CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Prezado Berto e amigos desta Gazeta Afoita,

Vejam aqui uns versos feitos pelo repentista Raimundo Caetano sobre os conselhos de um pai para um filho.

Episódio especial sobre a Arte da Cantoria de Repente.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima declamação.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

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ANA PAULA HENKEL

A OBSESSÃO DA IMPRENSA POR DONALD TRUMP

E a grande imprensa oficializou Joe Biden como o próximo presidente dos Estados Unidos. Desde o dia 3 de novembro eleitores de Donald Trump tomaram as ruas do país, vandalizam prédios e saqueiam estabelecimentos comerciais. Veja as fotos… Não, não há fotos, e você não verá imagens também, porque elas não existem. Parece que pessoas que pertencem aos espectros políticos opostos reagem de maneiras diferentes quando não conseguem o que querem. Tapumes em portas e janelas por todo o país foram colocados como medida de segurança e proteção. Será que o propósito era conter a fúria de grupos pró-Donald Trump?

Ah, não importa, Trump está fora. E foram quatro anos de “problemas intermináveis”. Desde 2016, os Estados Unidos viviam “os piores anos de sua História”, bastava abrir os jornais, estava tudo lá. Recessões econômicas sempre à vista, guerras prontas para ser iniciadas, índices de desemprego nas alturas, vários processos de impeachment de um dos piores presidentes norte-americanos, cidades sendo queimadas com violentos protestos por culpa do bufão do Twitter e, para coroar o inferno na América, a pandemia do novo coronavírus. Tudo culpa de Donald Trump. Pelo menos, era isso que os jornais dos EUA – em um mundo paralelo – noticiavam.

E, como num passe de mágica, os Estados Unidos acordaram em plena harmonia. Não há mais “brutalidade policial sistêmica”, não há mais racismo. A pandemia, que estava totalmente fora de controle até 3 de novembro, agora tem em sua rota a vacina de Joe Biden e o povo está livre para acreditar – e entrar como um rebanho de ovelhas – em outro lockdown que não tem data para terminar. A paz reina novamente. Quem poderia imaginar que seria tão fácil tirar o “novo Hitler” da Casa Branca? Com a ajuda da fé (e dos votos) do além, o xenófobo, homofóbico, nazista e fascista finalmente vai nos deixar em paz. Você disse recontagem e votos auditados? Batalhas judiciais? Não, não se preocupe, os pen drives e relatórios eleitorais já estão sumindo e as cédulas sendo destruídas. Nada para ser visto, agora é só comemorar, o bufão laranja está de malas prontas para a Flórida.

Durante quatro anos, a imprensa norte-americana vendeu “o caos da administração de Donald Trump”. Todos – absolutamente todos – os fatos e feitos de suas políticas públicas foram distorcidos ou escondidos. Seus juízes indicados para a Suprema Corte não apenas tiveram a vida devassada, mas foram xingados, zombados e alvo de mentiras absurdas e humilhantes. Sua família, perseguida.

Melania Trump, esposa do presidente, nasceu na Eslovênia e é a segunda mulher estrangeira (cidadã norte-americana naturalizada) a deter o título de primeira-dama, e a primeira cujo idioma nativo não é o inglês (but wait, a imprensa me disse que Trump era xenófobo). Melania veio para os Estados Unidos jovem, tornou-se uma supermodelo e empreendedora de sucesso, e é uma das mulheres mais bonitas e elegantes do mundo. Em qualquer outra situação em que houvesse um mínimo de honestidade jornalística, ela estaria em todas as capas de revista, sendo colocada em um pedestal como ícone fashion e modelo a ser seguido. Mas, durante quatro anos, Melania foi uma das chacotas favoritas da mídia, principalmente a feminina, recheada de mulheres feias rancorosas.

Mesmo com os resultados da eleição ainda sub judice, o bufão laranja e sua família provavelmente sairão da Casa Branca em janeiro de 2021. Mas e aí? O que será notícia nos veículos de imprensa dos Estados Unidos sem um bufão, sem um “novo Hiltler” para chamar de seu? Sem um caos para ser reportado ou criado? Ou uma crise econômica para ser incentivada? Quem será o culpado dos sentimentos jornalísticos destroçados por serem chamados de fake news?

Uma das eleições presidenciais mais importantes dos últimos tempos ainda não foi oficialmente concluída, os Estados ainda não enviaram suas certificações e o processo legal só será encerrado em 14 de dezembro, quando os delegados se encontrarão no Colégio Eleitoral para oficializar quem venceu a disputa. Mas, desde 4 de novembro, um dia após as eleições, a grande imprensa já declarou Joe Biden o vencedor e vem entrevistando o democrata como “presidente eleito”.

Conhecido nos Estados Unidos como o rei das gafes – mesmo passando os últimos meses escondido em seu porão durante uma campanha -, Biden tem concedido entrevistas, no mínimo, peculiares. Além das matérias na imprensa sobre suas meias e seu cachorrinho de estimação, as perguntas direcionadas ao ex-vice de Barack Obama não são sobre políticas públicas ou sobre os possíveis laços financeiros da família Biden com empresas na Ucrânia e na China. Joe Biden é constantemente “bombardeado”, durante ho-ras, com perguntas sobre… Donald Trump.

Biden terá de arrumar estratégias para evitar um possível golpe para derrubá-lo dentro do próprio partido, tudo para que a agenda globalista seja empurrada a todo o vapor na América, e isso não será exposto pela grande mídia. As brigas e a divisão óbvia e irreversível entre os democratas também não serão noticiadas. Nesse tempo, será curioso observar a imprensa não parar de falar sobre Donald Trump depois de afirmar por quatro anos que teve o suficiente de Donald Trump.

Pouco podemos afirmar em um cenário político tão polarizado e dividido, mas, se existe algo claro como a luz do dia, é o fato de que Trump continuará sendo notícia. Algo saiu errado? Culpe a administração passada. A mídia não conseguirá ser a mídia que é sem correr atrás do último tuíte ou declaração do orange man bad. Eles não podem e não vão deixá-lo, seu único propósito é ser anti-Trump e eles não saberão o que fazer se não puderem se ofender com tudo o que ele diz. Jornalistas vão perambular pelos campos de golfe de Trump, vão acampar na frente de suas residências na Flórida e ainda ficarão indignados com seu jeito e seus tuítes. Watch.

E o que pode restar para Donald Trump com apenas dois meses no cargo de homem mais poderoso do mundo, depois de uma das mais importantes reformas tributárias da história, depois de nomear mais de 200 juízes federais e três juízes conservadores para a Suprema Corte (que nesta semana já julgaram inconstitucional as medidas do governador de Nova York de fechar igrejas e sinagogas durante a pandemia), que assinou três acordos de paz no Oriente Médio, que trouxe de volta para o Partido Republicano o voto de negros e latinos e da classe trabalhadora?

Trump poderia abrir as portas da “Área 51” e matar nossa curiosidade sobre os aliens, ou tirar o selo de sigiloso dos documentos sobre a morte de JFK. Ou, já que Trump não começou nenhuma guerra – fato inusitado para aquele que, segundo a imprensa, começaria a terceira guerra mundial -, poderia invadir Portland com a Guarda Nacional, cidade que arde em chamas e violência há meses sem que as autoridades mexam um dedo para cessar o caos. Ou, quem sabe, Trump poderia aplicar um derradeiro golpe no movimento Defund the Police e assinar um último pacote de estímulos às corporações policiais.

Se a imprensa, os democratas, os republicanos traidores, as centenas de pessoas que foram às ruas não para celebrar a vitória de Biden mas para gritar “Fora Trump” não gostavam do presidente Donald Trump, aguardem o ex-presidente Donald Trump. Se ver o Godzilla em ação foi divertido, ver o Godzilla em ação de férias será mais divertido ainda.

DEU NO JORNAL

BEBIDA DE RICO

Começou a pré-venda do vinho tinto Bolsonaro “Il Mito”.

Produzido no Chile, está disponível nas opções cabernet sauvignion e carménère.

Tem também espumante.

O preço é razoável, a partir de R$139 a garrafa.

* * *

Vinho é coisa de rico.

A bebida das zelites.

Tem até colunista fubânico das altas rodas que bebe vinho nas calçadas dos Champs-Élysées, enquanto aprecia a paisagem horrível da decadente Paris capitalista.

Eu só quero ver mesmo é se alguma empresa vai inventar de fabricar a Cachaça Bolsonaro.

E mandar uma garrafa de presente pro ex-presidiário Lula.

Essa eu quero ver!

“Veja: essa cachaça Bolsonaro amarga que só a porra e é difíci de ingulí”

DEU NO TWITTER

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CLIENTES, OU REFÉNS?

Esta semana estava escrevendo um texto em que analisava o personalismo de nossas vertentes políticas. Interrompi aquele, pois iria participar de uma mesa redonda sobre Leitura, Literatura e Ensino em um simpósio internacional que trazia visões de diferentes países sobre esse tema, principalmente os de Língua Portuguesa.

Na minha fala, apontei como o sistema de ensino brasileiro é arquitetado para o fracasso e como cada parte dessa engenharia contribui, em maior, ou menor grau para esse fracasso. Fui rebatido por um colega que, em vez de argumentar saiu com aquela catilinária de sempre: ah! O sistema brasileiro de ensino é dominado pelas potências ricas que querem o brasileiro analfabeto; ah! O setor de livro didático é dominado pelas editoras que só querem saber de lucro, ah!, o professor é o único que não tem culpa nisso, ah, que a escola está sucateada e o professor tem péssimas condições de trabalho e vive oprimido por baixo salário, e por ai vai. Eu não sou de cortar as asas de ninguém. Deixei o indivíduo falar até que a corda dele acabou.

Eu tenho trinta anos de serviços públicos dedicado à educação – disse eu naquele evento, e repito agora -. E posso dizer que, da época em que entrei na educação pública, até o presente momento, a escola, se não chegou ao paraíso, pelo menos saiu do inferno e está no purgatório. No meu primeiro ano de magistério o que tínhamos era giz branco, quadro negro e garganta. Trabalhava 50 horas/aula semanais de 50 minutos cada, ou 40 horas relógio de 60 minutos. Não havia as famosas horas para planejamento. O planejamento fazíamos aos fins de semana, em casa.

Lembro-me que o salário bruto era de o equivalente a 120 reais pelas quarenta horas. Como o salário mínimo era cerca de 180 reais, recebíamos um “abono” para igualar o salário ao mínimo nacional. Depois disso vinham os descontos e acabávamos recebendo, líquido, cerca de 145, 155 reais, em média

Disse ainda, a esse meu debatedor que as provas eram na base do mimeógrafo a álcool, mesmo assim pedindo que o aluno trouxesse, cada um, 30 folhas de sulfite, e algumas folhas de estêncil para poder fazer as provas. E quando não traziam, esses materiais saíam do nosso bolso, porque a escola também não tinha recursos para adquirir esses materiais. E, quando recebiam, duas vezes ao ano, tinham que pagar os penduras no comércio local, de material de limpeza, material de escritório, reparos elétricos, hidráulicos, e por aí vai.

E disse a ele – que pelo visto fez toda a sua carreira no ensino superior e nunca pisou em uma escola pública de educação básica -, pelo menos aqui no Mato Grosso do Sul é assim… hoje o professor conta com acesso á internet banda larga, sala de professor climatizada, cota para reprografia e para provas, todo o material de registro das atividades é on line, até o planejamento, cabendo ao professor apenas clicar no link que ele é automaticamente preenchido. Ao professor cabe apenas definir as datas de avaliação e o tipo de avaliação.

Atualmente, há quatro repasses financeiros ao ano: dois federais e dois estadual que chegam a somar quase sessenta mil reais, afora o repasse da merenda escolar que, a depender do tamanho da escola pode ser de até cem mil reais anual.

O salário médio de um professor com 40 horas semanais, a depender da titulação e do tempo de serviço pode variar entre onze e treze mil reais, além de que, de cada vinte horas de trabalho, um terço dela é para planejamento, sendo que a somatória desses planejamentos fora de sala de aula, dois podem ser cumpridos na escola, e dois onde o professor bem entender.

