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COLUNA DO BERNARDO

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA RESPOSTA DA PORRA!!!

Comentário sobre a postagem UM DOS DOIS TÁ MENTINDO

Goiano:

Respondendo a Berto:

A aprovação de Jair Messias Bolsonaro corresponde à aprovação que a direita conservadora dá a sua política quanto

1) à epidemia do Covid 19, de negação do poder destruidor do vírus, de contraposição às políticas mundiais de saúde, de contradição às verdades científicas, de imposição de suas próprias ideias e crenças, de queima de ministros contrários à não adoção do isolamento social e outras medidas de prevenção;

2) quanto à intervenção do governo comprometendo a independência de órgãos como a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e qualquer outro, inclusive a tentativa de controlar as Forças Armadas;

3) a política ambiental, desprezando as normas de proteção ao meio ambiente em favor de objetivos pragmáticos de lucro acima de tudo;

4) a uma tendência fascista de preconceitos contra negros, índios, pobres, homossexuais e mulheres;

5) à violência, mediante a liberação de armas para que a população se defenda dos bandidos e para que a população da direita resista pela força e pelas armas a qualquer movimento contrário ao bolsonarismo;

6) ao comunismo, quanto ao petismo, quanto ao esquerdismo e contra qualquer movimento, ideia ou tendência contrários ao conservadorismo e ao idealismo patriótico batedor no peito por Deus, Pátria, Família, Liberdade e Meritocracia;

7) e assim por diante,..

… de modo que

ao início do governo, em fevereiro de 2019, Jair Messias Bolsonaro chegou ao 45% de aprovação, sofreu quedas a seguir, porque seu eleitorado não estava se vendo no espelho.

Mas, à medida que a direita vê em Jair Messias Bolsonaro a face cuspida e escarrada da direita retrógrada e reacionária, o apoio volta a crescer, ainda não chegou aos 45% de antes mas volta a tomar fogo.

Nada mais justo que os seus apoiarem os seus, o que nos dá, também, uma medida de a quantas anda o pensamento nacional: temos mais de quarenta por cento de gente que apoia o maluco.

Pois, periga continuarmos a ter esse doido por mais um tempo e continuaremos a ser uma nação de pirados.

A não ser que.

* * *

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO SONETO – Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Álvares de Azevedo, São Paulo, (1831-1852))

FALA, BÁRBARA!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Nobre Editodos,

quero aproveitar o espaço para falar sobre o sucesso dos encontros semanais de leitores e colunistas do JBF.

Está muito melhor do que os “embalos de sábado a noite”.

Na última quinta-feira, nosso “John Travolta” foi o cearense Neto Feitosa, que destilou humor, não poderia ser diferente, falando sobre as particularidades do “cearês”, uma linguagem própria que se o cabra não tiver um tradutor automático não vai entender.

Os encontros são leves, o pessoal é extremamente bem comportado, polido no linguajar, a piada mais suja e pesada é aquela do elefante que caiu na lama.

Mas, como você sabe, o brasileiro é um povo que gosta de avacalhar e alguns frequentadores passaram a designar o “ambiente” como “Cabaré do Berto”, mas o “Cabaré” aqui é aquela coisa elegante do francês.

Portanto, espero que o boato se espalhe e que tenhamos outros frequentadores para enriquecer o debate que é, mil vezes, melhor do que o horário eleitoral.

R. De fato, a nossa reunião semanal foi arretada na última quinta-feira.

O fubânico Neto Feitosa fez uma excelente palestra, cheia de curiosidades, de muito humor e de revelações interessantíssimas. 

Foram gargalhadas do começo ao fim do estrupício.

Uma verdadeira aula que fortaleceu mais ainda a união dessa patota fubânica.

A participação foi intensa e muitas perguntas e revelações foram feitas.

Você, meu caro Maurício, colunista desta gazeta escrota, está de parabéns pela criação da plataforma onde o encontro é realizado.

E também está de parabéns pela administração deste cabaré que, de sacanagem, botaram o meu nome: Cabaré do Berto.

É de lascar!!!

Semana que vem, na próxima quinta-feira  vai ter mais.

