DEU NO JORNAL

CONTAMINAÇÃO PELAS TECLAS DA URNA

O candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, foi diagnosticado com covid-19.

O resultado do teste foi divulgado na tarde desta sexta-feira (27).

* * *

Este Editor torce, sinceramente, para que Boulos se trate com hidroxicloroquina e fique curado o mais rápido possível desta doença.

Segundo apurou o Departamento de Infectologia do JBF, o covid-19 que infectou Boulos tem uma particularidade.

Apesar de ser o covid de número 19, o perigo está mesmo é no número 50.

Os eleitores de São Paulo que, na urna eletrônica, digitarem o número 50 no próximo domingo, correm sério risco de serem infectados.

Mesmo passando um álcool poderoso na ponta do dedo.

Uma dezena infectada

RODRIGO CONSTANTINO

O GÊNIO E O MITO

Diego Maradona morreu esta semana, aos 60 anos. Ele sofreu uma parada cardíaca. O governo argentino decretou três dias de luto oficial. Maradona foi, sem dúvida, um dos maiores craques do futebol mundial. Na mídia, vimos inúmeras homenagens e obituários elogiosos, alguns misturando a razão de sua fama – o talento futebolístico – com sua visão política. Já nas redes sociais seus detratores desceram a lenha, justamente porque o ex-jogador era um comunista.

Ambas as posturas parecem inadequadas, e em parte são fruto da era das redes sociais, que alimentaram a polarização e transformaram tudo em torcida de futebol. No caso do futebol propriamente dito, Maradona deixou um legado inquestionável, por mais que surjam debates legítimos sobre quem era o melhor entre ele, Pelé, Zico e Messi. Em que pese a dúvida sincera, o fato é que todos foram extremamente habilidosos com a bola e trouxeram muitas alegrias para os apaixonados pelo esporte.

É triste, portanto, quando as pessoas perdem a capacidade de separar as coisas. E esse é justamente o tema desta coluna. Quando alguém despreza o gênio dos campos por conta do mito político, está fazendo uma confusão indevida e equivocada. O mesmo vale, naturalmente, para quem faz o contrário: utiliza a genialidade nos campos para criar um ícone político, como se o talento de Maradona com a bola tivesse qualquer elo com sua capacidade de compreender o mundo político.

No livro A Sociedade Que Não Quer Crescer, o psicólogo argentino Sergio Sinay disseca os perigos do fenômeno que podemos observar facilmente no Brasil também: adultos que se negam a ser adultos. São os “adultescentes”, presos no imediatismo e incapazes de sacrifícios morais para garantir um futuro melhor. E ele usa como exemplo justamente o ídolo do futebol de seu país para criticar a escolha de maus exemplos como referência moral.

Maturidade exige renúncia, sacrifício, responsabilidade e compromisso. Tudo aquilo de que muitos adultos modernos fogem como o diabo foge da cruz. Talvez para aplacar sua angústia existencial, esses adultos desejam permanecer jovens para sempre, e agem como tais. São colegas de seus filhos, e delegam a responsabilidade de educá-los a terceiros. Confundem seus caprichos com direitos. Nas palavras do autor:

“Uma sociedade empenhada em permanecer adolescente vive no imediatismo, na fugacidade, nas rebeliões arbitrárias que a nada conduzem, na confrontação com as regras – com qualquer regra, pelo simples fato de existirem -, no risco absurdo e inconsciente, na fuga das responsabilidades, na ilusão de ideais tão imprevistos como insustentáveis, na absurda luta contra as leis da realidade que obstruem seus desejos volúveis e ilusórios, na rejeição ao compromisso e ao esforço fecundo, na busca do prazer imediato, ainda que se tenha que chegar a ele por meio de atalhos, na confusão intelectual, na criação e adoração de ídolos vaidosos colocados sobre pedestais sem alicerces”.

