chefes de Estado que recorrem a fórmulas que não funcionaram antes por acreditarem que podem dar certo agora, caso do confinamento para todos, são primos em primeiro grau dos napoleões de hospício. Confronte-se uma Merkel com um Winston Churchill ou um Franklin Roosevelt e se verá o abismo que separa os gigantes que derrotaram a Alemanha nazista dos pigmeus apavorados com a pandemia. Estes acham que é possível chegar à vitória de recuo em recuo. Aqueles sabiam que nenhum país ganha uma guerra com sucessivas retiradas.

Em 13 de maio de 1940, três dias depois de nomeado, Churchill resumiu numa frase o que os ingleses poderiam esperar do novo chefe de governo: “Não tenho nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor”, disse já no primeiro pronunciamento. Em 5 de junho, menos de um mês depois da posse, revelou num soberbo discurso no Parlamento o que deveriam esperar da Inglaterra os comandantes do colosso militar alemão: “We shall never surrender” (“Nós nunca nos renderemos”). Hitler achou que era bravata. Cinco anos mais tarde, o líder nazista estava morto e a Alemanha em escombros. Deveria ter ouvido a advertência explicitada no monumento à retórica: “Nós lutaremos na França, nós lutaremos nos mares e oceanos, nós lutaremos com confiança crescente nos céus, nós defenderemos a nossa ilha seja qual for o custo. Nós lutaremos nas praias, nós nunca nos renderemos”, avisara o gênio da oratória.

Passados 80 anos, há um apalermado Boris Johnson no posto que foi ocupado pelo maior estadista de todos os tempos. Neste 2 de dezembro, por exemplo, ao anunciar o começo da vacinação em território britânico, Johnson até que foi bem no trecho inicial. “O Reino Unido foi o primeiro país do mundo a garantir 40 milhões de doses da vacina da Pfizer”, elogiou-se. O escorregão ocorreu quando enumerava os “enormes problemas logísticos” que o desafiavam. “O vírus precisa ficar armazenado a 70 graus negativos”, exemplificou. Ao confundir a covid-19 com o seu causador e trocar a cura pelo disseminador da doença, virou piada nas redes sociais. Quem precisa dessa temperatura é a vacina, claro. No caso do vírus, basta um Boris Johnson no governo de um país. Diante da oscilação para cima das curvas desenhadas pelo número de casos confirmados e de óbitos, o assustadiço Johnson decretou mais um lockdown. Churchill certamente teria intensificado a vacinação.

O homem que resistiu a Hitler não foi o único dos vencedores da 2ª Guerra Mundial a enriquecer o acervo das preciosidades retóricas. Horas depois do ataque aéreo a Pearl Harbor, ilha do Pacífico que abrigava uma grande base militar norte-americana, o presidente Franklin Roosevelt assim começou seu discurso no Congresso: “Ontem, dia 7 de Dezembro de 1941 – uma data que há de marcar para sempre a história da infâmia -, os Estados Unidos foram súbita e deliberadamente atacados por forças navais e aéreas do Império Japonês”. O traiçoeiro bombardeio foi eternizado no calendário da História como o Dia da Infâmia. E a entrada ostensiva dos EUA na guerra até então travada solitariamente pela Inglaterra selou o destino da Alemanha, da Itália fascista e do Japão fanatizado.

A propósito: algum leitor enxergou algum gesto ou frase aproveitáveis ao longo deste estranho 2020? No lugar do “sangue, trabalho, lágrimas e suor” prometidos por Churchill, ouviu-se a sequência de mantras recitados por João Doria: “Fique em casa”, “Use máscaras” e, de novo, “Fique em casa”. Encerrada uma grande batalha, Churchill costumava embarcar rumo ao local do conflito para animar a tropa. Cansado de guerra, Doria suspendeu o duelo contra esquadrilhas formadas por vírus chineses, chamou o piloto do jatinho e foi rever a vida sem confinamento em Miami. Resgatou-o do inclemente bombardeio na internet a oportuna contaminação do vice Rodrigo Garcia. O furo desta revista Oeste, a primeira a noticiar uma das mais desastradas viagens registradas desde o Dia da Criação, não aconteceria se o governador paulista tivesse mais intimidade com pedagógicos episódios da 2ª Guerra Mundial.

Em 6 de junho de 1944, por exemplo, o marechal Erwin Rommel estava de folga na Alemanha, para comemorar o aniversário da mulher, quando soube que tropas inimigas haviam cruzado o Canal da Mancha e desembarcado na França. Péssima notícia para o militar encarregado de bloquear no litoral francês a invasão da Europa pelos Aliados. A Raposa do Deserto, superlativo com que fora condecorado depois das vitórias nas areias da África, entendeu que naufragara nas areias das praias da Normandia. E descobriu tarde demais que um comandante não pode abandonar o front. Mesmo a pedido da mulher, não pode interromper missões para cumprir deveres domésticos. Mesmo que se sinta exausto, um estadista não tem direito a férias.