Tenho certeza que será sucesso novamente.

Até lá!!!

COLUNA DO BERNARDO

RODRIGO CONSTANTINO

O RESGATE DE TOCQUEVILLE

Enquanto a eleição presidencial norte-americana segue sendo questionada judicialmente pelos republicanos, a nação continua dividida, e Joe Biden fez um discurso em prol da união. As palavras são positivas, mas os atos, nem tanto. Afinal, seu Partido Democrata tem sido responsável por segregar o povo, demonizar os adversários e eleitores de Trump, e nem sequer consegue condenar abertamente movimentos radicais e violentos como Antifa e Black Lives Matter.

Além disso, a política de identidade tem jogado mais lenha na fogueira da divisão, o ataque ao legado dos “pais fundadores” é frequente e ideias socialistas vão ganhando força dentro da base democrata. O partido que hoje tem Bernie Sanders, Kamala Harris, Alexandra Ocasio-Cortez e Ilhan Omar seria irreconhecível para um JFK, católico, anticomunista e defensor de menos impostos. O tecido social da América está esgarçado, e Trump é bem mais sintoma do que causa.

Nesse contexto, talvez seja útil resgatar a análise daquele que foi o observador mais arguto das peculiaridades norte-americanas que fizeram dos Estados Unidos uma grande potência democrática. Alexis de Tocqueville foi conhecer in loco a realidade do país e se encantou com muitas características excepcionais, que criavam certo abismo em relação à realidade europeia, em especial àquela francesa, de seu país natal.

Tocqueville escreveu seu clássico A Democracia na América buscando contribuir para a preservação da liberdade na França durante a conturbada transição da aristocracia para a democracia. Apesar do tempo transcorrido, o livro continua atual e válido em vários aspectos. Tocqueville reconhece a importância do caráter nacional norte-americano para a liberdade existente no país, e dá crédito aos religiosos puritanos pela moldagem desse caráter.

Entre as observações que fez sobre o país, consta a extraordinária capacidade das associações voluntárias no dia a dia da vida norte-americana, como uma força social muito mais potente e extensiva que o Estado. Se os franceses se voltavam para o Estado, e os ingleses para a aristocracia, os norte-americanos formavam livres associações uns com os outros quando precisavam de alguma coisa.

Os norte-americanos praticavam o autogoverno, em síntese. Não dependiam do governo, mas se organizavam para alcançar os próprios objetivos. Ele concluiu que a lei da associação é a primeira lei da democracia: “Entre as leis que governam as sociedades humanas, há uma que parece ser mais precisa e clara do que todas as outras. Se os homens devem continuar a civilizar-se ou tornar-se civilizados, a arte de associação deve crescer e melhorar, na mesma proporção em que aumentam as condições de igualdade”.

A igualdade de que falava Tocqueville não tem nenhum elo com a igualdade pregada pela esquerda democrata hoje, voltada para resultados iguais, independentemente do mérito ou valor gerado. Tocqueville deixou isso bem claro numa passagem conhecida: “Democracia e socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade. Mas note a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura igualdade na restrição e na servidão”.

Os norte-americanos imaginam, segundo observou Tocqueville, que está em seu próprio interesse fazer contribuições para o bem-estar comum e o bem público. O futuro deles e de seus filhos se beneficia disso. O bem público está assim associado ao próprio interesse de cada um, ao dever moral de quem se sente parte de um todo. Não é preciso falar em altruísmo, pois a própria busca da satisfação dos interesses particulares já leva um povo mais avançado culturalmente a cuidar dos bens comuns. O norte-americano sente que a coisa pública é sua também, é de todos.

Tocqueville explica melhor seu ponto sobre o respeito do cidadão às leis: “Ele obedece à sociedade não porque seja inferior aos que a dirigem ou menos capaz de governar a si mesmo do que outro homem; ele obedece à sociedade porque a união com seus semelhantes lhe parece útil e porque sabe que essa união não pode existir sem um poder de controle”.