Impossível não pensar em Maduro, Morales, Corrêa, Kirchner e Lula, ou seja, na patota populista do Foro de SP. Ou ainda nos artistas e atletas famosos que levam uma vida altamente questionável do ponto de vista ético, mas ainda assim viram heróis nacionais, referências morais. Eis onde entra Maradona na análise:

“Uma sociedade é adolescente quando carece de critérios para distinguir entre as habilidades futebolísticas de seu maior ídolo esportivo, Diego Maradona, e suas condutas irresponsáveis, sua ética duvidosa, seus valores acomodatícios; quando acredita que aquelas habilidades justificam tais ‘desvalores’ e quando, assim como um adolescente, os vê como um tributo invejável”.

Essa incapacidade de separar as coisas é típico sintoma de infantilismo. Maradona foi um dos maiores jogadores de todos os tempos, ponto. Mas isso nada diz sobre o restante. Sabemos que levou uma vida trágica, por conta do vício em drogas, de escolhas morais condenáveis, assim como podemos – e devemos – criticar suas “amizades polêmicas”. Ele usou a fama para fazer propaganda para ditadores assassinos.

Não podemos ridicularizar nossos “hermanos” nesse ponto. Basta pensar em nossos próprios heróis com pés de barro. Para sair do futebol, que tal Oscar Niemeyer? Os brasileiros não conseguem separar seu talento artístico do restante, e criaram a imagem de um grande humanista abnegado. Um humanista dos mais peculiares, já que adorava o maior assassino de todos os tempos: Joseph Stalin.

Temos o hábito de canonizar os mortos, em especial aqueles associados à esquerda radical. Mesmo em vida há esse esforço por parte da imprensa, com seu viés “progressista” quase hegemônico. E como traço predominante vemos essa mania de confundir talento numa área artística, esportiva ou da ciência com sabedoria ou referência moral.

Mas a simples constatação de que não se pode ser um grande humanista e um defensor de Stalin ou Fidel Castro ao mesmo tempo incomoda aqueles que querem usar a fama desses ícones para propagar sua ideologia. O colunista Zuenir Ventura reagiu assim quando criticaram esse lado de Niemeyer à época de sua morte: “Algumas críticas ideológicas a Oscar Niemeyer depois de morto revelam, de tão iradas, que no Brasil foi fácil acabar com o comunismo. O difícil é acabar com o anticomunismo”.

Quem dera o comunismo tivesse mesmo acabado no Brasil. Mas resta perguntar: devemos acabar com a oposição a essa utopia que trucidou centenas de milhões de inocentes? Ainda mais quando ela ainda serve de manto para ocultar o aspecto sombrio de seres humanos sem nenhuma empatia pelo próximo?

Não é exclusividade dos latino-americanos o uso dos famosos como instrumento de propaganda ideológica. Noam Chomsky é um importante linguista, apesar de suas teorias merecerem duras críticas hoje. Mas ele não virou um guru da esquerda por suas teses linguísticas, e sim por ser um antiamericano radical, que cospe no capitalismo que o enriqueceu. Temos vários casos similares: o público confunde a habilidade específica em certa área com uma autoridade para assuntos políticos, o que não faz sentido algum.

O comunismo foi o sonho adolescente que pariu o pesadelo real de milhões de pessoas. Combatê-lo é um dever moral de todo verdadeiro humanista. Hoje ele se adaptou, mudou, mas ainda sobrevive como “socialismo bolivariano”, “socialismo do século 21” ou mesmo “progressismo radical”. E conta com seus “garotos-propaganda”, aqueles que fizeram fama e fortuna com seus talentos específicos e transformaram isso em máquina de difusão ideológica.

