RODRIGO CONSTANTINO

PERCIVAL PUGGINA

VOZ DE PRISÃO!

Acompanhando a política brasileira ao longo de décadas, posso afirmar sem dar chance a equívoco que, durante muito tempo, a moda era responsabilizar a infidelidade partidária pelos maus caminhos da vida pública nacional. O Brasil, dizia-se, só tomaria jeito quando acabasse o troca-troca de partido que permitia aos detentores de mandato transitar de uma sigla para outra sem constrangimento e com bons ganhos adicionais. Aquilo, definia Boris Casoy, era uma ver-go-nha. Que me lembre, fui voz isolada a afirmar o quanto uma regra de fidelidade partidária seria inepta como solução para nossos problemas institucionais. E foi, não foi? Quem tem problemas de convicções ou caráter não muda o modo de ser, esteja em que partido estiver. Ademais, são nossos partidos costumeiramente fiéis a algum princípio válido?

Passados alguns anos, os olhares ansiosos da sociedade foram desviados para a imperiosa e redentora necessidade de uma Lei da Ficha Limpa. Mobilização nacional. Faxina geral na nação. CNBB, OAB, suas coligadas habituais e a grande imprensa cerraram fileiras e forçaram a aprovação de Nova Lei Áurea que iria salvar o Brasil dos políticos desonestos. Se alguém mais além de mim se atreveu a dizer e escrever que era uma lei inepta, que se apresente. Em setembro de 2010, em artigo para o Diário do Comércio, antecipei que iríamos trocar fichas sujas por outras novas, mas estas, logo adiante, se sujariam porque o verdadeiro ficha-suja, corruptor incurável, era o modelo institucional brasileiro. Não foi isso mesmo que aconteceu? A que nos levaram, tanto a eleição de 2014 quanto a grande renovação do Congresso em 2018?

Oitenta e cinco por cento dos senadores que buscaram reeleição no último pleito foram derrotados nas urnas! Mas não há na Casa, passados dois anos, mais do que 22 ou 23 votos entre 81 para qualquer projeto moralizador ou transformador, tipo CPI da Toga, impeachment de ministros do STF, prisão após condenação em segunda instância, alteração do modo de compor o Supremo e por aí vai. Ou melhor, não vai. Lamento dizer que, de novo, eu estava certo. A ficha mais suja de todas é a do modelo institucional e do sistema eleitoral que regem nossa política.

Nosso tão louvado e preservado presidencialismo de cooptação merecia voz de prisão!

É ele que responde pelas escolhas dos ministros do STF. É ele que levou Bolsonaro a indicar – num entendimento com os notórios Toffoli, Gilmar e Alcolumbre – o incógnito Nunes Marques para a cadeira vaga daquela Corte. Pois foi esse novato que concedeu liminar para revogar artigo da Lei da Ficha Limpa, desobstruindo o caminho para retorno à cena de políticos cujas candidaturas foram por ela barrados.

Uma coisa é dizer que a lei seria inepta, como de fato foi, para os fins pretendidos. Outra, bem diferente, é reabrir porteira para maus políticos cujo retorno à cena só irá agravar os embaraços e reforçar o contingente de criminosos já instalados em posições de poder e influência sobre nosso cotidiano.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FRED MONTEIRO – RECIFE-PE

Meu povo eu estou voltando
(Não sei se você sabia)
Fui ao Cabaré do Berto
E encontrei nessa folia
Pedro Malta e Violante
Jesus de Ritinha e Xico
Maurino e até Goiano
Constância também chegou
E Orlando Tejo reinou
Nesse “sacrário” mundano..

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

NATAL SEM SINOS – Manuel Bandeira

No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?

Ah meninos sinos
De quando eu menino!

Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.

Outros sinos
Sinos
Quantos sinos

No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino,
Bimbalhai meninos,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO TWITTER

DEU NO GROBO

* * *

Essa canalha bolsonárica é uma raça de gente fela-da-puta mesmo.

Criticam o ínclito governador João Tora-Rego só porque ele foi passar o lockdown – decretado por ele mesmo -, em Miami.

Tem jeito não: uma multidão de insensatos, seguidora de um presidente mais insensato ainda, criticando um governador sensato.

Vão se lascar, seus babacas!