Mas essa postura, para Tocqueville, era derivada de valores e costumes que a religião ajudava a preservar. A importância que Tocqueville deu ao fator religioso, especialmente o protestante, no sucesso relativo dos Estados Unidos foi enorme. Conforme resume Michael Novak em seu The Universal Hunger for Liberty, seriam basicamente cinco os aspectos mundanos da utilidade religiosa: restrição aos vícios e ganhos na paz social; ideias fixas, estáveis e gerais sobre as dinâmicas da vida; o foco na questão de igualdade perante a lei; uma nova concepção de moralidade como uma relação pessoal com Deus, e, portanto, um motivo para agir de forma correta mesmo quando ninguém está observando; e, por meio da elevada honra dedicada ao laço do matrimônio, uma regulação tranquila das regras no casamento e em casa. Uma rede de confiança inspirada pela fidelidade, alimentada dentro do lar familiar e criando filhos felizes, isso aumentaria as chances de sucesso de um governo republicano.

Para Tocqueville, a religião vê na liberdade civil um nobre exercício das faculdades do homem. Ela vê no mundo político um campo liberado pelo Criador para os esforços do intelecto. A liberdade, por sua vez, vê na religião a companheira de suas lutas e seus triunfos. Considera a religião como salvaguarda dos costumes e os costumes como garantia das leis e de sua própria durabilidade.

A aristocracia artificial, a nobreza por nascimento, era algo incompatível com a realidade democrática norte-americana, e Tocqueville celebrava isso. O “homem comum” tinha um valor bem superior ao que ele notava na Europa, e o ceticismo para com a classe governante era um antídoto contra tiranias. Tocqueville certamente demonstraria preocupação com a “tirania dos especialistas” na era moderna, com a arrogância dos “homens da ciência” que desejam agir como “engenheiros sociais”. Ele constatou: “O império moral da maioria se baseia na ideia de que há mais esclarecimento e sabedoria em muitos homens reunidos do que em um só, mais sabedoria no número do que na escolha dos legisladores. Esta é a teoria da igualdade aplicada ao intelecto”.

O que fez da América uma grande potência livre vem sendo abandonado faz tempo, em especial pela esquerda democrata. Obama, em seus discursos, diminuía a importância do empreendedor na criação de riqueza, apelando para um coletivismo incompatível com a meritocracia individual. A tentativa de apagar o passado e rejeitar as tradições herdadas é outra postura antagônica àquilo que Tocqueville enxergava como crucial para a manutenção do tecido social. O desprezo pelo cristianismo, tão comum em meios “progressistas”, representa um perigoso afastamento dos pilares norte-americanos.

Em suma, seria ótimo se os democratas realmente desejassem maior união. Mas para tanto seria necessário abandonar boa parte da retórica atual, eivada de um sentimento de arrogância elitista e ressentimento tóxico contra os “deploráveis”. Os democratas teriam também de depositar maior confiança no cidadão, no indivíduo, e menos no papel estatal como locomotiva do progresso e da “justiça social”. Tais crenças parecem bem mais próximas da mentalidade francesa aristocrática dos tempos de Tocqueville do que com aquilo que fez da América um caso excepcional de sucesso. Os democratas precisam resgatar Tocqueville se querem mesmo resgatar a América!

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

PUNIÇÃO COM TRABALHO FORÇADO

Comentário sobre a postagem UM POBRE INVASOR RICO

Roque Cunha:

Eu fico-se-me rindo na possibilidade do terrorista urbano do Boulos vencer essa eleição.

A punição maior não será para o povo abestado da capital paulista, mas sim para o prefeito Boulos.

Pela primeira vez na vida será obrigado a trabalhar oito horas por dias, seis dias por semana.

Será uma daquelas ironias da vida: ver o sujeito de pata rachada e cheiro de enxofre rezando um terço e ver um vagabundo, parasita contumaz ter que trabalhar.

Punição maior não poderia haver.

* * *

“Se vencer a eleição eu tô fudido: vou ter que trabalhar. Acho que, em caso de vitória, o melhor é renunciar…”

ANA PAULA HENKEL

O MAL DE ROUPA NOVA

Há algum tempo venho tentando apresentar por meio de análises e artigos, e direto da Califórnia, um dos maiores caldeirões progressistas dos Estados Unidos, o que grande parte da mídia no Brasil não cobre – e jamais explorará: a preocupante guinada radical para a extrema esquerda do Partido Democrata. E, para entender o motivo de muitos se referirem à última eleição como uma das mais importantes da História, é preciso perceber o que está em jogo além de políticas públicas propostas por democratas ou por republicanos.

A Declaração de Independência e a Constituição Americana, enxuta com suas 27 emendas, não mostram apenas a solidez dos documentos mais importantes da nação mais próspera do mundo. Quando alguns bravos homens das treze colônias britânicas na América do Norte se encontraram no Segundo Congresso Continental e decidiram se unir contra a Coroa britânica, nem tudo foi suave como muitos imaginam. Eram treze colônias independentes, houve muito debate, elas brigaram muito e levantaram muitas questões, mas decidiram colocar seus nomes em um histórico pergaminho que não apenas declarava a independência da Grã-Bretanha mas poderia significar a sentença de morte de cada uma delas.

Todos estavam cientes dos tempos difíceis que adviriam, mas também era muito claro o que se defendia: independência, liberdade, representatividade no governo, republicanismo. Apesar de serem homens de colônias independentes, eles baseavam suas crenças no brilhantismo ocidental calcado nos valores judaico-cristãos, na força dos indivíduos, nos direitos naturais. Aqueles homens tiveram contemporâneos como Adam Smith e o grande Edmund Burke, com quem estavam completamente familiarizados e a quem fizeram referência em seus escritos e legado.

Aqueles homens, apesar de todas as diferenças entre eles, que não eram poucas, agarraram-se em torno do maior ponto em comum que os unia: o empenho em criar uma grande nação com o maior documento governante que a humanidade já conheceu. E eles foram bem-sucedidos. A Constituição Americana estabeleceu um governo beneficente limitado e protegeu a sociedade civil para nutrir a liberdade, a família e os direitos religiosos. Na Declaração de Direitos (Bill of Rights), também elaborada com empenho e profundidade durante anos, o ponto central, que se tornou o pilar mais sagrado para a nação, não poderia ser outro: a proteção ao indivíduo contra o governo central, a defesa da liberdade de expressão, de imprensa, de associação. E ainda: a garantia da liberdade religiosa, o direito do indivíduo de manter e portar armas contra os inimigos, sejam eles apenas indivíduos ou governamentais.

Os Pais Fundadores dos Estados Unidos ainda fizeram questão de deixar explícito na Magna Carta o devido processo legal, a necessidade de mandados com base em causa provável, julgamentos rápidos, cláusulas pétreas de proteção à propriedade privada e tudo o que é crucialmente importante para uma sociedade civil livre. Nenhum documento na face da Terra é como a Constituição Americana, baseada nas declarações de independência e nos direitos naturais inalienáveis.

O que assusta, a cada dia que passa, com a possível eleição da chapa democrata para comandar a nação mais livre do mundo, não é apenas a retórica de discursos politicamente corretos, globalistas e contra policiais, inflamados para satisfazer a sanha da turba barulhenta – e violenta – da ala mais radical do partido. O mais aterrorizante aparece quando você sai da superfície eleitoral e mergulha na plataforma oficial do partido.

Com parte do país hipnotizada durante quatro anos pela narrativa da mídia de que Donald Trump é o “novo Hitler” e que precisava ser removido a qualquer custo (Reagan, Bush, McCain, Romney… todos eles também foram “Hitler” um dia), forças nada republicanas podem estar em ascendência na sociedade norte-americana. Um mal fantasiado de bom-mocismo e caridoso, mas tão nocivo quanto em qualquer momento da História. Agora com roupagem nova, esse mal atende pelo nome de “Força-tarefa da Unidade Biden-Sanders” (Biden-Sanders Unity Task Force).

Em 110 páginas, o documento que une a ala que já foi moderada no Partido Democrata, representada por Joe Biden, à ala radical, dominante hoje na legenda e com o socialista Bernie Sanders como líder, expõe linhas de deixar os cabelos em pé. Em nenhum lugar há menção alguma à proteção da liberdade individual, ou a direitos sobre propriedade privada, ou a fé religiosa, ou mesmo à liberdade de expressão. O manifesto que celebra a união do novo Partido Democrata é um documento totalmente antagônico à Declaração de Independência, à Constituição Americana e aos valores que fundaram o país.

