CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

NÃO LAMENTES, OH NISE, O TEU ESTADO

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a croa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setubal, Portugal (1765-1805)

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Amigos do JBF:

Vale a pena ver de novo.

Esta terrorista do PT, que se diz professora de criancinhas, é uma figura asquerosa.

Um ser humano longe de Deus que resume sua vida em mediocridades e maldades.

Um absurdo.

Ela precisa ser denunciada e o que ela falou tem que ser repetido para alertar as pessoas.

Seu semblante ameaçador tinha mesmo que estar associado ao número 13.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MACROECONOMIA

Para mim, o conhecimento de Mário Henrique Simonsen, tanto em Economia quanto em Matemática, é invejável. Tem uma frase interessante num livro dele que sempre reproduzo em minhas aulas de Macroeconomia. Ele dizia que há duas maneiras de se olhar a floresta: olhando as árvores individualmente ou olhando a floresta como um todo. No primeiro caso, Microeconomia, retrata a relação entre consumidor e produtor, e no segundo, Macroeconomia, os agregados econômicos.

A Economia Clássica se apoiou em Adam Smith com seu livro A Natureza e as Causas da Riqueza das Nações ou, simplesmente, A História da Riqueza das Nações. Para os clássicos, o mercado chegaria ao seu ponto de equilíbrio “levado por uma mão invisível” e esse sentimento prevaleceu desde a publicação do livro (1776) até 1929 quando o mundo enfrentou a Grande Depressão. A economia mundial caiu, como agora. Na Alemanha se imprimia moeda em papel jornal por conta da hiperinflação. Ninguém fez nada esperando a tal “mão invisível” e como a teoria não estava resolvendo o problema, natural que se buscasse alternativa. Em 1936, John Maynard Keynes escreveu seu nome na história com a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.

Em linhas gerais (vou evitar o tecnicismo), Keynes dizia que era preciso o governo gastar para incrementar a economia porque assim gerava renda, que gerava consumo, que gerava produto, que gerava emprego, que gerava renda…..No seu modelo apareceu uma constante que ele denominou de propensão marginal a consumir e que representa o aumento no consumo se houver um aumento unitário na renda. Veja que isso parte da ideia de que nem toda renda é consumida, ou seja, parte da renda é poupada. Bom, mas para a população pobre não existe poupança (essa é uma das razões de se permanecer pobre), mas tudo bem vamos admitir que se trata da renda geral da economia.

Decorre do modelo de Keynes um multiplicador do produto (ou da renda) que depende da propensão marginal a consumir e da alíquota do imposto de renda. Por exemplo, nossa alíquota de imposto de renda é 27,5% e se a propensão marginal a consumir fosse 0,90 (de cada real, noventa centavos seria consumido), o multiplicador da economia seria 2,88, ou seja, se o governo gastasse R$ 100,00, a renda de equilíbrio aumentaria R$ 288,00. Então, basta o governo gastar que tudo se resolve! Não é bem assim. O governo tem um orçamento limitado e aumento nos gastos do governo implica em redução do superávit orçamentário. Com os valores que coloquei aqui, o aumento de R$ 100,00 nos gastos do governo implicaria numa redução do superávit orçamentário de R$ 20,86. Parece pouco, mas além de falarmos de milhões/bilhões, a nossa situação é de déficit orçamentário, então qualquer gasto já é complicado.

Há uma linha de pensamento esquerdista que defende o aumento dos gastos. Bota o governo para gastar e pronto. A economia só cresce se houver renda. Em 2017, por exemplo, Temer liberou as contas inativas do FGTS. O crescimento econômico que se observou foi devido a isso. Bolsonaro liberou o auxílio emergencial e a economia cresceu 7,70% no terceiro trimestre de 2020. Lógico que isso trouxe uma inflação de demanda e o preço do arroz subiu bastante porque além do aumento da demanda houve uma redução de oferta. A área plantada de arroz diminuiu no Brasil.