* * *

Complementação:

Exatamente uma horas  depois que esta postagem foi ao ar, o gunvernador João Tora-Rego fez esta comunicação no Twitter:

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GOIANO BRAGA HORTA – PETRÓPOLIS-RJ

O DIA DE ORLANDO TEJO E ZÉ LIMEIRA

Ontem, que por acaso foi o dia 22 de dezembro de 2020 e por incrível coincidência caiu em uma terça-feira, tivemos o prazer lascado de assistir a mais uma apresentação de parolagem no Cabaré do Berto, transmitida pela TV Besta Fubana, comandada a fuleiragem pelo ínclito, púlpito e séquito Maurício Assuero, criador da presepada.

Tivemos o prazer de ouvir Luiz Berto, editor do Jornal da Besta Fubana, dissertar sobre a vida e a obra de Orlando Tejo, autor, dentre outras, da famosa obra poética Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, com leitura de trechos do livro e também com relatos de casos engraçados e interessantes vividos por Berto em seu relacionamento com o homenageado.

Berto e Orlando Tejo

Como não pode deixar de faltar, fizemos o registro estatístico do comparecimento de público ligado na tela dos computadores e chegamos a números absurdos: a Polícia Militar, que faz a contagem dos participantes utilizando meios obsoletos, assinalou o total de 33 pessoas nos momentos de pico, o que, mesmo constituindo um recorde de público, chega a ser ridículo, uma vez que com o nosso moderno processo digital, isto é, contado nos dedos, verificamos a participação de quinhentos e setenta e seis indivíduos e indivíduas dando acesso, havendo boatos de que a Abin gravou tudo.

Com pesar registramos a ausência de quatrocentas e trinta e sete mil pessoas que não vinheram e aproveitamos para avisar que não será mais admitida a devolução de ingressos mediante as desculpas esfarrapadas de sempre.

Enfim, foi mais uma noitada agradável, da qual podemos extrair um desafio, que é o de criar um poema do tipo dos feitos por Zé Limeira, tipo assim o seguinte exemplo de uma das absurdidades dele:

Quando a guerra zuou dentro da França
eu ouvi os estrondos do Sertão.
Gosto muito de fava e de feijão,
a muié que eu quiri tinha uma trança.
Japonês e alemão entrou na dança,
a estrada do Brejo é tão comprida,
é pecado matar vaca parida,
a Alemanha da China tá tomada…
Vou fazer serenata na calçada
da menina que amei na minha vida.

O desafio é livre; quem quiser pode terminar com o mote:

Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ANTE A IMPOTÊNCIA

Versos e foto da Duplinha

É nesse meu versejado,
Que vou enganando a dor.
Pedindo em cada oração,
Ajuda a nosso Senhor!
Rezo pra santo no altar,
Na procissão a passar,
Eu rogo ao Santo do andor.

Dalinha Catunda

Antes das águas de março
JÁ foi meu verso inundado
De dores estarrecido
Sem o Erato inspirado
Não vislumbro a esperança
Meu estro só cansa e cansa
Num horizonte manchado!

Bastinha Job

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GILBERTO OLIVEIRA – PARNAIBA-PI

Boa Noite, Berto!

Visitando o centro da Veneza Brasileira vejo com tanta tristeza o mal que os 20 anos de governo socialista fizeram com a grande Recife.

Parece mais a Venezuela ou aqueles países africanos bombardeados pela guerra.

R. Meu caro, lamento muito que você tenha saído de sua terra pra viver esta enorme decepção na nossa Recife.

Os gestores municipais adotaram pras calçadas das nossas centenárias igrejas o mesmo modelo das ruas de Caracas e de Havana.

Esta foto que você nos mandou é da histórica Capela Dourada, na Rua do Imperador, centro da cidade.

Passei por aí neste final de semana e também fiquei chocado com esta visão.

Uma cena de cortar o coração.

DEU NO JORNAL

QUE ABSURDO: SERÃO OBRIGADAS A USAR MÁSCARA E GEL

Condenadas por cruéis assassinatos, Suzane von Richthofen (assassinou pai e mãe a marteladas), Ana Carolina Jatobá (matou a enteada de 6 anos) e Elize Matsunaga (matou o marido e serrou seu corpo), todas de São Paulo, foram libertadas, hoje, porque a Justiça de SP acha que elas precisam comemorar o Natal e o Ano Novo em companhia de familiares e de amigos.

Elas terão que voltar para a cadeia no final das festas íntimas.

Todas serão obrigadas a usar máscaras, desinfetar as mãos com gel e evitar aglomerações.

* * *

Vamos tomar uns goles de cerveja pra celebrar esta notícia.

Façamos um brinde à justiça banânica.

Com uma cerveja muito especial: