PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TERCEIRO CANTO – Alberto de Oliveira

Cajás! Não é que lembra à Laura um dia
(Que dia claro! esplende o mato e cheira!)
Chamar-me para em sua companhia
Saboreá-los sob a cajazeira!

– Vamos sós? perguntei-lhe. E a feiticeira:
– Então! tens medo de ir comigo? – E ria.
Compõe as tranças, salta-me ligeira
Ao braço, o braço no meu braço enfia.

– Uma carreira! – Uma carreira! – Aposto!
A um sinal breve dado de partida,
Corremos. Zune o vento em nosso rosto.

Mas eu me deixo atrás ficar, correndo,
Pois mais vale que a aposta da corrida
Ver-lhe as saias a voar, como vou vendo.

Alberto de Oliveira, Saquarema-RJ, (1857-1937)

DEU NO JORNAL

QUE DANADO É ISTO???

* * *

Esta era a manchete principal do UOL, hoje pela manhã quando liguei o computador.

UOL, vocês já sabem, é a página da Globo na internet.

Estava publicada em dimensões maiores que o habitual, tomando a página toda, de canto a canto.

Como sou analfabeto nesses assuntos de economia, fiquei sem entender porra alguma.

Pergunto aos nobres especialistas fubânicos:

Crescer 7,7% no trimestre, é uma merdinha da nada, é pouco, é médio, é mais ou menos ou é muito?

E que danado significa esse “mas” que tá logo depois da vírgula?

Me adesculpem-me a minha ignorância.

Conto com a compreensão e os esclarecimentos de vocês, pessoas caridosas.

PERCIVAL PUGGINA

GUIAS CEGOS!

“Guias cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo”. (Mt 23, 24)

Em pleno século XXI, os moradores de Criciúma, em Santa Catarina, experimentaram a derrubada dos muros e a invasão dos bárbaros. Nada sei sobre estes novos vândalos que habitam um submundo ao qual não tenho acesso, mas sei quem não pode ser inocentado quanto ao fato. Esse é um contingente muito mais numeroso e visível.

Não posso isentar de responsabilidade os autores do discurso segundo o qual “no Brasil se prende demais”. Ora, no primeiro semestre deste ano, criminosos que circulam em nossas ruas com a liberdade dos pássaros cometeram 25,7 mil homicídios. Acresça-se que, segundo o CNJ, apenas algo entre 5 e 8% dos homicídios são investigados! Nessas mesmas ruas, também circulam traficantes, estupradores, ladrões e assaltantes a infernizar o dia a dia do brasileiro. E mesmo assim, temos presos em excesso? Precisamos de políticas de desencarceramento? Progressão automática de regime? Vítimas abandonadas e vantagens para os criminosos, à nossa custa?

Não isento os muitos magistrados mais preocupados com sua visão sócio-política da criminalidade (não por acaso equivocada, porque ideologizada) que considera o crime contra o patrimônio como uma forma de ato político, de ajuste de contas sociológico, espécie de proclama revolucionário contra o direito de propriedade. Então, quando impossível não contornar o determinado pelo Código Penal, mandam o réu para o “sempre-aberto”, assim chamado por que está aberto, sempre, para as mesmas ruas de onde operavam antes da pantomima judiciária.

Como não ver a culpa dos ministros do STF? Quando o térreo do edifício judiciário prende por motivos graves, na luxuosa cobertura ministros soltam por motivos fúteis, no exercício de uma benignidade não virtuosa, filha da insensibilidade típica de quem vive entre canapés e lagostas ao thermidor. Ao mesmo tempo, sensíveis como flores de gardênia, tomam-se de ira punitiva se algo ou alguém os desagrada pessoalmente…

Como inocentar nossos congressistas que deliberam sobre leis penais e processuais com o descarado intuito de favorecer os réus, situação de muitos deles, em detrimento da sociedade e em desrespeito às vítimas? Ampliaram o novelo das garantias e recursos, algemaram os agentes da persecução criminal e dos magistrados com uma lei sobre abuso de autoridade que inibe (poderia dizer coíbe) sua atividade. Tiveram o desplante de criar um “civilizatório” juiz de garantias enquanto se torna crescentemente ferina a vida nas calçadas, nas ruas, nas estradas e na Criciúma ou na Cametá de cada dia.

Como perdoar os ministros do STF que votaram pelo retorno à interpretação de que a pena só pode ser cumprida após trânsito em julgado, por esgotamento de todas as instâncias recursais? Restauraram a impunidade, o império da chicana, a aposentadoria vitalícia das denúncias.

Como não ver, ao mesmo tempo, que aumenta o rigor contra crimes que por motivos políticos têm especial rejeição da esquerda? Como não ver esses “guias cegos” que filtram mosquitos e engolem camelos?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Ilustre Editodos,

Hoje, quinta-feira, 03/dez, das 19h30 às 20h30 vamos ouvir o professor Fernando Gonçalves deitar falação sobre o pernambuquês.

Mais um momento divertido, cheio de humor, patrocinado por um bando de elegantes cavalheiros.

O furdunço é aberto ao público, Maurino Júnior garante a limpeza do “ambiente” familiar.