Não é novidade que já há algum tempo os democratas andam seguindo políticas que são impraticáveis e impossíveis. A maioria, no entanto, continua parecendo ótima no papel. E de onde eles estão tirando essas ideias? Com uma guinada tão radical para a extrema esquerda no espectro político, a semelhança entre a atual plataforma democrata e a Constituição de 1936 da União Soviética, adotada em dezembro daquele ano, chega a ser perturbadora. Mas o que diz a Constituição de Stalin? Vamos lá.

Capítulo X: Direitos e Deveres Fundamentais dos Cidadãos

ARTIGO 118. Os cidadãos da URSS têm direito ao trabalho, ou seja, têm garantido o direito ao emprego e ao pagamento do seu trabalho de acordo com a sua quantidade e qualidade.

O direito ao trabalho é garantido pela organização socialista da economia nacional, pelo crescimento constante das forças produtivas da sociedade soviética, pela eliminação da possibilidade de crises econômicas e pela abolição do desemprego.

ARTIGO 119. Os cidadãos da URSS têm direito ao descanso e ao lazer.

O direito ao descanso e ao lazer é assegurado pela redução da jornada de trabalho para sete horas para a esmagadora maioria dos trabalhadores, pela instituição de férias anuais com remuneração integral para trabalhadores e empregados e pela disponibilização de ampla rede de sanatórios, casas de repouso e clubes de alojamento dos trabalhadores.

ARTIGO 121. Os cidadãos da URSS têm direito à educação.

Esse direito é assegurado pelo ensino fundamental obrigatório universal; pela educação, inclusive superior, sendo gratuita; pelo sistema de estipêndios estatais para a esmagadora maioria dos alunos nas universidades e faculdades; pela instrução nas escolas, ministrada na língua materna, e pela organização nas fábricas, fazendas estatais, estações de máquinas e tratores e fazendas coletivas de formação profissional, técnica e agronômica gratuita para os trabalhadores.

ARTIGO 122. As mulheres na URSS têm direitos iguais aos dos homens em todas as esferas da vida econômica, estatal, cultural, social e política.

A possibilidade de exercer esses direitos é assegurada às mulheres pela outorga de direitos iguais aos do homem ao trabalho, remuneração pelo trabalho, descanso e lazer, seguro social e educação, e pela proteção estatal dos interesses da mãe e da criança, pré-maternidade e licença-maternidade com vencimento integral e oferta de ampla rede de lares de maternidade, creches e jardins de infância.

Poderia parecer apenas o discurso de Kamala Harris, Elizabeth Warren ou do socialista Bernie Sanders, todos lhe pregando um sermão para que não se preocupe pois o Estado vai cuidar de você, de sua vida e, obviamente, de suas escolhas, caso não saiba escolher “o correto”.

Mas não acredite em mim. Mergulhe nas páginas do manifesto do Partido Democrata e leia:

Os democratas se comprometem a firmar um novo contrato social e econômico com o Povo americano – um contrato que investe nas pessoas e promove a prosperidade compartilhada, não um que beneficie apenas as grandes corporações e as poucas mais ricas. Um novo contrato que reconhece que todos os americanos têm direito a cuidados de saúde de qualidade. Um contrato que afirme que moradia é um direito e não um privilégio, e que assuma o compromisso de que ninguém ficará sem teto ou passará fome no país mais rico da Terra. Um novo contrato econômico que aumente os salários e restaure os direitos dos trabalhadores para organizar, aderir a um sindicato e negociar coletivamente. Um contrato que finalmente sustente famílias trabalhadoras e a classe média, garantindo salários iguais para as mulheres, férias familiares pagas para todos e o capital próprio.