Uma coisa que as pessoas não querem aceitar é que nenhuma teoria econômica é eterna. Ela se adapta a uma situação. Veja a Economia Clássica. Sucumbiu com a teoria keynesiana. Depois surgiram os neoclássicos, neokeynesianos, os monetaristas e cada modelo teve lá seu tempo de aplicação e de duração. Agora, fala-se do liberalismo como se fosse o Anticristo. Se brigar vai marcar a testa de Paulo Guedes como o número 666. Passamos anos seguindo um modelo econômico que não tirou pobres da miséria, que aumentou a desigualdade de renda e as pessoas se recusam a experimentar a liberdade econômica, a economia de mercado. Quem gera emprego é a iniciativa privada, não o governo. Governo só gera emprego quando contrata funcionário público. É só olhar os dados da Caged.

Existe uma resistência muito grande, respaldada pelo STF, na questão das privatizações. O sinistro Lewandowski impôs autorização do congresso para privatização, mas a maioria do colegiado entendeu que as subsidiárias não precisavam dessa autorização. Ainda bem. Com isso a gente esbarra na privatização dos Correios e eu fico morrendo de rir com os argumentos contrários: se privatizar os serviços prestados pelos Correios vai aumentar o preço e penalizar os pobres. Qual o serviço prestado pelos correios? Cartas, telegramas, ordens de pagamentos? Tudo isso ficou no passado e a administração não viu. Hoje os Correios vivem de entrega de encomendas ou de transporte de documentos via Sedex. Dever ter muito pobre comprando pela internet ou mandando seus documentos pelo Sedex para se cadastrar no Programa Bolsa Família.

Economia não é simples e no Brasil é um desafio constante. Todo dia a imprensa divulga que Guedes está de saída. A Bolsa bate 114 mil pontos e as pessoas perguntam por que você fica contente se não tem ações na Bolsa? O que se torce contra esse país não é brincadeira. Apenas para relatar um fato: fiz uma crítica aos dados socioeconômicos do Maranhão e um esquerdista disse que não se podia exigir que em seis anos, apenas, Flávio Dino melhorasse a situação do estado. Então, eu pequei uma crítica que ele fez a Guedes pelo crescimento de 1,1% em 2019.

A questão é assim: passou um ano e o governo não resolveu o desemprego de 13 milhões de pessoas que o governo Dilma gerou. Agora, um governo de esquerda que está a seis anos no poder não deve ser cobrado porque a nota do IDEB das escolas públicas para os anos finais é 3,7 ou porque o IDH do estado é 0,639, o segundo pior do Brasil. Ficaria mais simples para mim, ser hipócrita.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLO GERMANI – BELO HORIZONTE-MG

Caro Luiz Berto !

Em anexo, capa da TIME (“Pessoa do Ano”).

@FlavioGordonA “Pessoa do Ano” da revista TIME não é uma pessoa, mas um monstro de duas cabeças.

Só faltou a cabeça do Xi-Jinping para completar a Hidra do ano de 2020 da TIME.

Abraços

J.R. GUZZO

DESTA VEZ, NÃO ROLOU

A política brasileira anda tão ruim hoje em dia, mas tão ruim, que até o Supremo Tribunal Federal, acredite se quiser, está conseguindo evitar que o Senado e a Câmara tornem as coisas ainda piores do que já são. Não é pouco, considerando-se quem são o Supremo, o Senado e a Câmara, mas aí está: os presidentes das duas casas do Poder Legislativo estavam contando com a cooperação dos onze magistrados top de linha do Brasil para baterem a carteira do público em plena luz do dia, com sua reeleição para os cargos que ocupam – e, desta vez, não deu certo. A reeleição de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia sempre foi ilegal; agora, por decisão oficial do STF, continua sendo. É um alívio.

Naturalmente, se a lei valesse alguma coisa neste país – e se o Congresso não passasse a vida de quatro diante do Poder Judiciário -, o problema jamais teria aparecido. O artigo 57 da Constituição diz, com a clareza da tabuada, que nem o senador nem o deputado poderiam se reeleger na situação que ocupam no momento. Mas e daí? Se a Constituição diz que não pode, é só pedir para o STF declarar que pode; pronto, nas expectativas de ambos, o artigo constitucional que os atrapalha seria considerado inconstitucional e tudo estaria resolvido. Só que o STF, para surpresa de Alcolumbre, de Maia e da população em geral – ou melhor, dos que chegaram a prestar alguma atenção no assunto -, decidiu que continua valendo o que está escrito. Conclusão: não rolou.