Jesus foi claro quando disse para darmos a César o que é de César. Ele falava da divisão entre Estado e fé religiosa. Mas podemos aplicar a mesma lógica aqui. Podemos reconhecer o futebol-arte de Maradona – mesmo com direito a gol irregular de mão – e rejeitar o “pensador” político. Maradona não deveria ser uma referência moral para ninguém. Mas é um erro jogar tudo no lixo, como fazem aqueles que se recusam a escutar músicas de compositores comunistas, por exemplo, ou ver filmes com atores talentosos que defendem o Psol. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, bem diferente…

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

SEIS MESTRES DO IMPROVISO E UM FOLHETO DE PELEJA

UM GALOPE PARA O UMBUZEIRO – Júnior Guedes

Frondoso e bonito, o velho umbuzeiro
Que brotou das fendas abertas da terra.
Cresceu num aceiro do pé de uma serra
Passando agruras o tempo inteiro.
Foi ficando forte a cada janeiro,
Mudando a paisagem que tem no lugar.
Felizes daqueles que vem contemplar,
Seu verde, a sombra e sua doçura
O doce da fruta na forma mais pura
Que o puro da brisa que sobra do mar.

* * *

Biliu de Campina

Versejar é minha sina
No mundo transcendental
Passo do ponto final
Fazendo o que me fascina
Vou pelo mapa da mina
Navegando em barco a vela
Sem ter medo da procela
Numa letal disparada
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela.

* * *

Miro Pereira

O meu pai não tem estudo
Mamãe é analfabeta
Eu pouco fui à escola
Somente Deus me completa
Com esse sublime dom
De repentista e poeta.

* * *

Zé Fernandes

A seca seca primeiro
Os depósitos cristalinos
Depois seca as esperanças
De milhões de peregrinos
Mas bota enchente de lágrimas
Nos olhos dos nordestinos.

* * *

Adauto Ferreira Lima

Quando o sujeito envelhece
Quase tudo lhe embaraça
Convida a mulher pra cama
Agarra, beija e abraça
Porém só faz duas coisas:
Solta peido e acha graça.

* * *

Pedro Tenório de Lima
(Poeta analfabeto do sertão do Pajeú)

Me criei abraçando a agricultura
Já tô véi, a cabeça tá cinzenta
Pra onde vou é levando a ferramenta
E uma faca de doze na cintura
Minha boca lambendo rapadura
E meu almoço, um punhado de farinha
A merenda é um ovo de galinha
Namorei abraçando as raparigas
Me deitando por cima das formigas
Que uma cama bonita eu não tinha.

* * *

PELEJA DE MANOEL CAMILO COM MANOEL MONTEIRO – Manoel Monteiro

Peço inspiração aos magos
Luz, força, brilho, fulgor
Para em poesia alegre
Contar ao caro leitor
Uma discussão que tive
Com um grande cantador.

Pernambuco é o torrão
Em que nasci e andei
Após uso da razão
A poesia abracei
E saí vendendo versos
Na Paraíba aportei.

Chegado em Campina Grande
Novato e desconhecido
Na quarta fui para feira
“Cantar versos” carecido
De ganhar dinheiro pois
Estava “desprevenido.”

Notei um senhor de óculos
Quando eu estava cantando
Que pôs-se à parte e ficou
Somente me observando,
Quando terminei o “show”
Ele foi se aproximando.

E perguntou-me; Poeta,
Estás só ou com amigo?
Respondi-lhe, na viagem
Só trago o pinho comigo,
Ele convidou, eu quero
Fazer um “baião” contigo.

Sem conhece-lo falei:
– O convite está aceito
Que pra cantar desafio
Fiz, faço e farei bem feito,
Poesia é minha água,
Meu pão, meu sal e meu leito.

Disse ele, o Dr. Limeira
Convidou-me pra cantar
Estando sem parceria
Pra fazer-me acompanhar
Ouvindo e vendo seus versos
Resolvi lhe convidar.

Ele fechou o contrato
Pra noite do outro dia
Recolhi-me ao dormitório
E de quando em quando ouvia
Na rua o autofalante
Divulgando a cantoria.

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DEU NO JORNAL

CABEÇA BRILHOSA É NOTÍCIA HOJE

Cumprindo ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a Polícia Federal deflagrou hoje, sexta-feira, uma operação para investigar um grupo que, nas redes sociais, propagandeia a intervenção militar e a prisão de ministros do STF.

Estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em Brasília, Uberlândia (MG) e Taboão da Serra (SP).

Os alvos são investigados por crimes previstos na Lei de Segurança Nacional

Um dos alvos é Renan da Silva Sena, que trabalhou no ministério de Damares Alves.

As investigações começaram depois que dois dos investigados gravaram um vídeo, em frente ao STF, pedindo intervenção militar e a prisão de ministros do Supremo.

* * *

Gravar vídeo em frente ao STF é crime de suprema periculosidade.

Bom, o fato é que não precisavam ter pedido uma intervenção militar.

Bastava exigir uma intervenção indígena.

AUGUSTO NUNES

PARA EXIGIR MINHA BOLSA DITADURA, SÓ FALTA PERDER A VERGONHA

Sentado numa mesa do bar em frente da Faculdade Nacional de Direito, com vista para o Campo de Santana, eu festejava no meio da tarde de 12 de agosto de 1969 o reencontro com a namorada. Sônia saíra de circulação havia um mês, ao saber que tivera decretada a prisão preventiva. Naquela manhã, ela me avisara que a ordem de prisão fora revogada e que apareceria no lugar de sempre na hora do almoço. Nem desconfiamos que aquilo era um blefe, forjado por policiais encarregados da captura da primeira-secretária do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, o CACO Livre. Também eleito terceiro-vice-presidente no ano anterior, eu acabara virando presidente interino porque também o primeiro-vice e o segundo-vice entraram na mira dos defensores da lei e da ordem.

Passeamos algum tempo pelos corredores do prédio que alojara o Senado do Império, conversando sobre o que fazer com o centro acadêmico despovoado pelas circunstâncias. Interessado em tratar de urgências mais excitantes, sugeri que voltássemos ao bar. Eu tinha 19 anos, um copo de chope na mão e, com o fim do sumiço de Sônia, muitas ideias lascivas na cabeça. Já saboreava mentalmente outra noite de pecados quando a mão do destino tocou meu ombro esquerdo para avisar que o castigo chegara primeiro: “Polícia”, resumiu um dos quatro homens repentinamente hasteados em torno da mesa. Nem precisava dizer, pensei ao contemplar os paletós compridos demais e apertados demais. Os sherloques brasileiros sempre se acham mais altos e menos gordos do que efetivamente são. Assim, o ofício que exercem é escancarado por botões explodindo nos subúrbios da barriga e pelo sopé do paletó roçando os joelhos.

Só bem mais tarde eu saberia que eles haviam baixado na faculdade em busca da secretária do CACO. Entenderam que não seria má ideia levar-me como brinde depois de descobrirem que o moço ao lado da perigosa procurada também era um comunista infiltrado no movimento estudantil. Separados, embarcamos em fuscas disfarçados de táxis que estacionaram na sede da Polícia Militar na Rua Frei Caneca, no antigo centro do Rio. Não houve a sonhada noite de luxúria: o que houve foi um interrogatório de oito horas, ao fim das quais fomos transferidos para as dependências da Aeronáutica no Aeroporto Santos Dumont. Na traseira do camburão, Sônia sussurrou-me o lembrete: sempre que perguntassem quem era meu chefe na célula do partido, deveria recitar o nome de algum diretor já engaiolado do centro acadêmico.