Faço o convite para que todos leiam esse texto. A quantidade de medidas que poderão ser implementadas por meio de “ordens executivas”, de acordo com o documento do partido, é assustadora e ao mesmo tempo inacreditável para qualquer nação que tenha um Congresso responsável pela atividade legislativa. E o que dizer da nação que tem em suas bases o federalismo, com ampla autonomia e independência dos Estados?

As medidas que seriam resolvidas na caneta democrata são preocupantes: descriminalização da maconha em todo o país, corte de recursos para corporações policiais, aumento de poder e investimento federal em sindicatos – enaltecendo as decisões coletivas, e não as individuais – e revogação da espetacular reforma tributária da administração de Donald Trump, que por meio das Oportunity Zones trouxe enormes benefícios e pleno emprego a mais de 8 mil comunidades negras pelo país. Em um trecho do manifesto, o partido afirma “que os democratas continuam a apoiar a abolição da pena de morte”, mas, na plataforma oficial, assinala comprometimento com recursos federais para as clínicas de aborto em todo o país (verba cortada por Donald Trump), sob a cantilena de “cuidados com a saúde das mulheres”.

Sobre a pandemia, o documento afirma que Donald Trump é responsável pela morte de dezenas de milhares de norte-americanos e pela atual recessão econômica. O bizarro “contrato com os EUA” (parece familiar?) promete uma série de aumentos de salários, benefícios estendidos a todos, como educação gratuita desde o jardim de infância até a universidade, perdão das dívidas universitárias de milhões de pessoas, extensão para licenças-maternidade e paternidade remuneradas – tudo isso sem aumentar impostos da classe média. A conta não fecha. A cereja desse bolo de Halloween? Criar algumas empresas estatais que, segundo os ungidos democratas, trarão enormes benefícios à sociedade norte-americana. Eu conto, ou vocês contam?

Não acabou, não. O ex-partido de John F. Kennedy, que deve estar se revirando no túmulo com o sequestro de sua agremiação pelo Psol ianque, não apoia apenas a criação de mais sindicatos, mas firma compromisso com a obrigação de um minimum wage de US$ 15 por hora para todo o país. O utópico roteiro tragicômico de 110 páginas ainda inclui como as boas almas democratas deixarão o país mais verde e feliz – e sem aumentar um centavo de impostos da classe média: “Democratas vão lançar uma revolução por meio de investimentos históricos em energia limpa, transporte limpo, eficiência energética e fábricas limpas e avançadas. Vamos consertar todas as nossas rodovias, estradas, pontes, portos e aeroportos e lançar a segunda revolução ferroviária no país, investindo em ferrovias de alta velocidade”. Alô, Dilma, é você? Discurso tão bonito que até escorreu uma lágrima aqui.

Eu poderia me estender em mais uma hora de resenha só acerca do manual direto do inferno dos democratas que prega um Estado maior, mais centralizado e mais poderoso, e com menos liberdades individuais – ou seja, tudo o que sempre pregou o marxismo de roupa nova, cabelo cortado e sapato de marca.

A América, o pilar mais sólido na defesa inviolável da liberdade no Ocidente e no mundo, pode estar a um passo de uma perigosa mudança, aquela que vem de dentro para fora. A prosperidade que os desmiolados democratas pregam nesse funesto manifesto não é apenas irreal e inatingível, é perigosa para os norte-americanos e para o resto do mundo.

Embora figuras como Thomas Jefferson e George Washington possam vir mais facilmente à mente quando pensamos no período revolucionário e na fundação da América, o principal defensor da causa da independência foi verdadeiramente John Adams. Ninguém fez mais discursos vigorosos pela liberdade do que o admirável e dedicado advogado de Boston. Por causa disso, ele foi o líder de um comitê de cinco notáveis que redigiram a Declaração de Independência. Adams tornou-se o defensor mais ardente desse documento e de seus princípios.

Em um de seus memoráveis discursos, aquele que veio a se tornar o quinto presidente dos EUA disse: “A tirania dificilmente pode ser praticada em um povo virtuoso e sábio”. Rezo para que as palavras de homens tão fundamentais para a América como John Adams, agora mais do que nunca, sejam redescobertas no inconsciente da nação, e que o povo norte-americano entenda que a América é a nação mais próspera porque é a mais livre. E não o contrário.