Foi apertado, é claro – é mais fácil o camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha do que colocar os onze ministros do STF, ao mesmo tempo, do lado certo de alguma coisa. Nem é preciso dizer quem foi o líder dessa prodigiosa tentativa de dizer que um artigo da Constituição é contra a Constituição: o ministro Gilmar Mendes, com os companheiros de sempre. Na sua decisão, exposta ao longo de uma maçaroca de sessenta e tantas páginas de sintaxe torturada e argumentação incompreensível, com citações da História do Brasil que pouco têm a ver com os fatos da real História do Brasil, Gilmar sustentou que a Constituição permite a reeleição do presidente da República e, portanto, tem de permitir também a reeleição dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Os ministros do seu entorno disseram: “É isso mesmo” – e votaram, também eles, a favor de Alcolumbre e de Maia.

Não ocorreu a ninguém, pelo jeito, que está escrito na Constituição, expressamente, que a reeleição do presidente da República é legal, e que a reeleição dos dois chefes do Legislativo é ilegal – por esse motivo, a primeira é permitida e a segunda é proibida. Também não se levou em conta que a reeleição do presidente só se tornou possível porque o próprio Congresso Nacional, incentivado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou uma emenda constitucional com esse exato objetivo – e, desta vez, ninguém estava aprovando emenda nenhuma. Não são detalhezinhos como esse que vão parar um Gilmar, um Toffoli ou um Lewandowski. O único problema, no caso, é que eles ficaram em minoria. Faz toda a diferença.

O placar final foi outra novidade sensacional: 6 a 5 contra Alcolumbre e 7 a 4 contra Maia. Como assim, se os dois estavam querendo a mesma coisa? Entra, aí, a primeira grande contribuição do dr. Kássio, o recém-emplacado ministro do STF, ao direito constitucional brasileiro. No seu voto, Alcolumbre podia aplicar esse conto do vigário no contribuinte, e Maia não podia; daí a diferença entre as duas contagens. Se a virada de mesa desse certo, o presidente Jair Bolsonaro (que indicou o dr. Kássio porque, em suas palavras, os dois tomaram “muita Tubaína” juntos) iria fazer cabelo e barba: Alcolumbre, que é amigo profissional do governo, poderia se reeleger, e Maia, que decidiu fazer carreira como inimigo, não poderia. Não adiantou nada: no fim, os dois perderam.

Há pouca dúvida, quando se levam em conta os fatos, de que tanto Alcolumbre quanto Maia estão entre os chefes mais aguados que o Poder Legislativo brasileiro já teve nos últimos anos; é preciso voltar aos tempos de um Severino Cavalcanti, por exemplo, para ficar no nível do material que se tem hoje. O presidente do Senado vem do Amapá, possivelmente o mais atrasado dos 27 Estados brasileiros; seu último feito foi ficar durante dias num apagão que levou à suspensão das eleições municipais. O presidente da Câmara vem das miudezas da política local do Rio de Janeiro – o começo, o meio e o fim, aliás, de sua rixa permanente com Bolsonaro. Acreditou no que a mídia diz dele, e em suas próprias ilusões, para imaginar-se como um líder de estatura nacional; a partir do dia 1º de fevereiro próximo, como ex-presidente da Câmara, voltará a ser apenas Rodrigo Maia.

Vamos ver a partir daí, então, quanto um e outro vão realmente estar no topo do noticiário político e no cardápio diário do Jornal Nacional – ou se começarão a deslizar rumo ao exercício findo, como homens cujas ambições superam largamente os seus talentos. Isso não quer dizer, naturalmente, que alguma coisa ficará melhor por causa dos sucessores que terão. “Pelo retrospecto”, como se dizia antigamente nas corridas do Jockey Club, o Brasil terá mais do mesmo — ou sabe lá Deus o que, exatamente. Num país em que um Renan Calheiros é substituído por um Davi Alcolumbre, é melhor ficar quieto.

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