Em 14 de agosto, depois de mais dois interrogatórios de oito horas, fomos instalados em pequenas salas de diferentes alas do prédio da Aeronáutica na Base Aérea do Galeão. Fui solto no começo da noite de 16 de agosto (depois de mais dois interrogatórios de oito horas cada um). Sônia ficaria presa 17 dias. “Vou cair na clandestinidade”, contou-me num encontro noturno no Outeiro da Glória. Novamente capturada meses mais tarde, integrou o grupo de militantes libertados por exigência dos sequestradores do embaixador da Alemanha, exilou-se até a decretação da anistia e hoje vive no Rio. Nunca mais voltei a vê-la.

Essa história vale ou não vale uma Bolsa Ditadura? Se muita gente que só ficou presa em congestionamento de trânsito virou bolsista, quatro dias de cadeia no inverno de 1969 merecem uma obesa reparação em dinheiro vivo e uma mesada perpétua calculada com base no que eu poderia ter sido e não fui. Sempre penso nisso ao recordar meus derradeiros minutos no cárcere. Antes de ordenar-me que desse o fora com a mesma roupa com que ali chegara, o major que conduziu o último interrogatório no Galeão releu sem pressa as anotações na minha ficha, empunhou um gordo lápis vermelho e enfeitou a primeira página com a palavra em letras graúdas: COMUNISTA. Procure esse papel, costuma soprar meu lado escuro sempre que ouve o apito do trem pagador pilotado pela Comissão de Anistia. Aquela anotação pode garantir-me a dianteira na fila dos pedintes.

Sim, não fui submetido a sessões de tortura. Mas fiquei horas a fio de cócoras, mãos algemadas sob as pernas, ouvindo perguntas tediosas e insinuações redundantes feito letra de samba-enredo. É verdade que meio mundo viveu experiências parecidas. É verdade que nove em dez integrantes do movimento estudantil conheceram involuntariamente o silêncio imposto a presos incomunicáveis, o cheiro de animal colado ao corpo por muitas horas sem banho, a sensação de impotência absoluta, a vida suspensa no ar. Que sejam todos premiados. Os contribuintes nem vão notar que mais R$ 1 bilhão saiu pelo ralo. Nenhuma despesa é desperdício se destinada a garantir aos sócios do Clube dos Heróis da Resistência o direito a indenizações milionárias, mensalidades de bom tamanho, empregos federais e outras condecorações em dinheiro. Como ensinou Millôr Fernandes, o que parecia ideologia era investimento.

Minha mãe morreu convencida de que eu teria ido longe na vida se escapasse daquele agosto aziago. O diretor da faculdade, ao saber de tudo, avisou em dezembro que me expulsaria se não tratasse já no dia seguinte da transferência para outras paragens. Só o Mackenzie me engoliu. Não engoli o Mackenzie daquele tempo e virei jornalista. Está claro, portanto, que não pendurei na parede o diploma de bacharel em Direito porque a ditadura me transformou em perseguido político. Só por isso não fui advogado, juiz, desembargador, ministro de tribunais superiores e dono de uma toga do Supremo Tribunal Federal. Muita pretensão? Não é: até Dias Toffoli chegou lá. Não é pedir demais querer ser aposentado com o salário de ministro do STF. O desertor Carlos Lamarca, ex-capitão, foi promovido a general depois de morto e garantiu uma velhice tranquila à mulher que abandonou.

Argumentos tenho de sobra. Só estão faltando duas coisas. A primeira é conseguir um advogado esperto, que justifique a comissão de 20%. A segunda é perder a vergonha.

A PALAVRA DO EDITOR

UMA ESPERA ANSIOSA

Sexta-feira passada, dia 20, fiz uma postagem na minha coluna.

Tá completando uma semana hoje.

Na postagem havia uma lista enviada por um leitor.

Uma lista de celebridades dos governos petistas que haviam sido presas por ladroagem.

Era gente que só a peste, inclusive o proprietário do estabelecimento, batizado por Lapa de Corrupto e que usa o codinome de Lula.

Quem quiser reler, basta clicar aqui.

Duvidei da veracidade das informações e pedi ajuda ao incansável fubânico Ceguinho Teimoso.

Ceguinho é especialista em descobrir notícias falsas (que os tabacudos chamam de “fake news“…) e vive pesquisando, em tudo quando é fonte, se as informações divulgadas são falsas ou verdadeiras.

Já tem sete dias que estou esperando e nada do Ceguinho se pronunciar.

Estou preocupado, pois o nosso confrade é ligeiro nesse setor.

Com ele é peibufo: explica tudo na hora. 

Onde danado será que Ceguinho se meteu???

Pelo fantástica série de engravatados petêlhos que está na relação, tô doido pra que Ceguinho me confirme se a lista é verdadeira ou se é falsa.

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NOTÍCIAS DO TRIBUNAL DE UMA REPUBLIQUETA BANÂNICA

A maioria dos juízes do STF deve permitir que Maia e Alcolumbre disputem a reeleição.

O ministro Gilmar Mendes decidiu que o plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, podem concorrer à reeleição.

Atualmente, a Constituição Federal do Brasil proíbe a reeleição na mesma legislatura.

* * *

“A Constituição Federal do Brasil proíbe a reeleição na mesma legislatura.”

Nada tenho a declarar.

Nada a comentar.

A ânsia de vômito me fez sair correndo atrás do pinico e me impediu de digitar.

COLUNA DO BERNARDO

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

“A CRUEL PANDEMIA”

Descoberta monumental, para a literatura. A de uma Arca, onde Ray Bradbury (morto em 6/6/2012) guardava inéditos. Inigualável autor de Fahrenheit 451, Crônicas Marcianas e, sobretudo, O Homem Ilustrado (no Brasil, Uma Sombra Passou por Aqui). Destaque, entre esses achados, para o conto The Cruel Pandemy, que vou tentar resumir.

Ano, 2120. Local, Green Town (citado em outras obras suas). Os oráculos se reuniram num templo conhecido como Nova Delfos – por ter, no alto, uma sentença de Tales de Mileto, “A certeza é precursora da ruína”. E chegaram à conclusão de que jamais houve um vírus tão contagiante, e tão mortal, como aquele. Ainda mais forte que o disseminado, pelo planeta, nos anos de 2019/2020. Provavelmente, mutação do “covid” (sarscov2) com o “ebola” (corobola). Para se diferenciar da anterior, acordaram que seria chamada Cruel Pandemia. Para preservar vidas, os oráculos decidiram que no segundo S, do minuto M, e na hora H, do dia D, todos deveriam permanecer em suas PODs (unidades habitacionais mínimas). Até quando alguma vacina fosse descoberta. Naquela Nova Democracia, que agora vigorava, todos os homens eram verdadeiramente iguais.

Ocorre que começaram a surgir problemas não previstos, pelos sábios. Antes de irem para suas moradias, os funcionários das companhias de água e energia tiveram a cautela de desligar as matrizes de força. E deixaram de funcionar elevadores, geladeiras, BI2 (Brain Internet Interface), que substituíram TVs e computadores. Até os housebots (robots domésticos) pararam. No campo, a produção de grãos foi interrompida. Fecharam transportes, supermercados e deliverys. Alimentos começaram a apodrecer. E faltar. Água também. Como os policiais estavam se preservando, longe, PODs eram invadidas. E seus ocupantes, mortos. Famintos vagavam, sem destino, pelas ruas. Cadáveres se amontoavam, nas esquinas, sem ter quem os sepultasse. Quílon, mais velho dos oráculos, antes de morrer de sede, anotou em sua caderneta que o modelo adotado, para proteger os habitantes, era só um belo discurso. E que a Nova Democracia fracassou.

P.S. Claro que a história da Arca é falsa. Mas devemos refletir, com mais calma, sobre essa história. Porque a tese de mandar a classe média se trancar nos apartamentos só funciona se o Brasil real estiver nas ruas, se expondo e assumindo riscos, na luta para sobreviver.