O que mais chama atenção nessa evolução da escola é que, apesar dessas melhorias visíveis – agora temos o projeto Educação Conectada que oferece internet grátis para alunos, professores, funcionários e pais de alunos dentro do ambiente escolar, e livre, sem senhas, nem filtros -, a qualidade do ensino público só foi ladeira abaixo. Hoje estamos no mesmo patamar de Botsuana, Ruanda, Somália e Eritreia no ranking de desenvolvimento educacional.

Ao lançar um olhar sobre esse cenário, e ver que à população que não tem condições de buscar melhores condições educacionais para seus filhos eu me pergunto: criamos mesmo um sistema educacional perverso que deixou de ter clientes cativos e passou a ter reféns do sistema?

E não digo do malvado sistema capitalista que só quer explorar mão de obra barata. É justo seu contrário, pois o sistema educacional brasileiro tem mais esquerdistas e comunistas que dentro do Partido Comunista Chinês. Ao contrário daquele ajuntamento de facínoras que usa a ideologia comunista para ganhar dinheiro, nossos comunistas acreditam piamente que só essa ideologia pode salvar o sistema educacional, enquanto isso, vão demolindo a escola.

Certa vez, estava assistindo a uma palestra de uma professora, doutora em educação – e ela se zangou comigo porque eu disse que ela não era especialista em Educação Básica. Podia ser especialista teórica, mas o verdadeiro especialista é aquele que passa 40 horas semanais em sala de aula de educação básica, sofrendo todos os tipos de privações e ameaças possíveis – e ela falando que era preciso superar esse modelo capitalista, que a escola precisava ser revolucionária, libertadora, ensinar as crianças a pensar fora da caixa – sei lá o que isso significa, mas com certeza, toda vez que alguém diz isso, Descartes se vira na tumba -, implantar uma ideologia libertadora do homem na escola. Ao término, pedi a palavra e perguntei a ela se tinha filhos em idade escolar. Diante da resposta positiva dela, questionei que, se tal escola existisse ela os matricularia na mesma. Obtive como resposta um silêncio ensurdecedor.

Assim, nossos ditos pensadores vão pensando a escola, mas uma escola que serve para o filho dos outros. Deles mesmo só servem escolas privadas, e quanto mais conservadoras e tradicionais melhor ainda. Isto porque na escola pública, e é triste dizer isso, 35% dos professores nunca leram um livro, segundo a Fundação Pró-Livro, 43% não cultivam o hábito de frequentar bibliotecas e livrarias, e 76% só leem aquilo que está no livro didático para preparar a sua aula.

E esse tipo de escola é oferecido ao cidadão. O sistema de ensino brasileiro que oferece educação ruim para as famílias pobres. Ruim, alienadora e ideologicamente fracassada, alterou o modelo de relação com a sociedade. Antes esse sistema possuía clientes cativos, mas com alguma chance de se libertar. Hoje esse mesmo sistema possui reféns. Reféns do atraso, do coitadismo, do comodismo, da preguiça intelectual, da venalidade, do afrouxamento moral, das ideologias “pogreçistas” que já debati aqui no JBF e da culpa sempre no outro.

Em trinta anos de serviço público, sempre me debati, seja em sindicato, seja em comissões de educação – participei da construção do Plano Nacional de Educação e da Base Nacional Comum Curricular em todas as esferas – e sempre briguei pela qualificação permanente do docente, pela humildade científica e pela construção de documentos factíveis. Vejam, a Base Nacional possui 678 objetivos a serem alcançados na Educação Básica. É impraticável e inatingível isso. Parece coisa de maluco, mas é a diretriz macro da pedagogia nacional.

E, como essa base também é diretriz para as escolas privadas, os defensores de ideologias torpes como a de gênero – gênero quem tem são palavras. Seres biológicos têm sexo, sempre digo isso -, o marxismo cultural, o esquerdismo rombudo conseguiu o que queria: transformou toda a sociedade em refém de uma educação que só nos levará ao atraso e ao abismo social.