Para participar basta clicar aqui.

Leitores e colunistas do JBF presentes mas cabe pitaco de qualquer natureza.

Chegue cedo.

Abraços

R. Apois tá certo.

Hoje de noite o bambu vai gemer, a jiripoca vai piar e a brilhantina de passar no cabelo vai dar dois vinténs um dedal.

Vamo que vamo!

A partir das 7:30 da noite de hoje começa a mais pacífica, ordeira, civilizada e educada assembleia internética, conforme se pode constatar no flagrante abaixo, feito durante a última reunião:

Todos os fubânicos estão convocados pra participar e nos oferecer a fantástica imagem de suas carinhas, ao vivo e a cores, nas telas do computador.

Nosso estimado colunista Maurício Assuero, criador e gerenciador da plataforma onde ocorre este furdunço semanal, estará no comando da assembleia e presidirá os trabalhos.

E com um tamanco na mão pra dar cacetadas em quem não cumprir o regulamento.

Mais tarde a gente se vê por lá, meu caro!!!!

Um grande abraço.

Professor Fernando Antônio Gonçalves, colunista fubânico, será o palestrante de hoje. Visitem a sua página clicando aqui

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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J.R. GUZZO

O TRIUNFO DA MENTIRA

A covid-19 foi sem dúvida a descoberta do ano para os políticos brasileiros. Desde o primeiro caso de infecção, boa parte dos nossos homens públicos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal e “assumir posições” – calculadas para dar mais gás (ou o que eles acham que é mais gás) para as suas carreiras. Vivem falando que agem de acordo com a “ciência”. Mentira. Eles não sabem rigorosamente nada de ciência, mas acreditam saber tudo sobre os truques mais eficazes para utilizar em seu benefício uma tragédia – e o pânico trazido por ela

O governador João Doria foi um dos primeiros a ver o potencial desta mina. Dez meses depois, continua achando que ainda há muita coisa a tirar daí.

No dia 13 de novembro, duas semanas antes do segundo turno das eleições municipais, o governador disse o seguinte, em praça pública: “Vim aqui para desmentir mais uma fake news”, disse Doria, àquela altura convencido de que manter em grau mais moderado seu sistema de repressão ao vírus, como vem ocorrendo nos últimos meses, era a postura mais rentável para dar votos ao seu candidato Bruno Covas. “Depois das eleições nós não vamos endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle.” Afirmou, também, que as previsões de endurecimento eram “um golpezinho” de campanha eleitoral.

As urnas mal tinham sido fechadas quando o governador, que então já não precisava mais dos votos, mandou fazer exatamente o contrário do que havia acabado de prometer: depois de uma campanha eleitoral vivida dentro da “fase verde” das restrições, Doria votou a impor as exigências da “fase amarela”, mais extensas e rigorosas. Qual foi, nessa história, a notícia falsa: o anúncio do endurecimento que viria depois da eleição, ou o desmentido formal do governador?

A covid-19, ao ser utilizada como ferramenta política, transformou-se no triunfo da mentira. Essa malversação dos fatos, feita de forma sistemática e maciça, leva aos disparates que se repetem diariamente à vista de todos. Há a vacina “boa” (a estadual) e a vacina ruim (a federal), com o pormenor de que nenhuma das duas existe. Há a aglomeração “ruim”, quando é feita pelos adversários políticos, e a aglomeração “boa”, quando é feita nas sedes de partidos para comemorar as vitórias do segundo turno. Há os chiliques constantes das autoridades diante de “ameaças ao distanciamento social”, e a sua mais absoluta indiferença com os ônibus, trens e metrô que viajam lotados todos os dias.

A Prefeitura de São Paulo é patentemente inepta para cuidar de tarefas elementares e essenciais, que o homem sabe executar há 5.000 anos, como manter os bueiros da cidade razoavelmente limpos – a causa direta das enchentes a qualquer chuva mais forte. É inepta para cortar árvores que ameaçam cair sobre a rua e matar gente, como acaba de acontecer na Vila Mariana – apesar de todos os pedidos de providências por parte dos moradores. É inepta para consertar os buracos de rua. Mas o prefeito e o governador são craques em usar máscaras pretas fashion, brincar de “cientista” e propor a “igualdade social”.

É onde São Paulo veio parar.

A PALAVRA DO EDITOR

DESMANTELO NA ÁFRICA

Não é só no Brasil que a multinacional Carrefour tem causado problemas e frequentado o noticiário com muita intensidade.

Este rede de supermercados inaugurou uma unidade na República dos Camarões, lá na África.

E com uma fantástica inovação para aquela terra: escadas rolantes!!!

Foi um evento que fez muito sucesso e contou com um público que fazia fila em torno do empreendimento.

Esses exploradores branquelos adoram sacanear com a negralhada.

Vejam só o desmantelo que aconteceu:

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Isto é um absurdo!!!

Nós estamos implorando ao STF para que cumpra a Constituição.

Botafogo e Batoré não podem ser reeleitos, não, nunca, never.

Onde chegamos?!?!?!

Isto é a suprema vergonha federal, minha gente!!!!!

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